Os Astros
4 Capítulo 3
P.O.V. : León
Acordei morrendo, mas logo me lembrei-me um novo ano no Studio estava para começar.
Com esse pensamento eu acabei caindo da cama. Levantei-me logo em seguida muito eufórico e corri para o banheiro, fiz minha higiene matinal e sai do banheiro com a toalha enrolada em minha cintura.
Eu fui meio que atacado por um ser de olhos verdes e cabelos negros.
– Ahh, as aulas do Studio começam hoje — Francesca falou, ou melhor, gritou já se soltando de mim, e dando pulos de alegria.
– Eu sei Fran, a gora se me der licença eu preciso me trocar, então se não for muito incomodo sai – Eu gritei a última parte apontando para a porta. Ela fez bico — o que a deixou muito fofa — e se retirou do quarto.
Vesti-me e desci para tomar café, esperava encontrar todos sentados à mesa, mas lá só se encontrava Francesca.
Sentei-me em sua frente e lhe lancei um sorriso um pouco tímido, que foi retribuído imediatamente por um grande sorriso vindo da italiana.
Pois é, eu sou mexicano, minha irmã italiana e meus pais argentinos.
– Laion.
Olhei para o lado e vi Ludmila seguindo na minha direção, me segurei para não revirar os olhos.
– Oi amor. — Ludmila disse me dando um selinho.
– Oi Ludmila. — disse e sorri.
– Ludmila — Fran disse forçando um sorriso — Quanto tempo, não?
Já deu pra ver que as duas se odeiam. Então não tenho nada a declarar.
– Francesca, querida– Ludmila, disse. Nossa, ela consegue ser mais falsa que a Francesca -, como está querida?
– Estou bem, querida. — Fran disse ainda forçando um sorriso. — Meus amores, eu vou indo para o Studio, nos vemos lá.
– Ai, já vai tarde, querida.
Eu nunca ouvi tanto a palavra querida em apenas uma conversa.
Francesca olhou para mim depois para Ludmila e revirou os olhos, logo após se levantando e indo em direção a porta.
– Ai Laion, essa sua irmã é bem chatinha. — Ludmila disse e logo após bebeu um gole do meu suco de laranja.
– Ela é bem legal, se você der uma chance a ela. — disse e dei uma mordida na minha torrada.
– Mas, ela não gosta de mim Laion.- Ela disse fazendo uma carinha triste. Se a Ludmila não se der bem como cantora, ela com certeza se dará bem como atriz, cara ela merecia um Oscar.
– Tudo bem Ludmi,vamos indo para o Studio se não vamos nos atrasar.
– Vamos lá Laion,nosso formigueiro nos espera. — Ela disse entrelaçando seu braço no meu e assim seguimos para o Studio.
P.O.V. : Violetta
Querido Diário,
Depois de horas em um avião finalmente desembarcamos em Buenos Aires. Estavam todos muito animados com a chegada em Buenos Aires, todos menos eu.
Buenos Aires me traziam muitas lembranças de uma época em que eu era feliz, uma época em que mamãe era viva, uma época que não vai voltar. Eu não me lembro muito bem da mamãe e me dói não poder lembrar.
– Querida, tudo bem? — Esmeralda perguntou segurando em meus ombros.
– Para falar a verdade, não estou muito bem. – disse colocando meu diário em cima de uma mesa que estava próxima de mim.
– Eu sei que é difícil Vilu, difícil não a ter aqui, difícil não se lembrar dela. Eu sei como dói. Eu sei... — Ela disse em um tom tão melancólico, um tom que ela não usava normalmente.
– O que aconteceu? — Perguntei.
Eu sei a pergunta foi indelicada, mas a curiosidade estava me matando.
