Orlög

9 Entre Questões Humanas E Limitações Divinas


Notas iniciais
Pessoal, foi mals pelo tamanho imenso do capítulo, eu tenho tentado me policiar nessa fic pra não deixar que isso aconteça, mas nem sempre é possível, e dividi-lo ficaria totalmente sem sentido... Aliás, esse capítulo pode parecer besta, mas existem alguns detalhes jogados por aí que têm sua relevância xP Enfim, até lá embaixo x)

O intenso rebuliço causado pela invasão de Loki à S.H.I.E.L.D. já havia se abrandado quase por inteiro. Os agentes, ainda que completamente focados na tarefa de vigiá-lo e impedir qualquer investida ofensiva de sua parte, pareciam mais seguros de si agora que tinham por perspectiva cada vez mais próxima a união dos Vingadores, todos já a caminho da sede. União esta que há muito não se fazia necessária, até aquele momento em que o deus surgiu por trajetos desconhecidos, trazendo consigo as mais loucas e preocupantes ideias de mundos paralelos que tencionavam atacar a Terra e dizimar os habitantes pelo caminho.

Apesar de tantas informações despejadas ao pequeno grupo num único dia, Loki notava de forma intrigada a maneira com que eles pareciam ignorar as questões que o deus levantara, como se ainda se recusassem a dar crédito às suas palavras, o jotun percebendo apenas o homem negro mais taciturno e reservado em muitas preocupações. Contudo, no geral, suas mentes rodeadas por pequenezas pareciam anestesiadas a todas as ameaças alertadas pelo jotun.

"São mesmo limitados esses midgardianos!", Loki pensava de forma cada vez mais constante, atento a analisar com minúcia cada situação que se desdobrava perante si, e profundamente disposto a estudar a mulher de intensos orbes curiosos até que fosse capaz de entendê-la por completo.

E, certamente, Loki dispunha de métodos um tanto quanto refinados para chegar àquele intuito.

Já se passara um pouco mais de dois dias desde que o deus da trapaça chegara a Midgard, e cada segundo naquela terra lhe parecia mais confuso. Estranhava, acima de tudo, a forma com que os mortais interagiam entre si, muitos de seus dizeres e ações fugindo à compreensão asgardiana de Loki, que decidiu apenas observar por algum tempo a lógica do relacionamento midgardiano, sem ousar por ora inserir-se nele, aproveitando de seu ferimento para fingir-se impossibilitado e se manter o mais afastado que a situação permitisse.

Contudo, tal intuito teve seu ciclo quebrado já no início daquele terceiro dia de sua estada.

— Se arruma aí, rena! Temos que dar uma saída. — Laura, dona de um semblante nitidamente descontente, entrou de supetão, sem qualquer aviso prévio, no cômodo em que Loki fora alojado, encarando diretamente os olhos verdes do deus numa postura atrevida, que para Loki já era natural associar a ela, mesmo com o pouquíssimo tempo de convivência. A mulher atirou uma pequena trouxa de roupas na direção do deus, seus gestos traduzindo a mesma impaciência de sua fala — Veste isso aí. Tudo que não precisamos é chamar atenção com esse seu gosto no mínimo estranho pra roupas! — Comentou num tom irritado, apertando com força os dentes quando o viu ainda estático, sem sequer mover um músculo. Com exceção dos vivos olhos, poderia facilmente passar por uma estátua — Essas roupas devem caber, e acho que elas captam bem seu estilo engomado... Aliás, me agradeça, te livrei de uma boa! Quase tive que pegar algumas roupas antigas do Steve, quando ele ainda tinha o mesmo físico de minhoca que o seu, mas convenci Fury de que usar roupas de oitenta anos atrás chamaria ainda mais atenção do que essa sua túnica esquisita.

Ela deu um meio sorriso, fitando-o com pressa em sua típica expressão zombeteira que tanto vinha incomodando o deus. Loki pouco entendera de seu discurso, e aquela sensação cada vez mais recorrente de ignorância o irritava com ainda mais profundidade. Em Asgard, nunca fora íntimo daquele sentimento, porém Midgard o fazia sentir-se em pé de igualdade com a estupidez de Thor.

— Você realmente não entende porra nenhuma do que eu digo, né? — Ela perguntou com descaro, percebendo a leve expressão confusa que se firmou nos traços bem definidos do jotun — Não importa, só veste essa droga e vamos acabar logo com isso. E se você se comportar direito, até posso cogitar em te levar num salão pra dar um jeito nessa sua progressiva.

— Não tenho interesse em conhecer seu reino. — Replicou, seus verdes olhos por um breve instante faiscando num brilho lúgubre, indiscutivelmente irritado com a troça que sempre via incutida na Pistoleira, mesmo que não fosse apto a entendê-la em seu contexto — Não espero passar tempo algum em Midgard além do estritamente necessário, e não vejo por que fazê-lo nas minhas condições — Comentou com indisfarçado mal humor, ajeitando-se na cama devagar, evitando as pontadas dolorosas que o ferimento desferido por Heimdall ainda lhe causava.

