Orpheus
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Syo andava pelo corredor fazendo uma nota mental de tudo o que havia visto. Primeiro Jinguji realmente não tinha vergonha nenhuma de seus atos, segundo Masato sofria com os abusos do loiro e terceiro havia uma probabilidade de cem por cento de ter esquecido tudo o que havia visto.
Pronto! Havia esquecido. Não demorou a chegar em seu quarto e abrir a porta, mantendo-a aberta.
– Natsuki? — chamou assim que pôs o olho no quarto.
O maior estava de costas, em pé no meio do quarto, usando somente a camisa branca e mais nada. Quando Natsuki se virou, Syo pode ver algo que não deveria ter visto.
Aquele que deveria ser Natsuki estava sem os óculos, suado e com aquela camisa aberta. Mostrava o peito definido, que brilhava devido o suor e as gotas que desciam. O tórax totalmente desenhado, assim como os seus quadris. O suor descendo até chegar onde Syo achava que não deveria olhar.
O rapaz alto, que a pouco tempo atrás poderia chamar de Natsuki, estava mostrando o corpo todo, incluindo o grande membro rígido e maciço que o maior tocava freneticamente e sem vergonha nenhuma.
– Tsc. – o maior estralou a língua, os olhos verdes olhando estreito para Syo e muito fixo. Não parando de se masturbar, mesmo que a outra mão passava por seu cabelo suado. – Foi você que me deixou assim, baixinho?
Syo arregalou os olhos, aquele não era seu Natsuki ingênuo. Como ele havia vindo? Será que Natsuki sentiu a vontade de tirar os óculos ou caíram? O problema é que toda vez que isso acontecia Satsuki vinha e este era totalmente contrário de seu namorado, era agressivo e sem nenhum pudor. O melhor era sair dali o mais rápido possível.
O pior era que nem poderia contar para Natsuki, pois não se lembrava de nada. Assim talvez fosse o melhor. Kurusu ainda iria saber o motivo de Natsuki ter criado uma personalidade tão hostil.
– S-Satsuki!! Quarto errado! – disse o pequeno dando uns passos para trás até que ficou fora do quarto fechando a porta. Cotudo, assim que saiu, correu para o primeiro quarto que viu. Bateu na porta e foi atendido por seu colega de sala.
– Ichinose, eu queria saber se... Se eu posso dormir aqui? É que Natsuki está tendo uns problemas.
Ichinose estava com uma cara nada boa, parecia exausto.
– Por que eu faria isso? Você pode muito bem conversar com ele. Tenho certeza que ele vai se acalmar. — disse voltando a fechar a porta, mas foi impedido por Syo.
– Ichinose, não é tão simples. — disse Kurusu mais desesperado. O que fez Tokiya levantar uma sobrancelha.
– Certo, mais se vire com Otoya! – abriu passagem ao loirinho e quando ia fechar a porta foi impedido novamente desta vez por Ittoki. – Pronto! Se virem os dois, eu preciso descansar então não façam barulho. — avisou indo em direção a cama.
– Olá, Syo! – Otoya entrou no quarto olhando para o loiro feliz. Achava estranho a essa hora Syo estar em seu quarto, na verdade era a primeira vez que o via lá. – Está tudo bem? – Kurusu acenou positivamente a pergunta de Otoya, que sorriu e se virou para Tokiya. – Neah, Tokiya... Está tudo bem? – sorriu dessa vez mais radiante. Depois que chegou à academia, correu para ver a Nanami e mostrar-lhe os CDs, só não contou com quem estava e de quem ganhou para não parava de falar sobre como Tokiya era um bom amigo. – Trouxe comida para você como agradecimento.
– Obrigado, espero que tenha se divertido, Syo vai passar a noite aqui. – disse olhando o ruivo mais atentamente. — Eu não estou com muita fome. — disse pegando o embrulho que Otoya o havia entregado. — Eu vou descansar então, vocês dois se virem. – disse guardando o embrulho na geladeira para não estragar.
– Ahn... Eu vou dormir no... – disse Kurusu olhando em volta ele, teria que dividir a cama com Otoya? – Bem, tem algum problema se eu dormi na sua cama? — perguntou olhando o ruivo, ele se sentia sufocado se dormisse muito baixo, o sofá estava cheio e eles não iam ter futon.
– Pode ficar na minha cama. – Otoya não parava de sorrir, parecia muito animado. Especialmente ao tirar os tênis e os jogar em um canto qualquer do quarto e se jogar sobre a cama de Tokiya. – Eu durmo com Tokiya, quero conversar com ele!
Syo tombou a cabeça. Será que eles estavam namorando? Bem, era melhor deixar para lá e ir se ajeitar, pois teria que acordar cedo antes de Natsuki para não deixar Satsuki voltar. Pelo jeito deixar natsuki sozinho era perigoso.
