CAPÍTULO OITO – ÊXTASE


Hyoga acordou com o cheiro das famosas e deliciosas panquecas de Afrodite, que as preparava enquanto cantarolava ‘Sweet Dreams’, um clássico dos anos oitenta. “Bela maneira de despertar”, pensou ele, que nos últimos dois meses sentiu muitas saudades do tio, das enormes pilhas de panquecas cobertas de mel e dos clássicos cantarolados distraidamente.

– O cheiro está ótimo, Dite! Tanto que dá até pra relevar o tom desafinado. – o jovem provocou ao se aproximar e beijar a face do tio.

– Se continuar com o atrevimento não ganha café da manhã, moleque! – Dite voltou a cantarolar, ignorando o comentário. – Passa esse outro prato, por favor? – o sueco apontou um prato de porcelana sobre o balcão, próximo a Hyoga, enquanto segurava a frigideira sobre o fogo com a mão esquerda. – Então, quais são os planos pra hoje?

– Prova na faculdade à tarde e servir bebidas na Stonehenge à noite. – o mais jovem entregou o prato ao tio, mas logo que se virou para sentar à mesa, ouviu a peça se estilhaçando no chão. – Dite? Está tudo bem? – se exasperou.

– Claro que está, garoto, é só um prato quebrado! – irritou-se Afrodite, numa atitude bastante exagerada. – Desculpe, é que detesto quebrar coisas assim. Eu o peguei de mal jeito e ele caiu, só isso.

– Tudo bem, não se preocupe. – Hyoga recolheu um prato do armário e o deixou no fogão, próximo ao seu tio. Depois, lançou mão de uma pá e uma vassoura para recolher os cacos no chão.

– Então, estudo e trabalho, hã? Soa um bom plano, embora eu ainda me pergunte onde fica o seu namoradinho nessa história… – o loiro mais velho sorriu, visivelmente tentando aliviar a explosão anterior. – Não que eu realmente me importe com ele, devo acrescentar. – depositou no prato a panqueca que preparava e logo depois despejou mais massa na frigideira, a fim de preparar outra.

– Você não age como se não se importasse, pois cita o nome do Ikki o tempo todo. – Hyoga jogou os cacos dentro da lixeira. – Sem contar que ele não é meu namoradinho e eu agradeceria se você parasse de falar como se eu ainda tivesse dez anos!

– Oh, você pode não admitir, rapazinho, mas gosta quando faço isso. – o sueco depositou a outra panqueca sobre a anterior, aumentando a pilha. Logo, repetia o mesmo processo.

– Por que não aparece na boate hoje, tio?

Afrodite gargalhou.

– E por que eu faria isso? Já é deprimente o suficiente ver o nome da minha boate estampado em inúmeras revistas, sempre associado ao “genial” Ikki Amamiya. Obrigado, mas eu passo a vez. – depois de montar uma pilha de panquecas grande o suficiente, Afrodite apagou o fogo e colocou o prato diante de Hyoga. – Bom apetite!

– Você não vai comer?

– Não, fiz pra você. Já comi algumas frutas mais cedo, não se preocupe.

– Parecem incríveis! – Hyoga separou um pedaço com o garfo e comeu. – Hmm… Estão incríveis! – ele se corrigiu. – Ikki está fazendo um bom trabalho na Stonehenge, seria bom que visse. – acabou comentando displicentemente, após mais algumas garfadas.

– Já disse que é deprimente, Hyoga!

– Ele fez daquela boate o que você sempre sonhou fazer, Dite. Como isso pode ser deprimente? Stonehenge é um hit, está super badalada!

– Eu mesmo teria feito isso da minha boate, se ela não tivesse sido praticamente roubada de mim. E pare com isso, não vai conseguir amolecer meu coração, continuo não gostando do Amamiya! – Afrodite se levantou e, para variar, acendeu um cigarro.

– Não estou tentando fazer com que goste dele, só quero que reconheça que o Ikki não é o lobo mau. – o barman jogou mais um pouco de mel sobre o restante de suas panquecas.

– Aí está o problema, bebê. Ele é. – Dite tragou seu cigarro e soltou a fumaça pelo nariz. – Melhor dizendo, ele é um bruxo. Um bruxo que te hipnotizou e agora você está de quatro por ele. – sorriu com malícia. – Literalmente. – completou.