— Foda-se essa Midgard, eu quero é te mostrar um prédio específico de Nova York. Não exatamente, na verdade... Querer é uma palavra forte pra cacete! — Tagarelou, desbocada, sua indignação tornando-se mais e mais visível a cada sílaba proferida — Mas, parece que desde que você chegou aqui, Fury me vê com um potencial enorme pra te servir de babá. Estou tão feliz com a situação quanto você, mas são ordens do chefe, o último cara no mundo que vai querer irritar, uma coisa que a essa altura você já devia ter deduzido, já que adora pagar de esperto — Aconselhou num tom de voz rude, de fato incomodada com a forma com que Fury vinha designando a ela cada vez mais serviços como aquele, tratando-a com verdadeira indolência naqueles últimos dias e dono de uma desconfiança que, por mais que a Pistoleira se recusasse a admitir, vinha magoando-a.

Loki, percebendo com certo júbilo o estado alterado da Pistoleira, quase se permitiu um sorriso, satisfeito por ver o autocontrole da atrevida mulher oscilar, como um lembrete da fraqueza que rodeava sua raça.

— Se é tão vital assim para seu líder que eu conheça seu reino, não trarei oposição. Que seja. — Anuiu, munido da mesma cortesia que sempre fazia questão de usar com todos ao seu redor, uma pequena trapaça calculista para esconder o quanto ainda pretendia manipulá-los em seus verdadeiros anseios. Só não contava que nesta terra de indispensáveis insetos acabaria por encontrar aquela que invadia seus sonhos desde sua mais tenra infância, tornando sua farsa um pouco mais árdua quando direcionada a ela, a única que parecia interpretar com maior precisão o brilho periculoso dentro de seus olhos.

E a percepção do quanto a mera estranha lhe confundia só fazia crescer sentimentos no mínimo adversos, capazes de criar em si uma irritação ainda mais profunda do que aquela que experimentava quando em convivência com a família real de Asgard.

Laura, entretanto, esboçava reações completamente diferentes em sua presença. Diante da polidez impecável de sua resposta, a mulher o encarou com uma pontada de diversão, a raiva agora diluída em seu rosto numa expressão que parecia cortejar a zombaria em mais um de seus sorrisos matreiros, paradoxalmente tão cheios de vida para uma reles mortal.

— Você só pode ser de outro universo mesmo. — Balançou a cabeça numa negativa, desacreditada de seus modos — Tô quase começando a acreditar em todo esse seu papo de entidades divinas... — Soltou um riso curto pelas narinas, desviando um olhar subitamente entristecido que passou a se focar no chão. O deus franziu as sobrancelhas num gesto não calculado, tragado por suas próprias conjecturas ao mais uma vez testemunhar a tão habitual mudança brusca no comportamento daquela mulher, o jotun de fato curioso com os possíveis significados dos pequenos e grandes mistérios que a envolviam — Vamos, vai... Antes que Fury pense que estamos conspirando um motim contra ele... Do jeito que aquele lá anda desconfiado de tudo, eu não me espantaria se ele começasse a se ver como um capitão pirata prestes a perder o comando de seu navio... E por que não...? O cretino já tem até o tapa-olho! — Divagou, ciente de que não dizia nada que fizesse alguma mínima coerência ao invasor, tanto da S.H.I.E.L.D. quanto dos seus mais profundos sonhos.

Por fim, deixou-o só dentro do aposento para que pudesse se vestir com maior privacidade, vigiando a única entrada com o mesmo indício de tristeza.

"Se deuses realmente existem, são todos grandes filhos da puta!" — Pensou com amargura, recordando de todas as vezes que, quando criança, havia orado em vão, por benesses das quais nunca fora agraciada.

●•●•●

Loki e Laura deixaram as dependências da S.H.I.E.L.D. sem qualquer nova palavra trocada, ambos aproveitando o silêncio à sua própria maneira, este quebrado apenas pelo ronronar potente do motor da larga caminhonete dirigida pela mulher. O deus, de leve interessado naquela estranha tecnologia, percorria com olhos quase entediados cada perímetro do painel de controle, atentando-se a cada movimento dos pés e mãos da midgardiana, que num conjunto dinâmico parecia guiar o estranho objeto locomotor.

Laura, já sentindo-se relativamente mais descontraída na presença do homem, relaxou por trás do volante ao longo dos poucos metros percorridos para longe da S.H.I.E.L.D. Pensava em nada muito específico quando ligou o rádio, que de imediato sintonizou a frequência da polícia, Nick Fury fazendo questão de acompanhar a rotina policial sempre que possível, a fim de captar qualquer movimento estranho e mais elaborado dos foras da lei. Afinal, era a própria S.H.I.E.L.D. que entrava em ação quando a segurança nacional tradicional parecia falhar.

Assim que a voz se propagou em ondas sonoras para além dos autofalantes do carro, sentiu que Loki pulou de susto e surpresa ao seu lado, encarando com enorme desconfiança o dispositivo sonoro, talvez procurando pela origem da voz que enchia o automóvel, porém sem grandes sucessos naquele objetivo. Laura, percebendo de esguelha sua indignação, conteve um sorriso, achando graça.

"Magia!" — O deus pensou, atordoado, temendo que o dono daquela voz estivesse entre eles, invisível aos seus astutos olhos — "Não é possível! Midgard não dispõe de tais subterfúgios..."

