Notas iniciais
Cheguei!! Obrigada por todos que estão acompanhando, mesmo os fantasminhas, o importante é que estão lendo, mas se quiserem dar "oi" eu não mordo kkkkkkk Boa leitura.

Charlotte Walsh
Acampamento na Pedreira

Aquela noite seguiu fria, o acampamento quieto, dividido em grupos sentados em torno de fogueiras discretas. Apenas brasas, nada de chamas, essa era uma das precauções mais úteis do meu irmão.

Enquanto Rick, abraçado a sua família, contava sua jornada até ali e tentava explicar como tinha se sentido quando acordou no meio do caos, minha cabeça dava voltas. Eu tentava colocar todas as peças no lugar... Como as coisas seriam a partir dali?

Sempre achei que a Lori esqueceu o marido e embarcou em outra muito rápido, mas o que dizer do meu irmão que mentiu sobre a morte do melhor amigo e ainda se envolveu com a mulher dele? Respirei fundo e me obriguei a pensar em outra coisa...

Shane havia levantado pra dar uma bronca em Ed que cismava em deixar a fogueira alta. Ed era um machão ridículo na frente das mulheres, principalmente na frente da própria mulher, mas quando se tratava de outro cara ele perdia a pose rapidinho.

Meu irmão foi atencioso com Carol e Sophia por um momento, antes de se afastar e se sentar conosco novamente. Ele não era uma má pessoa... Era?

O assunto mudou para Merle Dixon. Aquela era outra coisa que vinha martelando na minha cabeça desde que o grupo havia voltado. Eles tinham deixado Merle pra trás... E eu sabia que Daryl não reagiria bem a isso.

Mesmo que o Dixon mais velho fosse um idiota preconceituoso e arrogante, não era nisso que o mais novo ia pensar. O sangue falaria mais alto.

Pensei o quanto essa frase poderia se encaixar na minha vida. Se Shane fizesse algo muito errado eu ficaria do lado dele? O sangue falaria mais alto para mim também? A pergunta deu um nó na minha cabeça e nas minhas emoções.

— Charlotte, querida, você está bem? — Ouvi Dale me chamar. — Parece um pouco enjoada.

Olhei para todos na roda e respirei fundo.

— Na verdade estou preocupada. Nada bom vai sair dessa conversa com Daryl Dixon. — Falei, negando algumas vezes.

A conversa acabou com T-Dog se levantando depois de confidenciar que deixou a porta do telhado trancada com corrente e cadeado.

Aos poucos todos foram se recolhendo e o acampamento ficou silencioso e escuro.

Eu não consegui dormir. Mesmo sabendo que nenhum daqueles acontecimentos tinha realmente a ver comigo, eu não conseguia relaxar. Seja por Shane ou por Daryl, meu coração estava apertado.

Saí da barraca e olhei ao redor. Shane estava de guarda em cima do trailer, a espingarda na mão, os olhos vidrados na barraca em que Lori dormia com Carl e Rick.

Caminhei até ele e subi no teto do trailer também.

— Não sabia que era seu turno essa noite. — Comentei, me sentando ao seu lado.

— Não era. — Ele respondeu simplesmente.

Ficamos alguns minutos em silêncio.

— O que acha que vai acontecer agora? — Perguntei, apontando a barraca com um movimento de cabeça.

— Eu fiz o que era necessário para nos manter vivos. — Ele comentou como se não tivesse ouvido minha pergunta.

— Não. Você fez o que era necessário para manter Lori e Carl vivos, para mantê-los com você. Se fosse só por nós dois você teria embarcado naquele helicóptero. — Retruquei neutra.

— Eles estavam em um momento ruim, o casamento já estava acabando. Ela não o amava mais. — Shane continuou, como se não estivéssemos mantendo a mesma conversa.

— Seja lá o que estivesse acontecendo antes, tudo mudou quando Rick atravessou o inverno por eles. Ela nunca vai largar o marido, Shane. — Tentei colocar um pouco de luz sobre suas ideias.

— Eu atravessei o inferno protegendo eles, Charlotte. Deve haver algum mérito nisso. — Falou olhando para mim pela primeira vez.

