Os órfãos de Nevinny Vol.2
12 Agradeço, mas passo
“Feliz ano novo, S/N. Gostaria muito de estar perto de você novamente. Aqui em casa está um saco sem sua presença.”
“Oi, tá tudo bem? Eu sei que você não responde na hora, mas já te enviei mensagem há uns dois dias.”
“Tô começando a me preocupar. O Joseph está te tratando bem? Ele te proibiu de falar comigo? Me dê notícias logo. Ainda sou sua irmã. Senão eu vou ter que tomar medidas pra saber como está. Eu vou chamar a polícia.”
“S/N?”
Há alguns dias a rotina sociável na casa dos Mollins foi deixada de lado e atualmente o seu status foi definido, pelo menos até o momento, como alguém em clausura.
Desde o episódio do café da manhã no espaço gourmet da senhorita Zanelda, seus encontros amigáveis têm sido feitos em sua mansão, na sua liberdade individual e discreta.
Meghan sentiu que algo estava diferente com sua pessoa, então os encontros diários de horas e horas conversando e realizando dinâmicas foram reduzidos, passando pra encontros eventuais, momentâneos e com prazos mais curtos.
Até de Lavínia resolveu se afastar, deixando-a muitas vezes na mansão de Meghan. A última vez em que se encontraram foi há dois dias e hoje combinaram de se encontrar novamente.

— Bom, vocês sabem que os últimos dias têm sido difíceis pra mim, tanto aqui como antes de eu vir pra cá. Esse mês é o mês do meu aniversário então eu… quero fazer um pedido especial pra vocês.
— Não vai me dizer que finalmente seu pai deixou você fazer seu aniversário na Disney como ele prometeu há milhões de anos atrás? É sério?!
— Um aniversário na Disney? Tipo, fechar a Disney pra fazer um aniversário só seu lá? — Lavínia pergunta enchendo os olhos.
— Eu acho que não é isso que S/N vai dizer. Olhem, vocês acham que seria uma boa fazer uma festa? — Nat dispara repreendendo-as.
— Não, não é isso que eu vou dizer. Na verdade, é muito pelo contrário — você fala — É claro que seria uma boa eu fazer uma festa pelo menos pros mais chegados pra comemorar a vitória do meu pai de ter esquivado essa história do táxi que explodiu e sobre o baile, mas, vocês sabem que eu não tô nem um pouco no clima pra fazer nada.
— Mas o quê? Como assim? Nem um bolinho de nada? — Lavínia pergunta.
— É, eu pensei nisso, mas… acho que eu preferi deixar essa data passar, sabe? Tratar como um dia normal. Porque… é um dia normal, né?
— Mas você sempre adorou suas festas de aniversário, S/N. A gente nunca deixou isso passar despercebido. Até uma pocket party os seus pais já fizeram quando criança. Você tá na adolescência. Agora que é a hora de você fazer aquela festança que você sempre quis — Meghan fala.
— É, mas você acabou de pontuar duas coisas importantes que já são uma das respostas pelo motivo que eu não quero nada especial: os meus pais que faziam a minha festa, pelo que vocês sabem eu não tenho mais meus pais, agora só é o Joseph e olha lá. E outra que eu já tô na adolescência. Já cansei de tudo. Eu quero focar em outra coisa. Aliás, eu tô numa fase que não quero mais tumultuar minha vida de gente. Muitas pessoas nem são nossas amigas de verdade e te
abandonam na primeira oportunidade.
Nat, Meghan e Lavínia nada falam e se entreolham por alguns segundos.
— Tá, a gente entende… não é? Meghan, Lavínia, o que vocês acham?
— Se essa vai ser a pauta de hoje, eu já digo logo o que acho. S/N, eu respeito sua decisão, mas acho que uma festa seria a melhor coisa. Tanto pra você se sentir mais confortável e pra esquecer um pouco dessas coisas que estão acontecendo — Meghan sugere defendendo seu ponto de vista.
— Tá, a gente te entende, S/N. Você tá cansadx. Eu certamente nem sei o que faria se tivesse no teu lugar. Ricar cercado de mídia e holofotes e suspeitas pra cima de uma única pessoa é cansativo. Eu juro que não queria isso pra mim, mas jamais nós deixaríamos alguém passar por coisas como essas sozinhx — Lavínia fala.
— Bom, o seu pai tá focado em limpar a “bagunça” que fez. Ele tá conseguindo. O clima geral não é de celebração. Mas, S/N, passar o seu aniversário como se fosse uma dia qualquer? Isso não é focar em outra coisa, é se anular.
— Meninas! Por favor, respeitem a escolha de S/N. Sem pressões, por favor — Nat suplica.
— Mas é isso, Nat! Exatamente! — Lavínia exclama, animando-se — Se S/N não quer uma festa com quinhentos convidados, tudo bem. Mas a gente pode fazer algo… privado? Um dia relaxante, sei lá ou um cinema na casa da Meghan ou aqui mesmo quem sabe? Sem câmeras, sem boatos de táxis explodindo, sem o Joseph controlando cada passo.
Você dá um meio sorriso, mas ele não chega aos olhos.
— Vocês não estão entendendo. Eu não quero uma "festa menor". Eu quero o direito de não ser o centro das atenções por vinte e quatro horas. Quero que o meu status de "clausura" seja respeitado, inclusive por vocês.
