Os Astros
6 Capítulo 5
Notas iniciais
P.o.v.: Léon Vargas.
Aquelas foram às semanas mais cansativas da minha vida. A Ludmila, não me deixou em paz nem um segundo, não me leve a mal, eu a amo, mas ela sabe ser chata. Tive que brigar com a Francesca e seus amigos, por que eles não são populares e eu sou, e agora a Francesca não quer nem olhar na minha cara e com razão, por que eu aprontei muito com ela essas últimas semanas. E para piorar o Pablo passou um trabalho em grupo, com o tema Juntos Somos Mais. E os integrantes desse grupo são: Ludmila, Andrés, Naty, Maxi, Cami, Fran e eu. Como vamos fazer um trabalho sendo não conseguimos passar 2 minutos juntos sem brigar? Além de tudo isso, meus pais foram viajar e me deixaram responsável pela Francesca e isso também acaba me responsabilizando por seus atos. Injusto não? Eu estou literalmente estou ferrado.
Nesse exato momento eu estou parado em frente ao quarto da Francesca decidindo se entro ou não. Olhei para o buquê de rosas vermelhas que havia comprado para a Fran, eu precisava pedir desculpas e quando comprei as rosas achei que seria uma boa ideia comprar as flores preferidas da Fran e dar para ela, mas agora eu não acho mais um ideia tão boa assim, por que pensando bem acho que ela vai jogar as flores na minha cara.
Respirei fundo e bati na porta, eu iria ter que enfrentá-la mais cedo ou mais tarde. E quanto antes o fizer melhor.
— Não tem ninguém. – Francesca gritou de dentro do quarto.
— Então quem está falando? É o Gasparzinho, o fantasma camarada? – Perguntei em meu tom irônico habitual.
— O que você quer seu idiota? – ela perguntou abrindo a porta.
A observei por um tempo, ele estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo bagunçado, estava com uma calça de moletom pink e uma blusa de frio branca que estava gigante para ela, e nos pés ela calçava um chinelo rosa. E a cara de sono não a ajudava muito na aparência.
— Tá linda em maninha – disse adentrando no se quarto.
— O que você quer Leonard? – Ela perguntou parando em minha frente e cruzando os braços.
— Eu vim pedir desculpas – Disse e ela arqueou as sobrancelhas — Eu trouxe isso – disse estendendo o buquê em sua direção — Sei que são suas preferidas então – dei de ombros — Sei lá, será que dá para me desculpar?
— Eu já estou cansada disso León. Você apronta comigo e depois acha que pode me comprar com presentes. Eu não sou um objeto León, eu tenho sentimentos sabia? – ela disse gesticulando com as mãos e com os olhos marejados — Eu sempre desculpo você, não pelos presentes que você compra, mas por que eu amo você, você é o meu irmão. E eu torço para que um dia você possa ter amigos de verdade, possa amar alguém e ser amado León, por que isso que você sente pela Ludmila é atração, você não sabe amar. E sim León eu te desculpo, mas espero realmente que essa seja a ultima vez que eu tenha que dirigir essa três palavras para você. Por que da próxima vez eu não vou te desculpar tão fácil assim. E você pode dar essas rosas para sua namorada tenho certeza que ela vai adorar.
— Francesca eu nunca quis te magoar, mas...
— Você tem que ser aceito no seu grupo. Eu sei, é por isso que digo que o seus amigos não são verdadeiros. – ela disse vindo em minha direção— Boa Noite, León – ela disse e deu um beijo em minha bochecha.
— Boa Noite, Fran – disse e sai do seu quarto.
Sai do quarto da Francesca e desci até a cozinha beber um pouco de água.
Chegando lá bebi um pouco de água e joguei o buquê de rosas no lixo. Acho que jogá-lo no lixo foi a melhor decisão que tomei em semanas.
Aquela noite as palavras da minha irmã ficaram martelando em minha cabeça e não me deixaram dormir. E podia ser que ela tinha razão, talvez eu não ame a Ludmila como acho que amo, talvez os meus amigos, não sejam os amigos certos.
