Os Astros Não Mentem

2 Capítulo 2- A colisão - parte 1


Notas iniciais
Olá, tudo bem? Esse capítulo está agendado, pois neste momento estou sem internet, por isso talvez não irei responder os comentários agora. Muito obrigada a todos que estão acompanhando, comentando e favoritaram ♥ Espero que gostem, boa leitura.

— Katara, venha para dentro — Sokka solicitou, o rapaz moreno de olhos azuis estava na beira da porta — Você irá pegar um resfriado e depois eu vou ter que ir comprar remédios, você sabe que eu não gosto de comprar remédios.

— Como sempre só pensando em você, Sokka — retrucou a menina, Katara continuou dançando sob a chuva.

— Não me faça ir aí te buscar — o irmão da garota cruzou os braços, ela mostrou a língua e correu para distante, ele então, contra a vontade, entrou debaixo da chuva e correu atrás da caçula.

Sokka perseguiu Katara pelas ruas encharcadas, quando finalmente a alcançou forçou-a a voltar para casa, lá Kanna os esperava.

— O que vocês têm na cabeça de sair na chuva assim? Irão pegar resfriado — a avó os repreendeu, o neto ficou mais furioso do que antes, ele sempre levava puxão de orelha por culpa da irmã.

Os irmãos moravam com a avó, pois a mãe, Kya, foi assassinada em um ataque relâmpago e o pai, Hakoda, foi atrás dos assassinos. Desde então estão aos cuidados da avó, mesmo ambos já tento idade para casar. Esse abalo fez com que as personalidades dos irmãos mudassem um pouco, por exemplo, Sokka se tornou mais protetor, enquanto Katara mais maternal. Embora a garota se demonstrasse feliz e forte, no fundo sofria pela perda da mãe.

A mais nova sabia como se adaptar a vida, mas sentia falta da comunidade de dobradores da água. Quando os dobradores de fogo tomaram o poder, as tribos da água que moravam perto do reino se mudaram para o norte, ficando apenas alguns dobradores, sendo esse capturados por Azulon, o antigo rei que tinha um enorme ódio por dominadores. Porém, Katara nunca deixou de sorrir e cuidar da avó, do irmão e dos amigos, sempre que se sentia cabisbaixa ia ao encontro das suas estrelas particulares.

Revirando os olhos ela dobrou a água, fazendo com que ambos ficassem secos novamente. Kanna encarou a neta com os olhos arregalados e bateu a porta da frente com força.

— Katara já falei para você parar de fazer isso — a velha disse preocupada, pois sabia o motivo da morte da filha e não queria perder a neta da mesma forma — se os guardas do rei te verem fazendo isso irão te prender, você sabe que o rei considera a dobra como bruxaria e conspiração contra o reino.

— Ouvi dizer que o rei captura os dobradores para trabalhar para ele... Melhor parar de brincar com a água mágica, Katara — Sokka completou.

A garota ouviu mais uma vez o discurso da avó de como era perigoso dobrar água e que ela tinha que parar com isso, sabia que essa queria protege-la, mas Kanna não entendia que quando dobrava Katara se sentia mais próxima da mãe. Depois de uma longa conversa, a menina foi se deitar. Acordou apenas no outro dia com os raios de sol invadindo o quarto através da janela, pôs o antebraço na frente dos olhos e os abriu lentamente deixando se acostumar com a claridade, ouviu batidas na porta e pela força identificou, Toph.

Toph Beifong, era a filha de Lao e Poppy uma das famílias mais ricas do reino Ozai, a menina tinha uma personalidade forte e nada sensível, dominava terra, mas devido a fortuna e a cegueira, não foi recrutada para trabalhar para o rei. Toph passava mais tempo na periferia da cidade do que com pessoas da alta classe, algo que deixava os pais irritados, os Beifong não entendiam que a filhinha não era como a maiorias das garotas da alta classe, queriam prende-la e colocar vestidos que apertavam a barriga, sem falar de guardas para ajudá-la, pois imaginavam que o fato da filha ser cega a impedia de fazer inúmeras coisas, tudo o que Toph odiava, ela só queria sentar na beira da calçada e comer até não aguentar mais, era o que fazia normalmente, sempre acompanhada de Sokka. Eram grandes amigos, tinham muitas coisas em comum como, por exemplo, a enorme fome que nunca acabava, o sarcasmo e a ironia, raramente conversavam sérios. De vez em quando, Suki, uma namoradinha de Sokka, os acompanhavam, porém não comia tanto e não era tão boa com piadas e apelidos.

Suki era líder das "Guerreiras Kyoshi", um grupo feito apenas de mulheres para defender o povo do exército do rei, eram grandes lutadoras que utilizavam leques como arma.

— Vamos acordar Bela Adormecida — Toph gritava do outro lado da porta, suas batidas eram tão fortes que pareciam que a porta ira se quebrar em mil pedaços.

