Notas iniciais
Boa leitura. Espero que gostem! Estou retomando o ritmo da fanfic, então me desculpem pelo que sair auhehuaheua

Assim que abriu a porta de seu quarto, e se deparou com Rhaegar – agora definitivamente sóbrio – um misto de sentimentos a invadiu: ora vergonha por ele ter descoberto sobre suas idas aos aposentos de Gendry, ora raiva pelas palavras um tanto grosseiras que ele havia lhe dito, e ora paixão ao se lembrar do beijo nada gentil que o príncipe havia lhe roubado... Ela apostava meia dúzia dos vestidos de Sansa, como deveria estar vermelha naquele momento.

O Targaryen foi o primeiro a se dispor a quebrar o silêncio entre eles.

– Dormiu bem, pequena loba?

– Sim, e você? – os dois agora andavam juntos, lado a lado pelo castelo seguindo em direção as escadas.

Embora não estivesse olhando para seu rosto, ela sabia que ele sorria.

– Não muito bem, acordei nu debaixo da minha própria cama. – ele riu, era um som bonito a ser escutado. – Parece-me que fui embriagado ontem a noite. – ali estava; a acusação que ela sabia que viria.

Não pôde deixar de rir imaginando a cena.

– Lamento muito por isso, Vossa Graça. Mas acredito que tenha sido melhor assim – ela parou e automaticamente ele parou também, ficaram frente a frente se encarando. Ela acrescentou – Você estava muito perturbado e dizia coisas desconexas...Imaginei que um pouco de vinho o faria dormir melhor.

Ele crispou os lábios. Agora se acreditou ou não em suas palavras, ela não sabia dizer.

– Eu lembro muito pouco de ontem, minha senhora. Se a fiz passar por algum constrangimento eu... Peço desculpas, sinceramente.

Foi a vez dela de balançar a cabeça afirmativamente.

– Não há pelo o que se desculpar. – embora acreditasse que sim, não queria voltar naquele assunto novamente. Era bom encerrá-lo de uma vez.

Enquanto desciam as escadas, Arya foi assaltada pela certeza de que alguém os observava; quando olhou para trás, tudo o que viu foram os olhos azuis e grosseiros do vassalo a fitando fixamente. Ela abriu a boca para dizer algo, mas Gendry desapareceu tão logo quanto surgiu.

Aquele breve vislumbre foi o suficiente para o coração de Arya bater mais forte no peito. Uma estranha sensação tomou conta dela... Não era um bom sinal, decididamente.

X

Quando enfim chegaram a sala de jantar, ela viu tudo o que não gostaria de ver, ao menos naquela manhã...E naquele século: estava lá o gordo Rei Robert, sentado próximo ao seu pai e os filhos desagradáveis dele – com exceção provavelmente de Myrcella, que era gentil demais para ser cruel – Tommen, o chorão e Joffrey, o babaca. Ao julgar pelo semblante de seus irmãos; especialmente de Jon, a felicidade em partilhar da mesma mesa que eles passava a quilômetros de distância dali.

Olhando mais atentamente ela percebeu a presença de outras duas pessoas, o irmão da rainha, Jaime e a irmã de seu noivo, Daenerys Targaryen. Uma moça bonita e que aparentava ser simpática. Arya esperava que fosse quase tão boa quanto seu irmão. Surpreendeu-se ao constatar que Cersei não estava presente, pelo menos não seria infernizada durante o desjejum!

– Aí esta ela! – a voz de Robert era tão barulhenta quanto os trovões. – Arya Stark, princesa da Inglaterra... Quem diria que a lobinha indomável iria se casar?! Ainda mais com um Targaryen! – ele gargalhava estrondosamente, fazendo a mesa balançar.

Ela sorriu sem o menor animo para tal, e ao seu lado o príncipe loiro se manifestou.

– A moça tem bom gosto.

– De fato – concordou Robert, com o rosto vermelho de tanto rir. – Mas diga-me, garoto dragão, como fez para convencê-la a se casar com você? Um lobo e um dragão? Isso parece-me pouco natural.

– Ora, é tão natural quanto um veado se envolver com o leão. Diz as línguas da natureza que o veado nasceu para ser a presa e não companheiro do leão. – ele parecia estar brincando, mas Arya via as maldades nas palavras ditas.

Ela não soube o que pensar, não sabia que havia alguma rivalidade entre os Baratheons e os Targaryens, achava que apenas os Lannisters desprezavam os dragões. Aquele era um fato novo para ela.

– Muito bem – interveio Ned, antes que seu amigo se dispusesse a rebater – Sentem-se vocês dois, o café esta servido, estávamos apenas esperando por vocês.