Tokiya ficou olhando com uma sobrancelha levantada aquilo, como assim iria dormir com ele? Enfim, tudo bem desde que não roncasse nem se mexesse ou fizesse algo que o perturbasse demais.
Ele estava temendo, não a aproximação de Otoya, mas as perguntas que teria certeza que seriam sobre Hayato e ele.
Foi para o banheiro fazer sua higiene e voltou se sentando na cama.
– Não seria melhor conversarmos amanhã, Otoya? — perguntou se referindo a conversa. Empurrando o ruivo, ele não estava muito acostumado com alguém dormindo consigo.
– Tokiya~~~- Otoya estava totalmente animado, ele nem tinha se importado que Tokiya o empurrou, na verdade aquele era o jeito de seu amigo. Sabia que no fundo Tokiya era gentil, depois de hoje ele não duvidaria da gentileza do Ichinose. Ele pulou sobre Tokiya, o abraçando. – Obrigado! – sussurrou.
Tokiya havia ficado surpreso com aquele abraço. Ele gostava daquilo, não com qualquer um é claro, mas o do ruivo estava lhe agradando.
–Tudo bem, pode sair agora. — disse pondo Otoya de lado se virando para poderem ficar frente a frente. — Vá dormir, estou cansado! — disse vendo o brilho vermelho, era tão acolhedor.
– Amanhã nós vamos conversar? – o ruivo sussurrou curioso, e não parecia com sono do jeito que estava animado. Ele mordia o lábio contento a alegria e se mantinha deitado de frente para Tokiya. – Tenho que te compensar de alguma forma, está tão cansado... Quer massagem para relaxar?
Tokiya arregalou os olhos por misero segundos e logo voltou a seu olhar costumeiro o que otoya queria afinal? Ele estava muito animado, com tão pouco. Ichinose fechou os olhos respirando profundamente. Estava estranho nesses últimos dias, talvez fosse o stress.
– Amanhã conversaremos. Eu já tenho ideia do que quer falar. — disse baixo para não incomodar a visita. – Realmente não precisa fazer nada, já disse obrigado.
– Neah... Tokiya! – Otoya continuou sorrindo. Entendia que Tokiya estava cansado, só não sabia o porquê, pois a ultima vez que se viram foi na loja. Por isso ofereceu a massagem, para que assim Tokiya relaxasse. – Quer que eu cante uma musica de ninar? – colocou a mão sobre o cabelo de Tokiya e sorriu. – Prometo cantar baixinho!
– Otoya... Tudo bem, desde que não me incomode. – disse em um sussurro. Otoya tinha uma alma gentil, era sincero, não esqueceria isso.
Assim que Ichinose fechou os olhos, Ittoki começou a cantar em um tom tão agradável, aquilo lhe fez se sentir quando era criança, logo veio o afago. Otoya era realmente uma das melhores pessoas que ele havia encontrado.
Não longe dali Syo observava os dois. Foi a segunda vez que viu uma cena como aquelas de aproximação de seus colegas, Mas este casal era diferente, mais tranquilo, Otoya parecia ser o doce que faltava em Tokiya. Ao pensar nisso bateu na própria cabeça, estava começando a pensar coisas fofas talvez pelo fato de ver muitos casais ou por ter Natsuki como namorado.
Em outro quarto, o silencio dominava. Não era de se esperar muito. O dia estava acabando lentamente, ou muito rápido para o ponto de vista de Ren. Parado em pé no meio do seu lado do quarto, somente com uma bermuda e atirando o dardo para o seu alvo, Jinguji estava muito sério, esperando Hijirikawa se trocar depois ter sido acariciado por seus lábios e mãos.
Questionava-se se Massato levaria realmente a sério o que tinha dito sobre aquilo ser somente vinte e quatro horas. Depois de tudo que passou nesse dia, ele deseja que o dia fosse mais longo.
Não foi um dia que muitas pessoas chamariam de extraordinário, contudo ele achou. Dormir agarrado, acordar provando doces lábios. Ver o corpo desejável de Masato, poder tocar e provar sem receio algum. Masato gemendo o seu nome, retribuindo os beijos.
Ele deu prazer ao Hijirikawa, mesmo que fosse somente com a boca.
Aquilo o satisfez mais do que qualquer garota, mulher ou alguns rapazes. Masato tinha sido único.
Passar os seus dias, como no passado. Curtindo o silencio do lago e assobiando enquanto sentia as mãos perfeitas sobre o seu cabelo. Depois as palavras, as conversas agradáveis que tiveram. E então as mudanças de sua infância para agora, os beijos e os abraços estavam lá.
Foi melhor do que imaginava, deveria ter curtido isso também no passado.
Agora lamentava e o dia estava acabando.
– Droga, eu não o escutei tocar piano. — sussurrou parando de atirar os dardos.
Hijirikawa saiu do banheiro, desta vez vestido com uma roupa mais atual, para evitar assédios da parte de Ren, mas a verdade era que ele estava realmente gostando de passar aquele dia inteiro com ele.