— Vamos Katara, temos que ir na feira — Sokka completou.

A dobradora não respondeu, então as batidas voltaram, Katara tentou tampar os ouvidos com o travesseiro, mas era impossível não sentir o tremor causado por Toph.

— Tá bom! — redeu-se levantando da cama.

Após lavar o rosto e trocar de roupas, Katara foi ao encontro dos "estressadinhos".

— Apareceu a Margarida, olê, olê, olá — Beifong cantarolou quando ouviu os passos da amiga. Katara em resposta riu irônica, já Sokka gargalhava, o rapaz tinha um humor fácil.

O trio caminhou até a feira, não era tão longe, mas dava uma boa caminhada. Chegando lá se dividiram Sokka e Toph foram atrás das verduras e legumes, enquanto Katara foi até a venda de frutas, olhou as mangas ao lado dos mamões papaia, particularmente não gostava do segundo, porém por ordem da avó a menina escolheu duas papaias verdes, continuou a caminhar entre as cabanas, escolheu mais algumas frutas e se encontrou com os outros dois.

— Pegaram tudo? — perguntou um pouco entediada e sonolenta.

— Acho que sim — Toph respondeu, a garotinha segurava quatro sacolas cheias sem dificuldades, Sokka, por sua vez, se arrastava pelo chão com duas sacolas.

Sem conferir, voltavam para casa dos irmãos. Na metade do caminho a dominadora de Terra parou, os outros dois a encararam.

— Esquecemos dos repolhos.

Ao ouvir isso Sokka larga uma das sacolas no chão e bate a mão na testa, Katara olhou furiosa para o irmão.

— Como você esqueceu do repolho Sokka? O vendedor vive gritando — se as mãos não estivessem ocupadas, provavelmente ela teria batido no irmão. O rapaz ia responder, mas antes mesmo de emitir algum som a garota voltou a falar — Vão indo que a vó tem que fazer o almoço, vou voltar para buscar os repolhos. Toma e para de ser frouxo — Katara entregou a sacola para Sokka, que mais uma vez ia dizer algo, mas antes de conseguir dizer alguma coisa, a irmã saiu correndo até a feira.

Nesta manhã o príncipe foi ao encontro do pai para a reunião, chegando lá conferiu se a Azula não estava, e somente o rei se fazia presente.

— Com licença — Zuko disse ao entrar na sala. Ozai o encarou e fez um gesto para que ele se aproximasse.

A sala do trono era enorme, continha uma grande poltrona em que o rei ficava durante as reuniões, atrás era visto o enorme retrato do rei Ozai ao lado dos demais quadros dos antigos reis, mais para o canto esquerdo havia a enorme mesa onde os convidados ficavam quando eram convocados para reuniões.

— Ontem entrei em um acordo com o governador Ukano — começou assim que o filho estava próximo o suficiente, o príncipe sentou-se no chão em frente ao pai — ele quer casar a senhorita Mai, mas você não está pronto, o fato de ser o primogênito não te faz rei. Azula, mesmo sendo mulher, está mais preparada — Zuko encarou o chão, já estava esperando isso, mas ouvir era mais difícil do que pensava — entretanto, — voltou a encarar o pai — não acho que o reino está preparado para recebe-la como rainha — o príncipe conteve o sorriso, por séculos apenas homem subiam ao trono, Azula não iria ser recebida de braços abertos, ainda mais por uma sociedade que mantinha traços machistas.

— Entendo — respondeu sem demonstrar algum tipo de sentimento.

— Você precisa se casar para subir no trono, essa é a tradição. "Quando o príncipe ter a aliança, o rei deve entregar a coroa e o príncipe se tornará o próximo rei legitimo" — Ozai recitou a frase do velho livro que havia estudado na adolescência, o mesmo livro que utilizou para convencer Azulon a entregar a coroa para ele e não para Iroh. Zuko ouvia cada palavra com atenção anotando tudo em sua mente. — Não tenho certeza se aquela garota, Mai, seja a melhor opção. Podemos usar este casamente ao nosso favor e entrar em um acordo com o reino de Arnook, no Norte, ele possui uma filha chamada Yue, creio que como princesa ela deve conhecer os deveres de uma rainha, ou seja, ela poderá te ajudar assim como sua mãe me ajudou.

— A mãe não era uma princesa, era uma plebeia — retrucou.

— Sua mãe aprendeu rápido, e ela não era uma simples plebeia — Ozai lembrou da esposa, Ursa era inteligente e bela, ela nunca amou Ozai ou o reino, não gostava de ser rainha, porém sempre se esforçou ao máximo por causa dos filhos — Mas isso não vem ao caso, o acordo feito foi de esperar um tempo e fazer como antigamente um baile para escolher a rainha. Agora retire-se, reunião encerrada — o rei levantou do trono e passou diante do filho sem dizer nada.

