Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga de Eros
1 O Deus do Amor chega à Terra! Cuidado, Cavaleiros!
Notas iniciais
Santuário de Atena — Grécia...
As pessoas se reuniam para um pronunciamento do Grande Mestre. Além dos cavaleiros de bronze do santuário, também estavam presentes os cavaleiros de Ouro, com exceção de Alrisha, que ainda permanecia no Cabo Sunion, e Acubens. Além deles, também estavam Ian, Kraisto, Maya e Altair.
— Não fique nervoso, rapaz. — dizia Atla— Está tudo bem. Hoje é o seu grande dia.
— S-Sim. Acho que sim. — respondia alguém que não era muito visível devido ao enorme corpo da armadura de touro.
Atla empurra o rapaz que trajava uma armadura de ouro e se junta aos outros cavaleiros dourados. O rapaz caminha na direção de Shion e então para se ajoelhando perante o Grande Mestre.
— Alguns anos se passaram desde a luta contra Éolos e seus guerreiros safiras. Infelizmente, nessa batalha perdemos uma grande guerreira: a amazona de Câncer. Durante esses anos, a casa de Câncer ficou desprotegida, esperando a chegada de um novo guardião. — Shion então se abaixa para levantar o rapaz e olha diretamente nos olhos deles – Presenciem e saúdam o novo protetor da casa de Câncer!
O grande mestre vira o rapaz que era na verdade Shee. Agora um pouco crescido, ele trajava a armadura de Câncer que estava com um detalhe diferente dos demais cavaleiros de ouro, em seu peitoral haviam pequenos detalhes em azul marinho e uma pedra vermelha. Seu elmo possuía uma pedra vermelha também.
— Agora, proteja e honre o título que um dia sua mestra carregou.
Os cavaleiros todos aplaudiam e comemoravam. Aquela era a primeira vez que um cavaleiro de bronze subia à patente de ouro.
— É... — dizia Kraisto olhando aquilo – As coisas estão mesmo diferentes no Santuário.
— Deixe de ser marrento. — comentava Ian – Esse vai ser o começo de uma nova era. O Santuário precisa evoluir, mudar.
— É... Talvez, talvez... — concordava Kraisto mesmo achando ruim.
— Vem cá... — interrompia Altair – Alguém aí viu o Jaga?
— Ele disse que precisava fazer uma coisa... — comenta Maya.
— Heh... Esse cara não muda nunca. — dizia Kraisto voltando seu olhar para a comemoração.
A emoção batia forte no peito de Shee. Ele ainda não conseguia acreditar que seu maior sonho agora havia se concretizado. Ele adentrava os aposentos que um dia foram de sua mestra no que um dos vários lacaios da Casa de Câncer retirava-se. Algo que ele deveria ter de se acostumar agora também.
— Está tudo do seu agrado aqui, Shee-sama? – dizia um homem robusto que trajava uma túnica um pouco melhor trabalhada que a dos demais criados.
— Oh... Klaus-san. – dizia Shee – Não precisa dessa formalidade toda comigo. Lembre-se que ambos fomos servos da Mestra Acubens.
— Eu sou um servo dos Cavaleiros de Câncer agora. – ele respondia. – É meu dever servi-lo a partir de hoje.
Shee suspira em tédio ao perceber que argumentar era inútil. Ele faz apenas um sinal e Klaus se retira. Ele finalmente estava sozinho após a cerimonia. Ele se desarma por completo, aliviado. Aproxima-se de sua nova cama, a mesma que antigamente costumava correr para os colos de sua mestra quando trovejava como estava lá fora. Ele pega um porta-retratos com uma foto em preto e branco dele e de Acubens.
— Mestra, eu não te desapontarei, prometo...
O céu estava escuro. Relâmpagos e trovões dominavam o santuário da deusa Atena. Sadal meditava no salão principal da casa de Aquário quando uma visão dominava sua mente. Ele via claramente a imagem de uma linda mulher, talvez a mulher mais bela que ele já vira. Ao vê-la, uma sensação de pavor, admiração e encanto se juntavam no amago de seu ser. Sua imagem era mostrada no céu sob o Santuário, um céu rubicundo.
O cavaleiro de Aquário desperta de sua visão apavorado. Uma sensação nada boa parecia lhe dominar.
