Os Astros
1 Prólogo
Notas iniciais
Mais um dia vivendo nesse inferno. Mais um dia sendo maltratada sem saber por que. Mais um dia de brigas entre papai e minha madrasta, Esmeralda — que é basicamente uma mãe para mim.
Desde que minha mãe morreu, quando eu tinha apenas cinco anos, essa vem sendo minha rotina. Eu já venho vivendo assim há onze anos, tudo melhorou um pouco desde que meu pai conheceu Esmeralda.
Quem é meu pai? Bom, eu realmente não sei, quando minha mãe ainda era viva, ele era um pai maravilhoso, atencioso, carinhoso... ele é dono de uma multinacional muito famosa, mas que está falindo rapidamente. Por quê? Bom, a impressa está falindo, por que meu pai chega quase todos os dias bêbado em casa, perde todo seu dinheiro em apostas, ele nem sabe que eu existo e as únicas vezes que se lembra é para me criticar e brigar comigo por algum motivo besta.
Quem é Esmeralda? Ela é a unica figura materna que eu conheço. Ela é um anjo, me ajuda em tudo o que pode, nunca me crítica, mas ela nem sempre pode me ajudar com meu pai. Por quê? Porque ele tem um filho e ela não tem condições para cuidar dele, quando papai a conheceu ela não tinha nada, e agora ele não pode dar o destino que ela teve quando criança para seu filho. Ela se casou com papai quando eu tinha sete anos, ela já tinha o Juan e sim ele também é filho do papai, ela engravidou dois anos antes do casamento.
Quem é Juan? Simplesmente meu melhor e único amigo, claro nós temos nossos altos e baixos, afinal que irmãos não tem? Ele é uma pessoa maravilhosa, está sempre comigo, eu não tenho adjetivos para descrevê-lo.
Quem eu sou? Sou só uma garota que perdeu a mãe aos cinco anos, tem um pai viciado em jogos e que não liga para mim, tem uma madrasta maravilhosa e um irmão que amo muito. Eu amo cantar, mas tenho muita vergonha. Eu tenho vergonha de ser eu mesma, por isso me tranquei, me tornei um ser humano arrogante, rude, grosseiro, eu tenho vergonha do que me tornei, eu não tenho nenhum amigo na escola que estudo a dez anos... mas, eu ainda tenho esperanças de que a velha Violetta, aquela que era dócil, inteligente e amável ainda esteja viva, escondida em algum lugar dentro de mim esperando a hora certa para retornar.
Você é meu querido diário, meu fiel confidente, por mais que eu só tenha começado a escrever em você agora, é algo bom para mim pelo menos não preciso guardar tudo para mim.
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