Orgulho e Preconceito
5 Indomável
Notas iniciais

Arya sempre se considerou uma pessoa justa. E por isso era obrigada a reconhecer que o príncipe Targaryen não era nada como a irmã descrevera, na verdade, Rhaegar era tão bom e gentil que nenhum boato, nenhuma descrição, seria capaz de fazer jus a ele.
Ela estava encantada, sim, como poderia não estar? Ele tinha modos e não se comportava como um filho da puta mesquinho e babaca. Era engraçado e bonito. Arya facilmente se apaixonaria pelo príncipe...
Mas ela havia feito uma promessa a si, durante a festa de noivado: Não se apaixonaria facilmente pelo príncipe. E para Arya Stark, promessas eram algo sério, algo inquebrável. Ela não estava disposta a quebrar essa promessa, por mais apaixonante que fosse Rhaegar.
Certa de que seu trabalho como anfitriã havia terminado – já que aparentemente Catelyn estava ocupada demais, bajulando seu futuro genro e Ned tinha assuntos importantes a tratar – Arya encarou aquilo como uma folga de seu personagem de noiva e, resolveu aproveitar o tempo livre para uma atividade muito mais prazerosa: andar a cavalo. Ela nem se ressentia com o fato de sua família ter esquecido-se dela, na verdade, ficava extremamente contente com esse fato.
Seguiu até os estábulos discretamente, segurando a bainha do vestido e andando a passos rápidos, quase correndo, sem que ninguém a notasse. Como era de praxe, seu irmão Jon estava escovando a crina do seu cavalo, que Arya insistia em chamar de albino.
– Olá Jon! – a mais nova esboçou um sorriso travesso, respirando ofegante pela pequena corrida até ali.
– Arya. – Jon estreitou lentamente os olhos. – Você não deveria estar recepcionando seu noivinho? – questionou, em tom acusador.
– Não, ele está ocupado falando com a mamãe – disse ela, rapidamente. – Então, onde está Mimosa?
O irmão não pode deixar de rir ao ouvi-la pronunciar o nome de sua égua.
– Quem colocaria o nome da égua de Mimosa? – indagou aos risos.
– A mesma pessoa que batizaria um sapo de Agulha – devolveu ela, caindo aos risos também. Os dois entreolharam-se por uma fração de segundos, antes de explodir em sonoras gargalhadas. – Agora shiiu! – gesticulou com o dedo – Se mamãe descobre que estou por aqui, vai pensar que estou tentando evitar o príncipe. – disse ela revirando os olhos.
– De fato. – concordou seu querido irmão. – Olhe, por que você não vai montar? Se alguém perguntar, eu digo que você estava... Tratando de assuntos femininos – ele sorriu com sarcasmo.
As palavras “assuntos femininos e Arya” na mesma frase, soava como uma grande piada.
A Stark revirou os olhos e sorriu.
– Você é o melhor irmão do mundo!
– Eu sei. – Jon riu.
Dando as costas a ele, Arya apressou-se em achar sua égua. Sabia que não tinha muito tempo até alguém perceber a sua ausência, então tinha que aproveitar ao máximo aquele tempo livre. Mimosa grunhiu ao vê-la, toda feliz como sempre e Arya não pôde deixar de sorrir. Mimosa era a égua mais rápida do reino, poucas foram às vezes que a Guarda Real conseguira a façanha de alcançá-la. Rindo, ela tratou de montar o animal o mais rápido possível.
– Já estava com saudade, velha amiga! – disparou Arya acariciando os pelos do animal. Ela era sem sombra de duvidas apaixonada por Mimosa; apesar de não ser a mais bonita das éguas, era sem sombra de duvidas a mais prestativa e a mais carinhosa. Quase parecia que ela a entendia...Arya tinha certeza de que sua égua era mais inteligente do que Sansa.
Seus cabelos negros esvoaçavam ao vento e ela ostentava um largo sorriso de satisfação em seus lábios. Percorreu a trilha da floresta, adentrando cada vez mais aquele caminho tão conhecido por ela. Quando percebera, ambas já estavam um tanto distante do Castelo Winterfell...
– Princesa! – uma voz máscula, grave e com um sotaque terrivelmente lindo soou atrás dela. Ela precisou de alguns segundos para reconhecer a voz. Era Gendry, o vassalo de seu futuro marido.
Ela franziu o cenho, curiosa com aquele feito. O Vassalo me alcançou?! Ela estava perplexa, ninguém nunca...
– Princesa! – a voz ecoou novamente, dessa vez em um tom levemente irritado. Arya precisava lembrar-se de dizer ao vassalo que odiava ser chamada de princesa. Parecia tão... Feminino. – Princesa Arya! – o vassalo tornou a gritar, soltando um grunhido. Que porra ela está fazendo? Pensou completamente aborrecido, incentivando o cavalo a galopar mais rápido, na tentativa de alcançá-la. – Vossa Majestade, seu pai, ordena que volte imediatamente... Estão todos a sua espera.
Isso só pode ser brincadeira, pensou Arya devidamente irritada. Ela poderia fingir não ter escutado o que o vassalo dissera, mas no fim sabia que isso seria apenas gastar saliva. Fizera Mimosa parar abruptamente, sendo rapidamente imitada pelo rapaz, que a fitava de um jeito estranho... Quase desafiador.
– Escute, Gendry – ela inspirou fundo. – Diga ao meu pai que eu falo com ele mais tarde, Mimosa está precisando se exercitar.
Gendry franziu levemente o cenho. Mimosa? Que espécie de nome é esse? Ignorando esse detalhe, ele pigarreou e disse em tom insolente
– Acredito que a senhora não tenha escutado direito. Vossa Majestade ordena que volte imediatamente, é para isso que estou aqui, para levá-la de volta até o Castelo.