Ele deve ter percebido que ele estava gostando pois se abriu mais ao longo do dia, deixando algumas coisas escapulirem. Falar sobre coisas que passou quando se separaram. Agora estava parado olhando do batente da porta do banheiro seu amigo de infância. Ele havia crescido muito, mas o sorriso que amava ainda permanecia lá.
– Está com fome? — perguntou encostando a cabeça no batente fazendo com que alguns fios deslizassem na direção que tombara a cabeça.
Ren olhou para trás e se surpreendeu com o seu coração dando uma acelerada que não conseguia conter. Tudo porque olhou para Masato. O dia inteiro foi desse modo, o peito doendo, o coração acelerando só de olhar para o outro. Ele riria se soubesse definir o que seria aquilo. Infelizmente não sabia.
Desde a infância não sabia. Lembrava-se de se sentir desse mesmo jeito quando o via tocar piano, ou falar, ou andar, correr, comer, sorrir... Droga. Estava ficando louco. Tudo por causa daquele ser a sua frente.
Lindo, sem igual. Masato era perfeito.
Jamais sentiu tanta vontade de estar com alguém como agora.
– Eu gostaria. — continuou o encarando e sorriu mais uma vez, ocultando o nervoso que sentiu em seu corpo. — Está lindo!
Hijirikawa corou um pouco o que fez ele abaixar a cabeça, Jinguji sempre gentil.
– Posso agora fazer as coisas do meu jeito? – perguntou se aproximando. — Irei fazer algo para comermos, depois eu vou fazer algo para você, mas é surpresa. — disse olhando Jinguji com um sorriso nos lábios, e um dedo no meio deles indicando que não falaria nada.
Hijirikawa foi até um canto de seu dormitório no qual possuía sua mini cozinha e passou a mexer em umas coisas.
O loiro se sentou em sua cama e parou de jogar os dardos, apenas segurou um e ficou girando-o entre os seus dedos. Casual como sempre em sua postura, observou Masato colocar um avental para fazer a refeição.
Eles dois eram tão diferentes, em todos os detalhes não somente físicos, mas também na personalidade. Conviver juntos seria impossível para qualquer um. Até mesmo para aqueles que teriam que ficar no internato por uma média de três anos com alguém totalmente diferente de si.
Mas entre os dois isso parecia ser confortável. Masato tímido, eloquente em suas palavras, sério, sempre levando a razão em primeiro lugar, o corpo frágil, a pele branca e delicada. Ele, Ren, não era assim. Totalmente o oposto.
E mesmo assim eles estarem em silencio, curtindo cada um em sua tarefa era confortável.
E olha, quem diria. Os dois estavam fazendo o que o outro desejava, como um acordo mudo. Por exemplo, ele estaria bem mais confortável agora para ir dormir de cueca, mas estava de bermuda para deixar Masato mais a vontade.
Estava sendo tudo agradável.
– Aprendeu a cozinhar quando? — perguntou para puxar assunto.
Hijirikawa tirou o olhar do que fazia para prestar atenção em Ren.
– Bem, eu passei a ficar mais tempo na cozinha depois que parei de te ver. De alguma forma ficava feliz ao cozinhar, pensava que um dia eu poderia fazer algo para você. — disse voltando a olhar para o que fazia, o fato de Jinguji não ter mãe fazia Masato querer cuidar mais dele ainda. — Não se preocupe eu não irei fazer nada fora do seu gosto. Eu sei do que gosta! — disse com um sorriso apesar de Jinguji não ver.
– Então pensava em cozinhar para o seu príncipe? — Ren sorriu colocando a mão no queixo e olhando mais fixamente para Masato. Ironico ou não, Masato havia dito que não tinha sentido saudades, porém aprendeu a cozinhar para ele. Sentiu-se tão bem com isso. Só que algo o desagradou em pensar sobre essa separação. — Se você nunca recebeu minhas cartas, o que faziam com elas?
O outro se virou de vez olhando assustado para Jinguji. Como ele havia descoberto sobre a história do principe? ‘’Mai’’ ele havia usado Mai para um interrogatório. Mas sua irma não havia mentido Jinguji sempre fora o príncipe dele.
Após uns segundos mudou a feição, suavizando.
– Eu me preocupava com você, você era meu melhor amigo e bem eu te via sim como um príncipe, porque eu te achava lindo. – disse sentindo o rosto esquentar. – Agora sobre as cartas... — fez uma pequena pausa, pois ele havia feito cartas que nunca pode entregar. — Eu acredito que Jii deu um fim nelas a pedido do meu pai.
Hijirikawa via a chama dançar, virou para olhar Jinguji e o chamou com o dedo.
Ren seguiu para onde foi chamado. Ficando pensativo, não gostava de saber que passava as noites escrevendo para descobrir que outra pessoa lia as suas cartas e as jogava fora como se fosse um lixo. Contudo ainda estava feliz em fazer algumas descobertas. Masato o achava lindo, fazia as coisas para ele porque o via como um príncipe.