— E há, Rick será eternamente grato e talvez ela também seja, mas isso não quer dizer que ela vá largar o marido. Ela pensou que ele estava morto, você disse isso. — Respondi, sentindo um pouco de pena.

Meu irmão tinha se apaixonado pela mulher alheia e nada de bom poderia vir disso.

— Eu tentei ouvir o coração dele. Eu precisava tirá-los de lá, eles nunca iriam se houvesse esperança. — Shane devolveu mais decidido.

— Talvez devesse tê-los deixado lá. Manter distância teria sido o melhor pra você. — Dei de ombros.

Podia parecer cruel a primeira vista, mas era a única coisa que eu conseguia pensar naquele instante.

— Você não sabe do que está falando. — Aumentou um pouco o tom de voz, contrariado.

— Talvez não... Mas o que eu sei é que você está apaixonado por ela... — Levantei e dei dois passos para me afastar — De alguma forma bizarra e nada saudável, mas você está. E, se no mundo de antes isso já seria uma merda, no mundo de agora... Eu não sei...

Ele não falou mais nada e eu apenas desci do trailer e voltei para a barraca. Talvez fosse um caso perdido.

➷•➷•➷•➷•➷

A manhã seguinte chegou como todas as outras, o acampamento começava a despertar e a cuidar das atividades rotineiras, nada realmente empolgante na verdade.

Shane dormia na barraca e eu saí tentando não fazer barulho. Lavei o rosto com uma garrafinha de água e engoli um enlatado qualquer. Mas um mês daquela porcaria toda e eu realmente morreria de tédio.

— Bom dia. — Carl passou por mim com um sorriso grande no rosto.

— Você parece contente hoje. — Falei, bagunçando os cabelos dele.

— Eu estou. — Ele sorriu e em seguida correu até Sophia e os pequenos Morales, iniciando uma conversa sobre o pai dele e tudo que ele tinha feito pra chegar até a família.

Eu entendia a alegria, afinal não é todo dia que seu pai morto volta pra você. O meu nunca voltou... E ele nem estava morto.

Olhei Lori sentada preparando algo para as crianças comerem. O mesmo semblante de sempre. Era estranho ter vivido praticamente a vida toda perto dela e, mesmo assim, não conseguir simpatizar com a sua figura.

— Acho que eu vou lavar algumas roupas agora de manhã pra facilitar nosso trabalho de mais tarde, quer me dar aquelas roupas do seu marido? — Carol se aproximou dela e falou em seu tom de voz baixo e calmo de sempre.

— Claro. — Lori respondeu e eu percebi que até a voz dela me irritava. — Não pode pegar na barraca pra mim, Charlie? — Ela pediu vendo que eu estava por perto.

Pensei em retrucar, tanto o apelido quanto o pedido em si. Mas eu realmente não queria perder meu tempo com aquela mulher. Apenas assenti em concordância e segui para a barraca com Carol em meu encalço.

— Pensei que iríamos ao lago só mais tarde. — Comentei casualmente.

— É que eu quis ir agora também. — Ela deu um sorriso sem graça.

Eu senti que no fundo ela só queria aproveitar um segundo longe do marido idiota.

— Eu posso ir com você se quiser. — Me ofereci.

— Claro. — Carol respondeu antes que eu entrasse na barraca.

Rick dormia tranquilamente, tentei não fazer nenhum barulho para não acordá-lo. Ele ainda tinha as feições de sempre, calmas e amigáveis. Era o tipo de homem que inspirava confiança, eu não entendia bem o motivo, mas ele era.

Se minha antipatia com Lori era automática, minha simpatia por seu marido era natural, sempre o vi como parte da família, então, apesar do caos que isso podia representar na vida do meu irmão, eu estava feliz pela volta de Rick Grimes.

Peguei suas roupas jogadas perto da entrada e em alguns minutos eu já estava ao lado de Carol enquanto ela dirigia rumo ao lago.

— Aquele homem que chegou ontem... Você o conhece também? — Ela puxou assunto.

— A minha vida toda. Ele e Shane são amigos desde sempre. — Respondi simples.

— Ele parece ser um bom homem. — Ela comentou depois de algum tempo em silêncio.

