Origins
20 Boas pessoas e pessoas ruins
Charlotte Walsh
Rodovia Interestadual
Mantive o carro na estrada, dirigindo para lugar nenhum por algum tempo, apenas apreciando o vento no meu rosto e aquela sensação de frenesi que ainda percorria o meu corpo. Olhei o tanque de gasolina e percebi que eu não chegaria muito longe, pois estava na reserva. Isso explicava o porquê de não estarem usando aquele carro.
Eu não fazia ideia de onde encontraria um posto, mas sabia que talvez ainda houvesse gasolina em algum carro naquele engarrafamento na estrada. Percebendo que eu estava próxima do local e que era minha melhor chance, eu dirigi pra lá sem pensar muito.
Parei o carro do lado oposto da pista e respirei fundo. A dúvida me abatendo pela primeira vez desde que eu havia saído da fazenda. O que eu faria? Iria mesmo embora e deixaria todos para trás?
Será que Shane me procuraria? Será que alguém mais se importaria? Lembrei do olhar de Daryl entre o portão e meu coração apertou. Será que ele sentiria a minha falta?
De repente toda aquela incerteza me abateu de novo. Toda a sensação de culpa. Eu não podia simplesmente ir embora sem dizer nada para ninguém. Eu acabaria ariscando a vida de alguém por causa dessa atitude impensada.
Eu não podia colocar a vida do Daryl em perigo por isso... Não que eu tivesse a pretensão que ele fosse realmente sair para me procurar, mas se houvesse meio por cento de chances dele se envolver nessa busca, eu não podia simplesmente ir embora sem me importar com as consequências.
Respirei fundo e olhei no retrovisor. Carol tinha razão, eu estava realmente magra, meu rosto tinha olheiras fundas e arroxeadas, e meu cabelo estava opaco e sem vida, quando passei o dedo pelos fios eu percebi o quanto estavam secos e emaranhados. Encostei a cabeça no banco e encarei o teto do carro.
Eu não queria voltar, mas também não queria partir com a minha consciência pesada... Talvez se eu voltasse e conversasse com o Shane outra vez, pudéssemos resolver isso. Se ele não quisesse mesmo partir comigo, então era chegada a hora de eu dizer adeus. Me despedir de todos eles, para me certificar que ninguém ariscaria a vida por mim.
Preparei a automática e desci do carro, sabendo que, se eu queria mesmo voltar, ainda precisava da gasolina, atravessei a pista e passei a olhar em alguns veículos
O problema é que T-Dog tinha mesmo tirado o combustível de todos eles... Eu teria que fazer milagres com o que eu tinha no carro mesmo, seria o jeito.
Foi nesse momento que eu ouvi o ronco de um motor vindo da pista. Percebi um carro preto se aproximando e me abaixei rapidamente, rezando para que eles não tivessem me visto.
Preparei a arma e comecei a tremer. Aquilo não podia estar acontecendo. Havia uma grande chance de serem do grupo que Rick, Glenn e Hershel haviam encontrado na cidade, e se isso fosse verdade, eu estava ferrada, pois pelo pouco do assunto que eu ouvira os três contarem, aquelas pessoas não eram nada legais...
Olhando por baixo dos carros eu pude ver dois homens descerem do veículo. Tinha vários veículos entre nós e isso me dava alguma vantagem para não ser vista.
Minha mão começou a suar no gatilho da arma e meu coração bombeava o sangue tão desesperado, que eu pensei que eles poderiam me encontrar apenas pelo barulho das minhas batidas.
Eles pareciam procurar algo nos veículos, sempre próximos um do outro, chegando cada vez mais perto de mim.
Olhei por debaixo do carro de novo, um deles usava uma calça preta e coturnos da mesma cor, pés grandes, me fazendo saber que era um cara de porte alto. O outro usava calça jeans clara e tênis, parecia um pouco menor. Mesmo assim eram dois, e eu uma só.