Laura, não mais se contendo ao vislumbrar a confusão evidente no rosto desarmado de Loki, caiu em intensa gargalhada, interrompendo a cadência de pensamentos do deus de forma brusca, tão inesperada que o jotun lhe lançou um olhar irritadiço, sem dispor de tempo para dissimular suas verdadeiras emoções.

— OK, já vi que as tragédias diárias nas ruas de Nova York te deixam um pouco perturbado... — Comentou ainda em meio aos risos, trocando de estação em busca de um bom repertório musical. Ela deu uma brusca freada ao avistar um farol vermelho quase à frente, relanceando olhares furtivos ao deus, que se desequilibrara à mercê da súbita parada do automóvel, usando com agilidade os dedos rígidos para apoiar-se no porta-luvas e parecendo ainda mais taciturno — Ei, bonitão, põe o cinto! — Apontou de forma ilustrativa para a própria faixa preta que atravessava seu tronco numa diagonal, somente agora se dando conta de que era a única no veículo que o usava. — Nova York é cheia de malucos no volante, é sempre melhor prevenir do que remediar.

— Não estou habituado às regras de segurança desta carruagem. — Avisou com seriedade, e novamente Laura riu, apenas ela sendo capaz de entender o quão cômico e fora de contexto aquele homem era nos domínios de seu mundo. "O que afinal esta midgardiana vê de tão engraçado? Virei algum tipo de atração aos boçais que me circundam?", pensou, tendo que lidar com uma fúria crescente que não poderia deixar transparecer. Ao menos não ainda.

— Ainda descubro o manicômio que te perdeu! — Zombou, no mesmo instante retirando o próprio cinto e esgueirando seu corpo ágil para cima do assento de Loki, algo que apenas fez crescer a apreensão e surpresa do deus. Ela apoiou uma das mãos num espaço livre do banco que o deus ocupava, calma e natural como uma perfeita antítese de Loki.

A pele macia de seu braço roçou brevemente contra o rosto do jotun, levando às suas narinas o frescor que dali exalava, tão convidativo quanto nos cenários de seus sonhos. Fechou os olhos, sentindo-se enrijecer diante da proximidade inesperada, notando com o mais profundo desagrado que ela lhe era aprazível a todos os seus mais enraizados sentidos.

Tornou a erguer as pálpebras quando sentiu a pretensão da mulher de novamente ocupar seu lugar. Ela, contudo, parou no meio do caminho, deixando o rosto de traços peraltas bem à sua frente, o negro de seus olhos parecendo cada vez mais instigado pelo desafio indefinido que o jotun lhe representava, o brilho no olhar acompanhando o sorriso delineado por seus lábios.

— Viu? Sem segredos! — Disse, prendendo o cinto de Loki na trava e retornando à sua poltrona bem a tempo de pegar o farol novamente verde. Recolocou o cinto sobre seu corpo enquanto dava a partida no automóvel, voltando a atenção às ruas ainda sem desmanchar aquele repuxar pretensioso de sua boca, desenhando em seu semblante um sorriso sutil.

Porém, o sorriso logo tratou de desfalecer em seu rosto.

O rádio deu início a uma melodia que de imediato fez Laura estremecer, detestando ser vítima na presença de Loki daqueles acordes que tão bem a traduziam. Chegou a pensar em trocar de estação, mas decidiu que não valia a pena. Demonstrar reações como essa só serviria para alimentar as possíveis dúvidas que o homem poderia guardar a seu respeito.

Ao invés disso, deixou-se conduzir pelo ritmo inebriante, mal percebendo que seus dedos começaram a tamborilar no volante de forma compatível com a energia ascendente que chegava aos seus ouvidos. Reparava de forma superficial nos rápidos momentos em que os verdes orbes se direcionavam à sua expressão, que provavelmente era um espelho refletindo as emoções da composição musical.

Parecendo nem mesmo se dar conta do que fazia, permitiu-se cantar em notas baixas, e acompanhou a voz de Billie Joe com a sua, que era bela não por questões como afinação ou timbre, mas sim pela carga extensa de sentimentos que transmitia.

I walk this empty street on the boulevard of broken dreams. Where the city sleeps and I'm the only one and I walk alone. I walk alone, I walk alone. I walk alone, I walk a... My shadow's the only one that walks beside me, my shallow heart is the only thing that's beating. Sometimes I wish someone out there will find me, till then I walk alone, ah-ah-ah-ah-ah-ah-aaah-ah-ah-ah-ah!

Loki desviou os olhos em direção à janela, dissimulando observar a vista da cidade como se de fato estivesse interessado no que seus olhos fingiam ver, porém seus sentidos mantinham-se alertas a cada nota, desafinada ou não, que percorria os lábios escuros da midgardiana, que ora acompanhava a letra da música com sua própria voz, ora apenas cantarolava em conjunto com a melodia.

A mulher dirigiu ainda por algum tempo, aceitando de forma passiva o silêncio que se solidificava entre eles como uma forma de desenvolver os próprios pensamentos, que vinham como verdadeira balbúrdia em sua mente desde a chegada daquele homem um tanto presunçoso, inegavelmente divertido à sua própria e avessa maneira. Agradeceu intimamente por Loki desconhecer o quanto ele já fora presente em sua vida através dos misteriosos sonhos, desde a mais imatura infância até a atualidade, e o pior...

