Orpheus
10 Capítulo 10
Notas iniciais
No quarto dos maiores representantes de toda a escola, Camus estava acordado. Olhando para o teto. Tinha o costume de acordar cedo. Era o seu dever acordar cedo, fazer sua higiene digna, arrumar-se impecavelmente e sair para vistoriar as salas e o ambiente. Estudar um pouco e fazer seu trabalho de presidente, as oficinas e seus deveres. Porém era domingo, tudo que precisava fazer era colocar em ordem algumas coisas da presidência e sem pressa. A escola estava quase vazia.
Só estava olhando para o teto para ter certeza que toda a estupidez da noite passada com Reiji e Ranmaru não foi um sonho. Mas o calor do corpo que estava abraçando com um braço provava que isso era muito real.
O beijo foi real, o contato físico também, o pedido de namoro e as caricias sobre a sua cama e a Reações de Ai. Tudo era real.
Ai não era um robô sem emoção como havia pensando.
– Mikaze? – chamou baixo, para ter certeza que estava tudo bem em praticamente comemorar.
O de cabelos cyan levantou uma mão para coçar o olho esquerdo e aos poucos abriu os olhos encontrando os de Camus.
– Bom dia! – disse se esticando para acordar, levou alguns minutos para que ele recordasse tudo o que havia acontecido com ele e Camus. Eles estavam namorando, só não sabia como um namoro deveria ser.
Camus o encarou e se sentiu bem mais fascinado. Era bem real tudo aquilo. Aquele ser sem sentimentos e coração realmente estava com ele. O tinha beijado, tinha acordado em sua cama e agora lhe dava bom dia. Se ele não tivesse uma ótima educação e senso de compostura, ele pularia por esse quarto inteiro devido a felicidade.
– Bom dia! – também se sentou, arrumando o cabelo e encarando o outro. – Está tudo bem se eu te beijar agora?
Ai o olhou tombando a cabeça levemente, ele não sabia como deveria ser e isso Camus deveria ter mais experiência, então aproximou o rosto.
– No namoro não se beija quando se deseja, tem que pedir permissão? – perguntou em um tom baixo.
– Eu não pediria sua permissão para beijar. – Camus fez uma expressão emburrada. – Porque somos namorados e quero te beijar. Existe algo chamado consentimento e algumas pessoas não gostam de beijo quando acabam de acordar. – ficou em silencio e analisou mais a pergunta. – Beijar uma pessoa, sem esta querer não é muito bom. Todos têm seus limites e satisfações... E eu ficaria bem mais satisfeito se quisesse meu beijo do que eu forçar a aceitá-lo!
Mikaze se afastou um pouco e ficou pensativo por um tempo, passou as mãos nos cabelos os pondo em ordem. Camus era complicado.
– Se quer me beijar o faça, se eu não quisesse não deixaria acontecer. – disse arrumando a blusa que mostrava um pouco da sua barriga. – E eu gosto dos seus beijos! — disse como se fosse algo normal, ele não tinha problemas com hora certa de beijar, vindo de Camus não tinha problema.
– Você é tão direto que me assusta as vezes. – Camus sorriu de lado, não contendo. Ai estava do mesmo jeito de agir com ele. Tão duro em suas palavras. Aproximou e segurou o queixo do menor e o beijou, apenas pressionando os lábios e se afastou. – Todos os dias faremos isso após dizermos bom dia. – voltou a beija-lo.
Mikaze retribuiu, estava começando a pegar o jeito era um tanto fácil fazer aquilo e passou a gostar um pouco desse contato. Por outro lado Camus parecia mais mandão, típico dele.
Ao se afastarem o mais baixo se afastou.
– Vou tomar banho. — avisou deslizando na cama até chegar a beira e ir para o lado que lhe pertencia passando a se despir.
Camus levou um susto e de sobressalto fez um movimento brusco na cama e se virou, ficando de costas para Ai. Céus, eles poderiam ter se beijado e estavam namorando, mas alguns hábitos não poderiam perder. Por exemplo, estava acostumado em espionar Ai, mas era somente espionar e era rápido. Ele ainda era um cavalheiro, tinha aprendido suas etiquetas e sabia que não era correto olhar.
Que se dane, na verdade não olharia senão perderia o controle sobre suas ações.
O de poucas expressões terminou de se despir e virou para traz vendo Camus de costa. Qual era o problema dele? Eles eram homens. Aproximou-se da cama de seu namorado e lhe tocou o ombro.
– Camus! – o chamou em seu tom habitual.
– Se estiver nu, não poderei olhar. – Camus avisou ainda de costas. – Vou te atacar. E isso não seria bom para nós dois! – explicou.
Ai ficou um pouco sem entender. O que ele era afinal? Um ser humano ou um animal? Sempre duvidou disso e depois ele que era o estranho.
– Camus, não precisa afirmar algo que está estampado na sua testa. Ser animal é muito comum. — disse virando o rosto de Camus para si. – Veja! Sou normal, assim como você! — afirmou.
Camus segurou o seu pulso e o olhava nos olhos, para não abaixar o olhar.
– Você não entende o que significa atacar? – perguntou meio desesperado. – Se lembra o que eu disse sobre forçar algo? Você é lindo e se ficar me tentando assim vou perder a minha razão! – foi direto.
O mais baixo soltou o rosto de Camus não por medo. Estava um pouco confuso com resposta do outro.
– Não sabia que era deste tipo, mas ao menos tente se controlar. É normal homens se verem nus. – disse calmo. Não parecia demonstrar medo.
– Eu não sou esse tipo de homem. – se defendeu. – E não quero ninguém te vendo nu. – Camus estreitou os olhos e voltou a sua posição de costas. – Estou feliz demais somente você e eu e o nosso segredo. Quando algo é precioso pra mim... Esse algo é somente meu. Entendeu Mikaze? Então obrigatoriamente você tem que cuidar de mim também. Estou cativado por você! Não é o que dizem? “Você é responsável por tudo aquilo que cativas.”
