Orgulho e Preconceito

17 Intervenção Lannister


Notas iniciais
DOIS MESES APÓS EU QUEBRAR MEU BRAÇO, VOLTEI. ME PERDOEM, ESPERO QUE GOSTE. só faltam alguns capítulos para a próxima e ultima fase ♥

Não, eu não quero me apaixonar

(Este amor vai despedaçar seu coração)

Não, eu não quero me apaixonar

(Este amor vai despedaçar seu coração)

Por você

(este amor vai despedaçar seu coração)

Gendry deixou o quarto completamente furioso, embora não demonstrasse. Dividido entre o sentimento de remorso e o ciúme incontrolável que sentia de Arya, via-se num dilema impossível de ser resolvido. Devia sua vida a Rhaegar isso era fato, mas era justo o que o loiro estava fazendo? Ele deveria mesmo levar a garota que amava ao altar? Deitado em sua cama, refletia a respeito. Sua liberdade valia tanto assim? Soltou um grunhido, chutando o ar, fitando o teto, com as duas mãos atrás da cabeça. Durante anos, é verdade que tudo o que o bastardo Waters mais queria era ser livre, sonhava e aspirava a liberdade como se fosse o oxigênio pelo qual vivia.

Mas agora a situação era extremamente complicada. Tinha a garota Stark envolvida. Ele sabia perfeitamente que Arya não amava o jovem Targaryen, e aquele casamento seria apenas mais um capricho para o príncipe. Fechou os olhos, rangendo os dentes. Não podia permitir tal coisa, entretanto o que poderia fazer a respeito? Não passava de um simples vassalo! Nem mesmo era ser humano para alguns nobres.

Sabia que não poderia conformar-se, e ele lutaria se fosse necessário. Mas tinha medo que no final de tudo, não passasse de um capricho para a princesa Arya.

– Gendry, Gendry!

Deveria ser bem tarde da noite pela forma como as estrelas estavam alinhadas, e a lua exibia-se no alto do céu demonstrando toda sua imponência. Estava muito escuro e silencioso e durante muitas horas, ele não escutou ninguém vaguear pelos corredores.

Levantou-se abruptamente, com o coração disparado e abriu a porta sem cerimônias, já imaginando que fosse Arya.

– Princesa? — arqueou a sobrancelha em interrogação. Arya vestia um manto preto, com capuz e seus olhos brilhavam profundamente. – Não deveria estar em seus aposentos? Está tarde da noite.

– Preciso que venha comigo. – exclamou ela, e reconhecendo o tom, ele percebeu que ela falava sério.

– Não está pensando em fugir, outra vez, está? Nós dois seremos enforcados! – disse, tentando adivinhar o que se passava na mente daquela garota.

Arya sabia de antemão que ele mostraria hesitação em segui-la, e certamente já esperava por uma resposta daquele tipo. Mesmo assim ali estava ela, conforme havia sido instruída pela sua aliada mais improvável. Era de madrugada e todos os servos já haviam se retirado; Rhaegar tinha bebido tanto leite de papoula que dificilmente acordaria naquela noite ou no dia seguinte, ficaria vegetando no máximo por uns dois dias, o que é claro dava tempo suficiente para a jovem Stark colocar o plano em ação.

– Gendry, por favor, venha comigo. – tornou a insistir, com um semblante tristonho. Ela levava jeito para interpretar personagens. Uma atriz excepcional. – Eu preciso de você.

Amaldiçoando-se mentalmente por aquela atitude estúpida, o vassalo confirmou com a cabeça, deixando o próprio cômodo enquanto fechava a porta atrás de si. Arya sorriu internamente, enquanto colocava-se a andar pelos corredores, tendo ciência de que era seguida de perto pelo Waters.

– Você vai acabar nos matando, Vossa Majestade. – o moreno disse a jovem loba, que mantinha um largo sorriso nos lábios.

– Não me importaria de morrer por você, Vassalo. – retrucou com segurança de suas palavras. Gendry parou de andar subitamente para encará-la.

Era impossível deixar de encantar-se com ela. Ela tinha tudo o que todas as mulheres deveriam ter e normalmente não tinham. Ela era corajosa e destemida apesar de totalmente e irrevogavelmente louca, e além disso Arya era bonita como Gendy nunca havia visto antes. Uma beleza exótica e real, era inevitável não ceder toda vez que ela oferecia-se a ele. Aqueles olhos encarando-o tentaram-no a agarrar ela ainda ali, no corredor. Mas ele não o fez, não era louco a ponto de colocar sua vida e a da princesa em risco. Especialmente a dela. Ele pouco valia, não significava nada no mundo e para o mundo, mas Arya... O mundo não podia viver sem aquela princesa desencantada.