— Quem será esta mulher? – ele dizia pensativo.
Os trovões continuavam lá fora. A iluminação que batia com eles sob as pedras do Santuário revelavam um misterioso homem trajando uma armadura com uma capa nas costas. Ele segurava um dos soldados do Santuário com as próprias mãos.
— Quem é você que ousa invadir o Santuário de Atena?! – questionava um rapaz de armadura roxeada que protegia seu torso, braços e pernas. – Eu, o incrível Mon de Unicórnio não permitirei que prossiga!
— Não permitirá que eu prossiga? – diz o homem misterioso. Ele caminha em direção a uma parte mais iluminada revelando um cabelo rubro, quase como sangue, curtos e jogados para cima. Os olhos verdes como uma pedra de jade. Ele usava uma tiara azul e uma armadura azul imponente com um coração em seu cinturão.
O homem misterioso se aproxima de Mon com seus olhos brilhando.
O sol mal havia nascido quando Kraisto e Ian levantaram para treinar no Coliseu aquela manhã. Os dois lutavam entre si trocando socos e chutes enquanto algumas crianças observavam maravilhadas. Junto a elas estavam outros cavaleiros trajando armaduras de bronze. Kraisto desferia um soco no punho de Ian.
— O que foi, Kraisto? – dizia Ian. – Enfraqueceu depois da batalha contra os Ventos?
— Heh, você adoraria isso, não é mesmo? – dizia Kraisto.
Os dois voltam a trocar socos e chutes. Kraisto se afasta e concentra seu cosmo. O fundo atrás dele passa a simular sua constelação: a Contelação do Cruzeiro do Sul.
— Chagas de Gelo!!!— diz Kraisto disparando pequenas lanças de gelo contra Ian.
O cavaleiro de escudo eleva seu cosmo fazendo a imagem da Constelação de Escudo surgir atrás dele.
— Escudo Perfeito!— anuncia Ian criando um campo de energia com seu cosmo que faz as lanças de gelo se desfazer como pó. – Isso é tudo o que você tem?
— Ian, seu canalha! – dizia Kraisto caindo na provocação do amigo. – Não me subestime!!!!
Kraisto eleva seu cosmo ainda mais. O piso no Coliseu começa a se rachar em volta dos seus pés. As crianças que assistiam ao treino dos dois estavam começando a ficar com medo. Um dos cavaleiros de Bronze pega elas e salta para o mais alto possível.
O cavaleiro do Cruzeiro do Sul se posiciona na frente de Ian com os braços em forma de uma cruz. Ele então avança contra o companheiro e lhe inflige um corte de forma similar, projetando um raio azul de energia com um golpe. Ian segura o golpe no que Kraisto começa a fazer uma pressão, causando feridas no braço do amigo.
— Kraisto... – diz Ian ao notar as feridas. Ele então eleva ainda mais o cosmo e aumenta sua velocidade desaparecendo da frente do seu colega de prata. Ele aparece projetando seu pé sobre Kraisto e girando sobre si mesmo como um tornado.
Kraisto é atingido pelo ataque do amigo e é empurrado para mais atrás fazendo levantar poeira dos pés. Os dois se encaram com certa rivalidade.
— Você está ainda mais ágil depois da nossa batalha contra os Safiras. – dizia Kraisto esboçando um sorriso no canto do rosto.
— E você está ainda mais intenso. – dizia Ian ofegante. – Precisava mesmo desse showzinho?
— Ora, que graça tem senão for pra impressionar? – Kraisto dava de ombros. – Então, vamos considerar um empate por enquanto?
Um barulho de palmas ecoava sob o coliseu naquele instante. Os dois voltam sua atenção para a direita onde viam Mon que os encarava com um sorriso cínico.
— Grande espetáculo. – diz o cavaleiro de Bronze. – Com uma tenda e isso aqui seria um belo circo.
— Como é? – diz Kraisto não gostando daquele tom. – Você é Mon de Unicórnio, não é mesmo?
— Exatamente. – responde ele. – Até que você é inteligente para um troglodita.
— Desgraçado petulante! – Kraisto se irrita. – Vou te mostrar o troglodita!