– Camus, você é uma das pessoas mais estranhas que eu conheço. – Mikaze respondeu. Não estava pisando em Camus, só se expressava diferente. Ele não conseguia se controlar? Ele era tão comum. Deu de ombros e seguiu para o banheiro tomou um banho rápido e pôs uma roupa bem casual, antes de ir até Camus.
Camus estava sentado no sofá vendo algo na televisão.
– Já comeu algo? – perguntou se sentando no sofá ao lado do mais alto.
– Estava esperando por você para fazermos isso juntos. – Camus colocou uma mão no queixo pensativo, depois se virou para Ai. – Eu gostaria de comer aqui, longe de todos.
O mais novo olhou para o namorado. Camus costumava ser tão sociável, não entendia o porquê daquilo.
– Tudo bem! Vou ir comer na lanchonete. Por que não vem junto? — disse se levantando. — De lá irei verificar umas coisas do conselho! – se dirigiu a porta.
– Tem certeza? – Camus se levantou e o olhou de pé. – Eu gostaria de ficar aqui com você. Onde teríamos mais privacidade!
– Isto me parece muito estranho vindo de você, mas tudo bem. – disse voltando a se aproximar de Camus. – Então ligue para pedir nossa comida! — mandou indo até o seu criado mudo pegando umas presilhas para arrumar o cabelo.
Camus suspirou. Não era nada estranho querer passar um tempo com seu namorado a sós. Podendo beijá-lo e tocá-lo sem ninguém mais olhando para eles. Seria um escândalo no internato. Um lugar nobre, onde todos desejam entrar para ter das melhores educações e um melhor currículo, onde as regras eram importantes, onde era proibido relacionamentos entre estudantes.
Seria um escândalo o presidente e o vice estarem juntos. Eles seriam expulsos e ainda sobre os olhares acusadores.
Pegou o celular e discou para a lanchonete ainda pensativo. Agora teria que se acostumar em namorar aquela pessoa cabeça dura.
– UTA -
Qualquer um que estivesse no quarto de Tokiya e Otoya estranharia a cena que estava ocorrendo.
Os sorrisos, os olhos fechados, a respiração, o calor. Ambos eram uma mistura enigmática. Fogo e gelo, juntos. O sorriso com as lágrimas, o frio com o calor. A felicidade e a tristeza. Carinho e solidão. Completamente diferentes até mesmo na aparência.
O vermelho, forte chamativo e ardente. Brilhante ao ser banhado pelo sol fraco daquela manhã. O azul, solitário e frio. Ainda não recebia o calor do sol.
Algumas pessoas acreditavam que fogo e gelo não poderiam se misturar. Não estavam enganados. O gelo derretia ao contado com o fogo e sumiria, mas a sua substancia, a água, apagaria o fogo. Um seria a destruição do outro. Era como uma pequena fábula, um conto de amor proibido.
O gelo não poderia amar o fogo, assim como o fogo não poderia amar o gelo. Porque jamais poderiam se tocar, o amor deveria ser a distancia, até que um dia sem aguentarem mais. Independente da destruição que cairia sobre os dois, eles decidiram ficar juntos.
Destruindo sua pequena existência.
Mas as vezes, somente as vezes um ser de fogo e outro ser de gelo poderiam ficar juntos sem causar a destruição de ambos.
Não que Tokiya e Otoya poderiam desaparecer, só que não era natural estarem próximos daquele jeito. Sobre aquela cama, dividindo o calor e o frio. Os sonhos diferentes.
Eles estavam abraçados, não exatamente de uma maneira comum. Otoya costuma se mexer muito durante o sono e não foi diferente essa noite. O restante da cama estava completamente vazio, enquanto Otoya estava parcialmente em cima de Tokiya. O braço sobre o estomago, a perna sobre Ichinose, a cabeça apoiada sobre o ombro a respiração forte devido a boca semi aberta batendo no pescoço do outro, e a outra mão sobre o travesseiro, dobrada de uma forma a tocar o cabelo azul de Tokiya.
Sua camisa estava levantada, devido os movimentos, suas costas estariam bem expostas se não fosse um das mãos frias de Tokiya sobre sua pele quente, perto do cois da calça e o outro braço o abraçando também.
Quem uma vez disse que gelo e fogo não poderiam ficar juntos, estaria enganado nesse momento.
Syo havia acordado, pois estava um pouco agoniado com o estado do namorado. Deveria trazê-lo rapidamente de volta. Ao levantar-se da cama tomou cuidado para não fazer barulho para não acordar os amigos. Olhou para a cama do colega classe e percebeu como eles estavam. Eles estavam namorando e não sabiam. Saiu rapidamente do quarto.
Poucos minutos depois Tokiya acordou. Primeiro se remexeu um pouco na cama e foi abrindo os olhos lentamente a visão que teve naquele momento foi muito diferente, sempre havia acordado sozinho, mais hoje tinha alguém em cima de si, um alguém que mal havia conhecido e estava muito conectado. Passou o doso da mão no rosto do outro e em seguida tocou-lhe no ombro.
– Otoya, acorde! — pediu baixo para não assustá-lo.
– Quero o meu com o dobro de açúcar! – Otoya sussurrou, apertando o braço em volta de Tokiya e suspirando ao se aconchegar melhor e sorrindo. – E biscoitos...
Tokiya levantou uma sobrancelha. Otoya era nada saudável pela manhã.
– Acorde, aqui não é sua casa Otoya. – Ichinose disse o sacudindo desta vez.
– Ham... – o ruivo gemeu levemente e chiou ao ser sacudido. Ele abriu os olhos levemente, mas poderia ser notada a desorientação e o sono ainda movimentando a sua mente, pois ele ainda não o tinha soltado. – T- Tokiya?
