Os 7.
1 Está frio lá fora (e dentro de mim)
Abro meus olhos, o primeiro dia na escola oficial de escrivães, lembro do que tive que passar para chegar aqui, geralmente as pessoas ficam até completarem sua maioridade no preparatório para as especializações, mas eu fui uma das poucas que fugiu de lá, precisei falar com meu pai para entrar logo, afinal, aquele lugar era horrível, e eu não estava mais conseguindo controlar aquilo... Enfim! Aqui em Vitália ficamos desde nossa infância até o final da juventude nos preparando para passar nas escolas oficiais, e no final de quase 18 anos estudando nós temos que escolher o que realmente queremos em menos de 48 horas, eu decidi ser uma escrivã, mas o porquê? Bem, ser escrivã é diferente aqui, você pode fazer várias coisas, nós acreditamos nas palavras na verdade, no poder delas, por exemplo, nós podemos usar para a cura, ou para a maldição... Além de muitos motivos pessoais que decidi fazer essa escola, eu decidi fazer pois meu pai é um dos 7, os 7 são a supremacia aqui em Vitália, eles escutam as palavras do alto e as traduzem, julgando as pessoas, curando-as, ou as amaldiçoando. De 50 em 50 anos tem a grande competição, para decidir quem serão os próximos 7, e essa competição será quando eu completar 22 anos, exatamente quando eu terminar a escola, tive que falar para o meu pai que iria tentar a competição, só assim ele me deixaria fugir do preparatório.
Enfim, estou postergando a história, o meu dia começou quando abri meus olhos azuis esverdeados como algo azul esverdeado, eu realmente nunca vi algo como a cor dos meus olhos, mas me falaram uma vez, Augustus, meu noivo havia me falado que eram azuis esverdeados, como sempre eu acreditei nele, não posso pensar em discordar ou contestá-lo, enfim, como sempre, preciso escovar meu cabelo cobre como a ferrugem que tinha atrás da porta do meu quarto, preciso mandar alguém arrumar aquilo, e depois de vestir a calça de couro de tigre que Augustus havia dado para mim de aniversário e uma blusa branca qualquer eu parti para o dia, não um dia qualquer, mas O dia, o dia que começará a jornada para eu encontrar nas palavras sagradas a cura para essa maldição que eu tenho, a razão dos meus maiores medos e a causa de cobrir minhas mãos com luvas e o medo irracional de encostar em um ser vivo.
Fale com o autor