— Provavelmente o homem mais honrado e correto que eu já conheci nesse mundo. — Afirmei com sinceridade.

— Lori tem sorte então... — Carol deixou a frase solta no ar.

— Algumas mulheres são incapazes de ver a sorte que tem... — Comentei mais pra mim mesma do que para ela.

Terminamos o trajeto falando sobre amenidades. Carol não era a pessoa de quem eu mais era próxima no acampamento, isso porque por vezes conversar com ela me deixava deprimida.

Ela era o tipo de mulher calma e pacifica, mas eu podia perceber por cada palavra o quanto ela era submissa, subjugada, abusada e inferiorizada por Ed. Eu não sabia se ela tinha noção do quanto isso era prejudicial e errado, mas Carol era o tipo de mulher incapaz de falar mal do marido. Eu queria muito ajudá-la, isso porque, de alguma forma, eu sentia muito medo de ser como ela. De ficar presa a alguém por medo ou conveniência. De nunca poder ser livre.

E o pior é que eu me sentia muito próxima disso com Shane, em níveis diferentes talvez. Contudo, eu me sentia presa, principalmente, depois que o mundo ruiu e acabou com todos os meus planos. Nenhuma maioridade ou faculdade me salvaria naquele momento.

Se as coisas não se resolvessem eu não conseguia ver um momento em que eu pudesse ser livre, viver minha vida longe das ordens e cuidados excessivos do meu irmão... Ele não era ruim, muito pelo contrário até, mas tinha esse algo dentro de mim que queria coisas bem diferentes...

— Charlotte? — A voz de Carol me chamando ao fundo me retirou dos meus devaneios. — Você está bem? Era como se estivesse fora de orbita.

— Desculpe, eu acho que estava mesmo. — Sorri um tanto sem jeito.

Ela me estendeu a mão direita, onde um objeto redondo e metálico estava depositado. Uma granada. Olhei dela pra objeto algumas vezes antes dela responder:

— Estava no bolso do novato. Melhor guardarmos com cuidado e devolvermos pra ele depois.

— Não. — Eu respondi de súbito e Carol me encarou surpresa. — Você fica com ela.

— Eu? Por quê?

— Porque todo mundo precisa ter algo com quê se defender. E porque eu acho que isso vai estar melhor com você. — Respondi convicta. Não sei exatamente porque fiz isso, mas eu tinha uma arma afinal, porque Carol não podia ter uma granada?

Ela ponderou por um momento. Olhou ao redor e suspirou.

— Ele vai sentir falta disso, afinal é uma granada. — Lamentou, baixando os olhos para o objeto.

— Que granada? Eu não estou sabendo de granada nenhuma, você está? — Sorri em forma de apoio e incentivo.

— Não eu também não sei de nada. — Carol completou sorrindo e escondendo o explosivo entre suas coisas.

Em seu olhar um brilho de agradecimento que eu nunca vou esquecer. Eu havia confiado nela, havia mostrado que a achava tão capaz quanto qualquer outro. E de alguma forma eu sabia que ninguém havia feito o mesmo antes.

— Além do mais, tudo mundo vai estar muito ocupado tentando conter a fúria de Daryl Dixon, pra pensar em se preocupar com isso. — Comentei com um dar de ombros que escondia minha preocupação.

— Aquele irmão dele era um problema, talvez tenha sido melhor assim. — Ela disse, enquanto esfregava mais algumas peças.

— Daryl não vai pensar assim não... — Suspirei, deixando que meus olhos vagassem pela imensidão do lago — E mesmo que pense, ele não vai admitir e isso não vai impedi-lo de ficar chateado.

— Você gosta dele. — Carol afirmou me olhando desconfiada.

— O que? Nem pensar. — Neguei de imediato. — Eu o odeio.

— Você não o odeia, talvez não tenha percebido que gosta dele ainda, mas com certeza não o odeia. Prova disso é que você foi a única pessoa que se preocupou com como ele vai se sentir e não com o que ele vai fazer. — Ela ponderou perspicaz.

Eu fiz uma careta e continuei negando, mas na verdade estava tentando me convencer a não pensar naquilo. Eu tinha matado um namorado... Não devia estar pensando sobre gostar ou não de outro cara. Como eu podia ser tão problemática a esse ponto?