– Quem mais seria!? — disse ligeiramente impaciente se sentando tirando o outro de cima de si. – Anda, já está muito tarde! — disse passando uma mão no cabelo o arrumando.
Otoya se sentou também na cama, fechando os olhos com sono e coçando a cabeça bocejando. E o sorriso começando a surgir aos poucos. Ele voltou a cair sobre a cama, com as roupas todas bagunçadas sobre o seu corpo e ele olhou para Tokiya, esfregando os olhos.
– Bom dia, Tokiya. – a voz ainda estava sonolenta e ele se virou na cama abraçando o travesseiro com muita preguiça. – Está cedo.
Ichinose o olhou não acreditando no que ouviu “cedo?’’. Seu colega era muito preguiçoso, e tinha algo nele que lhe chamava muito a atenção, balançou a cabeça e se levantou de vez.
– Estou indo tomar café, mais tarde conversamos. – disse indo para o armário para se trocar.
– Tokiya... – o ruivo se virou, dessa vez para Tokiya, e continuou a abraçar o travesseiro. – Volta a dormir, é domingo. – resmungou. – Podemos dormir até mais tarde. – sorriu abertamente.
Tokiya parou de andar para acreditar no que ouvira. Seu amigo estava em sua cama pedindo para que ele se deitasse? Não estava louco.
– Sua... — olhou para cama de Ootoya e não tinha ninguém. -... Cama está livre, saia da minha e a arrume. Eu tenho muito a fazer, por isso assim que chegar conversaremos. — disse pondo uma camisa e uma calça.
– Hummmm... – Otoya abaixou a cabeça, descansando sobre o travesseiro e olhando o colega atentamente. Piscou lentamente, o sorriso ainda predominando. – Seu travesseiro está com seu perfume. – comentou do nada. E se sentou na cama ainda abraçando o travesseiro e tentando arrumar o cabelo. – Tokiya~~~ — chamou. – Você não quer que eu vá buscar o café pra você? Você pode ficar... Eu faço. – provavelmente queria fazer isso para agradecer o dia anterior.
– Otoya, não é necessário. Eu já acordei e vou comer no refeitório. — disse estranhando o comentário do outro, iria fazer uma pergunta, mas preferiu não fazer. — Estou indo! — avisou fitando o ruivo por um tempo antes de ir para a porta.
– Tokiya, espera! – Otoya saiu da cama e ficou em pé no meio do quarto. – Nós ainda vamos conversar? – seus olhos ainda estavam esperançosos com a conversa que eles poderiam ter sobre Hayato. Agora que poderia conversar sobre os acontecimentos de ontem. – Eu... – o sorriso surgiu novamente. – Eu vou te esperar, tá bom?
O de cabelo azul fez um sinal positivo e saiu.
– UTA –
Era um quarto tão silencioso. Uma versão ao contrário da noite passada. Dos suspiros e dos rosnados furiosos. Sobre a cama, o corpo cansado do rapaz alto e loiro, que ontem estava colocando toda a sua disposição em se aliviar de sua tensão. No chão estavam espalhados lenços sujos, nada higiênico devido ao seu conteúdo.
Se Natsuki estivesse acordado, ele jamais deixaria o seu lado do quarto tão fofo uma bagunça como estava. Mas ele não estava acordado e nem no seu lado da cama.
Seus óculos estavam jogados em um canto qualquer, assim como suas roupas. Seu corpo completamente nu e descoberto estava sobre a cama de Syo. Ele segurava a camisa do menor perto do seu rosto e sua outra mão estava ainda em volta de seu membro, dessa vez sem fazer nada.
Ele estava exausto.
Mas quem fez aquela bagunça não foi Natsuki, foi Satsuki. Afinal, explicaria o porque de um de seus ursinhos estarem sem a cabeça nesse momento.
A porta do quarto foi aberta por Syo que entrou cautelosamente e assim que entrou sentiu um cheiro estranho, olhou pelo quarto até ficar totalmente vermelho. Natsuki estava nu sobre sua cama. Não sabia se entrava ou se saia, mas tinha que ajudar natsuki. Foi na ponta do pé até o loiro evitando uns lenços com algo branco neles. Com certeza Satsuki havia... Não queria pensar. Assim que visualizou os óculos, os pegou e colocou no loiro já ia pegar uma cueca quando escorregou em alguma coisa e caiu em cima do loiro maior.
O maior acordou no susto e se sentou segurando o que tinha em seus braços. Seus óculos chegaram a descer um pouco e ele piscou diversas vezes até notar quem estava em seus braços. O sorriso feliz aumentou tão rapidamente como o aperto nos braços e voltou a se deitar, trazendo Syo consigo.
– Bom dia, Syo-chan! – sorriu mais esfregando o rosto no outro. – Dormiu bem?
– NATSUKI ME SOLTA! — falava apavorado. Céus, Natsuki estava nu e encostando “aquilo” nele. — Natsuki! — desta vez tentou se afastar.
– Quero ficar abraçado ao Syo-chan... – continuou sorrindo, apesar da movimentação exasperada de Syo. O apertou mais e acariciou seu cabelo. – Gosto de acordar ao seu lado. — O rosto do maior se tornou confuso e então ele se olhou e se ele não estivesse deitado, ele teria tombado a cabeça. – Por que estou sem roupa? – estranhamente ele sorriu para Syo, parecendo normal com isso. – E eu me sinto tão aliviado... Por quê?
Syo ficou irritado agora, Natsuki não se lembrava de nada quando estava como Satsuki. Por isso sempre estava do lado do outro, pois sabia que ele precisava de alguém que pudesse tomar conta, para evitar maiores estragos.
– Natsuki, eu não sei de nada. Me solta e ponha uma roupa. — voltou a pedir.