...O quanto fora importante para ajudá-la a lidar com suas dores mais antigas e enraizadas.

Laura deu a seta, indicando sua intenção de estacionar num espaço razoável que se dispunha no meio fio a poucos metros de uma altiva torre, que se erguia alta em direção ao céu com enorme elegância. Enviesou o automóvel no espaço sem maiores dificuldades, por vezes encarando o retrovisor e percebendo incisivos olhos verdes a lhe fitar sempre da mesma forma inquisidora. Ela desligou o motor quando se deu por satisfeita, virando o rosto para o suposto deus enquanto ainda mantinha as mãos no volante.

— É aqui! — Anunciou ainda com algum traço de riso em seu rosto, inegavelmente mais à vontade naquela presença que exalava estranheza, o desconforto de antes totalmente transformado graças à forma sempre deslocada e curiosa que Laura percebia na maneira de se portar daquele homem.

— Qual o intuito disso? — Inquiriu o deus, a cordialidade fugida de seu tom, fazendo crescer dentro de suas íris o brilho arguto que lhe era tão peculiar.

— Vamos visitar um velho amigo meu. — Sorriu, encarando com genuíno carinho a torre que levava um dos sobrenomes mais caros da atualidade. Laura destravou o cinto de ambos, deixando o carro e fechando a porta com descuido a julgar pela intensidade do estrondo. Loki, que observava resignado cada um de seus movimentos, rapidamente compreendeu o modo correto de lidar com a estranha carruagem que os levara até ali, e da mesma forma abandonou sua porção interior.

O deus posicionou-se ao lado da mulher, analisando com cuidado a forma com que ela dispensava olhares divertidos em direção ao prédio, que Loki concluiu tratar-se do destino final daquela pequena viagem. Lançou olhares de soslaio à mulher que chamavam de Pistoleira, já engendrando em sua afiada mente possíveis razões para travarem aquele trajeto.

"Deve tratar-se de um conselheiro. Alguém um pouco mais apto a julgar-me, um pouco mais hábil do que os tolos que até agora conheci..." — Considerou, embora soubesse que os midgardianos que lhe foram apresentados até o momento talvez fossem os mais habilidosos daquela caótica terra, principalmente o homem que se dizia líder da instituição...

...E a mulher ao seu lado, que sem dúvida percebia com facilidade natural uma parcela de sua verdadeira essência, dona de mais destreza do que muitos dos asgardianos que conviveram consigo por milênios.

Laura finalmente se pôs em movimento, guiando Loki até a entrada da torre a passos despreocupados. Contudo, assim que adentrou o recinto, um sonoro ruído soou estridente pelo local, sobressaltando o deus e enrijecendo o corpo da mulher, que rangeu os dentes em desagrado.

Dois seguranças vieram de imediato em sua direção, o alarme ainda soando de modo acusatório atraindo todas as atenções ao redor.

— Merda! — Ela praguejou num suspiro curto, revirando os olhos ao perceber o alarido desnecessário que ela mesma criara por pura imprudência.

— Me acompanhe, por favor. — Um dos funcionários murmurou o pedido ao se aproximar o suficiente, o profissionalismo de seu tom vagando entre o educado e o rígido com surpreendente equilíbrio, seu olhar resoluto pousando certeiro sobre o coldre preso ao quadril da mulher, este ocupado por duas pistolas que ela se esquecera de guardar, de tão acostumada que estava a andar com elas no ambiente da S.H.I.E.L.D. e em suas missões.

— Sem chances, vamos resolver isso aqui mesmo. Eu tenho horários a cumprir, e se o problema são só minhas armas, pode ficar — Desprendeu o coldre, fitando-o com visível ciúmes ao oferecê-lo — Mas eu sei exatamente quantas balas têm em cada uma! — Alertou, descontente.

— Infelizmente teremos que revistá-la — O outro avisou assim que percebeu o intuito da mulher de prosseguir seu caminho, barrando-a com firmeza pelo ombro — Nós oferecemos um local privado nesse tipo de situação para evitar maiores... constrangimentos.

Laura revirou os olhos, bufando.

— Que nada, só termina logo com isso que eu tenho mais o que fazer — Ergueu os braços como se já fosse íntima do procedimento, mantendo ares entediados quase como se passasse por algo rotineiro e banal — E vê lá onde vai meter essas mãos, hein!

Os seguranças entreolharam-se de forma confusa, incomodados. Num sutil dar de ombros de quem se conforma com a situação, um dos funcionários adiantou-se, apalpando com cuidado toda a extensão da lateral do corpo pequeno de Laura, levando seus dedos a explorar cada perímetro coberto de sua pele, algo que fugiu ao entendimento de Loki, chegando a tirá-lo de sua serenidade calculada.

