Origins
40 Despedida
Daryl Dixon
Alexandria
Eu estava desperto, mas meus olhos ainda estavam fechados, aquele momento entre e final do sono e o acordar de fato, quando tudo é um tanto etéreo. Levei um segundo pra me localizar e a superfície extremamente macia sob mim me lembrou onde eu estava: Uma cama. Fazia um longo tempo que eu não dormia em uma, e com certeza, nunca tinha dormido em uma daquele jeito.
As lembranças da noite anterior vieram em flashes, junto com elas a percepção do meu próprio corpo, eu ainda estava nu sob as cobertas. Estava leve e relaxado. Acabei sorrindo como o idiota que eu era.
Só então abri os olhos, ainda não tinha amanhecido de fato, mas o Sol vinha aparecendo no horizonte, como se viesse trazendo a realidade. E quando olhei para o lado percebi que a realidade sempre seria dolorosa. Eu estava sozinho, um grande espaço vazio do meu lado.
O sorriso sumiu e tudo que ficou foi a frustração, Charlotte tinha prometido, ela tinha dito que me amava, era tudo mentira... A culpa de não ter respondido a cada "eu te amo" dela foi embora e trouxe outro tipo de culpa: talvez eu só não tivesse sido bom o suficiente, ela se decepcionou e se foi. Não era nenhuma surpresa.
Me sentei na maldita cama cheia de travesseiros e senti vontade de esmurrar minha própria cara. Eu tinha me perdido nela de todas as formas, me embriaguei naquele corpo e então acordei sozinho... Percebi que o problema nunca tinha sido as mulheres que passaram pela minha vida, o problema sempre fora eu.
Foi nesse instante que a porta do quarto se abriu e Charlotte passou por ela equilibrando uma bandeja. Levei alguns segundos pra processar a cena, ela usava minha camiseta branca do dia anterior e nada mais, o cabelo estava preso pra cima, e ela parecia feliz, era como se irradiasse luz.
— Era para o senhor estar dormindo. Isso não é justo. Era pra ser uma surpresa. — Resmungou fazendo um bico adorável, enquanto se aproximava da cama e apoiava a bandeja ali. Era café da manhã. — É pizza, espero que goste dela fria, porque eu adoro. Achei café no armário, eu ia em casa buscar alguma coisa, mas fiquei com preguiça. Então voilá. Bom dia!
Eu ainda estava em estado de choque, ela não tinha ido embora, tinha apenas decido pra fazer café...
Café pra mim e na cama, vestindo nada mais que a minha camiseta.
— Com fome? — Perguntou segundos antes de me beijar e fazer seu hálito de pasta de hortelã invadir minha boca.
— Não devia me beijar, eu não escovei os dentes ainda. — Foi tudo que consegui dizer.
Como resposta Charlotte simplesmente me beijou mais três vezes. Ela parecia feliz, leve, os olhos brilhavam e não tinha deixado de sorrir por um só momento. Estava totalmente à vontade ali sentada do meu lado comendo um pedaço de pizza fria.
E de alguma forma aquilo significou muito pra mim, isto é, a noite anterior tinha sido como ir ao céu e voltar, mas amanhecer com Charlotte ali bem do meu lado, compartilhar café na cama com ela e vê-la sorrir sem nenhuma razão aparente, era como, de fato, viver no paraíso. Decidi dar um tempo nas minhas neuras e antigos traumas e simplesmente disfrutar daquele momento. Ela não tinha me abandonado, ela não faria isso. Eu tinha que confiar um pouco mais.
— Como você está? — Perguntei, medindo cada uma das expressões de Charlotte.
— Estou ótima. — Disse, e as bochechas coraram.
— Eu te machuquei?
Charlotte ergueu uma sobrancelha um tanto incrédula.
— Se aquilo foi você me machucando, então eu quero que você me machuque, muito, muito mesmo. — Respondeu com um sorriso travesso e mordeu o lábio. A mulher mais sexy com quem eu estivera na vida.
— Isso é muito tentador. — Insinuei, revivendo as sensações da noite passada.