– Você é louca. – murmurou, com as bochechas avermelhadas e desviou os olhos dos dela para encarar o chão.

Arya sorriu e continuou a andar, sabendo que era acompanhada por ele.

– Diga-me, Gendry. Você não gostaria de poder fazer o que quisesse por uma única noite? Não gostaria de ter coragem para lutar pelo aquilo que você acredita?

Pensativo, ele observava o caminhar apressado da morena em meio à escuridão. Algumas velas iluminavam o caminho deles, até chegar ao portão principal do castelo.

– E quem não gostaria, Vossa Graça?

– Não tem ninguém por perto, então por que continua me chamando com tanta formalidade?

– As paredes podem ouvir. Especialmente as desse castelo.

Ela concordou e durante algum tempo, permaneceram em silêncio, andando apressadamente já no exterior do castelo. Afastavam-se cada vez mais e, então Gendry percebeu que a garota andava em direção a pequena capela construída pelo rei Ned. Ela havia sido abandonada por alguns acontecimentos não explicados e ficava apenas alguns passos de distância dos estábulos.

– O que significa isso? – perguntou para ela, incapaz de adivinhar quais as pretensões de Arya. Se tinha alguém que ele desconfiasse de que não acreditava em alguém, esse alguém era ela com certeza. Ela simplesmente não parecia do tipo crédula.

– Eu estou lutando pelo o que acredito. Eu estou lutando por você. Estou lutando por nós dois na verdade.

– Seu noivo não ficará muito feliz em saber disso – comentou sarcasticamente.

– Em breve Rhaegar e eu não seremos mais noivos.

Essa frase pegou-o completamente de surpresa. Gendry fitou incrédulo sua majestade.

Todavia, como em qualquer momento tenso, antes que ele pudesse ao menos perguntar do que ela estava falando fora surpreendido quando as portas da pequena capela foram abertas revelando uma mulher loira e alta. Ligeiramente parecida com o cavaleiro estúpido que o confrontou, ainda por aquela área. Imediatamente a reconheceu como uma Lannister.

E se antes ele não estava entendendo nada, agora muito menos. Pelo que se lembrava de ter escutado Arya dizer a respeito, ela realmente repudiava todos os leões. Então por que a leoa mais velha estava ali? O que ela estava fazendo ali e por que Arya estava compactuando com ela?

– Você não gostaria de ser feliz, ao menos uma vez na vida, Waters?

– E onde exatamente uma Lannister se encaixa nisso? – perguntou olhando-a.

– Estou aqui! – Cersei cantarolou, reprimindo todo seu ímpeto maternal o máximo possível. – Entrem, não temos muito tempo.

– O que vai está acontecendo por aqui? Por acaso algum sacrifício satânico envolvendo vassalos e princesas? – o sarcasmo escorregou de sua voz, antes que ele pudesse se calar.

Arya tombou a cabeça e riu o tanto que pôde. Apesar das palavras, Gendry não mostrou resistência a entrar na capela atrás da princesa loba.

– A única maneira de impedir o casamento entre Arya e Rhaegar, é provando que ela já tem outro conjugue e que já consumou a cerimônia – esclareceu Cersei. – Então, o que está prestes a acontecer aqui nessa capela nada mais é do que o casamento entre vocês dois. Dessa forma, quando você levá-la ao altar na Igreja, será apenas para reivindicá-la como esposa e não para entregá-la ao Targaryen.

O vassalo arregalou os olhos, e ao seu lado Arya sorriu contente. Nunca tivera duvidas quanto aos seus sentimentos pelo moreno, apesar de também, outrora ter encantando-se pelo loiro, nada era mais forte do que o que sentia pelo vassalo. E apesar de suspeitar fortemente das intenções da leoa, ela não poderia recusar uma mão que lhe era estendida.

– É o que eu chamo de Intervenção Lannister. – exclamou Arya, enquanto entrelaçava suas mãos aos do vassalo.

Gendry riu de nervosismo e algo que poderia facilmente ser descrito como felicidade. Aquela garota era, realmente, completamente louca.

– Eu nunca achei que fosse ser pedido em casamento, ainda mais por uma princesa – brincou.

– Cale a boca e case-se comigo, Waters.

(CONTINUA)