Notas iniciais
A partir desse capítulo, algumas coisas iram mudar. E eu vou postar com um pouco menos de frequência, já que tenho que dedicar um tempo para escrever os capítulos. Mas não vou abandonar a fanfic. Obrigado pelos comentários do capítulo anterior. Boa Leitura.

P.O.V.: Violetta

Eu não sabia para onde estava indo, eu não conhecia nada na cidade — mesmo que eu tenha nascido ali em Buenos Aires — a noite estava silenciosa a única coisa que se ouvia eram os soluços que escapavam vez ou outra da minha boca.

Eu não consigo decidir, o que é certo, o que é errado?

Eu ainda não podia acreditar que ele tinha dito aquilo para mim: você devia ter ido no lugar dela. Eu havia sido ingênua demais em acreditar que depois do pedido de perdão ele nunca mais falaria coisas do gênero. E eu odiava o fato de ser tão ingênua. E odiava ainda mais o fato de estar chorando por causa disso, chorando pelo meu pai, chorando pela morte de Esmeralda e chorando pelo fato de meu irmãozinho estar em coma. Em outras palavras eu chorava por minha vida ser uma desgraça.

Que caminho eu devo seguir?

Eu estava sem rumo à única coisa que sabia era que estava indo pelo lado contrário da minha casa. Eu já estava perdida com fome e com frio, mas me recusava a tentar voltar para casa. Avistei do outro lado da rua um banco era o único lugar com luz naquela noite que para mim estava tão escura e sem vida, eu me arrastei até aquele banco, sentindo a dor de andar pelas pedras e pelas ruas tão vazias de Buenos Aires. Eu me sentei naquele banco, coloquei o meu tênis ao meu lado e olhei para os meus pés, eles estavam todo machucado e havia uma pequena bolha de água no meu calcanhar, acho que é isso o que dá usar tênis todos os dias. Limpei as lágrimas que estavam escorrendo por meu rosto e olhei o céu, então sorri em volta da lua havia quatro estrelas que se destacavam dentre as outras: Vênus, Marte, Mercúrio e Júpiter. É hoje era um daqueles dias em que os astros se aliam. Com isso me lembrei da história sobre o alinhamento dos astros que Esmeralda contava, e não pude impedir que mais lágrimas rolassem pelo meu rosto, eu a amava tanto e eu nunca vou pode dizer isso a ela, pois agora ela se foi. Nunca havia percebido o quanto ela era importante para mim. Esmeralda era mais que uma madrasta.

***

P.O.V.: León

Hoje era só mais uma noite em que eu, ia fazer uma caminhada noturna para esfriar a cabeça.

Quando estava saindo de casa Ludmila apareceu por lá, e já viu foi briga na certa. Eu estava cansado das brigas diárias com Ludmila, eu já não sei se a amava, e não tinha tanta certeza de que ela me amava. Ela, não era mais a mesma pessoa que eu conheci, ela era uma menina doce, frágil, sensível e carinhosa, mas agora, ela se transformou em uma garota esnobe, arrogante, irritante, que não está nem aí com ninguém.

Eu também tentava digerir a notícia de que minha mãe estava grávida, eu não podia acreditar, havia sido só eu e Francesca a vida inteira, e agora descobri que vou ganhar um irmão (ã) não foi uma notícia muito agradável para mim. E além de tudo ela me contou por telefone, logo depois da minha discussão com a Ludmila.

Eu estava caminhando lentamente, até que começo a ouvir um choro baixo, levantei a cabeça e pude ver uma menina sentada em um banco a mais ou menos meio metro de distância de mim. Eu caminhei até a menina sem hesitar, ela não parecia ter me visto, pois estava com as mãos no rosto, eu parei em sua frente e perguntei:

— Você está bem? — Ela se assustou um pouco, afinal ela era uma menina sozinha sentada em um banco na noite escura de Buenos Aires.

Ela olhou para mim assustada, mas logo depois que nossos olhares se cruzaram ela pareceu relaxar.