O deus, sem entender o que se passava à sua frente e sentindo crescer em si um estranho sentimento da mais profunda ofensa pelo que se submetia a midgardiana, colocou-se a passos firmes ao seu lado numa postura quase possessiva, naquele momento enxergando não uma mulher qualquer de Midgard, mas sim sua ninfa secreta, aquela que era coberta pelos mais preciosos ébanos e dona de constelações inteiras dentro de um olhar incrivelmente expressivo. Aquela que era capaz de lhe trazer conforto em meio aos seus tempestuosos sonhos, abrandando por centenas de anos uma realidade amarga.

— Afaste-se, humano! — Interpôs-se entre eles, seu timbre mais frio do que o sangue jotun que contra sua vontade corria por suas veias. Um sangue que, estranhamente, naquele momento parecia ferver com a potência incandescente do fogo de Muspelheim.

Os seguranças pareceram perceber a presença de Loki apenas naquele instante, dedicando ao deus um olhar confuso pela falta de nexo do tratamento escolhido, ainda que mantivessem certa rudeza em suas feições...

...Porém, nada comparado à forma intimamente ameaçadora com que eram fitados de volta pelos verdes olhos.

— Sinto muito, senhor, são as normas do estabelecimento. — Alertou, a voz ameaçando vacilar embora ainda guardasse o teor profissional.

Laura, boquiaberta pela inesperada e injustificada reação protetora, sentiu-se ainda mais perplexa quando percebeu os punhos de Loki cerrarem-se com força, parecendo prestes a revidar a julgar o brilho pernicioso em seus olhos, normalmente tão racionais, porém indomados por aquele breve segundo. Temendo que o homem revelasse seus poderes e machucasse alguém, a Pistoleira segurou com leveza o pulso pálido num gesto tão impensado que tornou-se instantâneo, percebendo a pele sob seus dedos tensionar-se com intensidade assim que o contato se firmou.

— Relaxa aí, "alce"! Não sei no seu mundo, mas aqui é normal zelar pela segurança dos chefões quando surge alguma ameaça. — Serena. Apesar de existir um verdadeiro turbilhão em seu íntimo com aquela reação inesperada, seu timbre se manteve o mais sereno possível, compatível com a tranquilidade que agora permeava em seu rosto após o choque inicial.

Loki, despertado daquele confuso momento pela intervenção de Laura, desviou com fúria de seu toque, nutrindo uma intensa raiva tanto de si quanto da humana pela rasa percepção que o abateu como o mais brusco golpe. A percepção de que, num indefinido grau, se importava com aquela midgardiana em específico. Nada conhecia de sua história, nada sabia de seus hábitos ou qualquer outro aspecto de sua vida, contudo ela sempre esteve próxima dele por alguma trapaça do destino.

O tipo de trapaça que Loki, mesmo em toda sua maestria no assunto, desconhecia.

Irritou-se ainda mais quando percebeu a sombra de um satisfeito sorriso enviesar de leve os lábios da mulher, e a partir daquele momento evitou trocar com ela qualquer contato visual por menor que fosse, ainda que por vezes se percebesse encarando-a de esguelha, para seu profundo desagrado ainda irritado pelas mãos que tornaram a revistá-la.

"Não importa de que lugar e circunstâncias a reconheço! Continua se tratando de uma humana, tão insignificante quanto qualquer outra!" — O deus teimou, disposto a usar consigo seu peculiar dom de fazer mentiras se camuflarem em verdades.

Os seguranças concluíam seu trabalho em completo silêncio, limitando-se a lançar à mulher olhares perplexos conforme encontravam escondidas pelo corpo de Laura as mais diversas armas brancas. Facas e canivetes, de diferentes tamanhos e envergaduras, se dispunham agora numa surpreendente pilha ao lado da Pistoleira, e Loki não pôde deixar de se surpreender com a capacidade da midgardiana de camuflar tantos objetos num corpo tão diminuto, pequeno em tamanho mas inegavelmente convidativo ao olhar.

Os seguranças fitaram Laura com expressões idênticas que pareciam disparar uma mesma pergunta, criando nos traços femininos um daqueles recorrentes lampejos espertos e presunçosos, algo que Loki vinha aprendendo a reconhecer como corriqueiro se tratando da curiosa mulher.

— Uma garota tem que ter meios de se defender, ué... — Deu de ombros em meio a uma justificativa falsamente indignada, aquele mesmo brilho vivo e divertido dançando pelo negrume de seus orbes geniosos, uma sugestão prematura de sorriso brincando em seu rosto. Com ares mais sérios e agora principiando uma ameaça, disse: — Eu vou querer tudo isso de volta! E é bom que estejam exatamente do jeito que eu deixei.

— Posso perguntar o motivo de sua visita às Indústrias Stark? — Um deles inquiriu, desconfiado a tal ponto que parecia disposto a impedir a passagem da mulher e seu companheiro, qualquer que fosse a resposta dada.

— Claro, tava demorando... Uma mulher negra que leva consigo umas arminhas de estimação já é motivo pra desconfianças. — Cruzou os braços, sentindo-se nua sem o peso extra das armas de fogo em seu quadril — Vocês já saem considerando a pessoa uma terrorista só por causa de um par de pistolas e duas ou três faquinhas?

— Dezesseis. — O segurança a corrigiu, austero — Se não informar o motivo da visita, teremos de acompanhá-los de imediato até a saída! — Avisou, sempre educado, ainda que nada brando em suas palavras.