Eu não podia com eles, a menos que... Olhei minha arma engoli em seco. Eu não podia matar uma pessoa, muito menos duas, isso era loucura.
— "Sophia fique aqui, voltaremos todos os dias" — Um deles leu a mensagem que tínhamos deixado no carro em voz alta.
Olhei por baixo novamente e vi o do coturno preto se aproximar.
— Acha que a tal Sophia voltou? — A mesma voz perguntou, ele tinha a língua um pouco presa e, só pela voz, eu não podia saber se era um crápula ou não.
O do coturno se afastou alguns passos e eu queria muito saber o que ele estava fazendo, mas ao mesmo tempo sabia que se levantasse a cabeça pra olhar ele podia me ver.
— E você acha mesmo que, seja quem for, ela está viva? — Outra voz masculina respondeu e eu soube que era o do coturno.
A voz era grave, grossa, um sotaque levemente inglês quase perdido entre as sílabas. Eu não precisei vê-lo para saber que era um homem intimidador.
— Você é um mostro sem coração, Alex. — A primeira voz retrucou em tom divertido.
— E você é um anjo com muita esperança Eth. — O segundo devolveu e eu quase pude senti-lo revirar os olhos pelo tom da sua voz.
E espera. Ele tinha chamado o outro cara de ET?
Ouvi o barulho de um deles mexendo pelos carros e ouvi o som de passos se aproximando. Pude ver o coturno chegando mais perto e gelei por dentro.
— O pessoal com a tal Sophia, deve ter rapelado os carros, para o nosso azar. Teremos que continuar a pé até a fazenda dos seus pais. Está longe? — A voz dele se tornou tão clara perto de mim que eu tremi, tentando não respirar ou me mexer, rezando pra que ele fosse embora.
O cara apelidado de Eth, disse que não, explicando em algumas palavras a direção e eu percebi o quanto era próxima da fazenda Greene.
— Aquele não parece estar ali há muito tempo. — O tal Alex comentou e eu ouvi seus passos se afastando. — Está muito limpo...
Observei-o por debaixo do carro, e conforme ele se afastava e se aproximava do meu veículo, eu ia vendo bem mais que apenas seus pés.
Alex era um homem alto, e como eu previra, com um belo porte físico, os braços cobertos com a jaqueta de couro preta lhe dando uma postura de segurança particular. Tinha o cabelo muito negro e andava com uma arma em punho.
Algo nele me lembrava a postura de Shane e Rick, como se ele fosse um profissional. Tal constatação fez meu coração acelerar mais ainda, sabendo que, se ele soubesse metade do que meu irmão sabia, eu estaria morta antes mesmo de pensar em atirar.
O homem alcançou meu carro e deu uma olhada geral em tudo, eu desejava poder ver seu rosto, mas da distância em que estávamos eu não podia. Depois de olhar o interior ele saiu e colocou a mão sobre o capô. Trocou um sinal com o outro que eu entendi claramente como "fique de olho".
— Sabemos que está aí. Seu carro ainda está quente. — Alex disse em voz alta e eu tive vontade de xingar a minha sorte no mesmo tom.
Olhei os pés do tal Eth. Ele se aproximou um pouco de onde eu estava.
Se o primeiro tinha uma arma, o segundo também devia ter. Tentei pensar rápido, mas tudo que eu consegui foi me desesperar um pouco mais.
— Sophia? — O que estava mais perto de mim tentou. — Você é a Sophia, não é? Nós não vamos machucar você. Pode sair.
Vi os coturnos se aproximarem dos tênis e pude ouvir alguns sussurros dos dois conversando, porém não entendi nada.
De repente o de preto se abaixou no chão, olhando pelos carros e seus olhos encontraram os meus. Olhos negros penetrantes, quase assassinos.
— Merda! — Xinguei saindo de trás do carro em um movimento rápido com a arma apontada para a direção deles.
Eu foquei no cara chamado Eth, ele era magro, cabelo castanho escuro e rosto muito fino. Dos dois, ele parecia ser o meu menor problema.
