Origins
39 Intimidade
Notas iniciais
Charlotte Walsh
Alexandria
Tudo se tratava de momentos. E no momento eu só queria que Daryl me beijasse muito...
Me movi no sofá pra me aproximar mais e puxei o rosto de Daryl pra mim. O beijei enquanto afundava a mão nos seus cabelos ainda úmidos, e ao mesmo tempo passava uma das pernas sobre ele e me encaixava em seu colo.
Acho que foi quando tudo começou acontecer ao mesmo tempo e meio descontroladamente, eu podia sentir nossas línguas se afagando e as mãos de Daryl por toda a parte, era como fogo, como se ele deixasse labaredas queimando por onde tocava.
A textura da palma dele contra a minha pele me arrepiava, era indescritível, tudo que eu sabia é que eu queria mais. Eu queria mais que os dedos dele emaranhados no meu cabelo, me puxando pra ele, como se realmente fosse possível chegar mais perto. Queria mais que a mão dele me apertando e subindo pela minha coxa, parando pouco antes de alcançar a barra do meu vestido. Era mais que um querer, era como necessitar.
Eu me sentia um tanto em desvantagem, pois mesmo estando por cima Daryl tinha mais controle que eu, o alcance das minhas mãos estava limitado aos braços, pescoço e cabelos dele, enquanto ele tinha como me tocar muito mais, acho que foi quando eu soube que ele estava se contendo um pouco.
Não entendia como ele tinha tanto autocontrole, eu simplesmente tinha que me mexer, tocá-lo um pouco mais. Era como ouvir uma música e seu corpo começar a se mover no ritmo dela.
Foi exatamente o que eu fiz, movi meu corpo em conjunto com o nosso beijo. Eu estava sentada sobre ele e isso fazia nossos sexos se chocarem conforme eu me mexia, mesmo com o tecido das nossas roupas eu podia senti-lo perfeitamente delineado sob mim.
Desci o beijo pelo queixo apreciando a barba rala pinicar a minha boca, continuei pelo pescoço provando o gosto da pele dele, quando minha língua tocou ali pouco antes de sugar.
Provavelmente aquilo pegou Daryl de surpresa, soube disso pois ele tinha as mãos na minha cintura naquele instante e me puxou contra ele com força, um movimento instintivo, enquanto o murmúrio de um palavrão qualquer saía dos seus lábios.
Parei para observar seu rosto, ele ofegava, eu também na verdade, e acho que essa minha euforia estava no comando, porque eu queria mesmo era que Daryl perdesse o controle, chegasse no extremo. Talvez eu quisesse provar a mim mesma que podia leva-lo ao limite. Ou era só a loucura daquele momento falando mais alto, a excitação e a expectativa.
Eu não tinha intenção de parar. Obviamente eu sabia onde daria e o que aconteceria. Não estava nervosa ou com medo, eu não tinha dúvidas. Eu queria aquilo. Eu queria Daryl Dixon e desejava que ele me quisesse também. Eu estava pronta.
— Perdão. — Ele ofegou muito rouco quando conseguiu me encarar, os olhos muito mais escuros e selvagens, as pupilas dilatadas.
Soltou meu corpo muito lentamente e percebi que ele se referia a ter me apertado ainda há pouco. O que Daryl não sabia é que eu queria que ele me apertasse ainda mais.
— Eu não sou de porcelana. — Coloquei as mãos dele de volta onde estavam e me inclinei um pouco mais pra sussurrar em seu ouvido. — Não se contenha.
Daryl simplesmente me tirou de cima dele como se eu não pesasse nada, me olhou sério, porém as sobrancelhas estavam franzidas como se estivesse fazendo um grande esforço.
— Você bebeu demais e não sabe o que está pedindo.
Revirei os olhos por pura indignação. Ele estava me rejeitando mesmo? Fala sério! De novo?!
Reuni mais um pouco da minha paciência que parecia ter evaporado pra tentar entender o que ele estava querendo dizer.
— Eu não estou bêbada, se é o que está pensando e sim, sei o que estou pedindo. — Acabei cruzando os braços.
— Não, não sabe. — Daryl se levantou e eu pude ver perfeitamente o volume na calça, o que me deixou ainda mais confusa com a recusa dele.
— Isso é tipo cinquenta tons de Dixon? E isso? — Perguntei enquanto ele andava de um lado para o outro.