O cavaleiro de prata ameaça ir com tudo pra cima de Mon, mas Ian o segura. Os dois discutem brevemente, no entanto, Kraisto acaba se acalmando.
— Diga Cavaleiro, o que quer exatamente?
— Vim aqui sob as ordens do meu novo senhor. – diz ele. – Eros.
— Eros? – dizem Kraisto e Ian em uníssono.
— O meu grandioso deus, Eros agora é o único merecedor de minha devoção. Do meu amor.
— Está dizendo que está traindo Atena? – questiona Ian.
— Atena já não está mais aqui. – dizia Mon cujos olhos brilhavam em um rosa intenso como um quartzo. – Ela abandonou seus devotos cavaleiros.
— Maldito... – Kraisto estava indignado. Ele já estava cansado daquela conversa sem sentido.
— Venham, cavaleiros de Atena! – Mon dizia com seus braços esticados, cada um para um lado. – Deixe-me mostrar o poder do amor verdadeiro!
Um movimento chama a atenção deles. Uma espécie de chicote se prende ao braço de Mon que o percorre até um cavaleiro com armadura de Bronze em tom azul escuro com detalhes em branco. O rapaz tinha cabelos castanhos claro e bagunçados, longos como um mullet.
— O seu oponente sou eu, Johann de Camaleão! – diz o cavaleiro.
— Eu não estou interessado em um mero Cavaleiro de Bronze.
— Um mero cavaleiro de Bronze? – indaga Johann. – Já se olhou no espelho?
— Você acha que nossos cosmos se equiparam? – Mon o olha como se não fosse nada. – Idiota, vou te mostrar o quão poderoso é o amor do meu deus por mim!
Mon eleva seu cosmo. Um cosmo pesado, forte e maligno capaz de causar uma forte pressão sob o cavaleiro de Bronze. Johann finca seu pé no chão e eleva seu cosmo também. Uma eletricidade começa a ser formada pelo cosmo do cavaleiro de Camaleão.
— Corrente do Camaleão!— diz ele desferindo uma poderosa corrente elétrica através de seu chicote.
A corrente elétrica atinge o cavaleiro de bronze que dá um grito ecoando pelo coliseu. O grito logo se transforma numa risada estridente. Mon volta seu olhar para o cavaleiro de Camaleão com seu sorriso cínico novamente.
— Isso é tudo o que você tem? – indaga o cavaleiro. – Como um cavaleiro de Atena isso é decepcionante. Vou te mostrar o que é um poder de verdade. Sinta o cosmo de um verdadeiro cavaleiro!
Mon eleva seu cosmo até os céus. A imagem da constelação de Unicórnio surge atrás dele. Ele parte pra cima de Johann numa super velocidade dando um salto e projetando uma voadora em direção ao cavaleiro de Atena o acertando com chutes poderosos.
— Galope do Unicórnio!!!— gritava o cavaleiro de bronze.
Johann tenta se defender, mas o poder de Mon era grande demais, o cavaleiro de Camaleão cai no chão com um impacto tão grande que causa uma rachadura em volta do corpo do cavaleiro desmaiado.
— Esse cosmo... – Ian parecia espantado.
— Não é o cosmo de um Cavaleiro de Bronze, não pode ser... – Kraisto completava.
— Então finalmente perceberam, não é mesmo? – dizia Mon virando-se para eles novamente. – Será que agora podemos lutar finalmente?
Os dois cavaleiros de prata se olhavam seriamente. Eles vestem suas armaduras em seguida. Mon dá um sorriso de canto e então parte pra cima dos dois.
Altair era arrastado por uma forte cosmo energia em outro canto do santuário. Diante dele aparecia um rapaz cujos olhos brilhavam intensamente num rosa como se fossem quartzo. O rapaz tinha cabelos longos e cheios, castanhos como seus olhos normais. Ele trajava uma armadura de bronze em um cinza metálico. A armadura protegia o peitoral, ombros, braços, joelhos e tornozelos. Em sua cabeça ele trajava uma tiara que lembrava um pássaro.
— Cavaleiro, o que está fazendo?! – indagava o cavaleiro de prata.
— Estou aqui em nome do meu deus. – dizia o cavaleiro. – Eros!
— Eros?! Está se referindo ao Deus do amor?!