– Eu perdi meus pais Vilu, eu tinha apenas 9 anos. Eles morreram em um acidente de carro, eles morreram na hora, não puderam fazer nada. Depois disso eu fui morar com meus avós, meu avô não gostava muito de mim, porque ele nunca apoiou o casamento de minha mãe com o meu pai, eu sofri nas mãos do meu avô, mas não fiquei muito tempo por lá, com 16 anos eu fugi arrumei um emprego, não muito digno, mas era o máximo que consegui trabalhava noite e dia como garçonete e consegui me manter assim até conhecer seu pai. Sabe, foi difícil, mas eu estou aqui, viva, eu passei por tanta coisa sozinha e sobrevivi você é uma garota forte e não está sozinha, então você com certeza irá passar por essa. — quando ela terminou de falar eu pude perceber que seus olhos estavam marejados. E em um ato precipitado, lancei meus braços ao redor de seu pescoço e ela retribui meu abraço, quase que imediatamente. Enterrei meu rosto em seu pescoço, sentindo o cheiro de chocolate que emanava de seus longos e sedosos cabelos castanhos.
– É por isso que você sempre me ajuda? – perguntei assim que nos separamos do abraço.
– Não Vilu, eu ajudo você, porque você é como uma filha para mim. Eu amo você Violetta. – Esmeralda disse segurando em uma das minhas mãos. Eu queria responde-la, dizer que a amava também e que ela era como uma mãe para mim, mas eu nada disse apenas abaixei a cabeça e fiquei lá imóvel olhando para os meus pés. Permaneci por uns dois minutos assim até que Esmeralda resolveu se pronunciar:
– Tudo bem, vamos embora Ramalho já deve estar nos esperando Vilu. – ela disse levantando minha cabeça com uma das mãos e me entregando meu diário com a outra.
***
Ramalho havia estacionado o carro em frente a uma casa, uma casa que eu conhecia muito bem. Não pensei duas vezes antes de sair do carro deixando todos para trás e entrar na casa sendo recebida assim com um abraço esmagador por parte de Olga. Abracei-a de volta mesmo estando sendo sufocada pelo abraço não me permiti dizer uma palavra sequer, era muito bom estar nos braços de Olga.
– A minha menininha, como está crescida. — Olga disse com voz de choro se separando do nosso abraço. — Esta tão parecida com sua mãe pequenina.
Alegrei-me muito com aquela afirmação, sempre quis ser parecida com minha mãe. Ela era uma das mulheres mais linda que eu conheço. — por mais que eu não me lembre dela, eu tenho algumas fotos que me ajudam a lembrar.
– Eu senti sua falta Olga. — Disse e sorri. — Com licença. — disse e me retirei indo para o segundo andar.
Ah, essa casa, quantas lembranças.
Havia morado nessa casa antes de papai resolver se mudar para a Europa, morávamos aqui quando mamãe ainda era viva.
Continuei caminhando até parar em frente a porta de um quarto. O quarto que era do papai e da mamãe. Levei minha mãe até a maçaneta e várias lembranças me atingiram:
*** FlashBack ***
Eu havia acordado no meio da noite chorando, por que havia tido um pesadelo. Levantei-me rápido, peguei meu travesseiro, e fui em direção ao único lugar que sabia que estaria segura: o quarto de meus pais.
Parei no meio do corredor, e levei minha pequena mãozinha até a maçaneta da porta do quarto. As lágrimas ainda rolavam por meu rosto. Adentrei no quarto devagar. Pude notar que a luz ainda estava acesa e papai e mamãe ainda estavam acordados conversando sobre algo, sentados na cama.
– Mama — sussurrei com a voz falha por causa do choro.
Mamãe e papai logo me viram. Papai se levantou caminhou até mim.
– O que aconteceu minha princesa? — Papai perguntou enquanto me pegava no colo.
– Eu tive um sonho ruim papa. — disse escondendo meu rosto em seu pescoço.
– Foi só um sonho meu amor. — disse mamãe acariciando minhas costas.
– Querida? Vilu meu amor olha para mim — disse papai, e assim o fiz, olhei para ele, como ele pediu. — Não foi nada meu anjo, foi só um sonho e já passou. O papai e a mamãe estão aqui agora. Hey, minha pequena, vai ficar tudo bem, amanhã é seu aniversário de cinco anos minha princesa e você precisa estar descansada para sua festa amanhã.