Sim, aquela foi a primeira coisa que eu pensei, era um motivo plausível pra ele me afastar em uma hora daquelas, não era?
— O que? — A cara dele deixou bem claro que Daryl não sabia nada sobre cinquenta tons.
— BDSM... — Expliquei e ele levou dois ou três segundos pra entender, como se estivesse tentando decifrar o termo.
— Como? Não! Que tipo de cara acha que eu sou? — A cara de ofendido dele foi quase cômica, mas eu estava brava então isso acabou me irritando mais.
— O tipo de cara que acabou de me dispensar, pela segunda vez. — Levantei e bati levemente o pé no chão de impaciência.
— Eu não te dispensei, eu só...
— Deixa. — Interrompi, erguendo a mão.
Simplesmente subi as escadas, só queria pegar a mochila no quarto, tirar aquele vestido idiota e dar o fora dali. Na verdade, eu nem sabia ao certo porque estava tão brava. Vai ver eu não estava brava, eu estava frustrada por ter sido dispensada, Daryl tinha jogado um balde de água fria no meu tesão, justo quando eu tinha certeza absoluta do que eu queria. De quem eu queria.
Não tinha a ver com o lugar, ou com o fato do mundo estar acabado. Antes eu queria programar tudo, preparar cada detalhe para que a minha primeira vez fosse perfeita, e parecia nunca estar, mesmo no dia do meu aniversário eu não tinha certeza, eu não achava que estava perfeito o bastante.
E então enquanto Daryl me beijava naquele sofá entendi que nunca esteve perfeito o bastante porque eu nunca tinha conhecido a pessoa certa, isso até o Daryl. E com ele qualquer lugar seria perfeito.
Então acho que sim, eu tinha todo o direito de estar puta da vida com ele. Provavelmente passaria depois e então eu ouviria os motivos dele com calma e os entenderia. Percebi que não deixaria de amá-lo por causa daquilo, e percebi também que podia amar e sentir raiva dele ao mesmo tempo. Era um saco.
Finalmente achei a droga de mochila no quarto de casal. Podia ouvir Daryl subindo atrás de mim, ou seja, tirar o vestido teria que ficar pra outra hora se eu quisesse mesmo sair dali. Joguei a mochila nas costas no mesmo instante em que ele parou na porta.
— Então agora você está indo? — Encostou no batente e me irritou mais ainda que ele parecesse tão calmo.
Eu podia lidar com o Daryl explosivo, com o que anda de um lado pro outro e xinga, mas o Daryl calmo me olhando daquele jeito tão compassivo me irritava profundamente.
— Estou. — Silabei e tentei passar quando ele colocou a mão atravessada no caminho.
— Posso explicar?
— Outro dia. Quem sabe quando você me rejeitar de novo, dizem que a terceira vez dá sorte. — Ironizei e acabei me dando conta que eu estava bancando a adolescente infantil e descontrolada. Eu não era mais assim. Não mais.
Larguei a mochila no chão e cruzei os braços encarando Daryl, ainda puta, mas tentando manter o controle.
— Eu não estou rejeitando você. É só que... Eu não quero que você pense que eu estou te pressionando, ou apressando as coisas...
— Ah qual é Daryl eu estava por cima. — Retruquei, sem me controlar.
Ele me fitou por um minuto e suspirou.
— Eu sei que você nunca fez isso antes... — Revelou, desviando os olhos.
Tentei puxar na memória se eu tinha contado, mas tinha certeza que não.
— Quem foi que...?
— Ninguém, eu só sei. — Deu de ombros tirando o braço do meu caminho. — Eu não queria que fosse uma coisa em vão pra você, e ao mesmo tempo eu não sei se eu sou o cara que... Eu não sou bom nessas coisas, já disse... Eu não quero machucar você, mas eu sou um caipira grosseirão... E não sei se vou conseguir...
— Ah tá... É o lance de "eu não faço amor, eu fodo com força" — Encostei na cômoda na frente dele, enquanto apreciava a cara de espanto por causa da minha frase.
Não dava pra negar que era muito fofo a preocupação dele, mas um tanto desnecessária, eu era virgem, mas não era nenhum santa puritana.
Contudo devia ser algo mais... Essa preocupação com a primeira vez, o modo como ele me olhava... Foi então que lembrei de uma conversa que tivemos antes de chegar em Alexandria, Daryl disse que Merle tinha pago a primeira mulher dele.
