Notas iniciais
Oi, voltei. * O nome da música é For the love of a daughter, da Demi Lovato.* Espero que gostem do capítulo. Tenham uma boa leitura, até as notas finais.

P.O.V.: Violetta.

Naquela noite quando cheguei em casa, todas as luzes estavam apagadas. Entrei com muito cuidado, pois acreditava que todos já estavam dormindo. Passei em todos os cômodos da casa e não vi ninguém. Então me dirigi para o meu quarto. Quando ia girar a maçaneta da porta ouço vozes vindas de dentro do meu quarto, então parei e ouvi a conversa.

Você não podia trata-la daquela maneira Germán. – Uma voz feminina disse, era a voz da Angie com toda a certeza.

— Você não pode me dizer como educa-la Angeles, ela é minha filha e você é apenas a governanta dela. — Uma voz masculina, soou, era a voz de Germán.

—Você sabe que eu não sou apenas a governanta dela, e se você continuar tratando-a dessa maneira eu irei contar tudo para a Violetta! – Angie disse novamente.

O que será que ela tinha para me contar?

Resolvi adentar no quarto.

— Você não pode contar para ela Angeles, temos um acordo. – Germán disse e ele parecia bem irritado.

— O que a Angie não pode me contar Germán? – Perguntei com as sobrancelhas arqueadas.

— Nada Vilu! Eu vou pro meu quarto, boa noite. – Angie disse, deu um beijo em minha testa e saiu do quarto.

— Onde você estava Violetta? – Germán perguntou em um tom rude.

— Olha não faz diferença você saber ou não, agora se não for muito incomodo será que você poderia sair do meu quarto? – Perguntei indicando a saída.

— Você não pode falar assim comigo, eu sou seu pai. Por que não nos sentamos e temos uma conversa de pai e filha? – Ele perguntou se sentando na cama.

— Então agora você quer ter uma conversa de pai e filha? O.k. Sobre o que você quer falar? Sobre a mamãe? Sobre o fato de Esmeralda estar morta? Ou o fato de você dizer que eu deveria ter morrido no lugar dela? Ou o fato do Juan estar em coma? Ou o fato de eu ter conhecido um estranho que se importava mais comigo do que você se importou a vida inteira? Estou aqui para qualquer assunto é só falar, seria realmente bom conversar com você um pouquinho, não importa qual for o assunto. – Eu disse e me sentei em um Puff roxo que havia no chão perto da porta, e fiquei olhando para Germán fixamente esperando ele dizer algo.

— O que você quis dizer com “Você era meu herói pai.”?

***

Hoje era o dia do enterro de Esmeralda, o dia estava ensolarado, era como se o sol estivesse sorrindo para nós, o que era realmente irônico. Não havia quase ninguém no enterro, somente Germán, Angie, Olga, Ramalho, uma mulher que eu não sabia o nome, um menino de uns cinco anos – que eu acho que era filho da mulher — e eu.

Eles não abriram o caixão nenhuma vez, eles disseram que ela estava toda deformada, por que ficou presa nas ferragens do carro.

O cemitério se mantinha em silencio, só era possível ouvir o choro baixo das pessoas que ali se encontrava, o silêncio era tanto que eu acho que se uma agulha caísse eu conseguiria ouvir. Aquele ambiente estava realmente me deixando deprimida.

Uns homens abaixaram o caixão, eu joguei uma rosa branca antes de eles começaram a lançar terra em cima do caixão.

A partir daquele dia Esmeralda passou a ser somente uma lembrança. E um dia será somente uma imagem borrada em nossa memória. E um dia se esvairá como fumaça, como se nunca houvesse existido.

***

Naquele dia Germán me acompanhou até o hospital, para ver o Juan, não foi fácil vê-lo daquela maneira. Ele era uma criança tão saudável e agora estava ali, respirando com a ajuda de máquinas. Uma vida artificial. Ele tinha alguns cortes pelo rosto e pelos braços e sua perna estava quebrada. O seu rosto que antes costumava ser rosado, agora estava pálido, os lábios estavam secos e rachados. E o quarto também não ajudava em nada, era todo branco, havia uma grande janela que estava coberta por grossas cortinas brancas, os lençóis da cama também eram branco. Será que eles têm algum problema com as outras cores? Por que geralmente quando estamos doentes, queremos nos distrair com alguma coisa e não ficar em um ambiente que nos deixará pior.

Aproximei-me da cama, quando Germán saio de perto e se sentou em uma poltrona, imagino o quanto ele deve estar cansado.

— Oi Juan. – comecei a dizer, não sabia se ele estava ouvindo, e também não sabia o que dizer. Então tentei começar de novo, mas nada saia, acho que não estava preparada para isso, eu já não tinha psicológico para essas coisas, tudo o que sei fazer ultimamente é chorar e Germán não me ajuda muito com as suas mudanças de humor, uma hora ele me trata bem, mas na outra ele me trata como um lixo. — Fique bom logo, eu preciso de você, tudo aconteceu tão rápido e eu não estava preparada para tudo o que aconteceu. – Nesse momento eu já havia começado a chorar de novo, não sei da onde saem tantas lágrimas. — Acho que eu não suportaria perder você também, então, por favor, fique bom logo. – Eu disse o abraçando e chorando feito uma desesperada.

— Vem Violetta, você precisa descansar um pouco – disse Germán me levando para fora do hospital, enquanto eu tentava me acalmar, mas foi e vão.

***

Uma semana havia se passado desde o ocorrido, eu ia visitar o Juan todos os dias, ele não havia tido nenhuma melhora.

