Notas iniciais
Uma breve conversa...

Capitulo 2:

Já completo um mês cativo. Tateando o ambiente, descobri que estou em uma cela de pedra e barras de metal. O cheiro de ferrugem é forte. E o frio da noite me faz perder a sensibilidade de minhas extremidades.

Às vezes os ouço falar sobre mim. Querem me interrogar... Torturar-me. Mal sabem eles, que nunca tirariam uma palavra de mim que eu não quisesse que ouvissem. Conheço a dor.

O que desperta minha curiosidade é minha guarda. Tenho a sensação que ele me observa o tempo inteiro.

- O que você tanto pensa que não balbucia uma palavra sequer?

Sabia que era só uma questão de tempo, até sua curiosidade se sobrepor a suas ordens de não falar comigo. Mas devo admitir. Ela tinha uma voz linda. Respondo:

- Estou pensando... Por que os humanos foram tão ariscos? Por que eles não, simplesmente, aceitaram nossa presença? Você pode responder essas perguntas?

- Sua espécie não pode entrar no nosso planeta, pegar nossos corpos, e fingir que vivem em nossa sociedade, sem esperar uma reação. Vocês mataram as pessoas cujos corpos habitam! E não querem ser tratados de maneira... — Interrompo.

- Não matamos ninguém. Se pensam que matamos, estão enganados.

- Quê? Como... Como assim?

- Ninguém morre. Não de verdade. A consciência, as memórias, informação. Tudo nunca morre. Apenas se transforma.

- Não me venha com isso! Essa religião que vocês são adeptos não passa de mitologia! É tão valida quanto qualquer outra! Deus não existe! Alma não existe! O que existe é o aqui e o agora! E só...

- Hahahahahaha! Por que está tão irritada? Religião é feita por fé. Eu não tenho fé. Eu sei. Eu sou uma alma oras!

Ela fica calada. Mas eu sei que está com raiva. Eu mexi com suas convicções. Não poderia esperar menos... Talvez seja isso. As almas mexeram nas convicções de sociedade, religião, tudo que os humanos acreditavam como verdade, nós provamos que era mentira. Talvez seja isso... Talvez...

Notas finais
Eu sei que está demorando muito. Mas tenham paciência. Estou, realmente, sem tempo.