– Foi isso o que disse a ele ontem à noite? – apesar da pergunta capciosa, Hyoga falava calmamente.

– O que importa? Ele reclamou alguma coisa?

– Não, Dite, ele não reclamou. Não é do feitio do Ikki fazer esse tipo de coisa. Por isso estou perguntando a você; o que disse a ele?

– Nada demais.

– Desculpe, mas ele me pareceu chateado demais para que eu creia nisso.

Afrodite se recostou no balcão, jogou algumas cinzas na pia e encarou seu sobrinho.

– Cuidado com esse tom, Hyoga. – avisou, embora ainda não parecesse chateado de fato.

– Tio, estou falando com todo o respeito que tenho por você.

– Não está, não. Você está levantando a voz, mesmo sem perceber. Viu só, eu disse que ele é um bruxo, te enfeitiçou tanto que você já está disposto a brigar comigo por causa dele.

– Dite, eu só estou perguntando. Você vai me responder ou vai continuar me enrolando?

O sueco deu mais duas tragadas, em silêncio, antes de apagar seu cigarro na pia e jogá-lo na lixeira. Ficou claro que ele estava pensando se deveria ou não dizer o que o sobrinho tanto queria saber, embora ele verdadeiramente não desse tanta importância se Ikki se chateara ou não.

– Hyoga, eu amo você. Apenas por isso, eu fiz o inimaginável e me esforcei para encarar toda essa situação com humor, mesmo desaprovando profundamente. Então, encare as brincadeiras com a sua paixonite, as panquecas que te fiz e a falta de um chilique por causa dessa aposta maluca como uma grande prova de amor, ok? Não exija mais, pois você não vai conseguir! E se não ficou claro, isso inclui não me colocar contra a parede pra defender o seu namoradinho.

Saindo pela tangente com sua postura defensiva, Dite sentou-se no sofá e ligou a TV, deixando claro que não daria margem para mais conversas sobre o assunto. Hyoga, por sua vez, perdeu a fome. Ele reconhecia o esforço de seu tio, mas não podia manter a curiosidade para si. Reconhecendo que perdeu a batalha, mas ainda não desistindo da guerra, o barman guardou seus questionamentos para outro momento, quem sabe num surto de bom humor de Afrodite ele tivesse mais sorte...

Sem terminar de comer suas panquecas e em silêncio, Hyoga sentou-se ao lado do tio e por lá ficou. Sua mente não estava concentrada na programação da TV, no entanto, já que uma vez ou outra certo moreno ocupava seus pensamentos. A culpa e o receio ainda estavam ali cada vez que pensava em Ikki, mas Deus do céu, seu chefe era quente como o inferno, isso ele jamais poderia negar.

– Desculpe a irritação. Estou muito mal humorado ultimamente.

Afrodite sussurrou, jogando suas pernas sobre o colo do sobrinho. Hyoga continuou olhando para a televisão, sem encarar o tio, pois não precisava buscar sinceridade nos olhos dele. Dite sempre dizia o que pensava e só se desculpava quando realmente se arrependia; sendo assim, o barman sabia que o sueco estava sendo honesto.

– Vai me dizer o que quero saber? – Hyoga insistiu.

– Não há nada pra dizer, na verdade. Esqueça isso.

“Batalha definitivamente perdida”, pensou o barman.

oOo

Hyoga deu três batidas na porta do escritório de Ikki e aguardou. Trazendo um Scotch Manhattan em uma das mãos, o loiro sorriu ao pensar na ironia de seu ato; desde sempre, foi o dono da boate quem o procurou noite após noite em busca de sua bebida favorita e hoje, pela primeira vez desde que os dois começaram a trabalhar juntos, isso mudaria.

– Quem é? – ele ouviu a voz grave abafada pela espessa porta.

– Hyoga! Posso entrar?

– Claro, só me dê um minuto!

O loiro estranhou o sobressalto na voz de seu chefe tanto quanto a ausência dele no salão lá embaixo, mas ainda assim esperou enquanto ajeitava – com apenas uma mão – seu cabelo desmazeladamente preso num coque baixo.

– Pode entrar, loiro!

Ele girou a maçaneta e abriu a porta, encontrando Ikki sentado em sua cadeira reclinável. Embora a feição do rosto moreno tenha se suavizado consideravelmente ante sua presença, Hyoga conseguiu registrar uma quase imperceptível tensão muito bem disfarçada com um belo sorriso.