Ela me encarou com cobiça e meu corpo todo reagiu aquilo. Me senti desconfortável por estar nu.
— Sabe qual é a pior parte? — Se jogou entre os travesseiros e tudo que eu consegui fazer foi focar no seu corpo se movendo na cama. — Alex estava certo. Já devíamos ter feito isso. Perdemos tempo, eu podia ser uma expert agora e você já teria me ensinado vários truques.
Foi impossível não rir do modo como ela falava.
— Que tipo de truque acha que eu teria te ensinado?
— Não sei... Que tipo de truque você vai me ensinar agora?
O modo como ela falou aquilo e mordeu o lábio depois, tombando a cabeça um pouco para o lado, me fez pensar muitas coisas, nenhuma delas decente. Como eu tinha vivido tanto tempo sem aquela mulher?
— Veremos... — Fui tudo que eu consegui dizer pra não me afogar naqueles pensamentos inebriantes.
Terminamos de comer, enquanto eu mudava o assunto para a missão que faria com Aaron em poucas horas. Não seria uma coisa demorada, mesmo assim Charlotte não parecia à vontade com aquilo. Pra dizer a verdade, nem mesmo eu estava completamente à vontade.
Quando terminamos Charlotte desceu com as coisas e eu disse que tomaria uma chuveirada.
Pensei em convidá-la, mas não o fiz. Talvez por algum pudor ridículo que eu ainda tivesse, ou pelo simples fato de não querer que ela se sentisse obrigada a ir.
Mesmo assim fiquei esperando que ela viesse, coisa que não aconteceu. Soube que ela estava respeitando o meu espaço, mas não sabia bem se queria que ele fosse respeitado.
Quando saí do banho, enrolado em uma toalha, minhas coisas estavam no quarto. Presumi que Charlotte tivesse ido em casa pegar tudo aquilo e me senti estranho por ser cuidado daquela forma.
Desci as escadas já pronto, e ela estava sentada no sofá, o queixo apoiado no braço que repulsava no encosto. Vestia uma daquelas calças que grudava no corpo e ainda mantinha minha camiseta.
— Obrigado. — Apontei minha própria roupa. Charlotte assentiu com um sorriso. — Então já estavam todos acordados?
— Só o Rick. — Deu de ombros.
Fiquei pensando na reação dele ao ver a Charlotte aparecendo em casa àquela hora da manhã e procurando por roupas minhas.
— Ele não perguntou nada? — Indaguei por impulso.
— Ele sabe. Desde ontem, digamos que eu não sou de fazer pizza por nada. Eu não confirmei, mas também não neguei. Desculpe... — Respondeu apreensiva.
Percebi que ela estava preocupada com a minha reação. Eu ainda não tinha pensado sobre como agiria na frente das pessoas, principalmente com Rick. Mas ele acabaria sabendo... Mesmo que eu sequer tivesse pensado nisso.
Me sentei ao lado dela no sofá, queria perguntar qual tinha sido a reação dele, mas a verdade é que preferi não saber.
— Não tem que me pedir desculpas por nada. — Toquei seu rosto e ela se aconchegou na minha mão fechando os olhos.
A trouxe pra perto suavemente e tomei seus lábios. Era um beijo doce e ao mesmo tempo amargo. Era uma despedida, eu sabia e Charlotte também...
➷•➷•➷•➷•➷
Fui direto para o Aaron, ele já estava com tudo praticamente pronto e isso significava que partiríamos logo.
Me senti estranho. Há menos de dois dias tudo que eu queria era deixar aqueles muros, sair de Alexandria sem me importar com o momento de voltar e de repente tudo tinha mudado, eu não me importaria de ficar.
Logo eu que nunca quis ser cativo de nada, me encontrava totalmente cativo daquela garota de olhos cor de caramelo. E o mais irônico de tudo é que eu me sentia extremamente bem.
Dei uma última olhada na moto e aproveitei para checar também o carro que Aaron usaria, foi quando Carol chegou trazendo minhas coisas.