— Viemos ver o chefe. Não temos hora marcada, mas eu garanto que ele vai querer me receber assim que souber que estou aqui, não importa que tipo de reunião aquele sacana inventou pra fingir que é um homem ocupado dentro da empresa. Como se ninguém soubesse que quem realmente trabalha por aqui é a Pepper — Sorriu descarada, e por mais que fosse obrigada a levantar com afinco a cabeça para conseguir encarar os seguranças nos olhos, ainda era capaz de transmitir uma autoridade que era rara até mesmo a alguns deuses de Asgard.

— O senhor Stark não está disponível para receber ninguém no momento. E mesmo que estivesse, temos ordens expressas para não deixar aqueles que não tenham hora marcada subir à sua sala, que dirá alguém fortemente armado — Notificou, e Laura esforçou-se para não revirar os olhos. Foi um esforço vão.

— Só pode ser piada. — Suspirou, agora impaciente — Vocês percebem que estamos falando da porra do Homem de Ferro, né? O dia em que algumas facas e balas derrotarem o cara, meus amigos, estaremos fodidos com ou sem a zelosa proteção de vocês.

— Sinto muito, eu apenas cumpro as ordens.

— Custa ligar pra'quele desocupado do seu chefe e pelo menos checar se ele não pode me deixar subir? Ou eu vou ser obrigada a ligar no número privado dele só pra avisar que fui barrada logo na merda da entrada? — Ameaçou, percebendo que os seguranças sequer a ouviam, já conduzindo os dois num cerco que os expulsava do prédio.

Laura ia dar início a um novo protesto inflamado, porém sua voz foi calada pelo timbre reverberante que ecoou ao seu lado, dono de uma imperiosidade tão natural que contestar sua autoridade parecia absurdamente errado. Loki, que à maioria do tempo apenas se dignou a observar a situação, pôs-se à frente, tomando para si as rédeas da situação. A voz soou como um de seus truques, elaborados com um toque de magia.

— Nos deixem passar, mortais. — Ordenou, e Laura de fato o achou parecido com um deus naquele porte surpreendente de superioridade — Anuncie nossa chegada a seu líder. Não cabe às suas mentes pequenas julgar se seremos ou não recebidos. — Dizia numa tranquilidade irredutível que beirava a musicalidade, e conforme falava, os olhos dos seguranças pareciam confusos e de leve alheios, como o princípio de algo similar à hipnose naquela postura de súbito permissiva — Apenas lhes concernem ocupar seus postos de servos e realizar os escopos pelos quais foram designados.

O segundo que se seguiu se alongou num contemplar enevoado por parte dos funcionários, e para o completo espanto da Pistoleira, os dois saíram de seus caminhos, dando passagem para que prosseguissem da forma mais passiva de seus semblantes domados. Ela deu um passo vacilante para mais perto do elevador que era seu objetivo, analisando com desconfiança os dois homens que antes estavam prestes a expulsá-los, como se esperasse que eles retomassem a postura ofensiva de segundos atrás.

Porém, não houve qualquer empecilho à sua passagem, e Loki a seguiu, confiante de suas habilidades que iam um pouco além da mera persuasão. A esmagadora maioria dos midgardianos eram donos de consciências frágeis, facilmente ludibriadas pela indiscutível superioridade de seres como o deus da trapaça.

Incutir a dúvida nos dois humanos não fora qualquer desafio a Loki, ainda lhe agregando uma parcela de confiança e admiração daquela que há muito o visitava nos domínios oníricos de seu subconsciente.

Como você fez isso?

— Mentes humanas são fáceis de manipular. Fracas e susceptíveis ao molde, um terreno fértil para as armadilhas dos mais hábeis. — Provocou, satisfeito com os grandes olhos impressionados que o tinham por alvo.

— Por acaso usou isso contra algum de nós? — Inquiriu, referindo-se à sua interação com os agentes da S.H.I.E.L.D. O questionamento pareceu estúpido à Laura depois de feito, mas ainda assim ansiou pela resposta.

— Eu ainda sou tratado como prisioneiro, não sou? — Lançou a pergunta retórica como réplica, recebendo um riso fácil da mulher, interrompido quando chegaram de frente a um balcão largo que servia de escritório à atendente que ali trabalhava. "Mas não se preocupe! A hora de vocês ainda está por vir!", o deus pensou, desvencilhando-se do sorriso desdenhoso que queria se abrir em seus lábios.

— Pois não? — A secretária de Tony os saudou, a voz vibrando com uma pontada de apreensão. Ela, afinal, observara de longe o estranho episódio com os seguranças.

— Por favor, avise Tony Stark que Laura está aqui, acompanhada de um assunto urgente — Lançou um olhar astuto de esguelha a Loki, o tipo de olhar peralta que o deus recebia apenas de Thor quando ainda eram meninos tramando as mais infantis travessuras.

— Os senhores por acaso teriam hora marcada?

— Não. Mas tenho certeza que ele vai querer me receber. — Avisou, sentindo alívio imediato quando a mulher anuiu de leve com a cabeça, já levando o telefone ao ouvido com verdadeira disposição de anunciá-la. Seus dedos, contudo, vacilaram um instante sobre as teclas a serem discadas.