— Com todo respeito, Carol. Você é louca. — Retruquei por fim e ela apenas riu da minha reação.

A volta foi tranquila, mas eu não podia dizer o mesmo da chegada no acampamento.

Shane estava com a pior cara possível. Me encarou como se eu fosse a maior das pecadoras por ter saído sem avisar. Depois de mais um sermão idiota ele simplesmente me deixou falando sozinha e saiu para pegar água com o jipe.

Ele estava descontando suas frustrações em mim, é claro. E isso só me deixava mais furiosa, tanto ele quanto com a Lori que agia como se nada estivesse acontecendo...

Enquanto eu deixava que Andrea e Amy ajudassem Carol com as roupas, me aproximei de Glenn que tentava impedir Jim, Dale e Morales de desmontarem o esportivo vermelho.

— Charlotte, diz pra eles que isso é injustiça. — Ele apontou o carro com as duas mãos.

— Vocês podiam deixar a gente dar uma volta primeiro, não podiam? — Tentei, pensando que de fato seria legal pegar aquele carro e sair sem rumo por ali, nem que fosse por pouco tempo.

— Desculpe senhorita Charlotte, mas acho que o Shane não ia aprovar isso. E nós precisamos das peças para arrumar o trailer. — Jim me respondeu com toda a sua educação de sempre.

— Ah isso é tão injusto! — Glenn resmungou.

Meus olhos foram atraídos para a barraca de onde Rick saía, ele cumprimentou algumas pessoas que passavam por ele, foi até Carol trocou algumas palavras com ela e depois seguiu até nós.

Glenn foi o primeiro a se manifestar, reclamando novamente do carro. Rick apenas deu um tapinha em suas costas dizendo que pegariam outro qualquer dia.

Depois ele olhou pra mim, deu alguns passos em minha direção.

— Bom dia. — Cumprimentei.

— Oi. — Ele respondeu parando bem perto de mim. As mãos na cintura e o peso apoiado em uma perna só, algo característico dele quando queria dizer algo. — Como você está?

Dei de ombros no primeiro momento, respondendo em seguida:

— Odeio acampar, você sabe. Então... Eu estou meio entediada.

— Tédio no fim do mundo? Eu gosto da sua perspectiva. — Rick sorriu. — Eu só queria dizer obrigada, por ajudar a manter minha família a salvo.

— Eu não fiz nada. — Neguei e ele pareceu não dar credibilidade para a minha resposta. — Sério. Esse mérito não é meu. De verdade.

Ergui as duas mãos pra mostrar que eu não tinha nada a ver com aquilo.

— Carl disse que tem sido legal com ele.

— Ele disse? — Perguntei surpresa. — Acho que ele não está batendo muito bem, porque o que eu sou com ele, é o total oposto de legal.

Rick riu, dessa vez um riso aberto, mostrando uma fileira de dentes brancos e perfeitos.

— Acho que você não o trata como criança por isso ele gosta. — Esclareceu de forma simples.

— Ah tá... Por isso eu posso assumir o mérito. — Concordei com um sorriso.

Ele apenas assentiu tocando meu ombro por um instante e se afastando em direção a Lori.

Não era que eu fosse de ficar ouvindo conversas, mas instintivamente comecei a prestar mais atenção, me virei de costas pra ser mais discreta e parecer que eu apenas olhava depenarem o carro.

Não deu pra ouvir muito, mas o pouco que deu deixou claro que Lori não falara de nada sobre o caso dela com Shane para o marido... Na minha opinião, ela deveria ter contado, colocado as cartas na mesa de vez. Mas me forcei a esquecer aquilo e focar no carro.

Não era da minha conta.

Shane chegou com a água e pareceu um pouco incomodado com Rick ali. Mas não tive tempo para analisar isso. O grito de Carl ecoou pela mata e imediatamente começaram a correr em direção a ele.

Antes que eu realmente pudesse pensar se era uma boa ideia ou não eu também já estava correndo, peguei um pedaço de metal no chão e joguei para Rick no caminho.

— Fica! — Foi a única coisa que meu irmão me disse antes de passar por mim com a espingarda em punho.