– Eu te achava muito mais lindo! — ele se aproximou mais lentamente, sorrindo. — Queria você o tempo todo perto de mim, porque era a pessoa mais linda que tinha visto. Te achava que igual aquelas bonecas de porcelana. — confessou já que Masato segurava a vergonha em falar as coisas sobre ele.
Masato voltou a corar. Jinguji o via como uma boneca, havia ficado um pouco irritado e nem percebeu quando fez bico e virou o rosto. Mesmo com esta atitude ele segurou o braço de Ren o fazendo o sentar e testar algo que ele queria. Passou um tempo olhando para o peitoral de Jinguji e sem avisar se aconchegou lá, procurando proteção.
– Sua massa apimentada vai sair logo, ouji-sama. — disse Masato mexendo o molho.
Ren tocou o pescoço de Masato, acariciando aquele local e sorrindo ao tocar levemente com os dedos o queixo. Ele o virou e o beijou, mesmo tendo um sorriso nos lábios. Tinha reparado que Masato não gostou da comparação, achou hilário, porém não comentou.
Ele nunca quis comparar Masato com algum tipo de mulher ou menina. Jamais. Ele não poderia ser comparado a ninguém. O fato da boneca de porcelana era a delicadeza e os traços perfeitos que Masato tinha. E a vontade de proteger que provocava dentro de si.
Quando criança o via assim. Enxergava aqueles olhos grandes e azuis, transmitindo uma ingenuidade sem igual. Belos e chamativos. O rosto esculpido e perfeito, fofo poderia dizer. A cada momento dava vontade de tocar. Os olhos diminuindo enquanto sorria.
O achou uma boneca japonesa por ser tão perfeito que ninguém poderia tocar, somente admirar.
E ele adorava admirar Masato até hoje.
– Então ainda se lembra. — sorriu puxando e arrumando Masato em seu colo. Sentados naquele chão, olhando o pequeno forno a frente deles.
– Não faz tanto tempo assim. — disse baixo olhando para a sombra deles na parede. — Você parece tão tranquilo. — fez uma pequena pausa vendo o molho borbulhar. — Me assustei quando ficou irritado no dia da classe da oficina de musica. — comentou ficando um pouco de lado para olhar para Ren.
– Não costumo me irritar. – o loiro sorriu apertando-o mais um pouco. – É contra minha filosofia. – suspirou. – Contudo, não sei exatamente o me deu... Ranmaru tinha falado coisas sobre você e uma garota e quando eu reparei lá estava você com a senhorita Kajima. – apesar do sorriso, a voz estava com um tom enciumado.
Masato se virou um pouco mais para ver melhor a face do loiro, com certo esforço já que estava sendo apertado.
– Jinguji, você sabe que ela é minha noiva e eu tenho que ser educado. — disse olhando diretamente nos olhos azuis de Ren. — Esta já é a sexta! Meu pai esta ficando impaciente. — disse se esticando para por o macarrão na escorredeira.
– Por que não desafia o seu pai? – virou levemente o rosto, sorrindo agora um pouco mais baixo. – Isso é tão antiquado, já tem idade para escolher sua esposa. – apesar de suas palavras, escutar sair de sua própria boca a palavra “esposa” era totalmente fora desse mundo.
Ele não queria que Masato se casasse.
– Eu não poderia desafiar meu pai, eu o respeito muito Ren. – disse colocando a massa no molho mexendo um pouco. – Eu não quero me casar! — confessou saindo do colo de Jinguji. — Só me casaria por amor!
Então tudo que poderia fazer, pensou Ren, era evitar que Masato chegasse a amar uma das meninas que conhecesse como pretendente. Não que ele estivesse com ciúmes, ou algo que se aproximasse disso. Não, Ren não era de ficar com ciúmes de ninguém. Ele também não estava tentando estragar a vida de Masato.
Ele só queria Masato livre, ninguém mais o tocando e o vendo como o via agora. Seu estomago se revirava em pensar em alguém o roubando.
– Durma comigo hoje. – pediu sério, beijando o lado do rosto de Masato. – Abraçado, como antes.
O de cabelos azul ficou pensativo por um tempo, eles ainda tinham algumas horas.
– Ren, já esta pronto. – disse desligando o fogo – Temos algumas horas depois de comer, você poderá ficar comigo ate o horário previsto. – disse Masato pegando um prato e pondo para Jinguji e logo depois pondo para si. — Vamos comer. – disse sorrindo para o loiro.
– Quero mais do que simplesmente horas com você! – Ren ficou muito sério, olhando Masato nos olhos, sem tocar na comida.
Até mesmo o próprio loiro não estava sabendo o que estava falando. Era que tipo de pedido? Sua mente estava confusa e desesperada. Tudo aquilo tinha sido muito bom, viciou-se como antes e não queria perder.
