Notas iniciais
Reta final, galera! Boa leitura!

Matheus de Aquário.

Eu não sabia bem onde estava e minha cabeça estava latejando muito, o que me dava vontade de ficar com os olhos fechados para sempre. De qualquer modo eu sabia que não conseguia lembrar algo. Mas o que? Era importante, disso eu tinha certeza.

Eu me lembrava de muitas estrelas e uma luz muito forte. Havia também uma grande estátua e sons de batalha ao meu redor. Isso! Eu estava travando uma batalha. Mas com quem? E por quê? O rosto de Lays me veio à memória. Ela tinha alguma relação com aquela batalha?

É claro! Aos poucos tudo voltava à tona. Nós tínhamos descoberto que a irmã mais nova dela era a portadora da armadura de Athena e logo depois o portador da de Apolo a sequestrou e estava tentando usar seu poder pra destruir a Terra e todos que nela habitam.

Abri meus olhos com um sobressalto e logo me prostrei de pé. O que não foi muito legal, porque minha vista ficou escurecida e eu cambaleei até cair sentado. À medida que a tontura passava meus olhos voltavam a se abrir, mas eu não estava mais no Salão de Apolo. Era um enorme vale branco, eu estava de volta ao local dos meus sonhos. Mas eu sabia que não era o caso. Estava tudo real de mais.

Tentei caminhar um pouco pra ver o que encontrava, mas era com se eu andasse sobre uma esteira, a paisagem simplesmente não mudava. Então parei e silenciei. E, aos poucos, o som de uma respiração ofegante se aproximava junto com o som de passos apressados. Olhei para trás e um ponto brilhante vinha em minha direção, e, a medida que se aproximava, ia tomando forma. Até que eu reconheci como Eduardo, que não parecia nada feliz em me ver.

Ele parou na minha frente, boquiaberto, e me olhando de cima a baixo como se não pudesse acreditar que eu realmente estava ali.

– Eu não acredito que você está aqui! – O que foi que eu disse? – Como? Não era pra você estar aqui, cara! Isso está errado, muito, muito, muito errado!

– Mas eu não fiz nada para estar aqui! – Falei sem ter o que dizer.

– Eu sei, eu sei. A culpa não é sua... – Ele parecia alarmado com alguma coisa e olhava para trás constantemente. – Vou tentar ser o mais breve possível, certo? Mas não se assuste com o que eu vou dizer.

– Fala...

– Você morreu, Matheus.

A noticia acertou em cheio o meu peito. Como assim, eu morri? Não podia ser verdade, eu não podia morrer. Apolo estava prestes a destruir tudo, eu tinha que fazer alguma coisa a respeito.

– Fala que é brincadeira. – disse numa tentativa desesperada de que aquilo fosse uma brincadeira de mau gosto.

– Infelizmente não, cara.

Não tive tempo nem de entrar em estado de choque. Por trás de Eduardo vinha, numa velocidade assustadora um projétil pontiagudo.

Eu o empurrei e, quando estava perto de me atingir, estiquei o braço e lancei uma onda, congelando a flecha negra completamente.

– Ele nos achou. – Falou Eduardo se levantando e assumindo posição de batalha.

– Eu te falei, não foi? – Disse Dhiego dirigindo um sorriso maligno a mim. – Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Agora você está confinado aqui conosco. Junte-se a nós na nossa batalha eterna!

Com o punho carregado de eletricidade, ele lançou um golpe contra meu rosto, mas foi fácil desviar. Eu inclinei minhas costas para trás e vi seu braço muito próximo ao meu rosto. Segurei-o e atirei meu adversário contra o chão.

Pondo um joelho sobre seu peito e uma mão sobre seu pescoço eu criei uma grossa camada de gelo que o envolveu prendendo-o no chão.

– Certo... – Falei me afastando de Dhiego aos poucos. – O que está acontecendo aqui?

– Eu não posso explicar... – Disse Eduardo com uma cara estranha de quem fazia esforço. – Não até ele ser derrotado.

– HAHAHA. E você pensa vai ser simples assim me derrotar?

Uma luz forte iluminou o corpo de Dhiego e o gelo que envolvia seu corpo estourou fazendo subir uma densa névoa gelada. Por alguns tensos instantes eu não pude enxergar nada nem ninguém e parecia que naquele lugar era impossível sentir a presença de quem quer que fosse.

Um barulho alto de metal se chocando chegou aos meus ouvidos ao mesmo tempo que uma forte lufada de vento separou a névoa em duas criando um corredor sinistro onde, no final, Dhiego segurava o punho de Eduardo com uma das mão com um sorriso macabro no rosto.