– Cheguei num momento ruim? – perguntou enquanto se aproximava.

–Não há momento ruim com você por perto. – gracejou o moreno. – Estou um pouco cansado, apenas isso.

Hyoga mordeu o lábio inferior e se aproximou mais, contornando a mesa e parando diante de seu chefe. O cansaço de Ikki era totalmente perceptível, mas tanto tempo trabalhando como barman serviu de experiência suficiente para que o loiro soubesse que algo mais incomodava o moreno, algo que ele aparentemente preferiu não dizer.

– Muito trabalho? – sondou.

– O dia foi mais atribulado e curto do que eu esperava, na verdade. Mas não posso reclamar, o acumulo de trabalho foi minha culpa. – o moreno ofereceu um daqueles seus sorrisos devastadores, capazes de derreter qualquer um.

– Você precisa de um assistente.

– Está se habilitando?

– Não, estou sugerindo. – Hyoga sorriu e se escorou na mesa.

– Não é a primeira vez que me fazem essa sugestão, mas eu pensaria melhor nela se pudesse ter você como assistente. – outro sorriso, ainda mais devastador e sedutor do que o outro. – Á propósito, como foi sua prova?

– Perfeita, tenho certeza de que fechei! – orgulhou-se. – Obrigado, você ajudou muito.

– Não precisa agradecer, foi um prazer te ajudar. – a voz do moreno tornou-se mais aveludada, claramente sedutora.

Hyoga sorriu novamente e estendeu o copo para seu chefe.

– De qualquer forma, eis o meu agradecimento. Modéstia à parte, é o melhor Scotch Manhattan que já preparei.

– Você sempre deixa a modéstia à parte, Hyoga. – provocou o moreno, arrancando risadas do outro. Ikki provou sua bebida mantendo os olhos fixos nos do loiro e teve que concordar, o drink estava perfeitamente delicioso.

– E então? – o barman cobrou uma resposta, deixando claro que não aceitaria apenas o sorriso que recebeu como sinal de aprovação.

– Está incrível, você realmente se superou.

– Acho que é porque foi a primeira vez que o preparei sem ter a vontade de te expulsar do meu bar. – declarou o barman, entre risos.

– Outch! – o moreno pôs teatralmente a mão sobre o peito. – Essa doeu lá no fundo.

– É, já ouvi dizer que a verdade dói.

– No fundo, eu sei que você ansiava pelos fins de expediente, loiro, não adianta negar. – Ikki riu e tomou mais um gole de seu drink, ainda fitando os olhos do outro. – Eu preciso te falar uma coisa. – o moreno de repente assumiu um ar sério, ainda encarando o barman.

– Pode falar. – sorriu. – Mas, antes, quer provar um ingrediente que deixaria sua bebida ainda melhor?

– Qual?

Hyoga sorriu com malícia antes de confiscar o copo da mão de Ikki, tomar um grande gole do drink e responder:

– Eu.

Foi um convite descarado como poucos ele havia feito em sua vida. Seus lábios entreabertos e molhados do uísque praticamente imploravam para serem beijados, sugados, usados como Ikki bem entendesse. Claro que não se decepcionou; compreendendo rapidamente seu desejo, o moreno se ergueu e tomou seus lábios com desenvoltura, reclamando sua boca num beijo sedento que foi alegremente retribuído.

Quando se separaram, após longos e prazerosos minutos, ambos estavam claramente excitados e fora de órbita. Ainda se tocavam, no entanto, relutantes em se afastar por completo.

– Que delícia de ingrediente! – Ikki gracejou mais uma vez, enquanto afagava o rosto alvo do loiro.

– Sabia que iria gostar. – retrucou, lambendo os lábios.

– Está muito cheio lá embaixo?

– Movimento normal das terças feiras, você nem precisa se incomodar em descer.

– Nem você. – Ikki distribuiu beijos pelo pescoço de Hyoga.

– Não conte com isso, chefe! Aproveitei meu intervalo para vir, mas daqui a pouco tenho que voltar.

O Amamiya estreitou os olhos e seus lábios formaram um pequeno bico, demonstrando seu desagrado. Entretanto, acabou por sorrir de lado e envolver a cintura de Hyoga com um dos braços, antes de colar seus corpos e o beijar novamente.