O de Kimono ficou o olhando perdendo o sorriso. Sabia que aquilo poderia acontecer, mas não poderia prorrogar o sentimento.
– Jinguji Ren, eu não sei o que está planejando, mas eu não posso ficar mais assim com você. – disse pegando no hashi e abaixando o olhar. – Eu prometi não sair do seu lado, isso eu vou cumprir e acredito que isso seja o suficiente.
– ... – Ren ficou calado, e o olhar abaixou até o seu prato. Novamente rejeitado e pela mesma pessoa. Estava começando a se irritar com isso. Ele não deveria se importar. Tinham várias que o queria, ele não deveria ligar que Masato só ficaria perto dele somente por uma promessa a sua irmã. Porém seu peito apertou em dor de forma que não compreendia. – Perdi a fome. – levantou do chão e seguiu até onde tinham os seus dardos.
Hijirikawa soltou o Hashi, ele havia causado aquilo. Se levantou lentamente e foi até ele.
– Desculpe, eu não queria que fosse assim, muito obrigado pelo dia! — agradeceu se afastando e voltando para seu lado arrumando a comida em um recipiente guardando em forma de bento em seguida foi para a porta. — Tenha uma boa noite! — disse saindo do quarto.
Ren suspirou ao atirar o dardo no alvo estando sozinho no quarto e agradecendo por isso agora. Ele queria seu próprio tempo para pensar. Pensar muito. Rejeitado mais uma vez por Masato. Ele não deveria se importar muito com isso. Era normal, pessoas comuns eram rejeitadas.
Menos ele.
Ele jamais foi rejeitado. Era comum caírem aos seus pés, até mesmo as mais difíceis. Agora estava sentindo essa dor insuportável por Masato simplesmente dizer "não". Não deveria se importar, não era exatamente um namoro. Era somente um desejo, um desejo que ao ser consumado passaria.
Era o que mais ele esperava, que aquilo passasse.
Droga! Acabou por errar seu alvo. Jogou-se em sua cama e olhou para o teto ainda pensativo. Era a sua tendência ser egoísta, egocêntrico e muito chamativo, mas agora não conseguia pensar nele mesmo. Esse dia inteiro não foi para ele. Tudo foi realizado para que Masato se sentisse bem ao lado dele, lhe proporcionou prazer e não pensou em si.
Falou sobre ele afim que Masato falasse mais sobre si mesmo.
Maldição. Suas horas estavam acabando. Ele queria que aquilo fosse real. Queria mais do que horas. Queria Masato somente para ele.
Masato andava pelo os jardins procurando se acalmar. Ele estava muito mal, não queria se separar de Jinguji, mas não era mais como antes. Eram crescidos e ambos tinham responsabilidades sabiam que não daria certo.
Ren Jinguji era um príncipe que tinha tudo principalmente a garota que quisesse, Masato não tinha o luxo de aparecer publicamente para se mostrar, só se fosse propaganda da empresa.
Tão iguais com vidas tão diferentes.
Não estava muito preocupado com o que aconteceria na escola, mas em perder seu amigo. Por isso teria que aceitar. Olhou para o relógio que marcava uma e meia da manha seu dia com Ren havia acabado iria voltar, pois teria muito a se fazer no dia seguinte.
Vagou silenciosamente pelo corredor até chegar em seu dormitório e entrar sem fazer barulho algum
Ao ligar as luzes, encontrou o lado do quarto de Ren vazio, mas o seu ocupado. Sobre a sua cama, estava Ren sentado em posição de lótus e o olhando com a expressão séria no rosto. Algo muito diferente dos costumeiros sorrisos que dava. Porém ao notar que provavelmente estava encarando muito, ele sorriu colocando a mão para apoiar o queixo.
– Você sumiu por um longo tempo para alguém que iria somente guardar um pote na lanchonete. — ele parecia acusar com a voz, apesar do sorriso.
– Ahn... Desculpe, eu achei que estivesse dormindo. — disse Masato olhando o loiro, por um minuto segurou o choro porque pensou que o loiro não iria mais querer ficar com ele. — Eu estou um pouco cansado será que poderia deixar eu deitar no meu futon? — pediu se aproximando tomando com o degrau que dividia os dois lados.
Jinguji estava estranho, será que ele faria ou diria algo?
– Encontrou alguém no caminho? — Ren não se levantou do futon, apenas manteve a postura e o sorriso, mas os olhos estavam intensos o olhando sem piscar. Vendo através de sua alma.
Bem agora o de cabelos azul estava um pouco assustado.
–Não, eu não encontrei ninguém. Por que pergunta? — disse se levantando e se despindo, antes teria receio, porém estava tudo bem. Ren já o tinha visto diversas vezes, mesmo assim lhe deu as costas e pôs seu Kimono se sentando no futon. — Jinguji, acho melhor você ir dormir!