Corri até lá o mais depressa que pude, mas antes que eu pudesse chegar os dois saíram da minha vista. Virei para o lado bem a tempo de ver o pé de Dhiego vindo até meu rosto e me defender com o antebraço esquerdo. Com o a mão direita cerrada desferi um soco contra ele, mas, mais uma vez, ele sumiu da minha vista, reaparecendo atrás de mim me prendendo numa chave de braço.

– Você não se acostumou com o ambiente... – Disse ele com uma mistura de surpresa e zombaria. – Não consegue ser rápido como de costume.

Sem dar ouvidos ao que ele disse usei o cotovelo para golpear seu estomago com força suficiente para fazer sangue sair de sua boca. Com um mortal para trás fiz com que ele ficasse de costas para mim e entrelacei as mãos, me preparando para desferir um golpe contra sua cabeça, mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa ele desapareceu novamente e uma dor tremenda me atingiu nas costelas e eu fui atirado para longe.

Tentando me levantar vi Dhiego flutuando em minha direção. Quando havia apenas quatro metros de distância entre nós dois ele saltou e eu pude ver a sola do seu sapato vindo direto para mim numa velocidade assustadora, porém, antes que pudesse me atingir uma chuva de estrelas desceu do céu atingindo-o e afastando-o de mim.

Eduardo então parou do meu lado e me ajudando a levantar.

– Você está bem?

– Dolorido... Mas parece que não quebrei nada.

– Claro que não... – Disse ele, achando graça. – Espíritos não têm osso para quebrar. HAHAHA.

Dizendo isso ele saltou até Dhiego que já se recuperava e tentava levantar deixando-me assimilar o que acabara de dizer.

Uma intensa batalha se desenrolava a minha frente sem que eu pudesse interferir. Havia muita informação que eu não conseguia digerir e minha cabeça não parava de explodir em dúvidas. Mas pelo jeito eu não obteria resposta alguma sem antes acabar com aquela batalha sangrenta entre os dois.

O som de uma explosão me tirou de meus pensamentos e, quando olhei para frente, uma massa escura vinha na minha direção.

– Matheus... CHUTA! – Uma leve lembrança de quando nós éramos crianças me veio na memória. Onde Eduardo lançava uma bola para mim e me mandava chutar.

Sem precisar pensar muito eu girei o corpo e desferi um chute certeiro nas costelas de Dhiego, fazendo-o voltar com velocidade dobrada para cima de Eduardo.

– REVOLUÇÃO ESTELAR!

Uma chuva de estrelas saiu da ponta do indicador do meu amigo e atingiu em cheio o corpo de Dhiego, que caiu como um cometa no chão, antes imaculado, abrindo uma cratera.

– Você acha que acabamos com ele? – Perguntei.

– Provavelmente não.

A resposta veio com uma poderosa descarga elétrica que atingiu nossos corpos ao mesmo tempo. Uma dor lancinante percorreu o meu corpo, fazendo-me contorcer da cabeça aos pés, até que parou e um cheiro horrível de pele queimada passou pelas minhas narinas e eu caí.

Eduardo caiu próximo de mim e eu podia ouvir os passos de Dhiego saindo da cratera.

– Eu só tenho uma única dúvida... – Falei.

– Qual?

– Se nós três estamos mortos... Como essa batalha vai terminar, já que ninguém morre duas vezes?

– Agora sim... – Disse Eduardo com um sorriso nos lábios. – Você está começando a entender...

De repente eu já não me sentia mais tão pesado, e parecia que meu corpo podia se mover com mais facilidade.

Nossos corpos estavam queimados, o que explicava o cheiro de putrefação que eu sentira momentos antes. Eu tentava me erguer enquanto Dhiego se aproximava lentamente cada vez mais.

– Você sabe, não é? – perguntei. – Você sabe como acabar com essa loucura. – Não era uma pergunta.

– Sim.

– Então me conte... – Acho que o desespero na minha voz foi acentuado de mais.

– Talvez isso seja um teste. – Ele falava mais para si mesmo do que para mim. – Talvez ele ainda tenha chance... Talvez...

Não tive tempo de entender o que ele queria dizer. Dhiego me pegou pelo pescoço e me ergueu no ar, mas não apertou. Apenas me olhou com uma expressão difícil de ler.

Enquanto isso, uma sombra gosmenta, que ironicamente me lembrava o Venon, começou a despregar de sua armadura e rastejar em direção à minha, ao mesmo tempo em que lágrimas de sangue desciam dos olhos de Dhiego, que pela primeira vez, me olhava com um amigo, sem nenhum tipo de ameça.

“Por favor...” a voz reverberou em minha cabeça. A voz de Dhiego. “Por favor...”

Era uma súplica. Ele estava sofrendo.