Nada perdido, mas algo faltando. Minha vida inteira foi assim, não havia perdido nada e eu tinha tudo o que o dinheiro podia comprar, mas sempre estava faltando algo, algo que eu não faço a menor ideia do que seja. Eu só espero que encontre esse algo logo, não vou aquentar muito tempo mais com essa sensação. Acho que no fundo o meu coração sabe o que é esse algo. Se eu soubesse ao menos o que meu coração estava querendo me dizer, talvez minha vida seria mais fácil.
Olhei as horas no celular, eram apenas 11:00 p.m. (23h00min), então resolvi sair um pouco para esfriar a cabeça.
P.O.V.: Violetta.
Nada perdido, mas algo faltando. Essa era a sensação que eu tinha.
Hoje fazia exatamente um mês que estávamos em Buenos Aires, Germán estava tratando de negócios com o Ramalho, Olga estava na cozinha, Esmeralda e Juan saíram para algum lugar, Angie estava no andar de cima e eu estava sentada no sofá, mexendo no celular. Não sei o que era estava com uma sensação estranha. Hoje era dia 10 de Fevereiro, 10: 50 p.m. (22h50min), não sei o que poderia acontecer em um dia tão tranquilo como esse. Resolvi ignorar esse pressentimento e voltei a jogar no celular.
Estava tão entretida no joguinho, que quando o telefone tocou acabei levando um susto. Olhe pros lados e vi que não tinha ninguém vindo atender ao telefone. Então resolvi me levantar e atender eu mesma
— Alô, quem fala? – perguntei segurando o telefone com uma mão e tentando jogar o joguinho do celular com a mão que estava livre.
Acabei deixando meu celular ir de encontro com o chão com a notícia que havia acabado de receber.
— O.k. obrigada. – disse e encerrei a chamada, fazendo assim as lágrimas que eu havia segurado escorrerem livremente por meu rosto.
Minha visão estava embaçada por causa das lágrimas, mas pude ver meu pai saindo de seu escritório, ele parecia arrasado. Pude ver ele caminhando em minha direção. Ele parou em minha frente segurou em meus ombros e disse:
— Por que Violetta? Por quê? – sua voz estava falha e saiu mais como um sussurro. Ele soltou de meus ombros e passou as mãos pelo cabelo, mas permanecendo bem próximo de mim.
As lágrimas que antes escorriam livremente por meu rosto já haviam cessado um pouco.
Nunca havia visto Germán dessa maneira, a não ser no enterro da mamãe. Eu estava com pena dele, estava com vontade de abraça-lo e dizer que tudo ia ficar bem, mas essa vontade logo passou quando ele disse:
— Você deveria ter ido no lugar dela. –Cambaleei para trás, como se tivesse levado um soco no estomago Aquelas palavras haviam realmente me machucado, eu não esperava que ele dissesse isso para mim. Eu pude ver ódio em seu olhar.
Não sei o que estou sentindo, isso é apenas um sonho?
Naquele momento eu já não sabia se era tristeza ou era raiva. Acho que estava dominada por meus sentimentos, e acabei liberando tudo o que eu sentia.
— Eu odeio você – Gritei, pude sentir as lágrimas descendo novamente por meu rosto— Me diga o que foi que eu fiz para você me odiar tanto? Por que você me tirou tudo o que era importante para mim? Por que você não me deixa mais ver a minha irmã? Eu nem sei se ela ainda está viva. Por que você mudou tanto depois que a mamãe morreu? Eu não consigo entender! Eu não consigo pensar em algo que eu tenha feito para você? – Eu disse em um om mais calmo, pude notar que todas as pessoas a casa se encontravam na sala, prestando atenção na minha pequena discussão com o meu pai – Você era o meu herói pai.
Quando terminei de falar peguei minha bolsa que estava ao meu lado e sai correndo para fora de casa, precisava pensar um pouco.
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