Germán havia ido em uma viagem de negócios ontem e só voltaria depois de amanhã. Ele parecia estar tentando se aproximar de mim, acho que é por que ele tem medo de que alguma coisa aconteça comigo e ele acabe me perdendo também, por que, por mais coisas ruins que ele já tenha dito para mim, ele era meu pai. E eu sou do tipo de pessoas que acredita que todos merecem uma nova chance.

Mais uma vez eu estava em frente àquela porta do final do corredor, e dessa vez não havia ninguém que me impedisse de entrar, peguei a chave em uma de minhas mãos e abri a porta, a mesma fez um ruído alto e irritante. Olhei para os para os lados e não tinha ninguém. Suspirei aliviada, pois Germán disse que não era para eu entrar ali. Levei meu diário ao peito e o segurei no local com as duas mãos.

Adentrei no quarto e fechei aporta atrás de mim, fui caminhando lentamente para o interior do quarto, havia algumas fotografias penduradas na parede, umas era da mamãe, outras era da mamãe e do Germán, em outras eu estava junto e outras tinham pessoas que eu não sabia quem eram, mas tinha a leve impressão que a conhecia de algum lugar. No quarto havia um violão marrom fosco com algumas flores pretas, ele estava novo, não parecia ter sido usado por ninguém, havia também um teclado, eu fiquei completamente encantada com o teclado, tão encantada que tentei tocar, me posicionei atrás do mesmo e peguei uma folha solta de dentro do diário que tinha uma letra escrita, quer dizer não era uma letra era só uma coisa que eu havia escrito há um tempo, comecei a tocar e cantar. Eu havia feito a música para o meu pai, quando eu tinha 11 anos.

Your selfish hands / Suas mãos egoístas

Always expecting more / Sempre esperando mais

Am I your child / Sou sua filha

Or just a charity award / Ou apenas um prêmio de caridade

You have a hollowed out heart / Você tem um coração oco

But it's heavy in your chest / Mas é pesado em seu peito

I've tried so hard to fight it but it's hopeless / Eu tento tanto lutar, mas não tem jeito

Hopeless (Hopeles) / Não tem jeito (Não tem jeito)

You're hopeless / Você não tem jeito

Oh father / Oh pai

Please, father /Por favor, pai.

I'd love to leave you alone / Eu adoraria te deixar sozinho

But I can't let you go / Mas não consigo te deixar partir

Oh father / Oh pai.

Please, father /Por favor, pai

Put the bottle down /Coloque a garrafa de lado

For the love of a daughter / Pelo amor de uma filha.

Parei de cantar quando comecei a ouvir aplausos me virei e vi Angie me aplaudindo e sorrindo.

— Bravo Vilu. — disse Angie — Você tem muito talento

— Obrigada – eu disse dando um sorriso.

— Vamos sair daqui antes que alguém mais te veja – Angie disse.

Peguei tudo que era meu e estava saindo, mas uma foto me chamou a atenção. Era eu e uma menina de cabelos loiros nós tínhamos uns sete anos. Exibíamos no rosto um grande sorriso sujo de sorvete e segurávamos na mão de Germán. Olhei para porta e não vi mais a Angie então retirei a foto dali e a levei para o meu quarto comigo. Aquela foto era algo importante para mim.

***

No dia seguinte resolvi que não ficaria mais em casa na maior chorando, resolvi me levantar e sacudir a poeira, pois eu nada posso fazer a não ser continuar em frente. Tenho certeza que Esmeralda não iria querer me ver assim. Por isso eu decidi mudar, dar uma chance para mim mesma, uma chance de conhecer um mundo desconhecido por mim. E que melhor jeito de fazer isso do que saindo?

Segui em direção ao banheiro, me despi e entrei em baixo do chuveiro deixando minha pele em contato com a água morna. Havia pensado em tomar um banho de banheira, mas sei que se entrasse na banheira não ia sair de lá tão cedo, então tomei banho no chuveiro mesmo. Depois de um tempo finalmente sai do banheiro e segui para o closet, escolhi uma roupa, não muito desleixada, mas também não muito exagerada a vesti e passei uma maquiagem.

Olhei-me no espelho e eu não estava nada feia, coloquei o colar por dentro da blusa sentindo logo em seguida a corrente fria em contato com a minha pele. Havia ganhado aquele colar da mamãe. Eram dois um preto e um rosa, eu fiquei com o preto o rosa ela deu a outra pessoa. Peguei algumas coisas e o meu diário e coloquei na bolsa, nunca se sabe o que pode acontecer.

Desci e sai pela porta da cozinha não queria ser vista por ninguém. Caminhei calmamente pelas ruas de Buenos Aires a cidade era realmente bonita, prestava atenção em cada detalhe. Estava andando distraidamente até que ouço uma música quando olho estava em frente a um lugar chamado Studio 21! Havia várias pessoas dançando em frente ao local. Sorri e entrei no local. Era como se um imã gigante estivesse puxando para dentro do tal Studio. Lá dentro pude ver mais pessoas dançando e várias cantando. As vozes delas eram lindas.

Estava andando distraída olhando as coisas em volta quando sinto algo, ou melhor, alguém se chocando contra mim. Fechei os olhos emperrando o chão, mas em vez disso senti um braço forte e musculoso em minha cintura e outro em minhas costas, abri os olhos bem devagar e encontrei um rosto surpreso em minha frente.

Então dissemos em uníssono:

— Você?

Notas finais
Eu tentei esclarecer tudo nesse capítulo, para eu poder parar de enrolação. Bom, eu queria avisar que agora eu só vou postar duas vezes por semana, pois como disse no capítulo anterior preciso de tempo para escrever os capítulos e para estudar. Acho que postarei no Domingo e na Sexta. Espero que entendam. Até o próximo capítulo Bjs