– Eu não quero ir dormir. — Ren sorriu ainda mais e se esgueirou pela cama sentando-se atrás e Masato e o abraçando. — Você me deve algumas horas, por ter sumido desse jeito! — beijou o pescoço alvo. — Você me seduz somente trocando a roupa, como faz isso?
– Ah! Eu não sei Ren. — disse se sentindo um pouco mais aliviado por seu amigo não estar bravo. — Por favor, eu não quero aprofundar nestes assuntos, você pode ficar, mas não passe dos limites. — disse olhando nos olhos do outro, queria poder dizer o mesmo, que Ren o seduzia com tudo, mas não o faria.
– Eu só irei dormir abraçado com você! — ao contrário de suas palavras, Ren o beijou e o puxou para se deitar. Colocou-o sobre a cama e se deitou sobre ele, lhe beijando o pescoço e o apertando em seus braços. — Por que não rejeita logo aquela garota?
Masato o olhou tentando enxergar além de seus olhos.
–Ren, eu não posso me desfazer dela! Fiz uma promessa que esta iria durar, logo terei que ser paciente. — disse sentindo uns fios loiros caírem sobre seu rosto. — Eu não sei até quando poderei enrolar Jinguji, mas eu terei que fazer minha escolha logo! – disse virando um pouco o rosto.
– Eu odeio esse seu lado. – a cabeça de Ren levantou um pouco e o encarou nos olhos. Sério, vendo se o que tinha acabado de falar não era uma mentira. – Você jogará fora mesmo a sua felicidade por causa dos desejos de seu pai?
–Jinguji, eu nasci para obedecer meu pai! Agora Mai terá uma boa vida sem obrigações, encontrar alguém que cuide bem dela, mesmo ela sabendo que sempre terá a mim. — disse se mexendo um pouco para se ajeitar de baixo do loiro. – Não tenho escolha, desde pequeno eu sei disso então tente compreender, eu já me conformei! — disse Masato tentando tirar Ren sobre si.
– Até quando irá mentir pra si mesmo? – Ren se irritou levemente, e se manteve firme sobre Masato. Ele jamais esqueceria as lágrimas que o outro derramou ao se beijarem. Sobre os desejos que ele tinha falado. – Irá me fazer acreditar que está conformado? – segurou Hijirikawa contra a cama. – O seu maior desejo não era se tornar um pianista? Ou... – ele se calou por alguns segundos pensativo. – Ou deseja que te salve?
Hijirikawa arregalou os olhos, quando escutou a ultima frase. “Deseja que te salve?’’ talvez, não era exatamente isso que ele queria, mas não era o que poderia obter no momento então era melhor deixar isso de lado. Não poderia ser salvo, já tinha um destino e como dissera para Ren já estava conformado. Algo que ninguém poderia mudar, nem ele mesmo, pois ele que o destino era apenas um.
Sentiu a pressão que o loiro fazia para mantê-lo lá, Jinguji sempre fora tão forte, suspirou. Queria tanto aquilo para si, aquela força, sempre fora muito frágil.
– Eu desisti de ser algo que eu sonhava a muito tempo por isso não adianta mais sonhar. — disse ficando um pouco mais inquieto com Ren o segurando daquela forma. – Eu ainda toco piano, somente como hobbie!
– Você está machucando a si mesmo! – Ren voltou a abraça-lo, juntar os corpos unindo de forma que ninguém mais poderia entender. Perfeitos juntos. – Se lembra quando nos encontrávamos? Falávamos sobre as nossas vidas, nossos futuros... Eu havia lhe dito sobre ser o segundo da família, a pessoa que serviria de fantoche a imagem para a família Jinguji. Que estava sendo ninguém apenas o boneco controlado por eles. Você me disse para fazer as coisas para mim mesmo, para minha felicidade, pois se não acabaria me odiando... Isso não serve para você?
– Eu realmente fico feliz por ter se lembrado e feito o melhor para superar, mas Ren eu sou o mais velho, não posso deixar o peso para minha irmã. Você não entende! – disse em um tom meio abafado. — Eu não posso utilizar deste artifício, pois eu sou o mais velho, tenho obrigações e devo cumpri-las para aliviar a vida da minha irmã. Ela é muito pequena e preciosa, por isso eu abdiquei a minha felicidade pela dela. — disse sentindo o calor de Ren aumentar contra seu corpo. — Me deixa seguir, eu preciso seguir Jinguji. Por mais que doa. – disse Masato sentindo o rosto esquentar, segurou o que viria a seguir – Por favor, me deixe sozinho!
– Não! – o loiro negou, segurando a cintura de Masato, apertando o abraço e escondendo o rosto no pescoço fino. – Nunca mais te deixarei. Eu irei cuidar de você e de sua felicidade... Sua irmã confiou isso a mim para isso.