Os vinte minutos seguintes foram marcados por provocações, risadas, olhares cúmplices e beijos intermináveis. Aos poucos, o clima foi esquentando, as mãos se soltando e os toques se tornando cada vez mais atrevidos. Hyoga, que realmente subiu ali apenas com a intenção de dar a bebida que havia preparado, viu-se perdendo a noção do tempo e se entregando aos braços fortes que agora o envolviam.

Tal momento de torpor se desfez quando sentiu os dois primeiros botões de sua camisa sendo abertos e os lábios de Ikki se deliciando com a pele recentemente exposta. Consciente não apenas do que ocorreria caso permanecesse ali, como também dos boatos que poderia gerar ao se render aos seus próprios desejos, o loiro usou de toda a força de vontade que dispunha e afastou o moreno de si, espalmando o peito másculo com ambas as mãos.

– Tenho que descer. – sua voz soou mais firme do que esperava.

– Eles podem se virar sem você.

– Não tenho tanta certeza. Sem contar que eu disse à Layla que subiria aqui e, se demorar, será impossível conter os boatos.

– Quem disse que eu me importo com isso?

Ikki cobriu os lábios do loiro com os seus, beijando-o com intensidade. Hyoga, ainda um pouco relutante por conta de suas obrigações profissionais, retribuía a carícia timidamente, esforçando-se para manter o autocontrole.

– Eu tenho que descer, Ikki. – declarou em meio ao beijo, sem demonstrar muita vontade de fazer o que dizia.

– Você já disse isso, loiro.

– Eu sei, mas estou falando sério. Tenho que ir.

O moreno se afastou um pouco e fitou seus olhos.

– O que preciso fazer para obter outro desses? – Ikki ergueu o copo de uísque e, insatisfeito com o afastamento, ainda depositou um selinho nos lábios do loiro.

– Apareça no bar mais tarde e eu penso no seu caso… – sorrindo sedutoramente e com certa relutância, Hyoga se afastou por completo, caminhando de costas para a porta do escritório. – Eu realmente preciso ir, meu intervalo acabou há cinco minutos. – justificou-se uma vez mais, enquanto constatava o atraso observando seu relógio de pulso.

Quando tocou a maçaneta da porta, o loiro parou ao ouvir o chamado de seu chefe.

– Hyoga?

– Sim?

– Esqueça o intervalo e tranque a porta.

Ele poderia dizer não mais uma vez e fazer charme, ou até mesmo alegar sua responsabilidade profissional, mas o fato é que sequer pensou nisso novamente. Ouvir a urgência na voz enrouquecida do Amamiya fez com que todo o resto simplesmente se tornasse insignificante. Neste momento, ele não dava a mínima importância para o quão difícil deveria ser ou quanto tempo um cliente teria de esperar para obter um drink no bar desfalcado. Um sorriso travesso nasceu em seus lábios no momento em que girou a chave na fechadura e deixou claro sua imensa disposição para o que viria a seguir.

O loiro se virou, sentindo o coração martelar mais forte contra seu peito a cada passo que dava em direção a Ikki, já novamente sentado na confortável cadeira. Aquele olhar felino que o Amamiya mantinha varrendo todo o seu corpo o deixava quente, fazia com que se sentisse mais atrevido do que deveria. Ele lambeu os lábios, ainda marcados com o gosto da deliciosa boca do moreno, enquanto se aproximava mais e mais em passos nada vacilantes.

– Eu perco a minha capacidade de raciocínio quando você me olha assim. – admitiu o barman, mordendo o lábio inferior quando mais uma vez se viu diante de seu chefe.

Ikki sorriu e, sem qualquer ressalva, segurou sua cintura, puxando-o para si. Sem resistência, Hyoga se sentou escarranchado no colo do outro, rapidamente prendendo a gravata rosa com a mão direita e aproximando seus rostos.

– Meus olhos só estão transmitindo meus pensamentos. É impossível te olhar e não te desejar, loiro. Em minha mente vêm todas as coisas deliciosas que eu adoraria fazer com você.