Eu olhava para ela com uma expressão preocupada. Até que ela resolveu quebrar o silêncio.

— Tá vendo aquela estrela ali? — ela disse apontando para uma estrela acima da lua, eu assenti e ela continuou — Aquela estrela é Vênus. Dizem que o planeta tem esse nome em homenagem à deusa Afrodite em sua forma romana ou no caso, Vênus. E aquele outro ponto quase imperceptível em baixo da lua é Marte, consegue ver? — Ela perguntou e eu assenti em resposta. Ela já havia parado de chorar, eu não sabia o porque mas, ver ela chorando me dava um aperto no coração, eu estava achando aquela conversa muito estranha, mas havia algo na voz daquela garota que me acalmava e me fazia bem, então eu simplesmente fiquei ouvindo aquela conversa estranha.

Se ao menos, soubesse ler os sinais na minha frente.

— E aquele outro em cima da lua é Júpiter, e aquele outro, perto de Vênus é Mercúrio. — Ela disse e logo depois soltou um riso baixo.

— Que foi? — Perguntei, pois não havia entendido o motivo da graça.

— Nada, eu apenas lembrei-me de um bom momento. — Ela respondeu olhando para o outro lado da rua.

Eu estava até agora em pé diante da garota, resolvi me sentar no banco ao seu lado e logo depois perguntei:

— Posso te fazer uma pergunta?

— Você acabou de fazer uma pergunta para perguntar se você pode perguntar algo? — Ela disse, eu fiz uma carreta com o que a menina havia dito, mas assenti, a menina sorriu e disse.

— Pode perguntar.

— Que bom momento foi aquele que você comentou agora a pouco? — Perguntei olhando para a menina, que não me olhou nenhuma vez.

— Eu me lembrei de uma história que minha madrasta contava para meu irmão e para mim, sobre dias como esses, dias em que os astros se alinhavam se ela estivesse aqui se deitaria no gramado e a contaria de novo. — Respondeu normalmente, mas pude perceber um pouco de melancolia em sua voz.

Fiquei olhando para ela, eu acho que sabia de que historia ela estava falando, mas era um pouco estranho, pois não conhecia nenhum adolescente que conhecesse essa história além de minha irmã e de mim, depois de um tempo a olhando, ela levantou seu olhar até mim.

— Por acaso a história que sua madrasta contava, era aquela que os astros uniam o destino de duas pessoas completamente diferente, e que o amor dessas pessoas seria tão forte, que nada nem ninguém poderia separá-los? — Eu perguntei.

— Essa mesma. Eu acho que ela acreditava nessa bobagem. — A garota disse e logo depois riu.

— Sabe, eu acredito que seja verdade — Eu comentei e ela me olhou estranho.

— Sério? — Ela pergunta um pouco incrédula.

— Ué, hoje os astros estão alinhados, e por uma incrível coincidência eu e você resolvemos dar um passeio pela noite de Buenos Aires. Afinal você é a única pessoa que eu conheço que também conhece essa história. Vai que tem alguma ligação? — eu terminei de falar enquanto a garota procurava algum vestígio em mim de estar apenas tirando uma com a cara dela.

— Eu tenho que ir — ela disse se levantando do banco.

— Eu te acompanho até sua casa — Eu disse seguindo o exemplo dela

Não– Ela disse em um tom bem alto — Quer dizer não precisa — A morena disse. — Eu moro aqui perto, não tem perigo algum ir sozinha. -Ela não havia me convencido, mas eu não vou ficar insistindo, afinal acabamos de nos conhecer— — Tchau.

— Como você se chama? Eu me chamo Leonard Vargas e foi um prazer te conhecer — Eu disse um pouco alto já que ela estava um pouco longe. Ela ficou me olhando por um tempo, sem dizer nada, logo depois se virando e seguindo seu caminho.

A observei enquanto ela se distanciava cada vez mais.

E eu ainda não sabia seu nome.

Notas finais
Até o próximo capítulo. Bjs.