— Laura do quê? — A secretária perguntou educadamente, esperando poder tratá-la pelo sobrenome.

— Só Laura! — Respondeu numa rudeza imediata, seus traços tornando-se instantaneamente tensos, sem qualquer resquício da descontração bem humorada de antes. Loki, atraído por aquela notável mudança, percebeu na expressão da mulher uma angústia profunda, apesar de bem camuflada, entremeada em cada traço rígido de seu semblante — Ele vai saber quem é! — Emendou, tentando consertar a exagerada reação grosseira...

...Contudo, era tarde. O deus fingiu-se de desinteressado, sequer fitando-a abertamente, porém não passou despercebido a Loki cada mínima reação adversa demonstrada pela Pistoleira naqueles mínimos instantes. Um irrefreável arrepio o tomou ao reconhecer naqueles olhos já tão familiares a repulsa por suas origens, algo que ele tão facilmente soube interpretar pelo simples fato de reconhecer.

Execrou ao máximo a irritante empatia que por aquele milésimo de segundo o atingiu, desprezando-a de imediato e buscando o foco do que realmente lhe importava.

"Interessante. Parece que desavenças familiares desconhecem as barreiras dos reinos..." — Ponderou o deus, disposto a guardar aquela pequena evidência para a posteridade.

Tony Stark envergava a coluna sobre a mesa de seu escritório com ares concentrados, mal notando a leve película de suor que se formava no alto de sua testa. Trabalhava há alguns dias em peças de suas armaduras, realizando a manutenção que rotineiramente era necessária. Uma luva vermelha metálica se dispunha sobre a mesa atulhada de papéis do empresário, que analisava a funcionalidade de cada articulação e ajustava a lubrificação.

Dedicar-se às suas armaduras era sempre uma atividade prazerosa ao bilionário. Nos momentos em que se dispunha a isso, era levado por lembranças nostálgicas para a época em que fora sequestrado por um grupo terrorista no Afeganistão chamado Dez Anéis e precisou improvisar as peças com pouquíssimo material disponível, se valendo apenas de sua habilidade e inconfundível genialidade, recebendo uma massagem no ego a cada vez que se recordava de todas as adversidades daquela época, que não o impediram de criar aquilo que logo se tornaria uma parte importante de Tony Stark; o Homem de Ferro.

O empresário deu um salto em sua poltrona com o súbito tilintar do telefone, revirando os olhos com impaciência por ser desperto de seu trabalho. Deu um de seus suspiros alardeados antes de enfim atender.

— Pensei que tinha sido bem claro quando disse que não queria interrupções, Barbie — Tony chamou a secretária pelo apelido que sabia desagradá-la, sendo capaz de imaginar o sutil trincar de dentes que parecia sempre acompanhar aquela pequena provocação.

Sinto muito, senhor Stark, mas tem uma mulher aqui que insiste em falar com o senhor.

— Elas vivem caindo em cima, Barbara. Se eu parasse meus afazeres por cada uma delas, minha fortuna escoaria pelos ralos da empresa... — Divagou, um leve sorriso sacana elevando o estiloso cavanhaque — Quem poderia estar tão afoita em me ver ao ponto de te fazer passar por cima de ordens minhas?

A mulher diz se chamar Laura, senhor... — A voz da funcionária soou incerta, e sua fala seguinte saiu num sussurro abafado, como se ela tampasse a extremidade do telefone em que falava para que suas palavras se escondessem dos visitantes. Chegou aos ouvidos de Tony como um cochicho infantil — Ela não quis me dizer o sobrenome, disse que o senhor saberia quem é.

— Laura, claro! — Tony exclamou, exaltado, de fato surpreso em ouvir aquele nome — Por que não disse logo, Barbie? Deixe que suba, rápido! Nem devia tê-la feito esperar — Reclamou com a secretária, entrando em contradição com suas antigas ordens.

Sem esperar por qualquer sinal de que Barbara entendera o recado, o bilionário desligou o telefone que interligava vários ramais dentro da empresa, já imaginando que tipo de motivação trouxera a mulher até a famigerada torre Stark. Há algum tempo os Vingadores não se reuniam, e por certo a visita da Pistoleira não podia trazer bons presságios. Imaginou que, se um dia houvesse a necessidade de reatar os laços da Iniciativa Vingadores, o próprio Nick Fury viria a seu encontro para convocá-lo.

A vinda de Laura predizia problemas maiores. Havia naquela sutil mudança a sugestão de que o diretor da S.H.I.E.L.D. talvez se mantivesse ocupado com situações mais alarmantes, designando a terceiros um posto que deveria ser incumbido a si.

— Não importa o que seja... — Tentou tranquilizar-se, agora andando de um lado para o outro na extensão respeitável da sala, seus passos ansiosos ecoando firmes de sua incerteza — Afinal, nós temos o Hulk! — Abstraiu, porém aquele consolo não foi capaz de abrandar sua preocupação.

Aguardou apenas um instante até que Laura entrasse acompanhada de um estranho homem, rodeado por ares soberbos que de imediato intrigou o bilionário. Tentou vasculhar sua mente em busca de qualquer lembrança que pudesse associar àquela figura, porém sua péssima memória somada a uma intensa vida social não o permitiram fazer qualquer associação. Focou-se então na mulher que conhecia, abrindo um largo sorriso acolhedor, de fato feliz pelo inesperado encontro.