— Ah, mas aí você tá se achando demais também, né? Você tá achando o quê? Que é protagonista da história toda? Você pode até estar sendo, mas do jeito que você tá falando parece que tudo gira ao seu redor. Me desculpem falar assim, mas eu sou sincera — Lavínia dispara.
— É, mas o que acontece é que nessa parte tudo está girando em torno de S/N. Pode ser que futuramente não esteja e tudo se alivie, mas não podemos ignorar os fatos — Nat afirma.
— Eu só quero crescer, mas do meu jeito, do jeito normal.E parece que, pra crescer aqui dentro, eu tive que envelhecer dez anos em poucos meses — você diz — O pedido especial que eu quero fazer é simples: no dia do meu aniversário, não apareçam. Não mandem flores, não postem stories antigos nossos e não tentem me "surpreender". Me deem o presente do esquecimento. Pelo menos por um dia.
O choque no rosto de Lavínia foi imediato. Nat apenas assentiu lentamente, processando o pedido com a seriedade em que foi exigido em suas palavras.
— Se é isso que você realmente quer... — Nat começa — Nós te respeitamos. Sério, sem trapaças. Mas se quiser voltar atrás e mudar de ideia, saiba que estaremos aqui. Como sempre estivemos.
— Tá, eu vou lembrar sim. De tudo isso. Obrigadx por falar — você diz.
— Ahh, vocês são tão fofxs. Agora eu entendo o porquê de vocês serem paixões de infância — Lavínia fala toda meiga fazendo coraçõezinhos com as mãos.
— Nossa, o quanto ela sabe sobre a vida aqui na cidade de Atelis? — Nat pergunta — E quem foi que falou desse detalhe? Quer dizer, não precisa nem falar porque eu já sei quem foi. E não foi S/N.
— É claro que fui eu. Se S/N não fala eu conto tudo. E tá mais que certa. Lavínia, eu também torço pra que S/N e Nat voltem a ser um casalzinho algum dia. Já disse e repito — Meghan dispara — Combina muito mais que com Ash.
— Ah, mas o que é isso com Ash? Você e sua mãe não morrem de amores? Até disseram que Ash já é da família?
— Dissemos, mas… você sabe que é verdade. Hoje em dia vocês são como simples amigxs. Amigxs muito fofxs.
— Fofo mesmo é um casal de amigos que eu conheço que super se dão bem. São como irmãos praticamente. É a Lavínia e o amigo Stefan. São tão próximos. Não sei nem como nunca tiveram um romance. Ou tiveram e… nunca falaram. Não é, Lavínia? — você fala despertando integralmente a atenção da colega.
— Mas o quê?! S/N, por que você tá falando de Stefan desse jeito pra elxs? Você sabe que somos apenas amigos! — ela exclama.
— Ué, não quiseram colocar meu nome na roda? Então aproveita e vamos tudo de uma vez.
— Espera. Quem é Stefan? — pergunta Meghan, gargalhando.
— Stefan é meu amigo de infância se querem saber. Nós NUNCA tivemos nada de romance, ouviu, S/N? — ela fala olhando diretamente para você enquanto arregala os olhos — S/N tá querendo me deixar em maus lençóis. Se eu falar de Cris e Allison tenho certeza que não vai gostar.
— Hmmm, e mais pessoas aparecendo na história. Pode contar também quem são.
Após a fala de Lavínia, Nat lhe olha por alguns segundos com a expressão neutra e depois dá um sorrisinho de canto de boca. Seus olhares se cruzam por alguns segundos, mas não dura tanto até Nat começar a mexer no celular.
— S/N, você não me falou que essx tal de Cris já te deu um cordão de lua. Cadê ele que você nunca mostrou pra gente? — Meghan pergunta lhe fazendo voltar a si.
— E-eu… não sei. Só… deixei de usar. Não lembro onde ele tá agora — você diz.
— Tratem de trazê-lxs também. Pra passar uma temporada aqui por Atelis. Tanto esse Stefan como Cris e Allison. Eu acho que vai ser uma boa.
— Pode ser. Mas Stefan não sei se vai dar. Ele é meu amigo, mas desde que voltou a namorar com aquela azeda da Cynthia ele ficou chato e mimado. Ela devorou o cérebro dele, então é melhor não — Lavínia dispara.
— Por que temos que ter uma Jennifer e uma Cynthia nas nossas vidas? Por que não criam um mundo paralelo só pra colocarem elas lá? — Meghan gargalha.
— Aí não teria graça. Seria uma história sem as antagonistas tanto aqui em Atelis e também em Nevinny — Nat comenta.
— Pois é, e eu tive o desprazer de conviver com cada uma das duas. Não tem como escapar de uma Regina George na vida — você diz.
— As Reginas George do mundo sempre dão um toque de drama e entretenimento às nossas vida — Nat fala, gargalhando.
— E quem sabe a gente até aprenda alguma coisa com elas, né? Tipo, como não ser uma Regina George — Meghan comenta.
— Ok, então será que não é melhor a gente dar um tempo de falar desses serzinhos iluminados e falar de outra coisa? Esse capítulo já tá ficando meio chato. Se não formos falar mais nada de interessante, é melhor a gente parar por aqui agora. Querem voltar a falar de casais românticos? — Lavínia pergunta, incisiva.
Porém, ninguém responde nada.
— Tá, vamos pro próximo assunto, então.
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