— Nunca vi você sair e deixar a crossbow. — Comentou, me estendendo a arma e uma mochila. — Também não te vi em casa hoje.
— Eu não estava lá. — Respondi, arrumando as flechas e dando uma olhada no conteúdo da mochila.
Carol sorriu como se tivesse entendido tudo, tocou meu ombro amigavelmente e se afastou em direção a Aaron, retomando seu papel de "vizinha prestativa" e falando dos sanduiches que tinha colocado na mochila. Não dava pra negar que aquela habilidade dela com encenação assustava até a mim...
Olhando em um dos bolsos encontrei a faca de caça com minhas iniciais no cabo de madeira. Foi impossível não lembrar de Charlotte, não que eu realmente tivesse parado de pensar nela em algum momento.
Ergui a cabeça e encontrei Eric me encarando meio sem jeito.
— Eu só queria dizer que... É que o Aaron tem essa mania de ficar se colocando em perigo e... Ah sei lá, se ele fizer algo estúpido, será que você podia só cuidar dele, sabe?
Assenti daquele meu jeito meio grosseiro, mas Eric me fez ver que: ficar podia ser ainda mais difícil do que partir.
— Ele vai voltar são e salvo, prometo. — Acabei falando em voz alta antes do loiro se afastar de vez.
— Obrigado.
Levamos os veículos até os portões e Rick apareceu em seguida, usava aquela roupa de policial que combinava muito com ele e ao mesmo tempo já não combinava em nada. Ele não era mais o xerife que eu conheci na pedreira, mas ainda tinha aquela postura. Eu confiava nele, talvez não concordasse com tudo, mas confiava nele mais do que já tinha confiado em qualquer pessoa.
— Está confortável com isso? — Perguntou, se aproximando com as mãos na cintura.
Só aquilo já deixou claro que Rick não estava confortável com nada daquilo.
— Vamos só dar uma volta pela região, vou ver como Aaron trabalha. — Expliquei. — Voltamos hoje à noite, ou no mais tardar, amanhã cedo.
Ele assentiu, mas ainda tinha aquele vinco entre as sobrancelhas. Chegou a dar um passo pra trás como se a conversa estivesse encerrada, mas voltou.
— A Char está preocupada com você. — Revelou com cautela.
— Ela disse isso?
Eu ainda não sabia o que Rick pensava sobre mim e a Charlotte. E aquela era uma situação um tanto bizarra. Mil coisas passaram pela minha cabeça: O que eu faria se ele mandasse eu me afastar?
— Não. — Negou sério.
Ficamos em silêncio. Eu não sabia se ele esperava que eu dissesse algo. Talvez falar dos meus interesses.
— Eu ia te contar... — Tentei começar, mas aquilo soou muito ridículo. Claro que eu nunca ia contar para o Rick.
— Daryl... — Colocou a mão no meu ombro e senti seu aperto firme. — Eu já disse isso, você é meu irmão. Eu pensava que era o Alex, mas quando a Charlotte disse que não era, eu fiquei feliz. Não que eu não goste do Alex, mas eu sempre quis que fosse você. Não conheço ninguém melhor e mais digno. Eu não estou julgando você, ou cobrando ou nada. Eu só estou dizendo que ela está preocupada e eu sei disso porque a conheço desde sempre.
Engoli em seco, assenti, abaixei a cabeça. Rick nunca tinha problemas em falar nada, era sempre direto e eu nunca estava preparado para essa parte dele... Essa parte que me via tão digno e honrado e que depositava em mim uma confiança que não tinha tamanho.
— Quando a Char era mais nova e eu e Shane entramos na polícia, ela ficou muito feliz por nós, mas nos primeiros meses, quando eu chegava pra buscar o Shane, ela estava sempre sentada no tapete com as pernas cruzas e uma xícara de chá na mão, repedindo entre cada gole "vai ficar tudo bem". Ela nunca foi uma garota religiosa, mas aquela era a versão dela de uma prece. Eu sei que a Charlotte está preocupada, pois, nesse momento, ela está lá em casa fazendo exatamente a mesma coisa. — Contou com um meio sorriso que era um misto de nostalgia e preocupação.
