Orgulho e Preconceito
6 Gendry, o Depravado
Notas iniciais
Após surgir em Winterfell toda coberta de lama e com o vestido em péssimo estado, Arya foi terminadamente proibida de andar a cavalo. E dessa vez ela tinha plena consciência de que Catelyn não iria amenizar, sua mãe como sempre, ficou possuída por uma raiva destruidora e jurou que ela nunca mais voltaria a andar naquela “égua dos infernos”. Também estava terminadamente proibida de deixar o castelo sozinha, sendo obrigada a caminhar ao lado do futuro marido ou então dos guardas: Arya não tinha damas de companhia, ao contrário de sua irmã Sansa que tinha um pequeno grupinho. Jon costumava chamá-las de “galinhas” e Arya, claramente partilhava da opinião do irmão.
Porém ela tinha aias e, por mais que odiasse a idéia de estar constantemente rodeada por elas, era melhor do que ser escoltada pelos guardas. Eles eram delatores, não podia confiar em nenhum... Salvo no Cão de Caça, mas ele estava a muitos quilômetros de distância.
Sandor Clegane, Cão de Caça, membro da Guarda-Real dos Lannister era o homem mais sensato que Arya já conhecera desde seu pai. Ele não babava o ovo de ninguém e era um amigo leal, quando Catelyn colocara na cabeça que um casamento entre ela e Joffrey seria algo certo e bom para o reino da Inglaterra, convidou os Lannister para permanecer um mês dentro do castelo. Sandor era o cavaleiro em que Joffrey mais confiava e sem sombra de duvidas, o mais grosseiro dentre todos. Ele era totalmente ogro e adorava beber, apesar de raramente ficar bêbado. Graças a ele, Arya conseguiu por fim aquele noivado desgraçado e a espantar os Lannister, que não ficaram mais que quatro dias em Winterfell. A lembrança desses agradáveis episódios fizeram com que Arya sorrisse: ela sempre contava seus planos a Sandor, sempre partilhava opiniões que sabia que não deveria e ele nunca, nunca a entregou. Ao contrário dos guardas de seu pai.
Suspirou dramaticamente, agora estava condenada.
– Princesa? – uma das garotas a despertou de seu breve devaneio. Estava sentada em sua cama no quarto, enquanto os pais e Rhaegar tratavam de um assunto qualquer. Jon não estava ali para lhe fazer companhia e seus outros irmãos estavam igualmente furiosos com ela. O pensamento de Robb, Rickon e Bran era mutuo “Garotas não devem fazer coisas de garotos” e eles repudiavam suas atitudes... No fim, eles eram ainda piores que Catelyn Stark.
– O que você quer? – ela não se preocupou em ser simpática, estava irritada com o trágico desfecho da noite anterior.
– O almoço está servido, Vossa Majestade mandou chamá-la e ordena que se apresente...Devidamente.
Arya revirou os olhos, traduzindo: Nada de lama, nada de vestidos rasgados, nada de cabelo cheirando a vinho ou sapatos trocados. Bufou.
– Certo. – assentiu bruscamente. – Vá preparar meu banho. – ordenou. Aquela era a parte de que menos gostava; do banho, porque suas aias malditas tinham de estar presentes e nada se podia fazer a respeito. Não tinha privacidade nem mesmo no banho! Aquilo era tão... Frustrante e desanimador. Levantou-se, indo em direção ao guarda-roupa, deveria ter algo ainda não arruinado... Pensou esperançosa.
XXXXXXX
Rhaegar havia feito questão de convidar Gendry para o almoço com a família real. Vendo-se obrigado a retribuir a gentileza do príncipe, o moreno fora tomar um relaxante banho...Nos aposentos do príncipe. Rhaegar realmente não fazia questão de muita coisa, e o bastardo era infinitamente grato por isso. Decidido a ignorar a frieza e estupidez da rainha, ele aceitou de imediato aquele banho e até mesmo algumas roupas emprestadas. O resto da família Stark não parecia tão detestável quanto à matriarca, ao menos esperava estar certo quanto a isso.
O castelo Winterfell era enorme, de uma magnitude realmente fascinante. Mas o que mais lhe chamava a atenção eram os corredores tão extensos, em um deles, o vassalo acabou se perdendo. Foi algo inevitável; o castelo era bem maior do que parecia por fora.
Estava caminhando, torcendo para encontrar logo os aposentos reais do futuro rei, e observando os diversos quadros que havia. Todos os antepassados dos Stark estampavam os corredores, ele não sabia dizer se isso era admirável ou assustador. De qualquer forma, achou os quadros bastante interessantes... Até encontrar algo realmente encantador.