O de cabelos azul ficou um pouco rígido, depois relaxou um pouco. Jinguji era muito perfeito tão atencioso, ele queria cuidar de sua felicidade, mas infelizmente ele não sabia o que era aquilo. Sentia ainda mais vontade de chorar.
– Eu não vou deixar o seu lado, eu prometi isso. Mas eu não poderei seguir com você, seremos apenas amigos. — disse sentindo o coração doer muito, tanta que ele estava começando a se sentir sufocado. Sentir a respiração de Ren descontrolado em seu pescoço assim como o aroma que emanava dele era algo deleitoso. Amava muito aquele loiro, porém seu sentimento não poderia ser efetivado.
– Escuta, você sempre me terá. Como um amigo nada mais. – disse com a voz chorosa não pode mais se segurar. -... Me perdoa! — pediu retribuindo o abraço do loiro.
– Eu vou estar com você! – Ren sussurrou com dor e se calou.
O sentimento aflorando, a dor crescendo no peito de Ren. Suas mãos seguindo até os cabelos sedosos e macios do Hijirikawa. Estava palpável aquela dor. Para ambos, sofrendo naquele abraço em silencio. A dor e a emoção os uniam, sabendo do fim trágico que poderia ser aquilo. Juntos, porém uma parede enorme os separando. Mesmo o ultimo beijo trocado naquela noite, antes do sono e dos sussurros de desculpas, a dor existia entre eles e uma faísca de esperança também. Mesmo que seja somente no coração confuso de um deles.
Assim com a noite levou o sono dos dois amantes, a manhã trouxe a solidão de um solitário amante, que atirava pedras no lago. Ranmaru havia passado a noite fora, se sentia um pouco doente agora que havia esfriado, mas não ligava não queria ter magoado ainda mais seu amigo.
Caminhando agora pelos corredores Kurosaki seguia para a lanchonete onde fez uma bandeja de café da manhã para Kotobuki e seguiu para o quarto. Não merecia os sentimentos de Reiji, mesmo assim arrumaria uma forma de pedir desculpa. Entrou no quarto e deu de cara com um Reiji descoberto e estranhamente posicionado pois estava de bruços empinado seus glúteos, Kurosaki mordeu os lábios contendo um desejo de tocar, colocou a bandeja na mesa central.
Olhou para sua cama vendo que tinha um prato com alguns Mochi e eram com recheio de morango. Ranmaru olhou para Reiji mais uma vez com outro desejo e novamente o guardou.
Se aproximou da cama e comeu um, sentindo o gosto maravilhoso, parecia degustar lentamente, após acabar comeu mais um até que não sobrou mais nenhum. Em seguida foi até Reiji e o segurou no colo o abraçando e colocando um cobertor sobre ele, esperaria ele acordar.
Reiji se remexeu um pouco ao sussurrar um nome e encostou a cabeça no calor, até sentir um cheiro. Estranhando como estava abriu os olhos lentamente e olhou para alguém de cabelos claros, muito claros. Ele voltou a fechar os olhos, que estavam vermelhos e inchados e sorriu, esfregando o rosto no corpo de Ranmaru.
– Vou me acostumar com isso, Ran-Ran! – sussurrou ainda com sono e bocejando. – Que bom que voltou.
Ranmaru percebeu aquilo, os olhinhos de Reiji estavam avermelhados. Ele havia chorado e aquilo lhe doeu muito tanto que desviou o olhar, mesmo triste Reiji estava o chamando com aquela carinha sonolenta.
– Se eu fosse merecedor. — sussurrou tomando coragem e voltando a olhar para Reiji, lhe fazendo um carinho na bochecha. — Obrigado pelos mochis! Estavam deliciosos. — disse estudando as feições do menor. — Eu te trouxe café! — indicou a bandeja com um olhar lançado a ela.
– Ham... – Reiji abriu os olhos novamente e levantou a cabeça, mesmo estando ainda no colo de Ranmaru e olhou para a bandeja. – Ran-Ran um cavalheiro. – o menor sorriu, tentando consertar sua postura. – Você que fez?
– Não! Sabe que não sei cozinhar. Eu apenas trouxe, como pedido de desculpas. — disse quase em um sussurro, algo estava corroendo dentro de si e poderia afirmar que seu desejo estava aumentando tanto que o estava começando a deixar fora de si. — R-Reiji... Eu acho que você deveria comer logo. — disse pondo o menor com cuidado na cama e se levantando, parecia agitado. — Eu esperarei você comer!
– Você não vai me acompanhar? – Reiji se levantou, espreguiçando ao ponto de levantar um pouco a camisa e mostrar um pouco da sua barriga e abaixou os braços suspirando. Ele se sentou no chão e cruzando as pernas e puxando a bandeja. – Vem Ran-Ran... Não precisa comer, mas fica aqui.
Reiji sentiu Ranmaru o puxar para seu colo em rápido movimento, sentia o coração do maior bater aceleradamente e a respiração rápida .