— Minha latina preferida! — Saudou, erguendo os braços num convite sugestivo.

— Seu racista escroto da porra! — Xingou, mas em seu rosto se acendia um sorriso amplo, tão satisfeito por vê-lo como o próprio Stark, que também se mostrava agradado com a presença da Pistoleira. Ela foi de encontro ao abraço que a esperava, ambos se acolhendo com força naquele gesto carinhoso — Como vai a Pepper? — Perguntou quando enfim se soltaram do cumprimento.

— Até onde sei, bem. — Suspirou, retomando a gravidade em sua expressão — Não temos tido muito tempo um pro outro. Eu estou trabalhando duro em alguns aperfeiçoamentos das minhas armaduras, e ela tem levado a diretoria da empresa nas costas... — Contou, sorrindo dessa vez de forma contida.

— Bom, acho que ela vai passar a me detestar então, porque vou ter que te afastar ainda mais... — Deu de ombros como se pedisse desculpa.

— Qual é o problema? — Perguntou, sem conseguir deixar de fitar o homem que acompanhava Laura quando levantou a questão, como se intuísse que parte da resposta residia ali, naquele par de olhos astutos.

A Pistoleira meneou a cabeça numa negação decidida antes de lhe responder.

— Aqui não. Fury quer que todos estejam presentes pra essa conversa. O que você tem que saber no momento é que precisamos reunir com urgência os Vingadores, o quanto antes você puder se juntar a nós melhor! Hill e Coulson já estão a caminho de trazer os outros. Aliás, que cabeça de merda a minha! Este é Loki, do reino de Asgard, seja lá o que isso quer dizer — Direcionando-se agora ao deus, Laura completou: — Este é Tony, um dos nossos.

Por um irrisório (porém significativo) segundo, ambos se estudaram com minúcia. Duas mentes afiadas pela mais refinada inteligência tentando ler a expressão que via no outro, olhares desconfiados que penetravam como farpas à medida que perdurava aquela análise. Tony foi o primeiro a abrandar a feição carregada, estendendo uma mão solícita em direção ao curioso homem, sem imaginar por quais razões o estranho acompanhara Laura naquela missão.

— Prazer! — Cumprimentou, percebendo-o hesitar em corresponder o gesto, como se fosse desabituado àquela cortesia — Tony Stark.

— Loki — Disse simplesmente, imitando a estranha saudação com as mãos que já vira os humanos reproduzirem desde sua chegada a Midgard.

O aperto foi firme de ambos os lados, os olhares relampejando em igual desconfiança no estudo que dedicavam ao outro. O encarar mútuo se perpetuou por longos segundos, e Laura quase pôde sentir a tensão criada no arrepiar da própria pele, de alguma forma existindo entre os dois homens a intuição de que tal encontro guardava um propósito maior que ia além de meras apresentações.

A Pistoleira teve a impensada reação de procurar pelos cabos de sândalo de suas armas, um gesto que desde sempre era capaz de tranquilizá-la, mesmo quando não havia necessidade de sacar as pistolas...

...Mas, pela primeira vez, elas não estavam lá, e o desconforto da mulher apenas cresceu.

"I walk a lonely road

The only one that I have ever known

Don't know where it goes

But it's only me and I walk alone

I walk this empty street

On the boulevard of broken dreams

Where the city sleeps

And I'm the only one and I walk alone

I walk alone I walk alone

I walk alone I walk a....

My shadow's the only one that walks beside me

My shallow heart is the only thing that's beating

Sometimes I wish someone out there will find me

Till then I walk alone

ah-ah-ah-ah-ah-ah-aaah-ah-ah-ah-ah

I'm walking down the line

That divides me somewhere in my mind

On the border line of the edge

And where I walk alone

Read between the lines of what's

Fucked up and everythings alright

Check my vital signs to know I'm still alive

And I walk alone

I walk alone I walk alone

I walk alone I walk a...

My shadow's the only one that walks beside me

My shallow heart is the only thing that's beating

Sometimes I wish someone out there will find me

Till then I walk alone

ah-ah-ah-ah-ah-ah-aaah-ah-ah-ah-ah

I walk alone, I walk a...

I walk this empty street

On the Boulevard of broken dreams

When the city sleeps

And I'm the only one and I walk a...

My shadow's the only one that walks beside me

My shallow heart is the only thing that's beating

Sometimes I wish someone out there will find me

Till then I walk alone"

(Boulevard Of Broken Dreams — Green Day)

Notas finais
Alguém aí já shippando "Lauki"? =P (Pensei em começar o nome do shipp com o Loki, mas aí teríamos a estranha combinação "Loura", e provavelmente alguns me perguntariam o que o Thor tem a ver com o shipp, hesuheusheuseh xP) Enfim, beijos, abraços e chute nas canelas! ;* Espero que tenham gostado, mesmo que ainda esteja um pouco parado, e por favor, façam uma ficwriter feliz e doem um comentariozinho pra Arrriba aqui! Ela gosta e responde a todos com muito carinho =D