Natsuki sorriu e lhe roubou um selinho antes de sentar, e mesmo assim ainda não sentou Syo. Ele o abraçava e acariciava as costas e olhou para o quarto. Surpreso em ver tudo. Os lenços no chão e a bagunça e seu urso sem cabeça.
– O que ocorreu aqui? – perguntou confuso.
Syo que tentava inutilmente sair do colo do outro não iria saber o que falar devia ter arrumado tudo como sempre fazia, mas não havia dado tempo para ele organizar.
– Eu não sei, mas irei arrumar isso! — disse ficando cada vez mais irritado, Natsuki parecia não ouvi-lo. — Me solta, me solta!
Natsuki o olhou mais uma vez, sem o sorriso habitual e o soltou levemente, continuando sentado na cama e olhando para todas as direções. Perguntava o que era aquilo nos lenços, mas o seu coração estava mais dolorido ao olhar para a cabeça do urso jogada no chão. Queria perguntar quem fez, mas nem Syo sabia quem tinha feito.
Estranhamente se fizeram, ele ainda estava no quarto. Então por que não viu ninguém entrar? Levou a mão até a cabeça confuso, muito mais. Se entraram, ele estava dormindo. Se estava dormindo, estava em um sono muito pesado para não escutar nada. Mas porque do seu sono pesado?
Quando foi que ele foi dormir e sem roupas?
– Eu... – ele começou a dizer ao recapitular o dia anterior para entender as coisas. – Estava na cama com você. – ele lembrava de ter ficado quente e muito excitado com Syo. – E você saiu, pra pedir ajuda.
Droga como ele explicaria ao namorado que ele tem outra personalidade da qual ele não sabe sequer existência? O pequeno respirou fundo. E foi até sua cômoda pegando um saco de lixo para tirar os lencinhos do chão.
– Hey! Quando eu voltei você havia pegado no sono, então eu sai para conversar com Tokiya e dormi lá, eu voltei agora. — disse começando a catar os lencinhos. — Não fique triste com seu ursinho eu irei costurar para você!
– Você dormiu lá? – Natsuki sentiu um zumbido em seu ouvido ao pensar que Syo não dormiu com ele como fazia sempre e dormiu no quarto de Tokiya. Por quê? Por que lá e não aqui? Ele queria perguntar, mas não conseguiu. Não queria atrapalhar Syo. Então o sorriso voltou ao seu rosto e se levantou. – Acho que vou tomar banho. – levou a mão até os óculos para retirá-los.
Syo o olhou e se desesperou. Aproximou-se rapidamente e segurou as mãos de Natsuki.
– Eu te ajudo Na-chan! — disse rápido. Nao queria ver Satsuki tão cedo. — Eu te ajudo no banho.
– Me ajuda? – Natsuki no começo ficou confuso, mas o seu sorriso aumentou e ele abraçou Syo forte. Trazendo para seu colo o menor e andando com cuidado para não pisar em nenhum lenço. – Nós vamos fazer tudo juntos hoje!? – o seu sorriso estava irradiando enquanto seguia para o banheiro.
Kurusu engoliu em seco, só esperava que desse tudo certo, iria se acostumar com Natsuki nu.
– UTA –
A lógica era necessária para o mundo. Para tudo tinha uma explicação. Para a existência de algo tinha um propósito. Mesmo que algumas coisas eram complexas e difíceis de entender. O objeto mais complexo para o entendimento era o ser humano.
Qual era a lógica de sua existência? Criado a imagem de seu criador para adorá-lo, diziam aqueles que tinham essa crença. Ou simplesmente são átomos. Confuso ou não. O ser humano era algo ainda a ser estudado. Sua cultura, nas mais diversas formas. Seus jeitos e suas tradições.
Independente da onde estiver. Todos viveriam alguns tipos de padrões. No Japão, o filho mais velho sempre teria uma grande responsabilidade. Tinha o papel de seguir os ramos da família, o nome da família jamais iria morrer. Ele receberia toda atenção, todo o poder e todo o peso. E os outros filhos? Não tinha aquela atenção quanto o mais velho, não tinha aquela responsabilidade e era mais liberto para fazer o que quisesse.
Tudo que Ren mais odiava eram esses padrões.
Regras que a população ou até mesmo a cultura criava para poder controlar o chamado ser humano. Ele sabia como o ser humano poderia seguir preso em algo. Ele mesmo seguiu durante anos tendo que esconder coisas, pequenas, de sua mãe para não ver aquele ultimo e pequeno pedaço dela sendo jogado no lixo. Ele poderia ser preso ao fato que seu pai dava mais atenção ao seu irmão, ou que ele mal o olhava por lembrar a esposa falecida. Mas ele superou.
Ele foi forte em superar.
Conquistou o que poderia chamar de “liberdade”, poderia sair, se divertir e ter as mulher e rapazes que quisesse. Mas se mantendo preso ainda um uma definição. Agora tinha que ser a imagem da empresa de seu pai, queagora era do seu irmão.
Mesmo assim estava livre.
A irritação do controle e das regras vinha pelo fato que estava com o peito doendo vendo Masato agora. Ele em seu lado do quarto, arrumado, penteado e belo para ir tomar café. Mas mesmo assim se mantinha parado, vendo como Masato se mantinha delicado em se arrumar.
Majestoso como sempre. Eles levavam o mesmo tempo para se arrumar, ele para escolher as roupas e Masato para se arrumar. Apesar que sua preferência seria tê-lo nu.
Contudo, por mais que quisesse, esse não era o maior de todos seus problemas. Era essa tal de “regra” que separava-os. O que ele mais queria estava bem ali, a sua frente. Pronto para ele e o querendo também. Não tinha como não perceber, Masato o queria tanto como ele.
E então por que não?
Por que essa linha invisível os separando e tornando tudo tão doloroso? A dor crescendo em seu peito, tornando tudo tão escuro como o desespero e o medo. Aquilo era certo de sentir? Todos os seus desejos nunca lhe causaram aquilo como estava agora.