Lyanna Stark dizia, abaixo do quadro de uma mulher incrivelmente bonita. Olhos azuis cristalinos, cabelos negros e um rosto fino e elegante. Surpreendeu-se ao reconhecer a mulher. Incrível como são parecidas! Pensou, lembrando-se automaticamente da princesa Arya... Ainda sim, eu sinto que já a vi em algum lugar, ele analisou mais de perto o quadro. Por que aquela mulher parecia-lhe tão familiar, afinal de contas?
Vozes risonhas despertaram-lhe a atenção, e ao reconhecer o som, inevitavelmente pusera-se a andar. Vinha da ultima porta do corredor e ele só percebera que seguia as vozes, quando já estava perto da porta o suficiente, para espiar atrás da fresta.
Pelos sete deuses! Inevitavelmente, prendeu a respiração. Era a princesa Arya, com toda a certeza. Completamente despida e livre de qualquer enfeite miserável em seus cabelos, a garota tinha o corpo molhado da cabeça aos pés – e que corpo! –, as curvas eram modeladas... Embora não desse para ver muito além disso; os fios negros caiam de maneira selvagem pelas costas da garota, indo até metade da cintura, as nádegas eram firmes e empinadas, e as pernas...
Ele a observou adentrar novamente a enorme banheira de madeira, completamente hipnotizado e sem fôlego. Teria permanecido ali o dia inteiro se pudesse, mas algo em seu subconsciente o alertou para dar o fora dali. Muito contrariado, Gendry deixou o local completamente perplexo. E duro.
Ele só tivera noção do quanto estava excitado, ao chegar finalmente nos aposentos reais do príncipe e dirigir-se até o banheiro, onde baixou o calção e viu um volume nada discreto.
– Tsc. Bela porcaria – murmurou, mal-humorado. Ele ficara de pau duro ao ver a bunda e as pernas da futura esposa do melhor amigo! Mas aquela nem era a questão preocupante, a questão que realmente estava irritando-o era o fato dele ter se excitado somente com a bunda e as pernas da garota... Tentou afastar aqueles pensamentos sem sentido e fogosos para longe, mas não conseguira e, ao cair em si, ele já estava batendo uma, ofegante e raivoso. Os movimentos eram rápidos e ele segurava com força o pau, as imagens de Arya voltaram a sua mente, fazendo-o soltar um palavrão em voz alta. Continuou os movimentos de vai-e-vem velozmente, até soltar um jato quente de porra. Sentiu as mãos sujas e quentes com o gozo, mas não abriu os olhos para ver, apenas respirou fundo algumas vezes.
O que tinha sido aquilo, afinal de contas?
Abriu os olhos, fitando com raiva o liquido em suas mãos. Que patético, pareço um garotinho curioso! Enfim, resolveu tomar o banho, certo de que já estava ali há algum tempo considerável.
XXXXXXX
Ao chegar na sala de refeições, Arya surpreendeu-se feliz, que não havia se atrasado tanto quanto imaginara, pois os pratos ainda não haviam sido postos e seus pais conversavam entre si sobre alguma idiotice relacionada ao reino dos Lannister. Seus irmãos já estavam em seus devidos lugares, e também entretidos em uma conversa que não lhe dizia respeito. Ela percebeu um pouco surpresa que o maldito vassalo encontrava-se presente. Esse infeliz me alcançou! A culpa foi dele! Pensava, ao lembrar-se dos acontecimentos passados. Se ele não tivesse insistido em obedecer as ordens do rei, ela nunca teria tomado uma atitude tão abrupta quanto empurrar a ambos dentro da poça de lama. Foi então que ela percebeu algo ainda mais surpreendente: seu meio-irmão Jon, que ela considerava mais inteiro do que os outros três, estava conversando alegremente com o bastardo e este, por algum motivo não explicado, tinha as bochechas rudemente coradas. Fitou-o por alguns segundos, até então lembrar-se da existência de Rhaegar, seu futuro marido, e um possível aliado.
Rhaegar estava , como de costume, elegantemente bem-vestido utilizando as cores padrão de sua família, ele ostentava riqueza mas de uma forma discreta e não cheia de pompas, como os nobres costumavam fazer. Arya admirou-o ainda mais por isso, embora estivesse mesmo curiosa quanto o porquê de Gendry estar entre eles. Ela nunca foi preconceituosa, muito o contrário, mas era de se esperar que seus pais tivessem ficado curiosos com o estado do...
Só então ela se lembrou de que ele não entrara no castelo com ela, de forma que o rei e a rainha não viram que ele também estava coberto de lama. Isso imediatamente fez com que a princesa trincasse os dentes.
– Está muito bonita hoje, Arya. – elogiou-a o príncipe, fazendo-a enfim voltar cem por cento de sua atenção a ele.
Sorrindo amigavelmente, ela agradeceu o elogio, retribuindo-o.
– Obrigada, você também está especialmente bonito hoje, Rhaegar.
