Orgulho e Preconceito
13 A loba e o leão
Notas iniciais
Quando ele não respondeu e mordeu o lábio, se recusando a encará-la nos olhos, Arya não pensou duas vezes antes de virar o rosto dele e o tomar abruptamente em um beijo sôfrego, desesperado. Foi instinto, mais forte do que ela. A principio ele relutou em corresponder, provavelmente não acreditava em suas palavras...Mas lentamente foi concedendo passagem, até que a língua dela estivesse completamente dentro de sua boca. Ele fechou os olhos deixou-se ser beijado, enquanto a garota levava suas duas mãos ao rosto dele, segurando com firmeza.
Gendry retribuiu o beijo ferozmente, sentindo um misto de paixão e raiva que nunca sentiu antes com tanta intensidade. Invariavelmente fechou os olhos para sentir a boca da princesa sobre a sua. Levou suas mãos até a cintura dela, puxando-a mais para si. Arya suspirou durante o beijo, sentindo-se terrivelmente quente sobre os braços fortes do vassalo. Ela não duvidava de que teriam ido mais longe, não fosse a maldita voz Lannister atrás de si.
– Ora, ora... O que é que temos aqui? – separaram-se bruscamente, estupefatos pela surpresa e Arya virou-se desesperada para encarar o responsável pela intromissão.
Gendry abriu os olhos, sentindo um nervosismo que não lhe era comum.
– Joffrey! – Arya cuspiu no chão ao vê-lo.
– Não será estranho, quando eu contar ao senhor seu pai o que estava prestes a fazer dentro do estábulo?
Antes que o vassalo partisse para cima do príncipe, a Loba de Winterfell resolveu agir. Cerrou os punhos e então acertou o rosto do Lannister em cheio, com toda raiva que havia acumulado dentro de si durante todos esses anos.
– Diga a eles o que você viu Joffrey, e eu juro que lhe darei aos pedaços para Nymeria comer. – ameaçou ela rudemente.
O garoto loiro, tremulo levantou-se do chão com o nariz sangrando e os olhos cheios de lagrimas. Arya arqueou a sobrancelha em desafio e, atrás de si, Gendry explodiu em gargalhadas.
– Vá, leãozinho. Ou você terá um destino pior que virar comida de cachorro – exclamou o vassalo, sorrindo sarcasticamente nos lábios. Ergueu o punho em uma ameaça silenciosa e isso foi o bastante para fazer Joffrey sair dali, aos tropeços.
Arya mordeu os lábios, zangada demais para dizer algo, enquanto o moreno tentava recuperar parte de sua compostura habitual. Aquela bendita garota o desconcertava! Isso era ridículo.
– Se ele contar o que viu... – começou o moreno receoso.
– Ninguém irá acreditar. – Arya o tranqüilizou, enquanto ajeitava o vestido bagunçado e os cabelos. Gendry era realmente mais selvagem do que ela pensava, e ela estava adorando isso. – Joffrey é conhecido pela língua grande – acrescentou, indiferente aquela possível ameaça.
Todavia o moreno de olhos azuis não partilhava da mesma tranqüilidade da garota.
– Princesa, eu acho melhor você sair daqui. – seu rosto estava sério, mesmo assim ele sustentava o rubor em seu rosto. Ela não soube como interpretar aquilo. – É perigoso.
Ela sentia-se completamente frustrada, queria mais daqueles beijos e daquelas mãos em si, infelizmente seu lado racional sabia que ele estava certo. Era arriscado permanecer ali, tivera sorte de o intruso ser Joffrey mas sabia que não teria a mesma sorte novamente.
– Gendry eu... –começou dizendo, mas de repente se calou e ficou a encará-lo. – Eu não quero colocá-lo em problemas, mas eu não consigo ficar longe de você. – as palavras praticamente saltaram de sua boca, antes que pudesse se conter.
O vassalo é claro, não podia estar mais surpreso. Eles se encararam momentaneamente,
– Você é louca garota. – foi a única resposta dele.
Arya fitou-o com raiva.
– Talvez eu seja mesmo, por gostar de um estúpido como você! – grunhiu e, então deixou os estábulos correndo o mais rápido que conseguia. Ainda pretendia roubar sua mimosa, e iria fazê-lo assim que aquele cretino deixasse os estábulos do contrário, não se chamaria Arya Stark.
Ele a observou partir, completamente fascinado com o jeito da loba. Não podia negar que a garota tinha uma coragem de ferro, e isso podia acarretar em confusão. Mas ele estava começando a acreditar que talvez valesse a pena. Arya era única.
Ele passou as mãos nos lábios, como uma garotinha idiota faria ao beijar um príncipe e viu-se rindo da situação. O que diabos essa garota está fazendo com você, Waters? Isso é tão ridículo! O fato era que ela bagunçava seu corpo e sua mente de um jeito completamente perturbador.
XXXX
Joffrey Lannister não era conhecido por sua misericórdia e, decididamente não era alguém que esquecesse as afrontas feitas a si. Ele era um leão e como todos os leões sempre estava pronto para atacar, para defender a honra que achava que tinha. E se a pequena Loba acreditava que iria se sair daquela, estava redondamente enganada. Ele iria contar tudo a Rhaegar, mesmo que isso lhe custasse os dentes posteriormente.
Adentrou o castelo como um furacão, empurrando todos que surgiam em seu caminho. Seu rosto não estava no melhor estado, poderia perceber isso pela a maneira com que o encaravam. Isso encheu o pequeno príncipe de uma raiva aguda. Maldita fosse a Stark.
– Onde é o quarto do Targaryen? – perguntou a um dos criados, praticamente trincando os dentes.
Quando lhe indicaram a direção, ele soltou o criado com tudo no chão e saiu praticamente correndo em direção a porta do quarto. Arya não escaparia com tanta facilidade, ela iria lhe pagar... Iria lhe pagar caro pelo soco que lhe dera.
Bateu na porta algumas vezes, mas não obteve respostas e então resolveu abrir abruptamente a mesma.
– Rhaegar. – seu tom era arrogante e desmedido.
O príncipe estava se trocando para cavalgar, quando o Lannister literalmente invadiu seus aposentos reais.
– Quem o deu permissão para entrar em meus aposentos? – questionou, no mesmo tom arrogante que o loiro.
– Isso fica para outro momento. – Joffrey tinha a boca cortada e o rosto estava cheio de sangue, isso alarmou o príncipe. – Eu vi sua noiva aos beijos com seu vassalo nos estábulos, e ela me socou por isso. Eles teriam ido mais longe se eu não tivesse aparecido.
Rhaegar encarou-o seriamente, mas era como se nem tivesse escutado o que ele lhe dissera. Repentinamente estacou no lugar, com o rosto voltado para o nada.
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