E se não fosse somente desejo?
Tudo que fizeram, bem... Ele fez em Masato, foi a felação.
O desespero crescente ao ponto de cometer uma loucura. Aquilo não poderia ser um desejo normal. Querer roubar alguém e fugir para longe e se esconder do mundo para que aquela joia fosse somente dele. Ninguém os separando.
Nunca mais o separando.
Mas agora o próprio Masato caiu naquela armadilha de regras, ficando longe dele. Negando de ficar com ele. Sua joia estava distante, intocável, o iluminando e causando ainda mais a profundidade de seu coração.
Por mais que Ren fosse alguém brilhante, dentro dele estava sendo tomado de escuridão. Estão tirando a única joia que poderia iluminá-lo.
Malditas regras, maldito seja o nome da família.
Malditas tradições.
Ele queria Hijirikawa Masato tanto, de uma forma que estava morrendo por dentro. E ele pela primeira vez sentia como se tivesse morrendo aos poucos.
– Eu não vou desistir de você. – Ren deixou escapar, e para não perder a pose por causa da surpresa de suas palavras, ele cruzou as pernas e sorriu de lado. – Dou minha palavra que não desistirei de você!
Masato desviou o olhar do espelho que segurava e olhou para Jinguji.
Estava sentindo um grande mix de sentimentos e o que mais pesava era saber que teria que ficar ao lado de Ren, sem realmente estar com ele.
Porque tudo era tão complicado ao ponto dele não poder fazer o que queria? Desde pequeno vivia em um mundo de regras obrigações e obediência.
Qual era o problema dele ficar com a pessoas que amava, Jinguji Ren seria seu primeiro e único amor e nada mudaria aquilo, porem seu destino sempre vinha a sua mente, o sufocando e lembrando que ele se casaria assim que terminasse o colegial.
Seria amarrado a tradições e viveria infeliz.
Por traz de grandes sacrifícios sempre havia uma boa causa, sua irmã era uma de suas maiores felicidades. Amava sua mãe também, mas mal a via, e ela estava em um estado delicado, não tinha voz nenhuma contra seu pai. Não tinha nenhuma esperança.
Masato suspirou alto, estava se arrumando porque iria a um encontro matinal com sua noiva. Não queria sair, estava muito indisposto, mas seu pai também havia entrado em contato com ele. – Jinguji, não piore as coisas.
– As coisas já são ruins o bastante, não as estou piorando. – Ren levantou e deu de ombros seguindo até Masato. A voz, o rosto, tudo transmitia uma pequena dor. Eles compartilharam a cama, mas não foi uma noite boa para ambos. Triste, abraçados e a corrente deles eram lágrimas. – Não se arrume tanto para ela. – pediu tocando-lhe a cintura e beijando o seu pescoço. – Seja rápido, pretendo ficar mais tempo com você hoje. Poderia tocar piano para mim, talvez?
– Jin... Ah! Não faça isso. — disse afastando o amigo bruscamente, não queria que fosse mais doloroso do que já estava sendo. — Tenho que estar apresentável, independente para quem seja. – virou-se de frente para Ren. — Por favor, vá para seu lado! – pediu com o olhar aflito.
– Eu não quero. – o sorriso ficando enorme a cada momento e ele aproximou o rosto. – Eu não disse que não desistiria? Eu te quero. – piscou um olho. – Quando terminar, nós podemos sair. A leve para um lugar cheio de pessoas, não gostaria muito que vocês fiquem em um ambiente muito privado. A trate educadamente, mas mantenha-se composto e distante para evitar contatos... – dava as dicas. – Quando terminar, você pode me avisar que saímos. – voltou a segurá-lo pela cintura e o puxou. – Você tem o meu numero, não tem?
Ren era completamente louco, ele não havia entendido que seria apenas um dia, e agora ele dava conselhos amorosos. Não precisa daquilo, ele queria evitar isso, pôs as duas mãos no peito de Ren e o afastou.
– Você já teve seu dia! Agora, por favor, me deixa seguir. – pediu arrumando a roupa. — Arrume alguém e saia, não me espere! — pediu se afastando e seguindo para a porta.
– Eu disse para você que não quero somente um dia! – sua voz foi mais alta para que chegasse nos ouvidos de Masato. – Não quero somente um dia, não vou desistir e você me quer da mesma forma que eu o quero. – ele estava sério, apesar do sorriso baixo. – Se sair por essa porta, tenha em mente todas as minhas palavras.
– Eu tenho, acredite. Mas eu nunca ficarei com você! – Masato disse saindo de uma vez antes que as lagrimas o delatassem.
Ren ficou no quarto e abaixou levemente a cabeça. Aquilo seria muito complicado, mas ele realmente não iria querer desistir. Era a primeira vez que queria muito alguém e com um leve sorriso, pra esconder a dor, ele jogou o cabelo e decidiu sair do quarto para tomar café.
– UTA –
Em outro quarto, estava muito quente. Não pelo clima que estava agradável, mas pela pressão dos corpos. Reiji sabia o que significava aquele calor. Calor é o processo de transferência de energia de um corpo para outro, ou de uma região para outra dentro do mesmo corpo, exclusivamente por que existe uma diferença de temperatura entre eles. Se existia ele não sabia.
Sabia que o calor do corpo de Ranmaru estava sendo transmitido para o seu. Kurosaki era experiente e ousado. Ele não ficava para trás, porém Ranmaru não tinha pulmão. Ou seu pulmão era anormal. Enquanto várias vezes ele tentava afastar para respirar, sua boca voltava a ser devorada. Os suspiros e os gemidos, suas bocas. Tão quente.
Ele sabia que as línguas estavam batalhando demais e ele tentava respirar. Reiji não sabia o que fazer. Se tentava respirar ou se controlava as mãos de Ranmaru.