Não dependia de esforço nenhum a ela, fazer qualquer elogio ao futuro marido, já que ao contrário do desagradável e abominável Joffrey, Rhaegar era sim de uma beleza indescritível.
– Vocês fazem um casal tão bonito – Catelyn suspirou sonhadora, fitando-os de uma maneira bastante desagradável a Arya.
– De fato – concordou Ned. – Acredito que você seja exatamente o que minha filha precisava, caro Rhaegar.
– É muita bondade a de vocês. – ele fitava Arya com ares apaixonado. – Prometo fazer o meu melhor, para dar-lhe toda a felicidade que merece, Arya.
A Garota-Lobo sorriu, assentindo, com os pensamentos o mais longe dali possível.
Eu espero ser capaz de retribuir seus esforços, príncipe. Ela não se atreveu a dar essa resposta, conhecia a Rainha bem o suficiente para saber que, ao dizer isso, estaria condenada ao calabouço pelos próximos séculos. E ai dela provocar a ira de Catelyn Stark.
– Eu digo o mesmo, príncipe.
Ela considerava sorte demais um noivo como o Targaryen, embora soubesse que as chances de se apaixonar por ele fossem poucas demais.
Gendry estava bastante incomodado com tudo aquilo. E ao se lembrar do porquê, sentia vontade de ir ao banheiro novamente... Mas não o faria. Não. Recusava-se a desejar uma mulher que pertencesse a outro! Resignou-se a continuar sua conversa com Jon Snow, o irmão preferido de Arya que por uma coincidência do destino, era também um bastardo.
Logo o almoço fora servido, e a conversa tomou outros rumos. Freqüentemente o rei Ned fazia perguntas a Gendry, sendo a maioria de duplo sentido, o que o deixara bastante desconfiado. O tom impessoal na voz do Rei, dizia que por algum motivo não explicado ou lógico, ele já conhecia Gendry. Ou ao menos dava isso a entender.
O vassalo sentia grande vontade em perguntar que tipo de jogo era aquele, mas limitou-se a permanecer em silêncio, mesmo que isso lhe custasse uma paciência que não tinha ou sabia não existir.
Ao término dos primeiros pratos, viria a sobremesa, mas nesse ponto o jovem Waters já tinha suportado mais do que esperava e as constantes indiretas de Catelyn estava começando a aborrecê-lo. Resolveu deixar a mesa antes que passasse longe da boa educação e Rhaegar extremamente surpreso com isso, não pôde deixar de questioná-lo
– Não está sentindo-se bem, amigo?
– Não, Vossa Majestade – ele fez uma reverência, devidamente incomodado com tantos olhos postos sobre si. – Eu irei me retirar para os meus aposentos, com sua licença.
– Está certo. – Rhaegar felizmente entendia os motivos dele, ou naquele momento não achava realmente importante sua presença, sendo ali, o dispensou sem mais delongas – Melhoras, amigo.
Aquela palavra tão simplória, fez com que Gendry voltasse a querer se enforcar. “Amigo” o que Rhaegar Targaryen diria, se soubesse que alguns minutos antes, Gendry estava se masturbando pensando na noiva dele?
Forca sem sombra de duvidas. Ou provavelmente mandaria me capar, pensou ele frustrado consigo mesmo por ter se deixado pensar em Arya daquela maneira tão indecente, tão desrespeitosa... E gostosa.
Chegou ao seu humilde aposento, sentindo-se particularmente perturbado. Pediu perdão a Deus, algo que ele não vinha fazendo já algum tempo desde que perdera sua fé...
“Não cobiçaras a mulher do próximo” era um dos dez mandamentos, e que agora parecia fazer todo o sentido para o vassalo. Recriminando-se por tamanha imbecilidade de sua parte, ele tentou dormir, em vão.
– Ohhhhhh Gendry! Isso é tão bom... Tão quente...! Não pare! Pelo amor dos deuses, não par...Ohhh!! estou quase lá – gemia a garota incansavelmente, rebolando em seu colo de uma maneira que deveria ser pecado. Jogava para um lado e para o outro aqueles fios negros. Sem conseguir resistir, Gendry puxou com força os cabelos da princesa, desferindo um chupão violento em seu pescoço e deslizando a língua até seu colo. – Isso é tão bom, tão bom, não pare por favor, continue, eu imploro! Ohhhh – continuava gemendo incansavelmente.
– Princesa eu vou... Eu não agüento mais, eu vou... Eu preciso...
– Seu depravado! Estava sonhando comigo?! – de repente, um grito feminino bastante horrorizado despertou Gendry de seu sonho.
Gendry paralisou deitado na cama, sentindo os músculos enrijecerem, abriu bem lentamente os olhos, ainda sem conseguir raciocinar direito ou acreditar no que estava acontecendo.
Arya estava parada a alguns passos de distância, com o rosto completamente vermelho e as duas mãos na boca.
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