Notas iniciais
Espero que gostem, Boa leitura! minha mão está doendo por causa da tendinite então só vou retornar no domingo, provavelmente espero q me perdoem

Arya não saiu de seu quarto após a difícil conversa que tivera com seu noivo. Rhaegar estava irredutível quanto a idéia absurda de seu vassalo levá-la até o altar, para ele, e a pequena Loba tinha receio de não conseguir escapar da tragédia que estava se aproximando. Estava deitada em sua cama, fitando o teto fixamente enquanto as lágrimas jorravam discretamente de seus olhos. A vida era realmente cômica; a principio quis se aproximar de Gendry para conseguir uma aliança, talvez uma ajuda para fugir daquele compromisso e posteriormente do castelo, mas com o passar dos dias, algo estranho desabrochou dentro de si e toda vez que via o vassalo, sentia vontade de beijá-lo e de provocá-lo. Um suspiro alto escapou do fundo de sua garganta, enquanto ela refletia a cerca dos últimos acontecimentos. Eu deveria ter sido mais cuidadosa, se não tivesse sido tão imprudente em beijá-lo nos estábulos o maldito Joffrey não teria visto e assim, não teria nada a entregar ao seu querido noivo.

Ela estava ferrada, sabia que Rhaegar não contaria aos seus pais... Só que havia um preço para isso e ela não tinha certeza se estava pronta para pagar. Conhecia bem a punição para casos rotulados como a Alta Traição, era um dos crimes punidos com enforcamento... Bufou frustrada, rolando para o outro lado da cama. Onde estaria Gendry? Gostaria de saber se o seu noivo também contaria a novidade ao moreno, ou se faria uma surpresa.

Então houve batidas na porta, que ela fizera questão de trancar, não estava disposta a receber ninguém em seus aposentos.

Mas com o passar dos minutos as batidas continuaram de maneira incessante, e a jovem princesa obrigou-se a pular da cama e a abrir a bendita porta. Não importava que fossem seus pais, os criados... Ela simplesmente não queria ver ninguém!

Definitivamente Arya Stark não poderia ficar mais surpresa. Ali diante de seus olhos estava a figura de uma verdadeira Lannister.

Cersei, mais especificamente. A rainha de cabelos dourados e expressão feroz que constantemente provocava a ira de sua mãe; e em alguns momentos até mesmo a sua.

– O que... Vossa Graça, o que deseja? – ela forçou-se a ser cordial, odiaria ser castigada ou acusada de algo que não tinha a intenção (naquele momento) de fazer.

– Desculpe-me por interromper seu descanso, princesa. Eu gostaria de dar uma palavrinha com você pelos arredores de Winterfell, seria pedir muito? É urgente e como deve estar ciente, não acredito na eficiência das paredes... Você sabe.

– Eu não estou me sentindo bem, Vossa Graça, receio...

– Oh, Arya, por favor, pode chamar-me de Cersei como sempre o faz, seus pais não estão por perto. – ela parecia bem disposta a tirar a princesa Stark de dentro do quarto. Algo é claro que não foi bem-visto pela a morena de olhos azuis. O que essa mulher pode querer comigo?! E então imediatamente a imagem dela fechando os punhos e acertando o rosto desgraçado de Joffrey lhe veio a cabeça... – Não vim aqui importuná-la para falar de Joffrey,se é o que quer saber.

A jovem arqueou uma sobrancelha, agora genuinamente interessada.

– Certo, vamos ao jardim então. – rendeu-se. Sua curiosidade sempre foi seu maior defeito, sempre a fazia tropeçar em péssimas decisões. Não que isso importasse naquele momento.

XXXXX

Gendry estranhou quando o príncipe não apareceu nos estábulos. Mas imaginou que talvez ele estivesse devidamente entretido com sua noiva... Tal pensamento o fez bufar incontáveis vezes, Gendry Waters não era um homem que se encantasse facilmente com uma mulher e quando o acontecia, tinha de ser justo a futura esposa de seu melhor amigo?! Imerso em tais devaneios, sequer percebeu quando alguém surgiu em seu caminho.

Era um homem alto, louro de cabelos tão dourados quanto o sol e olhos verdes, ao julgar pelo porte altivo só podia se tratar de um cavaleiro. Ele conviveu com cavaleiros tempo o suficiente para saber que todos pertenciam a mesma laia: arrogantes, insensíveis e normalmente sem escrúpulos para sentir remorsos de alguns atos pouco louváveis.

Ele encarava Gendry fixamente e de um jeito que fazia parecer que não era a primeira vez que o via. Isso o fez franzir o cenho, irritado.

