Os Contos Do Prisioneiro Cego
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Capitulo 3:
Depois de dois meses cativo entram três homens na minha cela. Um deles me pega pelo braço e tenta me levantar. Sem me mexer, pergunto:
– Para onde vamos?
– Não é da sua conta.
Seguro no braço do homem. Coloco meu pé atrás do dele, e apoio o cotovelo em suas costelas. Puxo com força e, usando a alavanca do meu cotovelo, destronco o braço do homem. Repito:
– Para onde vamos?
Sinto a ponta de dois refles tocando minha testa. Levanto às mãos, tirando as armas da minha direção. Seguro no cano dos rifles e bato suas coronhas na cabeça dos seus portadores. Acho que reagir não foi uma boa ideia.
Creio que fugir, agora, é minha melhor escolha. Se vierem mais guardas, e virem o que eu fiz, vão me executar.
Saio da minha cela. Os corredores estreitos permitem que eu tateie as duas paredes simultaneamente. Ando o mais rápido que posso. Mas estou fraco e subnutrido. A fragilidade desse corpo é incrivelmente irritante.
As paredes são de pedra e metal. O som das goteiras por todo o corredor atrapalha minha linha de raciocínio. Ao ouvir palavras na curva a apenas alguns metros de mim, paro. Tenho que dar meia volta. Ao me virar e dar alguns passoa cambaleantes, ouço o som de um disparo, seguida de uma dor forte no ombro direito.
Me curvo. Então essa é a dor causada por um projétil. Doeu mais do que eu imaginava. Outro disparo, desta vez no estômago. Ajoelho-me. A perda de sangue é enorme, chegando a me enfraquece mais que a dor. Um terceiro e ultimo disparo é ouvido. Desta vez no ombro esquerdo. Bem perto do coração. Deito-me no chão de rocha e pedra úmida. Respirar fica cada vez mais cansativo. Ouço passos vindo em minha direção. Me sinto fraco e cansado. Até que a minha mente apaga por completo.
***
Retomo a consciência atordoado. Meus ferimentos, apesar de doerem um pouco, estão enfaixados e bem cuidados. Estou deitado em uma maca lisa e gelada, provavelmente de metal. Apoio-me nos cotovelos para me levantar, mas percebo que minhas mãos estão acorrentadas. Ao forçar o abdômen sinto uma fisgada forte no estomago. Meus pontos ainda estanvam rescem colocados. Doia um pouco, mas mada que me incomodasse muito.
– Não tente se levantar. O estrago que você sofreu não é para qualquer um.
Era a voz da minha guarda. Pergunto:
– Por que não me deixaram morrer?
– Você tem informações que precisamos e... — Interrompo.
– E por que você acha que eu irei cooperar? Por que vocês acham que estou do lado de vocês? Suas atitudes são de selvagens.
– Nós só queremos sobreviver. E, depois de ver como você agüentou os tiros, e fala agora, normalmente, com as feridas quase abertas, eu sei que não poderíamos tirar de você nada além do que você queira dizer. Acho que você vai fazer a coisa certa.
Ela sai da sala. Dava para perceber angústia em suas palavras. Palavras essas que agora estão na minha mente. As almas nunca entraram em conflito, pelo menos, nunca em um conflito com a espécie hospedeira.
"Nós só queremos sobreviver"... Acho, que... Talvez... Nós passamos um pouco dos limites. Declarar guerra a um espécie como a raça humana é assinar sua extinção. Como seres mais evoluídos devemos tomar o primeiro passo para a paz. Se algum acordo deve ser assinado, nós, as almas, Somos quem devemos tomar a iniciativa. E, agora, eu a tomarei.
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