– Todos os seus amigos e o seu namoradinho estarão aqui meu amor, você vai ver, vai ser legal. — disse mamãe acariciando meu rosto e sorrindo para mim, um sorriso alegre e acolhedor, que só ela sabe dar.
–Namoradinho? – papai arregalou os olhos e perguntou.
– É papai o Laion – disse olhando para ele.
– O León? – papai perguntou.
– Não papai bobinho, é o Laion – disse dando ênfase na palavra Laion.
– Mas, eles não são a mesma pessoa? – confuso papai perguntou.
Mamãe riu e me pegou do colo do meu pai.
–Vem amor, vamos dormir – mamãe disse me colocando deitada em sua cama. E começou a cantar uma música para mim
Libre soy, libre soy
No puedo ocultarlo más
Libre soy, libre soy
Libertad si vuelta atrás
Y firme así, me quedo aquí
Libre soy, libre soy
El frío es parte también de mí
Naquela noite adormeci ouvindo a voz doce e melodiosa de minha mãe cantando para mim.
***FlashBack 2 ***
Eu estava sentada em cima da cama, me balançando de um lado para o outro, enquanto papai jogava todas as suas roupas dentro de uma mala.
– Papai, onde está a mamãe? — Perguntei para meu pai.
Ele parou de fazer o que estava fazendo e olhou para mim, eu ergui os braços pedindo colo, ele deu um pequeno sorriso veio até mim e me pegou.
– Filha a mamãe foi viajar, pra um lugar bem longe. — disse papai, se sentando na cama comigo sentada em seu colo.
– Ela vai voltar?
– Não meu amor, a mamãe não vai voltar mais, ela foi para o céu morar com Deus — eu prestava atenção em cada palavra que ele dizia.
– Não, papai. Por quê? Ela não ama a gente mais? Ela disse que ia ficar para sempre comigo. — disse completamente desesperada e saindo do colo do meu pai.
– Filha, a mamãe te ama só que ela não pode mais estar aqui, mas ela te ama e sempre vai te amar. Vem aqui com o papai.
– Não. Eu quero a mamãe! — Gritei e sai correndo do quarto do papai e foi pro meu quarto.
Cheguei ao meu quarto e me joguei na cama abraçada no ursinho que mamãe havia me dado em meu aniversário de cinco anos e chorei, chorei até pegar no sono.
A partir daquele dia a minha vida nunca mais foi a mesma.
*** FlashBack off ***
Retirei minha mão da maçaneta da porta, não tinha era covarde demais para abri-la. Respirei fundo, porque eu estava a ponto de desabar a qualquer momento.
Eu me lembrava daquele dia. E mesmo sendo há tanto tempo atrás ainda doía. Ficar nessa casa me machucava. E ao mesmo tempo me alegrava. Confuso não?
Percebi que estava parada olhando fixamente pra porta, então resolvi sair dali. Caminhei por aquele extenso corredor até parar em frente a uma
Porta diferente de todas as outras essa porta era em um tom branco — já as outras eram em um tom de marrom — havia três borboletas roxas na porta, ao lado encostado na parede havia um criado mudo marrom. O que será que estava fazendo ali?
Encarei a porta novamente — Sério isso já tá começando a me irritar. Por que eu fico encarando as portas como se eles fossem uma pessoa? — Parecia que ninguém entrava ali há séculos, pois a porta estava toda empoeirada e arranhada. Meus olhos deslizaram pela porta toda. E eu vi algo diferente em baixo de uma das borboletas, passei a mão para retirar um pouco da poeira e estava gravado na porta: Cantar é o que sou.
Eu queria muito saber o que havia detrás daquela porta, olhei de volta para o criado mudo e pude ver algo prateado.
A chave
– Vilu? Ah, finalmente te encontrei! Vem, Olga fez bolo de chocolate e disse que eu só ia poder comer junto com todos. Então vem. Sabe como eu amo bolo de chocolate né? — Juan disse se atropelando nas palavras de tão rápido que estava falando.
Eu sorri para ele, também adorava o bolo de chocolate da Olga.
Olhei mais uma vez para chave, e segui para cozinha com o Juan, enquanto o mesmo falava o quanto o bolo de chocolate da Olga era gostoso.
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