Orgulho e Preconceito

14 Contagem Regressiva


Notas iniciais
Espero que gostemmmmmm Respeitável público! Eu quero agradecer imensamente pelos comentários recebidos e adiantar que li todos eles, eles são muito importantes para minha pessoa, pois é a única forma de saber se estão gostando ou não de alguns fatos e da trama em geral! Prometo que assim que possível irei responder todas vocês!

Eles cresceram juntos. Rhaegar lembrava-se vividamente do momento em que Gendry Waters surgiu em sua vida; eles tinham cerca de seis ou sete anos, e tornaram-se inseparáveis logo de cara, Gendry não era bajulador como muitos príncipes mirins e nem tinha ódio de sua família, era apenas uma criança órfã passando por um momento difícil e que sempre tinha uma resposta acida na ponta da língua. Tornaram-se amigos assim, logo de caras e passavam boa parte caçando borboletas e patos pelos arredores do campo do castelo. Eles riam juntos, duelavam juntos e muitas vezes um consolou o outro, sobretudo em épocas festivas onde o bastardo sentia mais do que nunca a ausência de seus pais, eles eram como irmãos. Então o florescer da juventude veio e, os dois amigos se dividiram, cada qual buscou prazer ao seu modo. Mas eles sempre estiveram lá um pelo o outro quando a noite chegava e a bebida acabava.

Então surgiu o débito entre os dois, esse fato ainda soava recente. O débito que inegavelmente ligava Gendry Waters a Rhaegar Targaryen de maneira, supostamente irremediável. Durante uma batalha contra os invasores vikings, o Waters ficou gravemente ferido – deveria ter por volta de quinze ou dezesseis anos, esse detalhe escapava as memórias do loiro – e teria morrido fatalmente, não fosse por intervenção do dragão que matou o inimigo de maneira sublime. A partir desse dia, a amizade tornou-se mais forte.

Pelo menos era no que acreditava Rhaegar.

Ele não se via amando incondicionalmente Arya, apesar de estar a beira da paixão, mas aquela era a sua noiva. Sua prometida. Não iria simplesmente aceitar que o seu vassalo a roubasse de si, era inadmissível e imperdoável. E facilmente se enquadraria no crime de Alta traição, cuja punição era a morte.

Serviu-se de mais um pouco de vinho, enquanto refletia sobre todas essas coisas, sentado em sua cama. Joffrey tinha acabado de sair e sua mente continuava fervilhando em cima daquele assunto.

Ele não pretendia condenar seu melhor amigo a morte... Mas não iria simplesmente aceitar aquela traição. Ele havia dito a Arya que ela poderia ter o amante que quisesse, contanto que tivesse um filho seu. Por causa da aliança política entre suas famílias...

Mas aquilo mudava tudo. Simplesmente tudo. Rhaegar Targaryen era sangue do dragão, da já extinta Valíria e não permitiria tamanha insolência para consigo. Foi durante um delírio de bêbado, que uma idéia bastante audaciosa lhe surgiu.

Afinal, ele tinha que evitar que aquele envolvimento se tornasse algo ainda mais profundo entre os dois – se é que isso era possível mesmo evitar.

E só havia uma forma de fazer isso.

XXX

Embora estivesse ciente do mau-caratismo do Joffrey, não acreditava que ele realmente seria estúpido o suficiente para desafiá-la, e ir diretamente contar ao Rhaegar sobre o que ele havia visto durante os estábulos. Maldito fosse o Lannister milhões de vezes. Maldito. Ele contou. Com todas as letras e os detalhes possíveis e ainda tendo o rosto como prova concreta do que dizia... Ele contou.

E agora Arya já se imaginava numa praça, caminhando em direção a uma corda para ser enforcada. Esperava-o há um bom tempo, um dos criados havia lhe contado sobre a urgência de seu noivo em falar com ela e claro, ela teve de seguir imediatamente atrás do próprio.

Quando ele finalmente adentrou o quarto, ela pensou que fosse morrer com alguma flecha de besta cravada em seu peito. Mas não. Rhaegar adentrou o cômodo, muito calmo, apesar disso seus olhos pareciam mais escuros do que normalmente e ela sabia que não era um bom sinal. Olhos escuros representavam seriedade e tensão, e nesse momento era tudo o que ela mais queria evitar no mundo.

Arya Stark não era nenhuma criança, conhecia as conseqüências de seus atos apesar de demorar a pensar sobre eles. Tinha plena noção do que a esperava ou assim, acreditava. O jovem dragão se aproximou dela lentamente, com uma expressão que a estava assustando.

– Rhaegar... Sobre o que o Lannister lhe contou...

– Não é algo que eu já não soubesse antes. – ele a cortou de maneira ríspida. – Pensei que depois de meu alerta, você ao menos tentaria ser discreta.

– Eu não imaginava que voltaria a acontecer. – ouviu-se dizendo, e então respirou fundo – Eu rezei aos velhos deuses pedindo para tirar isso de mim...Mas é mais forte do que eu! Sempre quando vejo o rosto de Gendry eu... Sei que isso não é certo, e que você irá me odiar por isso, eu sinto muito.

– A minha pergunta é: Por quê? Você poderia ter se apaixonado por mim, Arya! Nós poderíamos construir algo... O dia de nosso casamento está cada vez mais próximo, e você está irredutivelmente apaixonada pelo vassalo! Por quê?

Era perceptível a frustração estampada no rosto do Targaryen. Ela não podia culpá-lo, talvez se estivesse em seu lugar também se sentisse daquela maneira.

Olhos azuis-claros encaravam os lilás dele, era um contraste interessante. Rhaegar fitou-a em silêncio.

– Eu exijo uma resposta. Isso é o mínimo que você me deve.

Arya sentia sua garganta queimar, não era daquela maneira que as coisas deveriam acontecer. Ela não deveria estar se justificando para seu próprio noivo. Ela não deveria um monte de coisas era verdade, mas naquele momento nada disso tinha relevância.

– Gendry me faz sentir bem.

– Eu poderia fazê-la se sentir bem, Arya, eu quero uma resposta mais completa do que isso. – ele já tinha um plano em mente e não hesitaria em colocá-lo em prática, mas primeiro teria de ouvir da boca dela aquilo que sua mente já havia cansado de repetir tantas vezes naquela tarde. – Me conte. Eu preciso saber o que ele tem que eu não tenho!

– Eu não posso te dar essa resposta, Rhaegar. – ela nunca pensou que fosse se sentir como a Sansa, mas era assim como ela estava se sentindo naquele momento. Patética e fútil, exatamente como a sua irmã mais velha. – Eu não entendo de sentimentos, tudo o que eu entendo é que Gendry me faz bem!

O príncipe dragão esboçou um sorriso, Arya conhecia sorrisos como aquele. Ela estava pisando em falso e agora tudo se desmancharia diante de seus olhos. Cairia dentro de seu próprio abismo, embora não fizesse idéia de como ele havia surgido.

– Se ele te faz tão bem, imagino que não tenha problemas em fazê-lo a levar até o altar no dia de nosso casamento. – aquelas palavras foram um grande baque para a princesa loba, que escancarou a boca incapaz de dizer qualquer coisa. – Que, a propósito, será daqui a quatro dias. Eu e seus pais finalmente entramos em um consenso sobre a data... – ele fez uma pequena pausa, limpando bem a garganta – Gendry voltará para a França e, você e eu ficaremos aqui. O casamento será a única despedida que vocês dois terão, esteja avisada.

{CONTINUA}