— Abaixem as armas. — Falei firme.
Alex manteve a arma dele apontada pra mim, mas Eth ergueu as mãos com um sorriso amigável no rosto.
— Como eu disse, não vamos te machucar, Sophia. — Ele disse calmo.
— Eu não disse nada. Se você não abaixar essa arma, moça, eu não posso seguir os conselhos do meu amigo. — O outro respondeu e eu o encarei por mais um segundo.
Ele era realmente intimidante, com o cabelo negro espetado, barba por fazer e sobrancelhas grossas muito expressivas. Eu senti que se ele fosse capaz de me matar com um olhar ele o faria.
Continuei com a arma apontada, o braço tremendo levemente.
— Eu sou Ethan Campbell, esse é o Alexander Pierce. — O primeiro falou mostrando que estava abaixando a arma lentamente. Pelos nomes eu entendi os apelidos. — O Alex não é tão mau quanto parece. Não se preocupe, Sophia. Você está sozinha?
— Eu tenho uma arma apontada pra sua cabeça, por que acha que eu vou responder as suas perguntas? — Respondi mal educada.
— Porque eu tenho uma arma apontada pra você também... — Alex sugeriu no mesmo tom.
— Não respondo perguntas de quem eu não conheço e não confio. — Estreitei os olhos em ameaça.
— Ah, nossa ela é pelo menos um pouco inteligente! Não muito, já que está andando por aí sozinha. — Ele retrucou irônico.
— Eu sei me cuidar. — Declarei superior.
— Percebemos isso, Sophia. Mas acredite a arma não será necessária. — Ethan tentou apaziguar.
— Meu nome não é Sophia! — Me exaltei porque machucava ele me chamar daquela forma.
— Todo bem, tudo bem. Vamos fazer do seu jeito. — Continuou. — É só dizer o que quer fazer.
Ethan e Alexander trocaram um olhar, eles pareciam conversar sem palavras e isso mostrava o quanto se conheciam. Por fim, Alex abaixou a arma e tombou a cabeça em minha direção, mostrando que eu tinha vencido, erguendo as mãos e dando um passo para trás.
E eu soube que eles não eram ruins, talvez apenas pessoas passando por ali e tentando se proteger de uma louca na estrada.
— Eu vou entrar no meu carro e vou embora, e vocês não vão me seguir ou me impedir. — Falei como se estivesse no controle, mesmo sabendo que, se eles quisessem, podiam me deter.
Os dois abriram passagem para mim e eu caminhei de costas até o carro ainda com a arma apontada. Sentei e dei a partida, cantando pneu e agradecendo a Deus por ter saído viva dali, afinal eles eram dois e eu uma só. Podiam ter feito coisa muito ruim comigo.
Pelo retrovisor vi Alex tocar o ombro de Ethan, provavelmente perguntando se ele estava bem, o outro respondeu com um sorriso sacana e deu um soco amigável no ombro do moreno, levando um tapa na cabeça em resposta.
Eu sorri por um momento, feliz por não ter atirado em nenhum deles, pareciam mesmo boas pessoas, era uma pena que não fossemos nos ver de novo...
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Quando cheguei na fazenda já estava escuro, isso porque minha gasolina acabou no meio do caminho e eu tive que terminar o percurso a pé. Andrea estava de guarda e assim que me viu gritou a plenos pulmões que eu tinha chegado.
Ótimo... Aquilo era mesmo tudo que eu queria. Revirei os olhos.
Quase no mesmo instante Shane apareceu, andando na minha direção, pisando duro e parecendo realmente furioso, seu rosto estava machucado como se ele tivesse levado uma boa surra.
— Posso saber onde você estava? — Ele gritou agressivo e por um minuto eu me arrependi de voltar.
— Fui dar uma volta. — Respondi como se não fosse nada. — A gasolina acabou, então temos que ir buscar o carro há uns quilômetros daqui.