Um baile estilo Cinderela era muito utilizado, mas nem sempre dava certo. No geral era convidado todas as donzelas e o príncipe escolher a qual mais o agradar e, se a escolhida for uma boa opção ele poderia se casar, em outro caso, o rei escolhia aquela que julgava melhor para o reino e casava o filho. Um casamento por amor era quase impossível, Ozai era apaixonado por Ursa, mas não era recíproco. Zuko sabia que independente de sua escolha, seu pai iria escolher Yue por questões políticas.

O príncipe saiu da sala do trono pouco tempo depois, diferente do rei não foi para a sala de jantar para receber o café matinal, caminhou para fora do palácio chegando ao portão foi barrado.

— O senhor não pode sair para a rua sem guardas, desculpe — um dos guardas se pôs à frente do príncipe.

— Não sou mais criança, saia da minha frente — Zuko respondeu com autoridade.

— Desculpe senhor, mas são ordens — o guarda não se moveu.

Zuko respirou fundo e esperou até que o guarda chamasse outros guardas e alguns dobradores de fogo. Os dobradores de fogo eram recrutados como guardas principais da família real, já os dobradores de terra eram utilizados para a atividade bruta, construíam tudo o que fosse preciso, desde uma cadeira até uma cidade. Os dobradores de ar eram difíceis de se encontrar, muitos eram monges e moravam longe do reino, aqueles que eram recolhidos trabalhavam dentro do palácio. Os dobradores de água eram os empregados e criados, limpavam, cozinhavam e aqueles que se comportavam bem se tornavam os médicos pessoais do rei. Sendo que todos os homens jovens eram treinados para lutar em guerras, o objetivo do rei era utilizar as dobras como força de combate e assim conseguir mais terras. Eles eram armas de guerra e aqueles que não se encaixavam eram eliminados.

Zuko caminhava um pouco à frente dos guardas, todos preparados para defender o futuro rei. O príncipe cumprimentava algumas pessoas, os guardas afastavam os mais radicais que queriam agarrar o príncipe.

— Príncipe Zuko! — Ty Lee se aproximou e abraçou o amigo, os guardas até se moveram para afasta-la, mas Zuko os impediu.

— Ty Lee, tanto tempo?! — respondeu sorrindo e retribuiu o abraço, a menina ia responder quando uma das irmãs se aproximou.

— Quer chá? — a garota que era idêntica a Ty Lee ofereceu uma xícara com chá verde.

— O príncipe é proibido de tomar ou comer qualquer coisa oferecida por plebeus. — Um dos guardas falou.

— Mas é só chá? — a menina protestou.

— O chá pode conter substâncias — respondeu o guarda perdendo um pouco da paciência.

Zuko sorriu gentil e pegou a xícara da mão da menina, essa por sua vez mostrou a língua para o guarda, o príncipe agradeceu e continuou a andar, Ty Lee ficou repreendendo a irmã e se desculpando para o guarda.

O rapaz estava prestes a beber um gole do chá, quando uma pessoa colidiu com ele, fazendo assim toda a bebida ser derrubada sobre as vestes do mesmo e a xícara quebrar no chão, a menina para tentar evitar cair se segurou no príncipe, mas apenas piorou a situação, pois com isso ambos caíram. A acontecimento foi tão rápido que os guardas não puderam fazer nada, as pessoas ao redor paralisaram ao ver a cena do príncipe e a menina caindo sobre o carrinho de madeira.

— MEUS REPOLHOS! — o dono do carrinho gritou com as mãos na cabeça ao ver o príncipe e a garota amassando as verduras.

Katara, logo se levantou pedindo inúmeras desculpas, Zuko se levantou e ficou encarando a roupa molhada.

— Des- desculpa, eu... eu... eu te ajudo — Katara sem pensar dominou a água, deixando a roupa do rapaz seca.

Zuko arregalou os olhos ao perceber o que havia acabado de acontecer, ouviu os guardas atrás gritando "Ela é uma dobradora, não a deixem escapar!". Katara pediu desculpas mais uma vez e começou a correr entre a multidão de gente que se amontoava para ver o acontecimento. A dobradora corria o mais rápido que conseguia, mas mesmo assim os guardas estavam cada vez mais próximos.

— Vai para casa Katara, nós cuidamos deles — Suki disse abrindo o leque. As Guerreiras posicionaram-se e abriram os leques tampando a visão dos guardas, para que assim Katara pudesse fugir.

— Vocês de novo — um guarda disse abrindo um sorriso malicioso no rosto. — Ataquem sem dó! — ordenou.

— Mas são só mulheres — um guarda novato respondeu confuso, já que aprendiam que não deveriam atacar mulheres.

— Não são só mulheres, são as Guerreiras Kyoshi!

Notas finais
Digam se gostaram, criticas construtivas são bem-vindas. Muito obrigada por ler... Bjss Até ♥