– Para começar, desde quando você é vassalo do meu pai? – rebateu ela acidamente – E em segundo, eu não sou senhora nenhuma, eu sou uma garota.
– Como quiser, senhora – ele fez uma reverencia debochada. Arya escancarou a boca, perplexa. Quanto atrevimento! Quem esse animal pensa que é, afinal?
– Não me chame de senhora! – explodiu ela irritada. – E eu quero ver quem é que vai me levar de volta ao Castelo – anunciou em tom desafiador. – Vamos, Mimosa! – ordenou. Porém...
– Mimosa permaneça onde está. – a voz de Gendry soou autoritária. Arya novamente se surpreendeu, ao constatar que a égua havia sim obedecido ao vassalo. Algo incomum, afinal de contas a égua era a versão animalesca da princesa; não obedecia ninguém... Era um animal indomável... Ou ao menos Arya acreditava que fosse.
Ainda abalada demais com a traição súbita de sua égua de estimação, Arya mal percebera os movimentos do vassalo. Gendry rapidamente descera do cavalo, que havia pego emprestado de Jon, e se dirigira ao animal em que a princesa encontrava-se montada.
Ela só fora notar a aproximação do mesmo, quando o sentiu puxá-la violentamente de cima da égua.
– Seu estúpido! O que pensa que está fazendo? Você não pode fazer isso comigo, eu sou a princesa da Inglaterra!
– Está mais para príncipe, senhora. – rebateu ironicamente. – Foram ordens do seu pai.
– Que vá para o inferno com essa desculpa, seu idiota! – gritou ela completamente corada, debatendo-se estupidamente nos braços de Gendry, que limitara-se a rir com os socos e tapas.
– Isso não são modos de uma donzela falar, senhora.
– Eu não sou donzela e senhora nenhuma, porra! – ela estava cada vez mais irada com a situação. Gendry a jogara por cima dos ombros.
– Você é muito boca suja, senhora.
Decididamente Arya mudara de idéia a respeito de Gendry. Ele era um completo irritante, um ser desprezível e deveria ser punido por tamanho atrevimento.
– Como se atreve...
– A obedecer às ordens do Rei da Inglaterra? – ralhou sarcástico. – Agora me escute bem, senhora, eu não tolero infantilidades, portanto você deve se segurar fortemente ou eu a derrubarei do cavalo.
A princesa ficou tão atordoada com aquelas palavras, que sequer esboçou uma reação coerente. Limitou-se a murmurar um “arrgh”, fazendo Gendry sorrir.
– Mimosa será levada por seu irmão Jon, ele já deve estar a caminho – exclamou o moreno.
– Tsc. – ela riu com desprezo. – Quer saber de algo, Gendry? Eu não gosto de você. Eu não gosto nem um pouco de você.
– Isso é uma pena senhora, eu gostei muito da senho...
Gendry não teve sequer tempo para terminar a sentença, alguns minutos depois de distanciarem-se da trilha percorrida pela a princesa, Arya derruba a ambos do cavalo... O que com toda a certeza não foi uma de suas melhores idéias, já que uma enorme poça de lama esperava por eles.
– Você é louca garota?! – esbravejou Gendry, limpando o rosto parcialmente coberto de lamaçal.
– Merda! – gritou Arya. – Minha mãe vai me matar. – constatou ao olhar para o vestido, o estrago havia sido nada sutil.
– Você nos derruba em uma poça de lama e está preocupada com o que sua mãe vai achar? – indagou ele, visivelmente incrédulo.
– Gendry essa não é a primeira e nem vai ser a última vez que eu tomo banho em uma poça de lama. – ela o olhou fixamente. – Mas olhe! Veja como está meu vestido! Mamãe vai virar uma arara...
Gendry explodiu em gargalhadas.
– Com todo respeito, a senhora é muito louca, princesa.
– Não me chame de senhora, cretino! – explodiu ela fazendo bolos de lama e arremessando no vassalo. Gendry fechou os olhos, defendendo-se inutilmente com os braços, ainda rindo.
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Por fim, os dois acabaram perdendo a noção da hora e passaram mais tempo dentro do poço de lama do que deveriam. Ao retornarem para Winterfell, a noite já havia surgido e todos os esperavam no salão principal.
Quando Arya surgiu pela a porta, Rhaegar abriu um estonteante sorriso...
Pelo menos alguém ficou feliz em me ver, pensou a morena, tirando o excesso de lama dos cabelos.
Catelyn gritou, visivelmente perturbada com o que vira e Ned ao lado, apenas encarou fixamente a filha, sem saber o que dizer. Como sempre.
Robb, Bran e Rickon a fitaram com reprovação e Jon reprimiu ao máximo a vontade de gargalhar. Só faltava Sansa ali para completar o espetáculo.
– Arya. Stark! – bradou Catelyn pausadamente – O que diabos significa isso?
– Os porcos me confundiram com uma leitoa, e me chamaram para um banho – exclamou sarcasticamente. – Eu tentei dizer não, mas... Estava tão quente...
Rhaegar continuava a sorrir, encarando-a fixamente.
– Preciso dizer que você ficou deslumbrante desse jeito, noiva.
– O que? – Arya arregalou os olhos ao escutar aquelas palavras. Estaria o príncipe sob o efeito do vinho?! – Rhaegar eu estou...
– Linda com toda essa lama. – ele riu, aproximando-se dela. – Só lamento não estar por perto para tomar banho de lama com você, minha princesa.
Arya sentiu o coração ir até a boca e voltar ao seu devido lugar. Ele era real? Ou ela estava delirando novamente?
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