Shane riu, uma risada maldosa e irônica.
— Você está pensando que está aonde, hein? Na Disney? Acha que pode sair por aí passeando e gastando gasolina, deixando as pessoas preocupadas com você? Você só tem dado mancada, Charlotte, eu tento confiar em você, mas tudo que você faz só mostra o quanto você é infantil. Você por acaso não ouviu que tem um grupo hostil por aí? — Ele gritou irritado e nada compreensivo.
As pessoas iam se acercando de nós, assistindo a briga.
— Ah, agora você vai mesmo fingir que se importa... — Ironizei entediada, realmente arrependida de voltar para aquele inferninho. — Você mal olhou na minha cara na última semana.
— Cala a boca, Charlotte, você passou de todos os limites. — Ele esbravejou e eu tremi percebendo seu olhar descontrolado. — Você é quem não deixa as pessoas se importarem com você, você é fria e mal educada. E agora quer exigir atenção? Quer que se importem com você, quando você não tem o menor respeito com quem está nessa fazenda? Saindo por aí como se soubesse de alguma coisa, colocando a vida de todo mundo aqui em perigo. Você por acaso chegou a pensar no que podia acontecer se o grupo te encontrasse? Se te fizessem refém e te obrigassem a contar a nossa localização? Acha que a sua morte me preocupa? O que me preocupa é as mortes que você pode causar com a sua irresponsabilidade. — Ele jogou tudo sobre mim, uma coisa após a outra, como se eu fosse nada mais que eu pedaço de lixo que estivesse no caminho dele.
Senti parte de mim se despedaçar, não pelo que ele estava me dizendo. Não por notar que ele não dava a mínima para mim e sim por perceber que aquele não era Shane Walsh que eu conhecia. Onde estava o idiota superprotetor que adorava me azucrinar, mas que nunca me desamparou? O que tinha acontecido com o homem que me criou? O policial bom e honrado que fazia eu me sentir segura, mesmo nas noites de chuva quando eu tinha pesadelos?
O que havia acontecido com o irmão que eu amava?
Deixei meus ombros caírem, sabendo que eu não devia ter voltado, sabendo que realmente não tinha mais nada ali pra mim...
— Ah, agora você não tem mais nada para dizer? — Continuou como se aquilo fosse um circo. — É melhor assim, mas antes que se cale de vez, quero que peça desculpas para a Lori pelo que fez a ela hoje de manhã. — Ele ordenou e eu o encarei chocada.
Olhei para a Lori e ela estava branca, Rick ao seu lado não parecia entender nada, então eu soube que ela não tinha falado nada para o marido, apenas para o meu irmão. E isso provava claramente que tipo de mulher ela era.
— A Lori está esperando, Charlotte. Você agiu como uma criança hoje e merece ser educada como uma. Peça desculpas e vá se deitar. — Shane ordenou uma última vez.
— Não tem necessidade disso, Shane. — Lori tentou intervir, como se ela fosse um anjo.
— Eu não vou deixá-la fazer o que quer, vocês fariam o mesmo se fosse o Carl. — Meu irmão respondeu e eu tive vontade de vomitar.
Neguei alguma vezes e apenas ri com aquela cena ridícula, caminhei até Rick e o encarei por um momento.
— Sinto muito se algo do que eu disse para sua esposa essa manhã tiver prejudicado o seu bebê. — Enfatizei o "seu", deixando uma indireta velada para o meu irmão. — Mas não vou me desculpar com ela. Pois tudo que eu disse é a verdade, e eu ainda podia ter dito muito mais... Ela destruiu a minha vida, despertou o pior no meu irmão e eu não me espantaria nada se um de vocês dois acabasse morto no fim disso, por causa dos caprichos dela. Pra mim ela é uma egoísta de merda. E eu prefiro ser mordida por um errante ou levar um tiro do que me desculpar. Sinto muito, por sua causa, e em nenhum momento por ela. — Falei calma e Rick continuou me encarando sem reação. Virei às costas e passei por eles seguindo em direção a barraca, mas parando para dizer uma última coisa. — E, se ela ousar encostar em um fio de cabelo meu de novo, bebê nenhum vai me impedir de dar na cara dela.