Aquela coisa negra começava a envolver os braços da minha armadura. E coisas começavam a passar pela minha cabeça, coisas que eu nunca pensei que passariam.

Porque, realmente eu estava lutando nessa guerra? Eu agora estava morto, estava livre de todo aquele peso. Poderia agora ser livre e fazer o que eu quisesse sem nenhuma responsabilidade, e todos àqueles na Terra que se virassem. Eu não tinha mais nada a ver com aquilo.

“Por favor.”

A voz de Dhiego balançou meu cérebro novamente com sua voz, que ficava mais potente do que antes.

Mas porque esse traidor desgraçado estava me suplicando? Sua traição quase nos custou a batalha e se ele não tivesse feito isso, talvez, na guerra atual, nós não teríamos perdido tantos soldados, tantos amigos. Se tudo isso estava acontecendo a culpa era dele.

“Por favor, maninho...” ele me chamou como chamava antes de nos tornarmos cavaleiros. “Por favor. Por favor. POR FAVOR!”

Um choque de realidade caiu sobre mim.

– DHIEGO, ANTIGO CAVALEIRO DOURADO DE SAGITÁRIO, EU TE PERDOO POR TUDO!

Aquela gosma negra reagiu às minhas palavras, e, quando dei por mim, ela já cobria praticamente toda a armadura. Mas começava a se soltar, como se sentisse repulsa de mim. Um brilho forte e carregado de trevas emanou dela e ela explodiu em milhares de partes que se desintegravam pouco a pouco.

Dhiego afrouxou o aperto no meu pescoço até que eu caí com força no chão e ele caiu para trás.

Levantei-me depressa e corri até ele. Suas lágrimas de sangue já não existiam mais, ele agora chorava de felicidade, com lágrimas reais, de uma pessoa normal.

– Obrigado, maninho... Agora eu estou livre. – Seu corpo ia desaparecendo aos poucos. Sua armadura era mais uma vez dourada como a luz do sol, ele se despediu antes de desaparecer completamente.

Eu estava ajoelhado com o olhar fixo no chão. De certa forma também me sentia mais calmo, mais relaxado. Como se um peso tivesse sido retirado do meu peito. Senti a mão de Eduardo tocando meu ombro e olhei para ele.

– Parabéns cara. Você passou no teste. – Disse ele.

– Como assim? – Uma interrogação surgia na minha testa. – Porque eu passei por esse teste. Mas porque raios eu fui retirado de uma luta crucial pra passar por um teste?

– Calma. – Ele falou sentando-se ao meu lado. – Acho que nós ainda temos algum tempo então vou te explicar tudo.

Sentei-me de frente para ele esperando pacientemente.

– Dentre todas as gerações de cavaleiros, desde os tempos mitológicos, um espírito sombrio assombrava as doze casas. E geralmente ele se instalava no corpo do cavaleiro de gêmeos, cuja característica era um espírito fraco. Alguns diziam que todo cavaleiros de gêmeos era bipolar.

“Mas, como você mesmo pode notar, esse espírito não se instalou no corpo do cavaleiro de gêmeos, e sim no de sagitário.”

– Mas porque essa mudança? – Eu estava ficando confuso.

– Nessa geração o cavaleiros de gêmeos era Miguel. E você, que conviveu com ele por mais tempo que eu, me responda: Você conhece alguém mais centrado, ou espiritualmente “blindado” que Miguel, além de Lays?

– Tem razão...

– Então o espírito maligno, pela primeira vez na história dos cavaleiros, se viu frustrado. Ele precisava de um cavaleiro com personalidade volátil e espírito fraco para adentrar, então ele achou Dhiego.

“Aposto que você não pensou coisas legais quando ele tentava se apossar do seu corpo...”

– Eu tenho um espírito fraco?

– Não. Mas é natural do ser humano se desesperar com o desconhecido, você estava morto e confuso, é natural que seu espírito ficasse fraco por alguns instantes.

“O fato é que Dhiego não se entregou completamente ao espírito maligno. Por isso fomos enviados até aqui. Para que o espírito maligno fosse destruído de uma vez por todas.”

– Mas como eu destruí o espírito maligno?

– Perdão. Dhiego cometeu o pior pecado que alguém poderia, claro que sobre a influencia do espírito, mas ainda assim cometeu. Traição. Você conhece alguém que tenha sido traído e perdoado a pessoa que traiu?

– Não...

– Mas você o fez. E, mais do que isso, fez com que o espírito maligno sentisse o poder do perdão. Ele não aguentou tamanha energia positiva, por isso ele não teve alternativa a não ser se auto-destruir para parar de sofrer. Parabéns, Matheus. Isso te faz mais guerreiro que alguém que enfrentou mil batalhas.