– Ah, é? – Hyoga puxou mais a gravata em sua mão e colou sua boca à orelha de Ikki, que acariciava suas costas com firmeza, suas mãos subindo e descendo por cima da camisa de seda preta do uniforme. – E qual delas parece ser mais tentadora? – provocou, sentindo a proeminente ereção do outro contra a sua.

– No momento? – as mãos do moreno desceram um pouco mais, agarrando a bunda do barman. Sua boca também colou ao ouvido dele, após uma breve cruzada de olhares íntimos. – Bem… Eu amo a ideia de te ver nu, suado e descabelado sobre esta mesa, contorcendo-se em êxtase e gozando com meu pau enterrado em você. – confessou oferecendo outro daqueles seus sorrisos hipnotizantes.

Hyoga estremeceu com as palavras e a imagem que inevitavelmente se formou em sua cabeça. Ele também amou a ideia; tanto, que mal podia esperar para colocá-la em prática. Fitando os belos olhos do moreno, ele afrouxou o nó da gravata rosa e a retirou, fazendo o mesmo com o paletó cinza escuro.

Ikki o pegou firmemente pela nuca e o beijou mais uma vez. Novamente, eles foram tomados pela já familiar e arrebatadora sensação de quando suas línguas se entrelaçavam, mesmo lentamente, como faziam agora. O loiro pousou as mãos na face do moreno e aprofundou a carícia, atacando a boca de Ikki com paixão, sendo perfeita e imediatamente correspondido. Ele ofegou em meio ao beijo e sentiu como se fogos de artifício explodissem em seu peito. Pensando que poderia até mesmo gozar simplesmente com o prazer de sentir aquela boca colada à sua, Hyoga se afastou, quebrando o beijo.

Como ele esperava, o olhar fascinado de Ikki estava ali, sobre ele, reverenciando-o como se realmente fosse alguém especial, o mais especial de todos, na verdade. Hyoga parou por um momento, completamente envolvido e grato pelo carinho que via transmitido naqueles olhos.

Ikki exibiu outro sorriso encantador e tocou a face do loiro com suavidade; Hyoga colocou a mão sobre a dele, enquanto retribuía o sorriso. Embora soubessem que deveriam deixar carinhos assim de lado e se amarem como dois animais no cio com um tempo terrivelmente escasso, eles não conseguiam. De algum modo eles sabiam – ou melhor, sentiam – que aquele momento era especial demais para que detalhes fossem perdidos. Não, eles não poderiam deixar nada passar. Mais tarde, seria dos detalhes que se lembrariam; cheiros, sabores, sons e sensações, somente isso ficaria marcado de fato.

O cheiro do corpo; o gosto ainda acentuado do uísque se misturando com o sabor único de Ikki; os gemidos e ofegos abafados; o toque firme e ardente; a perfeita sensação das lambidas, beijos e mordiscadas contra a pele… Hyoga sabia que precisaria de uma vida inteira ou mais para se esquecer de como estar com Ikki era maravilhoso e diferente de todos os homens com quem já esteve.

O mais velho rompeu outro beijo quente para atacar seu pescoço, enquanto as mãos habilidosas lentamente abriam a camisa do uniforme. O loiro sentiu os dentes se cravarem pouco abaixo de sua orelha, sendo seguidos pela língua que, não satisfeita em apenas aliviar a dor da mordida, passeou por toda a extensão do pescoço antes de voltar a invadir a boca e buscar sua igual.

O moreno empurrou a camisa de seus ombros e ele esticou os braços, permitindo que seu torso fosse completamente despido. Seus olhos se cruzaram mais uma vez, ao mesmo tempo em que as mãos de Ikki passeavam por seu peito, barriga, costas e ombros; A maior dificuldade era saber se ele se concentrava nos toques firmes em sua pele ou naquele sorriso desconcertante que lhe era oferecido junto com o olhar ainda fascinado que parecia despir sua alma. Dentro dele, o tesão se misturou a uma profusão de sentimentos contrastantes, dentre eles a já conhecida culpa. Sim, Hyoga se sentiu culpado uma vez mais, ao ponto de estar desconfortável e certo de não ser merecedor de tanto carinho.

– Você sabe que eu não mereço tanto, não é? – sussurrou contra o ouvido de Ikki, que mais uma vez explorava seu pescoço.

O moreno parou o que fazia e o olhou confuso.

– Fala da boate?

– De tudo. De todos os seus esforços.

