Orgulho e Preconceito
7 Incógnitas
Notas iniciais
– P-princesa! – Gendry rapidamente sentou-se na cama, praguejando inúmeras vezes em sua mente. Cobriu sua parte intima com um cobertor, com o rosto fortemente corado. – Eu...
– Não precisa explicar. – Arya piscou os olhos, virando o rosto depressa, um vermelho intenso subia pelas suas bochechas – Eu... Peço desculpas pela invasão ao seu quarto, mas Rhaegar queria saber como estava e como recebeu uma carta da França, teve que se ausentar e e... Bom, eu só vim ver como estava – disse, olhando de soslaio para o vassalo – Eu...
– Eu realmente sinto muito – exclamou ele, devidamente constrangido. Levantou-se da cama, fazendo com que automaticamente Arya arregalasse os olhos. – Não queria... Nunca esteve nos meus planos desrespeitá-la, Vossa Majestade.
A morena obrigou-se a encará-lo nos olhos, mesmo que estivesse mortalmente interessada no amiguinho dele.
– Você não me desrespeitou. – disse ela, prendendo a respiração subitamente. Gendry era realmente inacreditável, transpirava uma virilidade que ela não se lembrava de ter visto antes e era tão bonito... Aqueles olhos azuis...
Um fogo subiu-lhe vestido adentro, entre suas pernas.
– Não? – Gendry estava cada vez mais desconfortável com toda a situação e em partes, era por causa da grande excitação que ele estava sentindo no momento. Ele podia sentir um inchaço familiar nada agradável naquela região...
– Mas talvez – ela pigarreou, respirando fundo como se estivesse tomando coragem. – Eu posso fingir que essa cena nunca existiu.
– Certo. – respondeu ele prontamente, não entendendo o que ela realmente quis dizer com aquilo – Eu peço mil perdões senhora, prometo que não...
– Mas... – Arya deu um passo em direção a ele, com um olhar enigmático. Gendry sentiu seu corpo paralisar novamente. – Você vai ter que me deixar fazer uma coisa. E então eu esqueço, para sempre essa cena e Rhaegar nunca vai ficar sabendo.
O vassalo engoliu em seco, aonde exatamente Arya Stark pretendia chegar com todo aquele rodeio? Gendry odiava rodeios desde que se entendia por gente...
– O que você... – ao fitar a jovem princesa, percebeu que não era essa a resposta que ela queria. Portanto tratou de se corrigir rapidamente – Certo, certo, faça o que quiser...
Não teve tempo para completar a frase, no minuto seguinte a Jovem-Lobo o calou em um beijo sôfrego. O beijo foi tão repentino que demorou meio minuto para o vassalo compreender que estava sendo beijado, nu, pela noiva de Rhaegar Targaryen. Em todos os seus anos de vida, Gendry nunca cobiçou algo que pertencesse a outra pessoa. Mas naquele momento, ele desejou Arya furiosamente. De um jeito tão incontrolável que fora simplesmente impossível resistir aquele beijo. Deu por si só, agarrando-a morena pelos cabelos, a beijando desesperadamente. Em algum momento, porém, ele recuperou a consciência e tratou de afastar a garota rapidamente.
– O que está fazendo? – perguntou ofegante. Apesar da expressão dura, Arya possuía lábios tão macios quanto excitantes – Isso... Isso é errado... – tentou dizer, em vão, mas no minuto seguinte a Jovem-Lobo o empurrara novamente para a cama e montara em cima dele com um sorriso profanamente divertido.
– Isso é bom. – ela segurou o rosto dele com ambas as mãos e voltou a beijá-lo. A principio Gendry tentou resistir, tentou afastar-se dos toques e beijos da Stark, mas Arya o beijava com tanto calor que ele nunca achou possível. No fim das contas, Arya não era feita de gelo como o restante de sua família... E sim de fogo!
Ao afastarem-se momentaneamente pela falta de ar, Gendry indagou seriamente
– O que é isso? Algum tipo de jogo?!
– Não é jogo nenhum, seu estúpido. – a morena levantou-se, a contragosto e ajeitou o vestido de maneira quase delicada. – Eu queria saber se existe alguma razão para você ser tão convencido. – seu rosto era uma mascara de indiferença. –Eu acho melhor você tomar um banho frio...
E ela se foi tão rápido quanto surgiu, o deixando desnorteado, excitado e principalmente intrigado. Aquilo realmente tinha acontecido? Ao tocar os lábios com os dedos ele constatou que sim, realmente havia acontecido e não havia sido um delírio como ele esperava. Suspirou fundo, tentando recobrar um pouco de calma.
Ela não agiu como Visenya... Foi espontânea e não traiçoeira, como era a Targaryen...
Gendry passou as mãos pelo fios negros, completamente duro.
XXXX
Surpreso. Foi assim que o jovem Rhaegar abriu aquele envelope, dividido entre a curiosidade e apreensão. Ele precisou se retirar para poder ler a carta em particular, e surpreendeu-se absolutamente com o conteúdo da mesma – e não com seu remetente. – os olhos arregalaram-se brevemente, enquanto lia totalmente compenetrado as palavras escritas numa caligrafia impecável e ainda sim, um tanto apressada. Lia, com a porta do quarto devidamente trancada pois não queria ser importunado num momento como aquele, sempre odiou quem lhe invadisse a privacidade – era algo de que ele nunca abriria mão –.