– Posso ajudar em algo? – perguntou com a voz elevada, tencionando caminhar em direção ao castelo e posteriormente aos seus aposentos. O homem o impediu.

– O príncipe Targaryen exigiu que eu o chamasse. – respondeu frivolamente, lançando um estranho olhar a Gendry – Tem a ver com o soco que você deu em Joffrey Baratheon. – adiantou o assunto, saboreando o pesar das palavras.

Maldito leãozinho. O covarde havia tido a audácia de dizer que ele havia-o socado? Desgraçado fosse! Aquilo não ficaria daquele jeito; mesmo que Rhaegar o expulsasse e o enxotasse para a França novamente, Gendry daria um bom motivo para Joffrey se queixar a se ia.

Mas não estava em seus planos certamente dizer que a responsável pelo soco fora Arya, não gostaria de ver a garota encrencada a maldita verdade é que gostava dela mais do que deveria.

Crispou os lábios.

– Ótimo. – murmurou, esbarrando propositalmente no cavaleiro e marchando em direção ao castelo.

XXXXXX

Há algumas milhas de distância do castelo britânico, vinha a comitiva do príncipe Baratheon e os cavaleiros de sua guarda real. Melissandre seguia dentro da carruagem com o moreno de olhos claros e mantivera-se quieta durante boa parte da viagem, sempre fitando as paisagens e vez ou outra tocando em seu colar pedindo a algum deus antigo por sabedoria. Renly bebia calmamente um pouco do vinho escocês, e batia freneticamente as pernas uma na outra em sinal claro de ansiedade. Sabia que Robert não iria ficar nada contente em vê-lo ali, mas que se danasse, ele queria ver com os próprios olhos o seu sobrinho – o que de fato era um Baratheon – esse pensamento fez com que uma risada escapasse de sua garganta, ah sim, Joffrey seria passado na linhagem de sucessão! Isso seria delicioso de se ver. Pena que Tyrion não esteja presente, ele adoraria, disso tinha certeza. O anão, irmão da sua frívola cunhada, era de fato o único Lannister de quem ele era fã.

– Você está quieta, Mel. Quer um pouco de vinho? – perguntou sorrindo, seus olhos claros brilhavam de um jeito único.

A bruxa suspirou fundo.

– Pela vigésima vez, Vossa Graça, eu não quero. Estou...

– Já sei, já sei, algum ritual macabro envolvendo jejum – ele riu – Esses são os piores tipos, você poderia sacrificar uma ovelha ou até mesmo o meu garanhão, mas ficar um mês sem saborear o vinho? É mais um castigo do que um ritual.

Melissandre esboçou um sorriso.

– Nem todos têm o estomago forte para bebidas, Vossa Graça. – embora nitidamente se tratasse de uma mentira. Ela não só tinha estomago para bebidas, como era dez vez mais resistente do que o galante príncipe a sua frente. Não que isso importasse é claro.

– Oh, certo. Já entendi. – fez-se de ofendido. – Está com medo de que eu me aproveite de você? Oh, Mel, sabe que eu seria incapaz de tal coisa.

Ela conseguia ver o futuro de Renly, e mesmo que algumas pessoas achassem que fosse previsível, o destino iria surpreender cada um dos incrédulos. Renly Baratheon tinha potencial... E também sífilis, mas isso não dizia respeito a sacerdotisa. O trabalho de Melissandre era apenas intervir em futuras tragédias...

– Você é muito galante, Vossa Graça, não precisa seduzir-me com vinho.

Na verdade, ele não precisava seduzir ninguém através de bebida, ele era com toda certeza o Baratheon mais bonito – ao menos, dos irmãos.

A ruiva fitou a paisagem novamente.

– Estamos quase chegando. – informou despreocupadamente, mas seu príncipe estava mais interessado em entornar a garrafa de vinho.

– Esse menino...Gendry... Ele terá o melhor tio que a França ou a Inglaterra já tenham visto.

XXXXXXX

O céu ameaçava derramar água a qualquer instante, e assim mesmo não impediu Cersei de arrastar a jovem loba pelos jardins, sua insistência e determinação em conseguir o que almejava fez com que Arya cedesse, e a bem da verdade é que ela estava curiosa para saber o que diabos a leoa poderia querer de si.

Andavam devidamente afastadas uma da outra, por não possuírem intimidade o suficiente e pela desconfiança ser latente em ambas.

– Você disse que não tem a ver com o Joffrey... – começou Arya, pensativa – O que quer de mim, Cersei?

A rainha parou de andar e abruptamente a própria Arya abandonou seus passos.

– Eu serei breve, Stark.

Os olhos esverdeados escureceram, prendendo imediatamente a atenção da loba.

{CONTINUA}