Ele multiplicou as mãos, poderia ser a única explicação cientifica para o fato que aquelas mãos estavam viajando por todo o seu corpo. Apertando todas as partes que seria possível, e quando ele tentava tirar as mãos de lá, eles já estavam em outras partes. Arrancando gemidos.
Gemidos que ele estava tentando controlar. A excitação também.
Ele não queria que aquilo fosse somente carnal, não com Ranmaru.
Eles perderiam o controle da situação se não parassem. Ou já tinha perdido?
– Ran... – sua boca foi tomada novamente. – Ranma... – seu lábio mordido e um arrepio ao ter seu bumbum apertado. O fez levar as mãos até os ombros de Ranmaru, e tentar se afastar sobre a cama que estavam sentados. – Espere... – gemeu com os beijos em seu pescoço. – Calma... – pedia.
Kurosaki parou o que fazia por um segundo para ouvir Reiji.
– Pensei que me quisesse. – disse trazendo o menor para seu colo. – Nossa! Eu nunca pensei que seria tão bom fazer isso com você, pensei que ia passar. — disse lambendo os lábios.
Era tão tentador ver aquilo, Reiji tão vulnerável a ele, tão pequeno em seus braços. Não iria mais dividir ele com ninguém, mas teria que ceder algo para tê-lo. Seu Kotobuki! Camus não poderia saber, era tão rígido que poderia separa-los, isso seria horrível, não se imaginava longe de Reiji.
Ainda mais estava com muito calor e este calor não passaria tão rápido com beijos, queria mais, muito mais.
– Reiiji, eu quero você! — disse passando a mão na cabeça de Reiji.
– Me deixa repirar um pouco. – Reiji respirava com dificuldade, os cabelos bagunçados e a boca vermelha e inchada sorrindo levemente ao abraçá-lo. – Meus pulmões estão pedindo arrego. E não se esqueça que Camus pode entrar a qualquer momento. – brincou, mas ele sabia que Camus entrava nos locais sem aviso prévio, ele se sentia no poder para isso e era nesses momentos que Camus pegava muitos alunos cometendo erros.
Se Camus fazia isso sem querer ou não, ele não sabia. Mas tinha certeza que no seu quarto ele bateria. Por que teve um dia que Camus entrou sem avisar e o encontrou nu. Foi um momento constrangedor para ambos, mais para Camus que ficou vermelho e se retirou pedindo perdão. Desde aquele dia, Camus passou a bater na porta do quarto dele.
No fim, até mesmo ele passou a trancar a porta para evitar isso.
– Eu o quero só para mim! – Ranmaru falou sério tocando no rosto do menor com as pontas dos dedos. Não queria assustá-lo, Reiji era muito para ele. Tinha ciência, mas não queria partilha-lo e depois de ontem tinha medo de perde-lo. Ele não ligava para Camus. Tinha como chantageá-lo.
– Percebi pelas suas mãos. – Reiji sorriu, seu coração disparando pelas palavras de Ranmaru. – Estava quase ficando sem ar. – riu também acariciando o cabelo do outro. – Ran-Ran é bem animado.
– O que eu tenho que fazer para você ser meu? – perguntou logo, queria resolver tudo para que Reiji jamais chorasse daquele jeito, pois sabia quando Reiji chorava. Ele sempre esteve ao seu lado e só agora ele quis admitir que Reiji era um complemente da vida dele.
Kotobuki se assustou e seu coração disparou ainda mais. Ser de Ranmaru, isso lhe soava obsessivo nos ouvidos de Reiji. Contudo, isso queria dizer que Ranmaru gostava dele da mesma forma que gostava de Ranmaru?
– O que você sente por mim? – perguntou se afastando um pouco. Todo esse momento foi agradável para ele, mas não poderia esquecer que Ranmaru não sabia o que sentia.
Ranmaru o fitou por uns minutos, ele ainda não tinha isso definido e havia dito isso ontem para ele.
– Reiji, eu sinto algo forte, mas não sei o que é! — disse baixo. Ele não queria magoá-lo, mas também não sabia se ficar seria melhor.
O de cabelos castanhos ficou surpreso. Quer dizer que eles estavam se beijando tão ardentemente a ponto do pulmão doer pedindo por ar, e Ranmaru o aliciou, acariciou de todas as formas e falava que o queria somente para ele e não sabia o que sentia? O sorriso que veio ao seu rosto foi para conter a decepção que sentiu.
Se ele seguisse aquele tipo de relacionamento com Ranmaru confuso daquele jeito ele somente acabaria se machucando.
Ele não iria chorar, iria sorrir. Porque uma vez escutou que sorrir seria o melhor remédio.
Agora saber que sentia algo forte por ele, mas não sabia o que era? Ranmaru não era mais criança. Ou era amor, gostar, afeto, carinho, confusão, atração ou desejo. Desejo era um sentimento forte também, e era algo que ele não queria de Ranmaru. Ele queria amor.
– Não será eu... – o calor do corpo de Reiji ficou distante ao sair dos seus braços. -... Que irá lhe dizer o que sente, Ran-Ran! – a voz brincalhona, o cafuné sobre o cabelo e a distancia quando se levantou da cama e seguiu para o seu lado do quarto.
Ranmaru se sentiu sem chão naquela hora. Reiji não o queria! Mas ele pensou ontem que... Era melhor deixar para lá! Talvez passasse. Não iria insistir, a ultima coisa que queria era magoar seu amigo.
– Me perdoe, eu vou te deixar em paz! — disse Kurosaki com uma voz quase inaudível. — Bom domingo!
– Onde vai? — Reiji parou em frente ao guarda roupa. Não olhando para trás, apenas colocando uma mão lá como apoio e encostando a cabeça no móvel para conter o choro e a voz que saiu chorosa. – Vai ficar bem? – controlou mais um pouco quando a garganta fechou. Torcendo que Ranmaru não notasse. – Já passou a noite fora, Ran-Ran precisa descansar. Myu-chan e Ai-Ai te darão muitas tarefas amanhã! – tentou brincar.