— Exatamente. – o cavaleiro continuava – Ele me fez enxergar o verdadeiro amor de um Deus por seus fiéis.
— Phaeton, você não pode estar falando sério. – Altair não conseguia acreditar naquelas palavras. – Você é um cavaleiro de Atena!
— Não mais! – respondia o cavaleiro de bronze elevando seu cosmo.
Um ar gelado começava a dominar o local. Fumaça saía da boca de Altair. Seu corpo queria tremer de frio. Ele já podia enxergar pequenos flocos de neve caindo em volta dele. O cavaleiro queimava seu cosmo.
— Usando seu cosmo para lhe manter aquecido? – ingava Phaeton. – Muito inteligente. Mas não vai adiantar, eu aprendi muito bem com meu mestre Sadal! – ele começa a aumentar ainda mais o frio. A imagem da constelação de cisne surge atrás dele em meio à neve. Phaeton começa a se mover graciosamente como um cisne batendo suas asas. Ele então lança um ar gelado para cima que cai sobre ele no que o cavaleiro de bronze o empurra com dois socos contra o inimigo. – Pó de Diamante!!
Rapidamente, o corpo de Altair começa a ser dominado pelo gelo. Ele sente como se a própria carne congelasse. O cosmo de Phaeton estava mais poderoso, diferente do de um cavaleiro de Bronze, ele conseguia sentir isso. Era como se seus cosmos se equivalessem.
— Porque está fazendo isso? – insistia Altair. – Porque trair Atena dessa forma em nome de um deus que está lhe obrigando a agir assim?
— Me obrigando? – diz Phaeton. – Eu me ofereci pra isso.
— Como é?
— Eros, me mostrou a verdadeira beleza do amor. O quão enganado eu estava achando que amava Atena quando na verdade eu amava apenas a mim mesmo. — continuava o cavaleiro — Em gratidão eu me ofereci para impedir vocês, os cavaleiros de Prata que ousaram se levantar contra um deus. Em toda sua plenitude, Eros aumentou meus poderes. Eu nunca tive tanto poder!
— Então você fez tudo isso por poder?
— Não, você não me ouviu? Fiz isso por amor a ele. Por gratidão, eu não ligo para o poder que ele me deu. Isso só me provou o quanto o meu deus me ama. Tudo o que quero é impedir que vocês o atrapalhem.
— O atrapalhar? Atrapalha-lo em que? Por acaso Eros quer o reino de Atena? Ele quer a Terra?
— Ora, não ofenda o meu amado Eros! – Phaeton se aproxima e soca o corpo congelado de Altair que cai em seus braços.
Altair aperta forte os braços de Phaeton e o olha, com um pouco de sangue escorrendo de sua boca.
— O que ele quer, afinal?
— A mais bela de toda a Grécia. – respondia Phaeton.
[...]
Jaga estava a quilômetros do santuário. Ele parecia feliz como nunca ninguém o vira antes. Nem mesmo seu mestre o havia visto sorrir em todos os anos que o treinara. Jaga sempre gostara de se fazer de forte, de insensível, mas no fundo possuía um grande coração. Já faziam semanas que ele havia deixado o santuário após a batalha contra os Ventos. Ele agora se sentia livre para ver uma pessoa muito importante.
A pessoa em questão era Aimi, uma garota linda, tida como a mais bela de todas. De fato, Jaga em toda a sua vida como cavaleiro, em todas as suas missões jamais vira mulher tão linda, era como se Afrodite, a deusa da beleza, tivesse lhe emprestado um pouco. Aimi colhia flores próxima a um riacho que passava por ali onde morava. Sua casa era uma casa simples, de madeira cercada por um canteiro de pedras. Ela cheirava as flores esperando ansiosamente pela chegada de Jaga. Ela percebe um vento passando por ela, como se alguém se aproximasse.
— Jaga, você finalmente... – ela dizia ao se virar. No entanto, não era Jaga que estava ali e sim uma mulher cujo corpo estava coberto por um manto branco e seu rosto escondido por uma máscara metade branca e metade cor de rosa. – Você não é Jaga. – ela se afasta um pouco.
— Você está certa. – dizia aquela que parecia uma Amazona – Eu sou Bianca de Columba.
Continua...
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