– Reiji, eu tenho que abrir o jogo. Eu sinto algo forte, e não sei definir, mas eu quero muito poder ter você. — disse rapidamente se atropelando nas palavras.
– Ran-Ran? – ele o olhou surpreso. E respirou fundo. Sabia que Ranmaru estava sentindo algo por ele, isso estava escrito em cada ação de Ranmaru, e em suas palavras. Foi bem direto em falar sobre a sua atração. Contudo, Ranmaru preferiu dançar uma dança ridícula do que falar qualquer coisa. – Está tudo bem nos sentirmos confusos com os nossos sentimentos... E você ainda não sabe o que sente por mim, não é?
– Eu me sinto muito mal por não saber definir, eu não mereço os seus. Me desculpe! – disse sentindo as mão tremerem queria tanto Reiji e naquele momento sentia que iria explodir. – Reiji, eu acho que vou ter que me... – não, ele não poderia se afastar. Virou Reiji bruscamente e colou as testas.
O moreno se surpreendeu com a ousadia de Ranmaru, e respirou profundamente. Estava bem acordado agora com a posição que estavam. Sobre o colo de Ranmaru, de pernas em volta do maior e de frente. Ranmaru estava com as mesmas feições quando o beijou na enfermaria. Calmo ele sorriu e cutucou a bochecha de Ranmaru com o dedo indicador.
– Está tudo bem... – sorriu mais. – Ran-Ran... Não precisa se preocupar.
Kurosaki estava serio, parecia pensar muito em algo. Seus olhos cinza estavam vivos e suas pupilas dilatadas, parecia pronto a dar o bote. Sentia um formigamento em suas calças. Estava acontecendo algo terrível.
– Não está nada bem, Reiji. Eu não estou mais aguentando. – disse em um sussurrou apertando Reiji em seus braços. — Você não entende o que eu estou passando. – disse se virando um pouco para que pudesse deitar-se com Reiji no chão.
– Eu sei o que você está sentindo... – Reiji se mantinha calmo, apesar da posição que estava. As costas no chão, os cabelos espalhados sobre o tapete e cara ainda de sono. Ranmaru estava confuso, brigou com Camus e falou coisas e escutou coisas que ninguém deveria comentar. As confusões eram normais na mente. – Eu me sentia confuso que nem você antes. Eu não sabia se o que estava sentindo era real ou certo. Depois que pensei muito descobri que gostava de você desde o dia que te vi.
– Não me faz me sentir mais culpado! – Kurosaki choramingou voltando a colar as testas. Reiji era tão lindo, como alguém como ele gostava de alguém tão cabeça dura? — Você é perfeito! – disse beijando a bochecha direita. – Tão lindo! — disse beijando a esquerda. — Chega a doer o que eu sinto. — disse desta vez selando os lábios.
Reiji estava surpreso ao sentir o calor sobre os seus lábios. Seu coração disparado mais uma vez com as palavras de Ranmaru e seu beijo. Ele fechou os olhos tentando se acalmar e seu coração desacelerar. Ranmaru estava confuso, estava tentando colocar tudo em ordem, era natural se sentir desesperado desse jeito. Ele mesmo tinha ficado quando seus sentimentos estavam a flor da pele.
Dessa vez ele deixou. Por ele mesmo ter esperado tanto por Ranmaru. Dessa vez podendo tocar nos cabelos Kurosaki sem um medo iminente. Somente realizando um sonho. Imensamente feliz.
Ranmaru foi aprofundando o beijo, pois sentia a aceitação do outro, e nem pode descrever o que sentiu a ter as mãos de Reiji sobre si. Era muito bom, tanto que se xingou por não ter tido aquilo antes.
O beijo era tão natural, era como se a boca do outro fosse feito para a sua, tudo se encaixava perfeitamente, desceu a mão a barriga de Reiji fazendo uma caricia. Se separou assim que sentiu vontade de respirar, não deveria ter o feito pois sentiu ainda mais o aroma de Kotobuki.
– Reiji... — disse baixo. Então ele gostava de Reiji? Será mesmo que alguém havia conseguido lhe roubar afeto? Não pensou em mais nada abraçou o menor forte.
– Ran-Ran está tão carinhoso. – Reiji riu com o seu próprio comentário e retribuiu o abraço. Agora estava feliz por dois pontos. Ele ter feito algo que sempre quis e Ranmaru estar mais calmo. Sempre soube que poderia confiar que Ranmaru não tentaria algo tão avançado. Tudo que ele pedia nesse momento era que Ranmaru tivesse certeza dos seus sentimentos, assim estaria livre de todas as perturbações de sua mente.
Kurosaki ficou um pouco assim até voltar a se sentar trazendo o menor consigo. Reiji estava o aceitando, estava realmente aceitando as caricias dele. Será que era certo investir sem ter certeza? Não sabia dizer, mas aproveitaria aquele momento um pouco mais.
Continua...
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