Escrevi-te dez vezes essa mesma carta, mas acho que enfim encontrei as palavras certas. Espero que não fique chateado ou apreensivo com o que vou lhe contar. Eu estou grávida Rhaegar... Gostaria de te avisar pessoalmente, mas as circunstâncias me impossibilitaram. Naturalmente, não tenho condições de retornar agora e mesmo que se tivesse, sei que as coisas entre nós ficariam exatamente como estão agora. Mas eu quero que saiba meu amor, meu querido, que há uma criança em meu ventre e que seu sangue é tão Targaryen quanto Stark.
Carinhosamente, Flor de Lótus.
Ele fitou aquelas palavras com tamanha concentração, que seus orbes marejaram – não de emoção ou qualquer coisa, e sim porque ele ficara muito tempo sem piscar – por fim, piscou e só então percebeu a urgência da situação. Ela está grávida! Isso não era boa coisa, dada-se a situação! Um filho bastardo já seria problema suficiente para um príncipe como ele... Respirou fundo, sem saber ao certo como reagir.
Decidiu atear fogo naquele pedaço de papel, e deixou queimá-lo até que não restasse uma única virgula, um único ponto para contar a história. Depois, ficou encarando as paredes até tomar conhecimento da noite urgindo através da janela. Já estava na hora do jantar e uma das empregadas foram lhe chamar, mas ele graciosamente a dispensou alegando uma indisposição qualquer.
Não podia deixar notável a sua preocupação, que era difícil de disfarçar em um momento como aquele.
Muitas coisas estavam em jogo com aquela descoberta...
XXXX
Copos e vasos encontravam-se estilhaçados no chão. A Rainha andava de um lado para o outro pelo cômodo do quarto, completamente abalada e isso estava mais do que claro para quem quisesse ver; Cersei estava descontrolada. Como não poderia estar?
Após tantos anos de busca... Tantas especulações, tantos receios! Tudo isso chegou ao fim com uma carta vinda do Norte da Inglaterra, assinada com o símbolo da arvore coração e lobos e as iniciais do Rei Ned Stark.
Seu filho Cersei... Eu encontrei seu filho. Essas foram as palavras que iniciaram a carta escrita por ele e que fez com que o coração da loira batesse mais descompassadamente, em claro nervosismo. Gendry estava vivo. Vivo e não morto como havia alegado seu maldito irmão Jaime.
Jaime mentiu, a loira compreendeu e de imediato irou-se. Precisava encontrar aquele garoto.
– Cersei? – Robert adentrou o quarto relutante, apesar de adorar a esposa de todo o coração, ele sempre assustava-se com os surtos repentinos da mesma. E era por isso que eles dois funcionavam juntos.
– Precisamos voltar ao Norte, querido. – ela exclamou rapidamente, encarando-o. Robert não pareceu entender o significado daquelas palavra.
XXXX
Naquela noite, Arya não conseguiu dormir. E ela tentou furtivamente incontáveis vezes. Virava-se de um lado para o outro sem obter o sucesso almejado e, irritada, pusera-se a morder o travesseiro. Uma vez quando estava prestes a entrar no mundo dos sonhos, ela pensou em Gendry e no quanto gostara de roubar aquele beijo do vassalo... E foi isso que a colocou para fora da cama de madrugada. Escapar dos guardas nunca fora problema para alguém como ela, assim como sua loba de estimação, Arya era rápida e discreta e feroz quando o tinha de ser.
Fugir para o cômodo de Gendry foi a coisa mais fácil que fizera até ali. E isso a fez sorrir maliciosamente, pensando que talvez o pegasse no flagra novamente...
Mas não. Assim que abriu a porta do quarto em que ele se encontrava, deparou-se com o mesmo em pé, olhando pela a janela aparentemente distraído. Mas só aparentemente; no instante em que ela colocou os pés no quarto, ele suspirou e exclamou em tom cansado
– Você não deveria estar aqui garota.
– É o meu castelo, eu posso estar onde eu quiser – garantiu ela em tom
O vassalo fungou. Virou-se lentamente para encará-la.
– É assim tão louca para morrer? – questionou com uma sobrancelha arqueada – Porque eu não sou e, perdoe-me Vossa Majestade, mas eu não quero que queimem meu pau ou a minha cabeça em praça pública.
Arya sorriu.
– Sua boca diz uma coisa, mas seu corpo diz outra totalmente diferente. Não se preocupe, eu não vim assediá-lo.
Gendry estreitou os olhos levemente desconfiado, Arya já tinha revelado sua verdadeira identidade; era uma garota impulsiva e completamente perturbada. Por que haveria ele de acreditar no que ela dizia?
– Acho melhor, senhora, voltar ao seu cômodo. Odiaria que Rhaegar ou alguém do castelo a flagrasse aqui...
– Certo, você tem razão. Foi uma estupidez a minha – ela estreitou os olhos – Talvez eu devesse ir até o quarto de Rhaegar e contar a ele o que nós dois fizemos... Tenho certeza de que ele vai achar muito interessan...
Gendry tapou a boca dela, com uma sobrancelha arqueada.
– Decididamente você é louca. – ele constatou, não muito surpreso.
– Sim. – Arya assentiu sorrindo sorrateira, passando a mão pelo rosto dele. – Mas eu não vim aqui para falar de sexo. Na verdade, eu preciso que você me ajude.
Aquelas palavras foram como um balde d’água fria em Gendry, que esperava... Outras coisas da princesinha.
– Que tipo de ajuda? – ele estava mais do que desconfiado nesse ponto, estava temendo pela a própria vida. Aquela garota ainda iria ser a responsável pela a forca dele, disso não havia a menor dúvida.
– Eu preciso que você roube a minha Mimosa.
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