Notas iniciais
Começa com o capítulo 1 os contos dele em seu corpo humano.

Capitulo 1:

Eu não fui convocado para partir para a Terra. Pela primeira vez estava em um planeta como um colono, e não como um agente. Usava, e uso, o nome Observador, pois não entenderia se me chamassem de outra forma. Foram eras com esse nome para me livrar dele em tão pouco tempo.

De fato, o planeta era diferente. Possuía uma arquitetura muito... Diversificada, entre si. Isso deve ter sido por conta do capitalismo exacerbado que essa população adotou.

Rodei o planeta de cabo-a-rabo. Viajei de Norte a Sul e de Leste a Oeste. E só encontrei almas novas. Porra! Onde estavam às almas da velha guarda?! A mais velha que encontrei possuía 10 mil anos. Que absurdo! Diante delas eu não passava de um velho rabugento. Naquela época eu não queria aceitar. Mas tenho hoje. Tenho que aceitar que sou a última alma da minha geração.

Aos três anos após minha chagada, eu estava vivendo no país antes chamado de Brasil. Em uma cidade no litoral cheia de montanhas e morros. Falando nesta cidade, houve uma enquete para a retirada de um símbolo religioso enorme que os antigos habitantes haviam construído. Eu votei contra a retirada. Era uma obra muito bonita para ser dispensada assim. Um homem com barba e cabelos compridos de 40m de altura. Esculpido em pedra de braços abertos. As pessoas que o veneravam diziam que ele era o salvador. Aquele que salvaria a humanidade. Bem... Ele não a salvou de nós.

É entre essas e outras esculturas e obras que esse povo construiu que me fascino por esses nativos. Biologicamente falando eles são fracos. Possuíam uma estatura normal. Mais dedos que o necessário na minha opinião. Dois braços. Duas pernas. Sim... Eles são esquisitos. Mas possuem uma criatividade para obras de arte que só vi igual e dois outros planetas.

Este tempo que estive viajando foi o prazo que me deram para me acostumar ao planeta. Como agora eu era um colono eu deveria trabalhar para a sociedade. Escolhi o trabalho que me pareceu o mais irregular. O trabalho onde tudo poderia dar errado. Se me perguntar o porquê. Irei responder: Não sei. Mas foi por causa do meu trabalho que perdi a visão.

Eu trabalhava em uma usina de refinamento farmacêutico. Basicamente, eu jogava ácido cáustico em um tonel de duas toneladas de soro bio restaurador para purifica-lo. A sala onde ocorria o processo era um barril gigante, com esteiras suspensas para realizar a manutenção da bomba de ácido. Que era um funil metálico de sete metros de diâmetro que ficava preso ao teto no centro do barril.

Um dia o funil parou de funcionar, graças a um erro no sistema. Eu fui até ele, para ver o que estava errado. No pensamente que o erro poderia ser mecânico. Porém, quando eu já havia ultrapassado a zona de segurança, o sistema rezetou e a máquina começou a bombardear ácido cáustico no barril.

A última coisa que vi foi um jato de ácido vindo em direção aos meus olhos. Eu os senti derretendo dentro do meu crânio. Pelos Primeiros! Aquilo foi a segundo coisa mais dolorosa que eu já sentira!

Só não morri porque ativaram a trava de emergência. E a máquina parou. Como o soro é purificado a partir desse ácido, ele só tem efeito cicatrizante. Os danos feitos pela substância não são reparáveis. O acidente resultou na deformação da área do meu rosto onde ficam os olhos e parte da testa. Fora a perda total dos olhos.

Minha recuperação possível foi feita em três dias. No quarto meu curandeiro disse que me trocariam de corpo. Eu disse não. Me lembro até hoje do diálogo:

- Observador... O senhor é da época que as almas começaram a se espalhar pelo universo, não é verdade?

- Sim.

- As almas tem um grande débito com seus serviços.

- Quer parar de puxa-saquismo e ir logo ao assunto. Com todo o respeito.

- Sim... Claro- Até hoje sinto a decepção na voz do Curandeiro. Expressando o que ele sentia naquele momento- Não podemos curar suas sequelas. Como o senhor já deve ter percebido, seus olhos, praticamente, foram corroídos por completo. A pele na região central do rosto foi totalmente liquefeita no momento. Mas não se preocupe senhor. Um novo corpo será providenciado o mais rápido...

- Não.

- Perdão? -Cada vez mais sua foz afinava junto a minha- O senhor recusa um novo corpo?

- Quantas espécies, que conhecemos, não possuem olhos, Curador?

- Nenhuma senhor...

- Exato... Após quase um milhão de anos vendo o mundo por olhos, acha que já está na hora de mudar um pouco a perspectiva.

Estou sem minha visão há 15 anos... E me viro bem sem ela. Foi bom para mim mudar um pouco o ângulo de como eu via o universo...

Notas finais
Demorou mas eu estou continuando a história. Aproveitem e, por favor, não parem de dar idéias!