Arya assentiu e sentou-se numa cadeira próxima a Rhaegar, infelizmente sua cadeira ficava de frente para Joffrey. Pelo canto do olho ela podia ver Jon se debatendo para não rir. Cretino traidor! Pensou enfezada.

– Isso é bom. – exclamou seu noivo sobre algo que ela não prestou atenção. Então, percebendo que Catelyn não tirava os olhos sobre si, Arya resolveu fazer a linha boa moça.

– Desculpe, o que é bom? – ela perguntou fingindo interesse.

– Bolo de limão. – ele sorriu. Ela retribuiu o sorriso – Na França costumam fazer muito bolo de ameixa, não é nada extraordinário.

– Ameixa é horrível. – ela comentou.

– É desprezível. – concordou ele. – Imagino que não tenha tomado chá de ameixa?

– Uma vez. – ela respondeu. – E então eu vomitei e decidi que nunca mais.

Enquanto conversavam e teciam comentários sobre uma ou outra coisa que não gostavam, Daenerys fitava-os de um jeito profundamente interessado. Sorrindo afetuosamente ela comentou em voz alta para que todos pudessem ouvir.

– Oh, eles não formam um casal adorável?

– Formam sim. – Catelyn sorriu contente, imaginando que aquela união Arya não conseguiria arruinar. Todos os fatores conspiravam a favor, até mesmo ela,sem que percebesse. – Um brinde ao príncipe e a princesa Targaryen! – e então começou uma salva de palmas destinada ao casal, e um brinde incessante.

“Princesa Targaryen”. Targaryen e não Stark. A morena sentiu um tremor dentro de si, e fez o seu melhor para não vomitar o pedaço do bolo de limão. Ela não tinha parado para pensar naquela possibilidade ainda, mas assim que se tornasse oficialmente uma Targaryen, jamais voltaria a ser uma Stark e isso a deixou entristecida.

XXXX

Gendry não entendia como podia estar se sentindo traído, se não tinha nenhum vinculo em especial com a garota. Era uma sensação estranha e completamente frustrante. Havia sido convidado a tomar o café da manhã com a família Targaryen e Stark, mas optou em tomar o desjejum na cozinha com os demais criados. Continuava a sentir uma raiva descomunal de Rhaegar e embora procurasse explicações para isso, não conseguia. O fato era que a imagem dele ao lado de Arya incomodava muito o vassalo, muito mais do que deveria.

Arya não era como as outras princesas que o Targaryen tinha conhecido. Ela era diferente.

Ele virou o copo outra vez. A cerveja desceu como o fogo por sua garganta e ele bufou, não gostava de coisas quentes. Bem, não gostava de cervejas quentes. Mas não podia reclamar, aquilo era o melhor que certamente encontraria ali na cozinha.

– Você quer mais um pedaço de pão? – ofereceu-lhe Merreca, uma anã gorducha que cozinhava muito bem.

– Quero. – estava com mais fome que achava que fosse possível e tinha plena consciência de que suas funções duplicariam, agora que havia outra família real dentro do castelo. Merreca então colocou mais duas bandas em seu prato – Obrigado. – agradeceu e a anã sorriu voltando aos seus afazeres. Era uma das poucas pessoas que era realmente agradável com ele, além de ser naturalmente simpática. Gendry gostava da companhia dela. Após comer os pães afoitamente, ele ganhou mais um pouco de cerveja quente e a bebeu sem cerimônias.

Quando enfim terminou a refeição, decidiu ir diretamente para os estábulos para preparar o garanhão preferido do Targaryen. Diariamente ele saia para cavalgar pela manhã, principalmente se estivesse de ressaca era praticamente uma tradição inquebrável. Estava passando pelo corredor apressadamente, quando aconteceu.

Não foi intencional ou planejado, ele simplesmente esbarrou na mulher.

– Será possível...?

– Oh! Desculpa, senhorita, eu não tive a intenção. – adiantou-se ele temendo uma reprimenda não bem-vinda.

Era uma mulher alta, vestido um longo vestido vermelho, tinha os cabelos loiros, mas de um tom diferente dos Targaryens e possuía olhos verdes e não lilás.

– Não se preocupe, foi apenas um esbarrão. – a mulher o encarava fixamente de um jeito que o deixou um tanto quanto perturbado.

Ele assentiu e preparou-se para deixar o corredor, mas a estranha segurou em seu braço o impedindo.

– Como você se chama rapaz?

Ele estranhou aquela pergunta, contudo, era bastante comum chamar a atenção das mulheres nobres, havia algo de excitante em um “pobre vassalo”.

