Orlög

1 Prólogo: As Deusas Do Destino


Notas iniciais
Essa é a minha primeira fanfic da categoria, e tô nervosa pra cacete, ainda mais com tanta história foda no fandom! x_X

“Então chegaram as três donzelas, poderosas em sabedoria,

Desde a morada abaixo à árvore;

Uma chamada Urd, a outra Verdandhi,

Gravaram em madeira, e Skuld terceira.

As leis ali ditaram, e a vistoria asseguraram

Aos filhos dos homens, estabelecendo seus destinos.”

(Völuspá, 13ª estrofe)

As três deusas deslizavam com naturalidade pela terra idílica entre a fonte Urdh — sua morada — e pela extensão longínqua de Yggdrasil — a Árvore da Vida. Há mais milênios do que seriam capazes de mensurar, elas mantiveram ativa de maneira incansável essa repetitiva atividade, jamais deixando de ter ciência do quão vital era aquela obrigação para a sobrevivência dos Nove Reinos...

...No entanto, esta sobrevivência parecia cada vez mais próxima de seu inexorável fim, e as deusas Nornes também detinham tal conhecimento, enquanto nem mesmo a mais sábia divindade poderia prever aquilo que os espreitava.

Aquela divina tríade não respondia a nenhum deus, não comprometia qualquer tipo de fidelidade às suas infinitas intermitências entre guerras e paz. Apenas o Orlög — o agora que se determina pelas ações passadas, o destino que muitas vezes foi manuscrito com o sangue de seus súditos — guiava seus passos sempre independentes e firmes.

Elas encheram largas bacias com a água límpida da fonte, descansando-as no chão e preparando-se para encher mais algumas. O ambiente verdejante de incontestável beleza chilreava através das vozes agudas dos pássaros que rodopiavam em pleno ar, a balbúrdia dos animais terrenos e celestes com seus dias contados ante o destino que ameaçava se desfiar nos reinos sustentados pela Árvore da Vida.

Urd, a deusa que representava o passado, trajava um manto negro que esvoaçava junto aos longos cabelos grisalhos e foscos, o tom esquálido do tecido denotando a avançada idade de seus pequenos fiapos soltos. O aspecto idoso da deusa de pele flácida reluzia a típica morbidez da imemorável velhice, essa condição física aparentemente frágil e desfavorável combinando pouco com a destreza de seus movimentos joviais, repletos de energia. Seus olhos, de um indiscutível brilho nostálgico, focavam-se em nada e ao mesmo tempo tudo, parecendo estritamente presos ao tempo já transcorrido.

A deusa que se dispunha no meio das outras duas era Verdandhi — a Norne do presente. Seu corpo curvilíneo e voluptuoso se destacando entre as três, a pele macia e lisa despontando em gritante contraste com a dureza irrefreável que adornava suas mínimas expressões. As mechas eram também prateadas, porém cheias de um brilho sedoso, macio ao mais breve toque. Verdandhi possuía o atrevido olhar da juventude, cintilando genuína tenacidade. Vivaz, tal qual suas menores expressões.

A terceira deusa — posicionada à extrema esquerda — era, de todas, a de aparência mais perturbadora das três. Chamava-se Skuld, e à atenção desavisada de algum desprevenido, poderia passar por uma pequena criança de longos cabelos cacheados, tão brancos quanto sua própria pele quase albina de tão alva. Skuld era a deidade que representava o futuro dentre as deusas do destino, e era na expressão de seus olhos que qualquer dúvida a respeito de sua infantilidade corpórea se esvaía de imediato. Suas íris descoradas davam-lhe uma aparência indubitavelmente macabra, e tão antiga quanto o aspecto idoso e fatigado de Urd, olhos estes que por si só avisavam que o futuro deveria ser mantido em segredo, e que insistir em conhecê-lo poderia resultar nas mais desagradáveis consequências.

Elas sentaram, mantendo a exata ordem passado, presente e futuro na conformação escolhida, as três em profundo silêncio ao redor do tronco da majestosa Yggdrasil. Seus dedos repletos de destreza passavam a água recém-colhida da fonte com desenvoltura sobre suas raízes, besuntando-a com o benéfico líquido de modo a resguardar a saúde da árvore, restaurando-a das investidas constantes e ofensivas de Nidhogg, o dragão que habita as proximidades da nascente Urdh e que se ocupa em roer incessantemente as raízes da Árvore da Vida, tencionando destruí-la.

Assim que as Nornes terminaram de banhar Yggdrasil com águas que nasciam em sua própria raiz superior, encharcaram-na com argila branca para manter a umidade na árvore por mais tempo, como dia após dia faziam para restaurá-la dos danos.

— Qual criatura terá seu destino modelado hoje, Urd? — Verdandhi questionou à Norne anciã, seu olhar incisivo se traduzindo em ansiedade por dar voz à vontade do Orlög, que lhes ditava em segredo suas ordens a cada longo segundo de seus curtos milênios — Os fios de que alma devemos tecer?

Urd, mantendo o olhar vago e resoluto, respondeu com um fiapo rouco e desinteressado de voz.

— O fio da vida a ser tecido é o do bebê Laufeyson. O menino roubado do reino de Jotunheim, a quem Odin agora chama de Loki e de filho.

— O enviado do Ragnarök... — Skuld, com seus olhos descorados sempre direcionados aos tempos vindouros, concluiu com uma voz desprovida de sentimentos, apenas verbalizando aquilo que sua clarividência há muito já sabia.

Notas finais
As Deusas do Destino serão parte essencial na trama, por isso espero que tenham gostado da caracterização inicial que fiz delas! =) E comentem, pessoal! Eu retribuo a atenção de vocês com todo carinho do mundo (e alguns chutes na canela de vez em quando, mas nem sempre xP)!