– Eu não vou ficar bem, Reiji, eu passei a noite toda me xingando por que eu fiz você chorar. Hoje de manhã eu jurei que eu não ia te magoar e deu nisso! Eu sou muito estúpido. — disse mais baixo ainda. Havia percebido que Reiji estava mal, de novo o havia ferido. — Me perdoa!
– Ran-Ran fica tão fofo pedindo desculpas. – Reiji se virou sorrindo e com as mãos limpando as lagrimas. Ele e aquela mania de querer que o clima ficasse novamente bom. – Não precisava ter se xingado, é um desejo que você sente... Não é sua culpa estar confuso em relação a isso. Vai passar...
– Você não entende. Nao é um desejo! Disso eu tenho certeza, desejo eu só tenho pela sua comida, por você é muito mais forte, é algo que déi! — disse triste. — Eu não queria te magoar de novo, sou muito atrapalhado mesmo. — disse dando uns passos para trás
– Se é algo tão forte, porque não sabe dizer se gosta de mim? Eu já disse que gosto de você. – Reiji não se controlou em dizer. Ele sabia que não poderia ter falado, que poderia piorar a situação. Mas o sentimento falou mais alto que a razão. – Eu te amo! — começou a chorar. – E não consigo mais te ver com outra pessoa, te ver dando em cima do Masa-chan, escutar você dizer que está confuso em relação aos seus sentimentos por mim. Isso dói! – esfregou o rosto. – Eu não quero mais que Myu-chan fique me olhando com pena... Que Ai-Ai fique falando das minhas emoções... Eu... – soluçou. – Eu só queria uma migalha de seus sentimentos, para eu ter a felicidade de saber que esses anos todos que passei gostando de você fossem alguma coisa!
– Eu não... – Ranmaru ficou sem palavras. Reiji o amava e aquilo o assustou um pouco. Será que não era o mesmo que sentia? A vontade de proteger, cuidar e sempre estar perto. — Eu quero ficar perto de você, Reiji eu gosto de você! Gosto muito mesmo, eu só quero a chance de ficar perto de você, de abraça-lo, protegê-lo e de cuidar de você. Droga, eu não quero perdê-lo!
Reiji caiu no cão, segurando a própria cabeça, com o rosto escondido pelos cabelos. Estava tentando se controlar. Sabia que não daria certo colocar os sentimentos para fora.
– Por favor, não goste de mim como um amigo. – implorou. As palavras de Ranmaru o atormentando. – Porque tudo que eu mais quero é que você goste de mim como um homem, um amante.
– O que você não entendeu? Amigos não fazem o que eu quero fazer com você! Amigos não se beijam na boca, amigos não dormem de conchinha. – Ranmaru falava desesperado ao mesmo tempo em que rosnava. — Me deixa ficar com você! — Ranmaru estava implorando.
Reiji levantou o olhar, perdido e brilhante. O rosto inchado e vermelho. As lagrimas ainda escorrendo. Ele estava torcendo que tudo aquilo fosse verdade, que não era confusão na mente que Ranmaru, seu coração estava muito feliz por escutar que já gostava dele. Ele morreria se Ranmaru um dia descobrisse que confundiu as coisas.
Mas agora ele estava sendo egoísta, Reiji confessava. Agora ele estava pensando na sua felicidade.
– Por favor... – ele correu até Ranmaru e o abraçou. – Cuide bem de mim!
– Estamos namorando a partir de agora, conte sempre comigo! — pediu Kurosaki lhe beijando a cabeça. Iria cuidar muito bem de Reiji, como ele merecia. Sabia que iria descobrir o que sentia e não iria demorar. — Pode deixar. Vem, vamos descansar. — pediu trancando a porta e levando seu namorado para a cama pondo ele em seu peito. — Preciso descansar só um pouco. — avisou aconchegando bem Reiji e fechando os olhos.
A respiração de Reiji ainda estava irrregular, devido ao choro. Sentia-se muito envergonhado mesmo, por ter perdido o controle de todas as emoções que estavam dentro de si. Ele não queria piedade, por isso sempre ocultou tudo que sentia e seguia sua vida sorrindo ao lado e Ranmaru, mesmo quando este estava com alguma garota.
Agora ele tinha escutado da boca de Ranmaru que este gostava muito dele. Não era amor, mesmo assim sentia-se feliz. Ele mesmo tinha dito que desejou migalhas do sentimento. Mas isso tudo já era bem mais do que ele queria.
Agora sim, ele voltaria a ter o controle de si mesmo. Ele somente esperava e desejava que tudo desse certo.
– Bom descanso... — sussurrou também fechando os olhos. Não era o sono que o dominava, era o desgaste emocional de agora a pouco. Mas estava feliz, muito. Em poder pela primeira vez dormir assim, sem receio de acariciar o rosto de Ranmaru.
– UTA –
Tokiya andava pelo o corredor vazio, estava muito pensativo em relação a sua nova amizade. Nunca pensou que encontraria alguém que lhe cativasse de maneira tão rápida como Otoya fez. Como alguém tão reservado como ele poderia ficar com alguém como Otoya? Alguém tão explosivo, alegre e barulhento? Era difícil, mas ele até que gostava daquele jeito estranho do amigo.
Agora tinha que tomar cuidado com o que respondia, para não dar a entender que ele era Hayato.
Entrou no refeitório e as poucas conversas que ouvia foram paradas. Todos presentes olhavam para ele. E faziam pequenos cochichos.
Continuou o seu caminho até onde faria os pedidos e até mesmo lá o atendente o olhava estranho. O que estava acontecendo afinal? Seu celular tocou e ao ver o numero bufou. Era o seu manager, atendeu não muito agradável e mudou a expressão.