Eu não sabia o que dizer. Nunca passou pela minha cabeça que alguém pudesse ser guerreiro por simplesmente perdoar, mas, pensando bem, é mais difícil perdoar quem errou do que perder um braço ou uma perna em guerra.

–Mais uma coisa. – Recomeçou Eduardo. – Você não achou estranho o fato de haver dois cavaleiros com a mesma constelação numa única geração?

– Por um momento sim, mas depois lembrei que Seiya e os demais cavaleiros lendários subiram de classificação no passado então não achei que fosse algo que merecesse tanta atenção...

– É verdade, mas veja bem: Eles subiram de patamar. Já eram cavaleiros, de bronze, mas ainda sim cavaleiros. Nem sua irmã, muito menos Lizandra eram amazonas antes de assumirem as armaduras de ouro.

– Então o que houve?

– Dhiego desenvolveu uma técnica onde ele podia separar uma parte do seu espírito e depositá-la em outro corpo. A pessoa escolhida ganharia seus poderes de cavaleiro, já que nesse pedaço de alma continha, também, uma parte de seu cosmo. Eu consegui aprender essa técnica e fiz o mesmo depositando um pedaço da minha em Lizandra.

– Por isso as auras de vocês são tão parecidas. – Uma fraca imagem do cosmo de Lizandra me veio à mente e comparei-a com a de Eduardo, e fiz o mesmo comparando a de Mariana com a de Dhiego.

– Não são parecidas, cara. São idênticas. – Disse ele rindo.

Um silêncio confortável pairou entre nós enquanto eu digeria toda a informação que havia recebido ali.

– Então... – Eu comecei. – Pra onde vamos agora?

– Como assim?

– Estamos mortos, certo?

– Não... – Falou ele, rindo. – Você não me ouviu? Você passou no teste. Você pode voltar.

A informação demorou a ser processada.

– Então... O que eu ainda estou fazendo aqui?! Eu tenho que voltar agora!!!

– Calma, homem! Se você não voltou é porque ainda não é a hora.

Mas, mal ele acabou de falar, minha visão começou a ficar estranha. Ora eu via um enorme salão parcialmente destruído, ora o rosto de Eduardo.

– Você está voltando! Lembre-se: Você é um herói! Nunca desista!

Minha visão agora estava completamente no salão de Apolo. Lays estava ajoelhada ao meu lado, erguendo um escudo a nossa volta e, mais adiante, Mariana lutava contra Érik, ou melhor, Apolo.

O esquife de gelo que envolvia Luana estava derretendo, o que significava que suas feridas estavam quase curadas.

– Abaixe o escudo... – Sussurrei no ouvido de Lays, que teve um sobressalto.

– Você acordou! – O alívio na sua voz era claro.

– Sim, mas escute o que eu digo... – Falei. – Quando baixar o escudo eu vou correr com tudo pra cima de Apolo, mais por pura distração do que por qualquer outra coisa. O ataque real deve partir de você.

– Certo...

– Se ajudar, dê sinal pra Mariana, ela vai ajudar. Eu vou tent...

Antes que eu concluísse a frase ela me presenteou com um beijo molhado nos lábios que me fez sorrir enquanto nos beijávamos.

– Adoro quando você fica tão determinado.

– E eu adoro quando você me surpreende desse jeito.

– Enfim... Vamos logo, vou baixar o escudo.

Eu fiz que sim com a cabeça. Ela focou o olhar em Érik e, aos poucos o escuto foi se dissolvendo.

Pulei por cima de Lays e disparei em direção ao meu inimigo. Ele percebeu minha presença e se virou para mim. Ele sorriu como se estivesse aguardando minha meu retorno.

Não perdi tempo. Desferi um soco com toda potencia, mas ele segurou meu punho e uma lufada forte de ar comprimido foi solta naquele momento.

– Estava começando a ficar entediado. – O sorriso em seu rosto era sarcástico.

– Então se prepare. – Falei.

Nesse momento duas ondas de energia o atingiram na cabeça atirando-o para longe de mim. Sem perder tempo corri até a prisão de Luana e, com uma das mãos derreti o gelo.

Ela caiu e eu a segurei. Rapidamente acordou e sorriu para mim.

– Obrigada. Sinto-me bem melhor agora.

Lays e Mariana se juntaram a nós e o nosso foco era um só.

Aquela criatura de punhos flamejantes que caminhava lentamente até nós.

Notas finais
Por favor, não deixem de comentar essa parte tão importante da história. Se tem um capítulo que eu gostaria que fosse comentado é esse. ATÉ DAQUI A POUCO, MINHA GENTE!