Uma imagem de um Daryl muito novo, sendo forçado pelo irmão nada sutil a ter sua primeira vez com uma prostituta muito mais velha invadiu minha mente. Então eu entendi: O problema não era só a minha primeira vez ser traumática, o problema era que a primeira vez dele tinha sido traumática e ele não queria o mesmo pra mim...
— É de um livro. — Expliquei, quando vi que ele ainda estava um tanto chocado e que estávamos em silêncio tempo demais.
— Que tipo de livro é esse?
— Pra você ver que eu não sou uma virgem tão pura assim. — Brinquei, dando de ombros.
Olhei pra ele por mais um tempo. Eu deveria perguntar? Ou era um assunto pessoal demais?
— Mas e você? Já teve muitas mulheres? — Tentei puxar assunto e simplesmente me joguei na cama como se não fosse nada.
Daryl ficou ali parado no mesmo lugar me olhando como se estivesse admirando alguma coisa.
— Não mulheres como você. — Respondeu e eu não pude evitar sorrir.
— Ah sei, conta outra...
Eu estava praticamente deitada, apoiada em todos aqueles travesseiros então ele se aproximou e se sentou na cama, próximo aos meus pés.
— Sério. — Afirmou e eu soube que era verdade. — Eu disse que não sou muito de namorar. Era só sexo às vezes.
— Então Daryl Dixon é um homem de sexo casual?
— Não é assim, eu não...
— Eu não estou te julgando Daryl, eu não me importo com quem você era ou com o que fazia antes. Eu só estou conversando com você. Mas se não quiser falar, tudo bem. — O interrompi muito calma.
Ele ficou calado e eu não quis insistir. Não dava pra forçar uma pessoa a confiar em você o suficiente pra contar certas coisas. Deixei a cabeça afundar nos incontáveis travesseiros e fechei os olhos, a raiva tinha ido embora e eu comecei a me sentir ridícula pela cena de antes.
— Desculpe pela cena, eu acho que eu sou essa dramática descontrolada mesmo, sou um caso perdido. Mas eu juro que por baixo de todo esse desgraçamento da cabeça tem um coração de mocinha. — Era uma piada, mas era uma piada muito sincera.
Ouvi Daryl rir. Eu já o tinha visto rir, mas nunca tinha escutado. Aquela risada de menos de um segundo foi suficiente pra eu saber que eu já amava aquele som. Queria poder ouvir aquilo a cada minuto do meu dia.
— Eu não era muito popular com as mulheres, nunca fui. — Começou baixo. — O sobrenome Dixon não era muito bem visto, acho que nos viam como uma doença ou sei lá. Então quando eu acabava me envolvendo com uma mulher era coisa de uma noite, porque elas nunca queriam ser vistas comigo pela manhã. Seria uma vergonha.
Eu entendi muito sobre Daryl naquele pequeno relato. Eu sempre imaginei Daryl com problemas de assumir relacionamentos, mas a verdade é que as pessoas não assumiam relacionamentos com ele. Daryl era, para aquelas mulheres, a diversão de uma noite e depois o descartavam como lixo. Isso me deu um ódio incontrolável.
— Vadias burras. — Murmurei indignada, sem conter meu palavreado ofensivo.
— Na verdade eram espertas. Eu não sou um cara de dias seguintes, eu não sou o cara que as pessoas levam pra conhecer a família e muito menos o cara cuja a família as garotas querem conhecer. Me pai era um escroto, ele era uma versão dez vezes pior do Ed e todo mundo sabia, não dava pra culpar as mulheres por caírem fora no dia seguinte. — Terminou ainda mais baixo.
— Então é isso que você pensa de mim? — Me sentei pra encará-lo.
Daryl negou levemente, mas nos seus olhos eu vi que sim, era esse o problema. Em alguma parte profunda de sua mente, ele achava que eu transaria com ele e no dia seguinte não ia olhar mais na sua cara.
Aquilo partiu meu coração, não por ele achar uma coisa daquelas de mim, mas por ele ter sofrido algo assim tantas e tantas vezes. Não era justo...
