Os Astros
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Já fazia um bom tempo que estávamos em Buenos Aires, mas eu não havia saído de casa para nada, para falar a verdade eu mal saía do quaro, a não ser para estudar. Meu pai havia contratado uma governanta nova. — ele não me deixa ir para uma escola, diz que há muitos garotos por lá. — O nome dela era Angie, ela é a melhor governanta que já tive — por muitos motivos e principalmente por não me obrigar a ouvir música clássica -, Juan também a adorava, mas acho que Esmeralda tinha um pouco de ciúmes dela com o papai.
Nesse momento eu estava sentada ouvindo Angie falar sobre Geografia — eu acho que era geografia -, por mais que eu tentasse não conseguia prestar atenção em nada do que ela falava.
— Angie, eu vou beber um pouco de água eu já volto. Quer alguma coisa – perguntei da maneira mais educada possível.
— Não querida, obrigada – Angie disse sorrindo para mim.
Eu não sei o que á isso, eu conheço Angie há pouco tempo, mas é como se eu conhecesse a vida toda.
Cheguei à cozinha, peguei um copo e peguei um pouco de água da torneira. Levei o copo até os lábios, e bebi um pouco daquela água, joguei o restante da água na pia e lavei o copo guardando-o em seguida.
Depois de enrolar por uns dez minutos na cozinha, voltei para onde Angie estava me esperando.
— Vilu, que tal sairmos um pouco de casa? – Angie perguntou.
— Mas, Angie eu tenho que estudar. – Disse, esperando que ela mudasse de ideia. Não queria sair de casa.
— Você não está prestando atenção no que estou dizendo de qualquer maneira. – Ela disse fechando seus livros e os deixando de lado.
— Estou sim.
— Do que estávamos falando então Vilu? – Perguntou e arqueou sua sobrancelha direita, como se estivesse me desafiando a responder.
— Geografia? – perguntei e ela discordou — Matemática?
— Não Violetta, viu você não estava prestando atenção! Agora vamos. -Angie disse se levantando e seguindo até a porta, eu me levantei e segui seu exemplo.
— Então aonde vamos? E por favor, que seja um lugar perto, porque estou cansada. – disse e ela me olhou indignada.
— Aonde você quer ir? Sei que não conhece a cidade. Olha você vai amar Buenos Aires.
Observei em volta e vi um senhor no parque com um carrinho 0nde vendia pipocas e maças carameladas.
Quando vi Angie estava andando na direção do senhor. E eu como sempre sendo arrastada até lá. Por que Angie e Esmeralda faziam isso comigo?
— Oi, me dê duas maças carameladas, por favor. – Angie disse ao senhor gentil como sempre.
Angie o pagou e o senhor entregou as maças carameladas a Angie.
Ela me estendeu uma e eu a peguei e lhe lancei um sorriso de agradecimento.
Nos sentamos em um banco da praça –a uma quadra da pequena praça ficava a minha casa- e ficamos observando as crianças brincarem com seus pais. Era uma cena que me encantou, mas ao mesmo tempo me deixou triste, nunca tive a chance de fazer isso com meus pais. Mamãe vivia para a música, para os seus shows e quando ela decidiu fazer um último show e dedicar sua vida para sua família, ela acabou morrendo em um acidente no show. E papai, ele vivia – e ainda vive – para o seu trabalho eu não sei muito bem o que ele faz, mas também nem me interessa. E depois que a mamãe morreu, eu parei de falar com as pessoas, chorava todos os dias e quase não comia, vivi por um bom tempo assim: quarto, escola, psicóloga e quarto. Papai sempre batia na porta pedia para eu deixa-lo entrar, tentava falar comigo, mas eu apenas ouvia nunca respondia a nenhuma de suas perguntas, então ele desistia, dizia um eu te amo e ia conversar com sua nova esposa ou cuidar de seu novo filho. Minha psicóloga dizia que era normal, esse comportamento. Com o passar do tempo, quando eu tinha uns oito anos, papai tentava se comunicar comigo cada vez menos. Um tempo depois eu me recusava a ir ao psicólogo e tive que passar a conviver com minha nova família.
—Então o que acha? – Angie perguntou olhando para mim com uma expressão séria no rosto.
— Me desculpe Angie, estava distraída! Será que poderia repetir? –
— Deixa para lá, não era nada importante. – Ela disse forçando um sorriso e dando um longo suspiro — É melhor irmos embora Violetta.
Não disse nenhuma palavra, só a acompanhei até em casa enquanto terminava de comer minha maça caramelada.
Fale com o autor