– Gendry. Gendry Waters. – ele franziu o cenho e olhou para o braço que a mulher continuava a segurar. A loira ao percebê-lo, afastou-se imediatamente.

– Desculpe-me, Gendry. É que... Você parece alguém que eu conheço. – sua voz saiu num sussurro falho.

Ele dera de ombros, em que aquilo lhe seria relevante?

– Certo. Perdoe-me, senhorita, mas eu preciso ir. Os cavalos não vão se preparar sozinhos. – e então tornou a andar rapidamente, em direção aos estábulos.

XXX

Demorou muito e dependeu de muito esforço para conseguir se livrar deles, mas Arya conseguiu. Esquivou-se ao menos temporariamente dos compromissos que sua mãe havia planejado para si naquele dia. Rhaegar pareceu ficar desconfiado com suas desculpas dadas, e como era já de se esperar ele ofereceu-se para ir junto. Ela recusou gentilmente, alegando que precisava ficar um pouco sozinha.

Isso não era verdade. Ela estava atrás do vassalo, é claro. Precisava da ajuda dele.

O encontrou nos estábulos, sozinho e com o semblante concentrado... Ou talvez fosse raiva, ela não soube o que pensar.

– Gendry? – chamou-o hesitante. Ele não atendeu seu primeiro chamado, ou fingiu não escutá-la. – Gendry! – chamou novamente, dessa vez gritando para a ter a certeza do que desconfiava. Novamente, ele não lhe deu atenção. – Será que dá pra você falar comigo?! – explodiu em um ataque de raiva, empurrando-o com força e fazendo-o finalmente a encarar. – Por que está me ignorando?

Os olhos azuis dele estavam transbordando em pura fúria, e ela tentou pensar em algo que pudesse ter feito para deixá-lo daquele jeito.

– Você não deveria estar aqui, princesa. – seu tom de voz era ainda mais ríspido que o habitual.

Ela arregalou os olhos, ele a estava expulsando?!

– Por quê?

– Alguém pode nos ver e pensar bobagens. – ele estava nitidamente com raiva, e ela não fazia a mínima idéia do que fosse, apesar de ter certeza de que tinha a ver com ela. – Eu terei de pedir para que saia, princesa.

– Os estábulos são do meu castelo. – ela irritou-se.

– Sendo assim, eu sairei. – quando ele tencionou dar dois passos para fora dali, ela o puxou pelo braço.

– Você disse que ia me ajudar. – ela estava confusa. Não conseguia pensar em nada que o pudesse ter aborrecido. – Está com raiva de mim? Eu...Eu te fiz alguma coisa? – patética. Arya Stark nunca se sentira dessa forma, até aquele momento.

– Eu vi Rhaegar saindo do seu quarto ontem à noite. Imaginei que tivesse pedido ajuda a ele também.

Aquelas palavras soaram tão absurdas, que por um longo minuto Arya não soube o que dizer ou se deveria dizer alguma coisa.

– Você...Você o que? Estava me espionando por acaso?

A acusação fez um leve rubor tomar conta das bochechas do Waters.

– Espionando? De maneira alguma, senhora, eu estava passando pelo corredor e...Acidentalmente vi o príncipe deixar seu quarto.

Arya arregalou os olhos e então tombou a cabeça para trás, explodindo em gargalhada. A risada dela, intensificou ainda mais a raiva que ele estava sentindo.

– Do que diabos você pode estar rindo?

– Ora...De você! – ela parou de rir subitamente, mas um lindo sorriso floresceu em seus lábios, irritando ainda mais o vassalo. – Você está com ciúme de mim, Waters.

Aquela hipótese o fez cuspir no chão.

– Ciúme? De você? – quem aquela garotinha pensava que era? – Nunca nessa vida,senhora. – dizia quase rosnando.

– Não precisa ter ciúme, Gendry. Não aconteceu nada entre Rhaegar e eu – por que estou me justificando? Eu não tenho que me justificar, ainda mais para esse cretino!— É por isso que está com essa cara? Por que o viu deixando meu quarto?

Quando ele não respondeu e mordeu o lábio, se recusando a encará-la nos olhos, Arya não pensou duas vezes antes de virar o rosto dele e o tomar abruptamente em um beijo sôfrego, desesperado. Foi instinto, mais forte do que ela. A principio ele relutou em corresponder, provavelmente não acreditava em suas palavras...Mas lentamente foi concedendo passagem, até que a língua dela estivesse completamente dentro de sua boca. Ele fechou os olhos deixou-se ser beijado, enquanto a garota levava suas duas mãos ao rosto dele, segurando com firmeza.