— Eu te amo e não importa quando a gente ficar junto pra valer, fazer amor, sexo ou foder forte, eu ainda vou estar aqui no dia seguinte, e no outro, e no outro, e em todos os outros, enquanto você me quiser e enquanto eu estiver viva. Eu prometo. — Falei, olhando nos olhos dele, com toda a sinceridade que eu tinha.
Daryl engoliu em seco, vi seus olhos marejarem antes dele piscar três vezes, e então abrir a boca, mas fechá-la novamente sem dizer nada.
— Agora vem dormir. — Puxei as cobertas. — Tá tarde e se chegarmos em casa agora você vai acabar dormindo na sala pra não acordar o Rick e não vai descansar nada pra amanhã.
Vi ele olhar de mim para a cama tentando entender o meu convite e sorri.
— Eu disse dormir, e só isso.
Daryl se arrastou pela cama pra deitar e eu levantei.
— Você vai...?
— Apagar as luzes. — Completei.
Dois minutos depois eu estava de volta. Daryl tentava se entender com as pilhas de travesseiro e eu não consegui imaginar uma só pessoa que tivesse coragem de deixar um homem daqueles.
Me deitei ao lado dele e o observei por um momento. Então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, simplesmente me aproximei e como um gato me enrolei nele, pernas entrelaçadas e minha cabeça no seu peito. O abracei encontrando a pele exposta onde a camiseta levantou e fiquei passando o polegar pelo osso do quadril dele, ouvindo seu coração bater disparado.
Eu não me importaria em ficar com ele daquele jeito todas as noites.
— Está com sono? — Sussurrou com a voz levemente embargada.
— Não. — Apoiei o queixo em seu peito para fita-lo. — Você?
Daryl negou e simplesmente continuamos nos olhando por um tempo na penumbra do quarto.
Aquele foi o momento em que eu soube que o conhecia mais que qualquer pessoa no universo. O Daryl Dixon de verdade, o que estava por trás de todas as barreiras, era muito mais que qualquer tipo de intimidade física. Eu podia ver tudo que ele era, claro como água cristalina.
Não sei se foi ele quem se moveu primeiro, ou se fui eu, talvez tenhamos nos movido juntos, um pensamento compartilhado que resulta na mesma ação.
Como algum tipo de dança sincronizada nos movemos ao mesmo tempo, o corpo dele rolando sobre o meu, os olhos um no outro.
— Se você não quiser...
— Eu quero. — Respondi antes dele terminar a pergunta. — Se você não...
— Eu quero. — Repetiu minha resposta.
Então ele me beijou, ou eu o beijei. Não importa. Aquele era com certeza o beijo mais sensual que eu já havia compartilhado. Talvez fosse a forma lenta como a língua dele acariciava a minha, ou a barba rala arranhando meus lábios.
Era como se o ar estivesse mais denso e o ambiente um pouco etéreo, como se eu estivesse flutuando em algum tipo de nuvem.
Daryl estava quente, senti a pele dele na ponta dos meus dedos quando os infiltrei na sua camiseta, levantando a peça conforme eu subia a mão por suas costas. Tivemos que cessar um pouco o beijo pra podermos nos livrar dela. Foi quando me olhou tão profundamente que eu ofeguei.
Joguei a peça branca em um lugar qualquer, enquanto Daryl tocava minha clavícula com os lábios, descendo pelo decote do vestido para o vale entre os meus seios.
Afundei os dedos nos seus fios castanho-claro, enquanto apreciava o movimento de todos os músculos de seu ombro e costas, perfeitamente delineados pela luz da lua que se infiltrava pelas cortinas.
Tocou meu seio por cima do tecido e provou o gosto da pele que o vestido deixava exposta. Meu corpo todo respondeu a isso se jogando contra ele, fazendo-o se encaixar entre minhas pernas e me possibilitando senti-lo por inteiro sob o moletom. Duro e viril.
Ouvi meu próprio gemido se espalhar pelo quarto quando Daryl me puxou pela cintura forçado um corpo contra o outro de novo. Eu já podia sentir minha própria umidade, e o pulsar constante no meu baixo ventre.
Os lábios de Daryl cobriram os meus novamente, enquanto suas mãos adentravam o meu vestido, subindo pelo meu corpo, arrepiando minha pele. Quadril, cintura, barriga, abdômen, ele finalmente chegou nos seios, e senti todas as minhas terminações nervosas entraram em colapso quando tocou os bicos intumescidos.