Simplesmente saí dali, tentando controlar meus nervos e não abaixar a cabeça, mas a verdade é que eu mal conseguia respirar quando eu entrei na barraca, a raiva fervendo nas minhas veias com tanta força que doía.
Comecei a pegar tudo que era meu, e a colocar em uma mochila qualquer, eu não passaria mais um minuto ali.
A entrada da barraca se abriu violentamente e Shane passou por ela com os olhos saltados de ódio.
— Quem você está pensando que eu sou? — Ele agarrou meu braço com força o suficiente pra me machucar. — Que show ridículo foi aquele, hãn?
— Shane, você está me machucando. — Tentei protestar, sabendo que ele estava fora de si, mas o aperto ficou ainda mais forte.
— Quem você pensa que é pra falar aquelas coisas da Lori? Pra bancar a boazuda com o Rick? Acho que eu falhei muito na sua educação. — Tentei me soltar de novo, a dor se tornando tanta que eu pensei que ele poderia quebrar o meu braço a qualquer momento. — Mas, sabe nunca é tarde para um corretivo.
Ele me empurrou de qualquer jeito e eu caí sentada, sentindo as costelas protestarem de dor pelo impacto e ficando em estado de choque quando ele começou a retirar o cinto. Ele não estava mesmo pensando em me dar uma surra como se eu fosse uma criança, estava?
Shane nunca tinha me batido na vida; tinha dito que me daria umas palmadas uma vez, quando eu quebrei o televisor novo jogando bola dentro de casa, mas nunca fez mais do que me mandar para o quarto.
Senti que tudo em torno de mim estava acontecendo em câmera lenta, comigo ali no chão paralisada e totalmente impotente. Sabendo plenamente que mesmo que eu pudesse eu não revidaria, eu nunca levantaria a mão contra o meu irmão, mesmo que ele merecesse, mesmo que aquele com os olhos cheios de ódio não fosse de fato o irmão que havia me criado, me dado amor, cuidado de mim...
Eu nunca seria capaz de machucá-lo de nenhuma forma, por isso eu tinha voltado... E saber que ele não me amava da mesma maneira doeu fundo naquele instante.
Eu vi a fivela da cinta brilhar quando ele a ergueu no ar e apenas fechei os olhos, sentindo uma lágrima grossa escorrer pelo meu rosto. Esperando um golpe que não veio.
— Você não vai fazer isso, babaca! — Abri os olhos a tempo de ver Daryl segurando a mão de Shane e socando o rosto dele, uma, duas, três vezes.
E então tudo se tornou meio etéreo pra mim, como se eu não estivesse lá realmente, como quem vê um programa na televisão quando está entre o sono e a vigília.
Rick pareceu chegar e arrastar Shane dali. Ouvi meu nome no meio de uma ordem. Acho que ele mandou alguém me tirar de lá. Mãos macias me tocaram e eu ouvi a voz de Carol. Longe... Cada vez mais longe... As coisas começaram a ficar embaçadas. Escutei quando ela chamou pelo Daryl.
Segundos depois ele apareceu no meu campo de visão, apenas um borrão. Eu queria reagir, mas era como se não controlasse o meu próprio corpo.
Ele acenou com a mão e chamou meu nome. As coisas iam e voltavam, rodavam.
— Ela está em choque, melhor levá-la pra dentro. — Alguém disse, talvez o Hershel.
— Eu não acho que ela ia se sentir bem lá. — Carol ainda segurava a minha mão.
— Vou levar ela para o trailer. — Senti Daryl me tirar do chão e me carregar.
E quando o cheiro dele me envolveu como um afago, quando o calor dele me aqueceu como fogo em uma noite fria, de algum modo eu acreditei que tudo ficaria bem...
Será?
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