Então era por isso que Charlotte não tinha aparecido por lá até aquele momento.
— Vai ficar tudo bem. — Foi só o que consegui dizer, e percebi que aquilo realmente parecia uma prece.
— Se cuida. — Rick me deu um tapa amigável nas costas antes de se afastar.
Mais alguns do nosso grupo apareceram pra se despedir. Aaron já estava pronto, mas eu continuava arrumando desculpas que atrasassem a nossa saída.
Eu não queria partir sem ver Charlotte, e não entendi porque ela não vinha se despedir como os outros.
Estava com a tampa do capô aberta olhando peças que eu já tinha revisado, Aaron não parecia incomodado com as minhas desculpas, aceitando tudo como se fosse natural. Desconfiei que ele soubesse o motivo da minha recusa em partir, mas eu estava apreensivo demais pra me preocupar com isso.
Talvez ela não viesse, isso é, tudo bem se ela não aparecesse, não é? Afinal era como se já tivéssemos nos despedido, Charlotte não aparecer não significava que ela tinha se arrependido. Ou significava?
Avistei Alex descendo a rua e quase suspirei aliviado, se ele estava vindo, Charlotte também devia estar. Contudo ela não estava com ele.
Abaixei a cabeça para olhar o motor novamente, muito mais irritado do que eu realmente gostaria de estar.
Alex parou exatamente do meu lado, encostou no carro com as mãos no bolso, e, mesmo que não olhasse, eu podia sentir o sorriso cretino dele.
— E aí está você, ganha a garota e no dia seguinte já está correndo em direção ao perigo, como um viciado corre atrás de pó. Sinto dizer cara, mas você tem uma síndrome de herói ferrada. — Ele comentou em um misto de casualidade e deboche.
— Não sou porcaria de herói nenhum, eu faço o que eu tenho que fazer. Pelo que eu saiba eu não entrei em exército nenhum pra proteger o país, isso sim é coisa de herói. — Retruquei mais grosso do que realmente queria, mas Alex não pareceu dar a mínima para o meu tom.
— Eu não entrei no exército pra ser um herói, entrei pra provar para um pai homofóbico que um cara gay pode fazer exatamente as mesmas coisas que um hétero. Não foi um ato heroico, foi um ato de puro desafio. Digamos que eu aprendi muito cedo que ninguém faz bullyng com alguém que pode quebrar um nariz com um soco. E se quer saber, tem muito mais homossexuais no exército do que eu imaginava, ou "héteros curiosos", se é que me entende... Bons tempos. — Comentou muito casualmente. Alex era bizarro às vezes, mas no fundo eu admirava aquele jeito de enfrentar a vida.
— Não. Eu não entendo. — Deixei claro e ele simplesmente riu.
— Mas você, Daryl Dixon, você é uma versão mais bruta e menos sociável de um Robin Hood apocalíptico. Sempre disposto a arriscar a vida pelos amigos, munido de flechas, músculos e um belo sotaque sulista. — Ele enumerou como quem declama um poema.
O encarei por um momento franzindo as sobrancelhas, eu não sabia se aquilo era algum tipo de cantada, mas eu estava muito confuso naquele instante.
— Você tem alguma coisa que realmente faça sentido pra me dizer? — Perguntei de uma vez.
— Claro, eu não estaria aqui se não tivesse. — Revirou os olhos como se aquilo fosse bem óbvio. — Não banque o herói, não morra lá fora, não seja mordido, baleado, nocauteado ou sequestrado. Minha melhor amiga agradeceria. E em troca eu a mantenho na linha até você voltar, isso é, a mantenho longe de qualquer situação estúpida que possa acabar com ela morta, mordida, baleada, nocauteada ou sequestrada. Você fica inteiro e eu a mantenho inteira até você voltar.
— Parece um ótimo trato. — Respondi meio sem-jeito.
Alex desencostou do carro e me estendeu a mão, olhei pra palma dele por um segundo e me lembrei de quando nos conhecemos e eu simplesmente não segurei a mão dele. Não fiz o mesmo, aceitando o aperto de bom grado dessa vez.