Bom eu não era cachorro pra obedecer a essa ordem, então, claro que não fiquei.

Carl estava bem, foi rapidamente amparado e então vimos o motivo dos gritos: Um errante estava debruçado sobre um cervo nos limites do acampamento.

A primeira coisa que eu reparei quando parei há alguns metros de distância foram as flechas no flanco do animal. E depois aquela coisa se virou para nós, podre, nojenta, praticamente não lembrava um ser humano...

Dei um passo pra trás instintivamente, a respiração ficando irregular, tentei manter a calma, mas era como se eu pudesse ver Johnny bem ali, descendo as escadas atrás de mim. Cerrei os punhos e fechei os olhos forçando minha mente a voltar para a realidade.

Fazia muito tempo que eu não via um errante, desde que montamos acampamento para ser mais exata. E parecia que o tempo não era amigo daquelas coisas. Era como se estivem deteriorando.

Minha teoria ficou comprovada assim que os homens começaram a bater na coisa e um horrível cheiro de podre exalou. Fiz uma careta quando Dale arrancou a cabeça com um golpe de machado.

Eles nunca tinham vindo tão longe, e logo Dale colocou meu pensamento em palavras para todos.

— Estão ficando sem comida na cidade. — Jim completou, antes que ouvíssemos um barulho entre a folhagem.

Imediatamente todo mundo se colocou em posição de ataque. Mas era apenas Daryl. Ele ficou realmente furioso por ter perdido o cervo para o errante.

Terminou acertando uma flecha na cabeça do morto que ainda se mexia. Explicando que tínhamos que acertar o cérebro se quiséssemos acabar com a coisa.

Seus olhos encontraram os meus enquanto ele dizia que teríamos que nos virar com os esquilos que ele caçara. Mordi o canto da boca por pura ansiedade, alguém teria que contar pra ele...

Daryl passou por mim sem nenhuma paciência se dirigindo ao acampamento e chamando pelo irmão.

— Eu disse pra você ficar. — Shane parou do meu lado.

— E eu não sou um cachorro adestrado, pra você dizer "fica" e eu obedecer. — Retruquei de forma impertinente.

Meu irmão me ignorou, apenas continuou caminhando até que finalmente chamou pelo Daryl dizendo que precisava falar com ele.

Eu fiquei de longe observando enquanto a confusão acontecia.

Carl parou do meu lado com uma garrafa de água na mão, ele parecia completamente recuperado do quase ataque.

— Você não devia estar perto da sua mãe, em segurança? — Perguntei, desviando os olhos da expressão transtornada de Daryl.

— Eu estou perto de você. — Ele respondeu, como de aquilo fosse o bastante e então me entendeu a garrafa de água.

— Você babou aqui? — Ironizei olhando com cautela.

— Eu não babo mais já faz tempo. — Carl riu.

— Espero que não mesmo. — Falei desconfiada, bebendo um gole.

Ficamos calados enquanto Shane e Rick lutavam para conter Daryl, ele estava bravo, mas acima de tudo muito triste, era muito mais emoção do que eu jamais tinha visto nele.

Por fim Rick decidiu que voltaria, eu pude ver o desgosto de Lori, embora a ideia tenha partido dela mesma. Meu irmão, é claro, não concordou nada com isso. Shane não achava que valia a pena arriscar a vida por Merle Dixon.

Já Rick não deixaria alguém morrer daquela forma, era uma questão de sobrevivência versus humanidade. E eu podia entender os dois lados... De alguma forma eu podia.

Por fim Rick pediu a Glenn para ir junto e por livre e espontânea pressão o coreano concordou. O grupo se formou, mesmo sob os protestos do meu irmão, com T-Dog se juntando a eles.

— Então são quatro. — Dale afirmou, contando os homens.

Me lembrei de Carol aquela manhã e do sentimento de estar presa, sempre sob as ordens de alguém, nunca tomando as próprias decisões. Aquilo me dava mais medo do que qualquer errante.

— Na verdade seremos cinco. Eu vou também. — Falei decidida, me aproximando alguns passos.

Notas finais
E agora? Será que ela vai? Façam suas apostas kkkkkkkk Bjss e até o proximo