Foi uma reportagem dele, da saída dele com Otoya. As pessoas estavam achando que ele “Hayato’’ estava estudando na escola Saotome e estava de caso com o colega. Droga! Aquilo era muito arriscado para Otoya. Poderiam machucá-lo. Desligou o telefone irritado consigo mesmo. Não demoraria para o diretor chamá-lo, ele era o único que sabia de seu segredo.
Não que os alunos fossem barulhentos, muitos nem estavam lá. Tinham passado o final de semana com amigos ou parentes. Ou decidiram sair para tomar café em outro lugar. Mas eles estavam em silencio, ou falando muito baixo. Olhares atentos para uma figura, cochichos e mais cochichos. Só deveriam ser dois alunos que romperiam aquele silencio atordoante.
"Os mesmos de sempre", alguns diriam. "Eles de novo?" outros citavam. "Camus ou Mikaze deveriam intervir". O problema em questão que aquelas duas figuras que entravam no refeitório já chamavam muita atenção por eles mesmos.
Belos, carismáticos, com uma simpatia sem igual. Dois estarem andando juntos e provocando uma grande algazarra. Talvez fosse por aquele rapaz alto, Natsuki, estar segurando Syo em seus braços, o abraçando enquanto o rapaz pequeno vivia gritando e o pedindo para soltar e colocá-lo no chão.
Talvez alguns se acostumassem com isso, outros sorriam, mas outros fechavam a cara e falava o quanto eram barulhentos ou o tão estranho eles estarem tão próximos assim.
– Olha! — Natsuki parou, ainda apertando o outro loiro nos braços. — É o Tokiya-chan! — apontou para o outro sentado isoladamente, não reparando os olhares para este. Sem pensar direito se iria atrapalhar ele seguiu até lá e se sentou, deixando Syo em seu colo. — Bom dia. — sorriu. — Como foi sua noite?
Tokiya estava perdido em pensamentos, mas ouviu o loiro o chamar e olhou por reflexo vendo o casal.
– Shinomya e Kuruso... Minha noite foi boa! — disse baixo olhando como os outros dois estavam. Eles não percebiam que se continuassem daquele jeito iriam ter problemas? – Vocês não deveriam ficar assim!
– Eu já avisei para ele! — Syo falou se soltando de Natsuki e se sentando corretamente. – Natsuki, eu já disse que não podemos ficar deste jeito. — o pequeno falava percebendo que muitos os olhavam. — O que esta acontecendo?
– Acham que sou Hayato! — disse girando os olhos. – Bem, acham que Hayato estuda aqui e esta saindo com um aluno.
– Ichinose, eles estão confundindo você! Mas sobre você e Ittoki... Bem, ontem vocês estavam tão grudados. — disse meio sem jeito.
– Não temos nada Kurusu. — disse seco.
– Juntos como Syo-chan? — Natsuki estava confuso. Syo tinha dito que tinha dormido no quarto de Tokiya, não tinha citado que Otoya também estava no quarto. No dia anterior ele mal tinha visto o ruivo. — Eu nem vi Otoya-kun ontem! — ele coçou a cabeça. — Ele estava com você, Tokiya-chan?
– Sim, eles dormiram juntos. – Syo respondeu por Tokiya. — eu pensei que estavam namorando. — disse confuso. — Eu dormi na cama do Otoya e...
– E nada! Já disse que ele dormiu na minha cama porque você foi para lá. – Tokiya interrompeu rude, com isso Syo se calou deixando um clima pesado.
– Ah, vocês dormiram juntos! — Natsuki sorriu tão espontâneo, ele não soube dizer o porque de ter ficado tão feliz com essa notícia. Seu coração também parecia mais aliviado. — Vocês são tão kawiis juntos... — ele juntou as mãos com os olhos brilhantes e voltou a olhar para Syo. — Eles estavam bem juntinhos mesmo? Estavam fofos?
– Natsuki, não seja indiscreto. — disse Syo irritado, lhe lançando um olhar acusador. — Vamos falar de outra coisa! — sugeriu vendo a feição de Ichinose piorar.
– Chega deste assunto! – Tokiya falou com um tom nada bom, estava realmente nervoso com aquela situação. Não queria ser o centro das atenções.
– O que foi Ichii? Está bravo que estão colocando o dedo no seu relacionamento? — a voz mansa e rouca atrás dos garotos, e os gritinhos que se estenderam, não poderiam negar quem estava atrás deles. Mesmo assim, Natsuki teve que olhar e acenar feliz para Ren. O loiro que estava em pé com uma mão no bolso e a outra segurava uma revista que muitas garotas passaram a descobrir que ele gostava de ler. Elegantemente Ren puxou uma cadeira, sentou-se de pernas cruzadas e estendeu a revista aberta sobre a mesa, em frente ao Natsuki e Syo. — Bem próximos, eu diria.
– Ohhh! — Natsuki ficou mais surpreso, aquele realmente não era Hayato. Era Tokiya, abraçando Otoya perto de uma fonte. Se fosse analisar, Tokiya não era nem receptivo com as palavras, veja lá os toques. E era ele que estava abraçando Otoya por trás. Possessivamente? Que jeito estranho de abraçar. O abraço dele com Syo era bem mais fofo. — São realmente eles! — segurou a revista. — Vocês estavam tendo um encontro, Tokiya-kun?
– Não devo satisfações a vocês! – Tokiya respondeu rude fechando ainda mais a cara, odiava aquele sorrisinho debochado de Ren. — Porque não cuidam da vida de vocês? — sugeriu.
– Que lindo, Ichii. Será que você ficou com ciúmes agora que Otoya chama atenção? — Ren sorriu ainda mais colocando a mão no queixo e escutando Natsuki ler o artigo "Hayato apaixonado!".
Continua...
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