Era como ir a loucura, mas ao mesmo tempo estar perfeitamente sã, totalmente consciente de cada átomo da pele dele que tocava a minha.
Daryl parou novamente o beijo, tirou o peso de mim por um instante enquanto puxava meu vestido e o arrancava. Prendeu meus braços pra cima com o tecido e me olhou de uma forma que me fez corar totalmente.
— Você é tão linda... — A voz dele estava tão rouca que eu mal ouvi, mas algo em seu timbre e no desejo explícito em seus olhos me fizeram arrepiar por inteiro.
Senti sua mão deslizar pela lateral do meu corpo, enquanto ele tomava minha boca novamente e libertava meus braços do vestido, jogando-o em algum lugar do chão.
Nossas peles se tocaram e percebi o quando ele estava quente. Era como se os lábios de Daryl fossem fogo, beijando minha pele, descendo pelo pescoço e continuando por algum caminho imaginário que me percorria toda. Era como se estivesse me marcando.
A língua dele tocou minha barriga e eu mordi os lábios pra reprimir um gemido. Era como tortura. O melhor tipo de tortura.
O puxei de volta, eu o queria perto, queria cada beijo. Sorvi seus lábios como quem prova um doce. Nossos corpos se chocaram de novo, como se necessitassem um do outro assim como um peixe necessita de água.
Daryl desceu a mão pela minha virilha e eu parei de tentar reprimir qualquer som. Deslizou pela minha intimidade facilmente e todo meu corpo tremeu de pura excitação.
O nome dele escapou da minha garganta em forma de súplica. Eu o queria. O desejava desesperadamente, mais do que desejaria água se estivesse no meio do deserto. Implorei como um viciado imploraria.
Senti o peso dele abandonar meu corpo e tive que abrir os olhos pra vê-lo pairando sobre mim, apoiado nos cotovelos.
Eu nunca o tinha visto tão lindo, selvagem e viril. Havia algo quase hipnótico em cada traço dele. Daryl estava travando uma batalha interna, eu via isso no vinco entre as sobrancelhas. A respiração irregular tentando ser controlada a todo custo.
Eu tentei trazê-lo de volta. Não queria que ficássemos separados. Todos os meus poros tinham necessidade dele.
— Não temos... proteção. — Daryl ofegou como se o simples ato de respirar fosse indescritivelmente difícil.
Eu me perdi na voz rouca e no sotaque e levei um tempo pra entender o significado das palavras. Os sons ficaram reverberando na minha mente até que eu finalmente processei a frase.
Joguei a cabeça para o lado e ri enquanto mordia o osso central do dedo indicador. Eu nunca teria pensado em proteção naquela hora. Na verdade, eu não conseguia pensar em nada.
Mas isso não significava que eu não tivesse pensado nisso antes. Apenas apontei a mochila caída bem ao lado da cama.
Daryl seguiu meus movimentos com adoração quase absurda e então focou os olhos nos meus lábios, me trouxe pra perto novamente, me beijando com desespero como se fosse incapaz de ficar longe. Forçou o corpo contra o meu quase violentamente e eu pude sentir perfeitamente sua ereção separada de mim pelo moletom.
Libertou meus lábios e se arrastou um pouco na cama pra alcançar a mochila. Acabei me movendo também, ainda sob ele, me entretendo com seu pescoço exposto.
Ouvi quando ele encontrou o pacote, o barulho do plástico laminado ecoando no meu ouvido direito.
Escorreguei minha mão pelo corpo de Daryl, sentindo cada músculo reagir ao meu toque, explorando cada parte. Encontrei o cós do moletom e infiltrei minha mão ali. Ele não usava cueca e presumi que era porque não havia encontrado uma. Toquei seu membro muito devagar, sentindo a maciez rígida escorregar pela minha palma, constatando que eu mal conseguia segurá-lo com uma mão só e sentindo meu corpo todo responder a isso.
Daryl escondeu a cabeça no meu ombro, eu podia ouvir cada som que ele emitia enquanto eu o acariciava. Me puxou com ele quando capturou meus lábios, não parou de me beijar um só momento enquanto nos colocávamos de pé e eu não deixei de acariciá-lo também. Eu o sentia pulsando entre os meus dedos e aquilo me causava uma intensa sensação de poder. Ele estava daquele jeito por minha causa e todo o meu corpo se contraia em expectativa.
