Orgulho e Preconceito
12 A Bruxa
Notas iniciais
As chamas consumiam as paredes e os moveis do castelo, tornando-se cada vez mais espessas e ameaçadoras. O teto começava a desabar.
– Precisamos sair daqui! – gritou o moreno.
– Não vai dar tempo! – rebateu a mulher, envolvida com o casaco de pele que ele havia achado em alguma parte do castelo destruído.
Era visível a dor e a aflição nos olhos dele.
– Eu vou te tirar daqui. Se chegarmos até as janelas, talvez eu consig...
Ela segurou firmemente no rosto dele, a fumaça estava começando a afetá-la.
– Não! Eu não vou deixar essa casa sem você. –sussurrou em meio a uma crise violenta de tosses. – Eu prefiro morrer a viver uma vida sem você.
Ele olhou-a nervosamente, emocionado com a repentina declaração.
– Você não pode morrer comigo, Arya. Eu...Nunca me perdoaria...
– Eu não perdoarei você, se me deixar viver nesse mundo sozinha! – declarou desesperada.
Os olhos estavam transbordando em lágrimas e o rosto quase tão quente quanto às chamas ao redor deles. Aquela visão o devastou por completo. Ela não merecia morrer daquela forma! Após um longo minuto em silêncio, a Stark tornou a falar:
–Cê sabe rezar? Reza comigo. Tem que ter fé.
–Eu não acredito num Deus que parece se divertir com o sofrimento do outro.
– Eu sei o quanto está sofrendo, eu... eu sinto muito, me dói muito vê-lo assim. Eu queria tanto que fosse diferente. Que tudo fosse diferente.
–Que Deus é esse Arya? Que parece se divertir, que permite que os que se amam se separem. Que permite que você... que eu amava..."
Ela acordou, completamente banhada de suor. Sentou-se na cama, ainda meio tonta pela visão nítida que acabara de ter. Ela já estava acostumada a ter visões, é claro, esse foi um dom (ou seria maldição?) que havia nascido com ela e desde que era uma garotinha, ela tinha vislumbres do futuro. Mas nenhum havia sido tão forte e nítido quanto essa, a visão era de um futuro recente, ela podia sentir isso. Respirando fundo, fechou os olhos e tentou se concentrar no rosto do homem que estava com a princesa...
Gendry, as vozes em sua cabeça sussurram o nome. Gendry Baratheon. Ela franziu o cenho e, com a respiração ofegante, passou a mão pelos longos cabelos vermelhos. Aquela visão consumiu muito de sua energia, o que significava que ela provavelmente não dormiria mais naquela noite. Atordoada, levantou-se da cama, completamente nua e pegou um robby de cetim, enrolou-se nele e marchou em direção a porta do quarto. Chegando ao longo e escuro corredor, ela escorou-se em uma parede afim de se equilibrar. A semente é forte, continuaram as vozes. Será que a semente era essa? Precisava dizer isso a sua Majestade imediatamente.
Andou apressadamente até encontrar a porta que procurava. Podia estar escuro o quanto quisesse, Melisandre era acostumada com a escuridão e já conhecia todas as passagens e os segredos daquele castelo. Ela não temia invasores, pressentia quando eles estavam a caminho.
Bateu duas vezes e esperou. Por sorte seu rei encontrava-se acordado. Ela agradeceu aos deuses por isso. Assim que a porta abriu, revelando o Baratheon mais novo, a ruiva fez uma pequena reverencia.
– Melisandre? O que faz aqui há essa hora? – perguntou com o cenho franzido. – Alguma visão importante?
– Sim. E desesperadora. – ela disse com urgência. – Eu tive um vislumbre, Vossa Graça... Do seu sobrinho. O primogênito. As vozes dizem-me a semente é forte.
Aquelas palavras não eram estranhas a ele. Com uma sobrancelha arqueada em descrença, ele abriu a porta, dando passagem para a mesma adentrar seus aposentos. Melisandre nunca permanecia em um lugar por muito tempo, ela ia onde acreditava ser necessária. Já passou algum tempo com os Targaryens, algum tempo com os Lannisters e agora, com os Baratheons. A bruxa, como era chamada maldosamente pelos ignorantes, tinha muitos dons e muitas vezes eles se mostravam necessários as causas dos reis. Apesar disso, secretamente ela tinha seu favorito.
– A semente é forte. – Renly repetiu as palavras lentamente, lembrando-se da primeira vez em que ouvira aquela frase, há tantos anos antes. – Conte-me, Melisandre, o que exatamente você viu?
Embora alguns considerassem heresia o que ela fazia, a ruiva nunca era expulsa dos lugares que visitava, isso porque suas visões eram muito precisas e dificilmente erradas. É claro que não era todos os reis que a aceitavam, mas ela não se importava, gostava de ser útil.
– Eu vi fogo. Fogo por todos os lados. Eu vi o primogênito tentando proteger a garota e o castelo inteiro em pedaços. – as palavras estavam engasgadas em sua garganta, e ela precisou de quase um litro e meio de água para continuar – Eles caminham em direção a morte.
Renly sentou-se em sua cama, e indicara com a cabeça de que ela deveria fazer o mesmo. Ela aceitou de bom grado, pois se encontrava exausta física e psicologicamente.
– O nome desse primogênito... – perguntou relutante. – Não seria Joffrey, seria?
Ela negou com a cabeça.
– O nome dele é Gendry, ele é vassalo dos Targaryens. Eu o conheci alguns verões atrás... Ele é o herdeiro legitimo dos Baratheons. Ele é o único Baratheon concebido pela rainha.
Renly não era inocente, sabia o que aquelas palavras significavam. Limitou-se a encará-la fixamente.
– O que mais você viu?
Ela tentou se lembrar de como a visão começara,fechou os olhos por um momento e então disse.
– Eu vi lobos uivando.
Starks. Decidiu Renly preocupado. Passou as mãos pela longa barba e então estalou os lábios.
– Precisamos avisar a Robert...
– Não! – Melisandre negou. – Temos de chegar primeiro ao bastardo, ou os Targaryens chegarão antes de mim. Escute-me Renly, você precisa fazer alguma coisa. Você é bom, você pode fazer algo para impedir isso.
– Isso o que você diz, no caso a morte de meu sobrinho misterioso? – ela balançou a cabeça em afirmação. – Certo, podemos tentar dar um jeito nisso. Afinal eu me preocupo com o futuro dessa família – suspirou – Mas acho que não dá para salvar o mundo em plena madrugada, quer um pouco de leite de papoula para dormir melhor?
Ela novamente aceitou. Estava tremula, suada e completamente perturbada. Aquela visão podia ser mudada, assim como muitas outras já mudas por ela... É claro que assim como as outras, teria um preço a ser pago.Melisandre não se importava, aquele menino era o futuro da casa Baratheon. E a garota Stark...
Bem, ela faria o que estivesse ao seu alcance para tentar mudar aquele futuro. Era um futuro manchado com sangue e fogo.
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