— Então temos um acordo. Boa sorte. — Ele disse sério. — Parece que a pessoa que você estava esperando vem vindo aí.
Olhei na mesma direção que Alex e vi Charlotte descendo a rua, meu coração de um salto, o que era uma baita idiotice, mas eu não pude evitar me sentir plenamente bem.
Alex se afastou e Charlotte trocou um olhar com ele antes de se aproximar de mim.
— Parece que você e o Alex são bem amigos agora... — Comentou, parando exatamente onde ele estava antes.
— Ele não tem tanto desgraçamento da cabeça quanto eu pensei que ele tinha. — Dei de ombros usando um termo que a própria Charlotte usava o tempo todo.
— Ele tem, não se engane. — Ela riu. — Mas ele também é adorável e um ótimo amigo.
Nos olhamos por um tempo e ela suspirou. Fechei o capô e limpei as mãos na calça. Era hora.
— Então você já vai? — Apontou o carro.
— Já devíamos ter ido na verdade.
— E por que não foram? — Charlotte se aproximou um passo.
— Você sabe porquê...
Ela assentiu e fiquei preso nos olhos cor de caramelo como tantas vezes antes. Por que aquilo tinha que ser tão difícil?
E então ela me abraçou e eu travei, não porque não a queria ali, pois tudo que eu mais queria era tomá-la em meus braços e não mais largar. Mas tinha muita gente em volta e eu travei, fiquei totalmente sem saber o que fazer.
— Desculpa. — Pediu se afastando imediatamente.
Tentei consertar aquilo de alguma forma, contudo nada saiu dos meus lábios.
Charlotte baixou a cabeça e colocou uma mecha do cabelo castanho atrás da orelha. Ela tinha um sorriso triste nos lábios e eu me senti muito estúpido.
— Vamos então? — Aaron perguntou, talvez pela quarta vez, e eu assenti.
Observei enquanto ele simplesmente beijava Eric e subia no trailer, sem se preocupar com as pessoas que estavam em volta. Olhei pra Charlotte e meu coração afundou ainda mais.
— Tchau, Daryl. Fique em segurança, tá bom? — Ela abraçou o próprio corpo e deu outro passo pra trás.
Assenti me virando e seguindo pra moto, pensando eu como eu era covarde, em como eu tinha medo do que as pessoas pensavam.
Subi na moto e senti a faca de cabo de madeira no meu bolso. Rick caminhou para o portão e olhei pelo retrovisor, pensei que veria decepção nos olhos caramelo, mas eu só vi preocupação. Charlotte não se importava se eu a evitava na frente das pessoas, ela me entendia.
Eu não podia fazer aquilo com ela....
Foda-se.
Desci da moto e voltei até ela pisando firme. Não dei tempo pra ela dizer nada, não dei tempo nem pra que eu mesmo pensasse, apenas puxei seu rosto pra perto e a beijei. Ela me abraçou e eu percebi seu coração bater acelerado de encontro ao meu peito. Senti quando uma lágrima dela escorreu entre os nossos lábios e simplesmente sabia que tinha feito a coisa certa.
Me afastei um passo e Charlotte sorriu, um sorriso perfeito e brilhante e me dei conta que não seria mais capaz de viver sem aquela mulher.
Coloquei a mão no cinto tirando dele a faca de cabo de madeira e a estendendo pra que Charlotte pegasse. Me encarou surpresa por um instante, mas segurou a faca de caça. Eu não soltei por um segundo, e ela me encarou. Eu sabia que aquele era o momento.
— Eu te amo. — Falei enquanto soltava a faca.
Charlotte piscou duas vezes e seu queixo caiu. Sorri, ela estava sem reação, foi quando me virei e voltei pra moto.
Acenei com a cabeça pra que Rick abrisse o portão e ele sorriu pra mim. Olhei pelo retrovisor e Charlotte ainda estava parada no mesmo lugar.
Acelerei sabendo que partir era totalmente diferente quando tínhamos alguém pra quem voltar...
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