Fiz o moletom escorregar pelas pernas dele ao mesmo tempo em que ele fazia o mesmo com a minha calcinha. Não havia mais nada entre nós. Meu coração batia tão depressa que eu tinha certeza que qualquer pessoa seria capaz de ouvir.
Escutei o pacote ser aberto e senti as mãos de Daryl nas minhas enquanto seus lábios se mantinham nos meus. Nossos dedos deslizavam juntos fazendo o preservativo se moldar a ele.
Fui empurrada sutilmente de volta a cama, me segurando nos ombros de Daryl conforme ele me deitava muito lentamente, quase como se me carregasse.
Nossos sexos se tocaram pela primeira vez, quando o peso dele cedeu sobre o meu e foi só então que nossos lábios se afastaram.
Nossas íris se encontraram na penumbra. Uma das mãos na minha cintura e ele pulsando na minha entrada. Minha respiração estava pesada, meus seios tocando o peitoral dele conforme eu respirava. A mão quente e áspera deslizou em direção a minha coxa e me arrumou melhor. Os olhos azuis faiscaram e eu mordi o lábio assentindo em movimentos rápidos e curtos. Eu sabia que aquilo era um pedido e eu cedi, implorando por ele mentalmente
Eu estava esperando pela dor e estava pronta para a dor, afinal devia ser um tanto normal, mas quando ele finalmente me penetrou, muito lentamente, escorregando pra dentro de mim e me fazendo me adaptar a ele, rompendo minhas barreiras e me tornando totalmente dele, não foi o que eu senti. Quero dizer, eu já tinha sentido dor na vida, muita dor de todas as diferentes formas, emocionais e físicas. Mas aquela sensação não era nada parecida com toda a dor que eu já sentira.
Todo o meu interior latejava. Um gemido se espalhou pelo quarto. Eu estava plenamente consciente do quanto ele me preenchia, do quanto me completava, pulsava dentro de mim mesmo que estivesse parado. Ele estava esperando por mim, acariciando meu rosto enquanto distribuía beijos pela minha face.
Eu mantive os lábios de Daryl cativos nos meus, deslizei minha língua pra dentro deles, exatamente como ele tinha deslizado pra dentro de mim. Conforme o beijo foi se tornando mais físico nossos corpos começaram a se mover um de encontro ao outro e eu o sentia me penetrar no mesmo ritmo.
Era como se tivéssemos ensaiado uma coreografia, perfeitamente unidos em cada movimento. Cada parte de nós se misturando, nossos suores se tornando um só.
Senti que ele perdia o controle aos poucos, me levando junto, ditando a velocidade, me segurando de forma doloridamente prazerosa, tomando meu corpo cada vez mais brusco, cada vez mais fundo.
Eu era dele. Totalmente dele. E eu sabia que ele era meu também. Sabia pela forma como seus lábios buscavam os meus. Sabia pela forma como suas mãos me tocavam. Sabia pela forma como os olhos dele me admiravam. Daryl Dixon era meu, mais do que já fora de qualquer outra pessoa no mundo.
Meu corpo todo estava se preparando pra algo grandioso, como quando estamos na ponta de um precipício prestes a pular. Eu estava esperando a queda, ansiando a queda.
— Vem comigo. — Daryl murmurou no meu ouvido.
Eu não sabia se era um pedido ou uma ordem, mas meu corpo todo obedeceu. Todas as minhas fibras se contrariam, entraram em choque, era como se meu corpo todo estivesse em queda livre, como se tudo ao meu redor se desfizesse e eu me tornasse o centro do mundo, era como atingir o céu de forma plena e todas as reações de Daryl deixavam claro que ele tinha vivido as mesmas sensações que eu.
Ainda nos mantivemos em movimento, cada vez mais devagar, desfrutando dos reflexos do clímax. As respirações sincronizadas, as testas coladas.
Eu tinha nascido pra ser daquele homem e não tinha dúvida nenhuma sobre aquilo. Nossos corpos tinham sido moldados pra se encaixarem, nossas almas criadas pra se encontrarem. Eu sempre pertenci a Daryl Dixon e ele sempre pertenceu a mim. Nós apenas não tínhamos ideia disso antes.
— Eu te amo. — Foi a primeira coisa que eu quis dizer quando minha respiração se acalmou.
Porque afinal, era a mais pura verdade...
Fale com o autor