O Amamiya acariciou as costas nuas do loiro, antes de fitar seus olhos e responder com sinceridade.

– Tudo o que fiz eu fiz de bom grado e não me arrependo.

Permanecendo sério, Hyoga se esforçou para deixar todo o seu receio fora do caminho, oprimindo-o dentro de si. Não era hora para pensar, certo? Agora era o momento de fazer com que os esforços de Ikki realmente valessem a pena, tanto para o moreno quanto para ele mesmo.

O loiro segurou a nuca do Amamiya e o puxou para si, beijando sua boca num novo beijo tão ardente quanto todos os outros. As línguas se enredavam naquela batalha deliciosa, enquanto as mãos passeavam afoitas por onde alcançavam. O toque firme, sensual e habilidoso de Ikki quase lhe queimava a pele, enviando-lhe arrepios por todo o corpo.

Hyoga ofegou quando, vários minutos depois, a boca de Ikki resolveu mais uma vez explorar seu queixo, seguindo sem receio pelo maxilar e, para seu delírio, o pescoço. A língua atrevida fez uso da recente descoberta e novamente sugou sua região tão sensível, despertando ainda mais sua excitação. Suas mãos atadas às costas do moreno apertaram com mais força quando dentes foram sentidos na carne, provavelmente deixando um pequeno hematoma onde se cravaram.

Beijos deleitosos novamente foram trocados, enquanto se erguiam de modo atrapalhado. Agora escorados contra a mesa, as ereções se atritavam ainda mais à medida que os quadris ondulavam sensualmente. A camisa social branca de Ikki logo foi atirada ao chão, tendo sido retirada sem muita pressa e em meio a risos e beijos.

– Você tinha razão. – Hyoga abriu o zíper do moreno e tocou com vigor o membro intumescido.

– Sobre o quê?

– Em um dos nossos encontros, você disse que um dia eu te desejaria tão ardentemente quanto você me deseja. Estava totalmente certo… – explicou o barman, voltando a acariciar o falo duro.

O Amamiya não disse nada, apenas atacou novamente a boca na qual estava viciado e ofegou, quando o loiro puxou suas vestimentas para baixo, revelando sua ereção em toda a sua glória. Hyoga embalou as pesadas bolas em sua mão enquanto Ikki chutava fora os sapatos, as meias, a calça e a cueca, de uma forma um tanto desajeitada; uma vez nu, o moreno sentou o barman em sua valiosa mesa e tratou logo de também deixá-lo nu em pelo.

Ao ver o loiro desnudo, sentado com as pernas abertas e o pênis em riste, Ikki parou por um momento. Ele fitou os olhos de Hyoga e viu seu próprio desejo espelhado ali, exatamente como o loiro dissera e ele profetizara vários dias antes. O moreno sorriu de lado, quando se acomodou entre as coxas firmes, cobertas por pelos dourados que davam um aspecto bronzeado à pele ainda mais clara.

Suas ereções nuas se encontraram e Hyoga gemeu contra o ouvido de Ikki, envolvendo-o com as pernas e colando seus corpos. As mãos do Amamiya se embrenharam nos cabelos loiros, soltando-os do coque já quase desfeito e conduzindo os beijos molhados que o barman distribuía por seu pescoço. O moreno sentiu um chupão mais forte na curvatura de seu ombro e sorriu, incentivando o outro com uma mordiscada na orelha.

Eles se beijaram por vários minutos, se apertaram e apalparam por outros tantos, negligenciando completamente o local onde estavam e, principalmente, o pouco tempo que possuíam. Quando Ikki já não suportou apenas tocar o corpo definido e pôs-se a explorá-lo com a boca, Hyoga deixou escapar um gemido curto, surpreso ao ter seu mamilo direito sugado.

O barman continuou tendo seu corpo estimulado com habilidade, cada toque e beijo de Ikki transbordando uma paixão quase palpável. O loiro se arqueava, sentindo-se inquieto e ao mesmo tempo desejoso de mais do prazer intenso que lhe era oferecido.

“Ikki é sensacional!” – pensou ele e, pouco tempo depois, verbalizou. – Você é sensacional! – o moreno continuava a deliciosa exploração em seu corpo, com todos aqueles toques, beijos, mordidas, apertos e chupões nos lugares certos, provocando-lhe uma excitação tão grande que seu pênis não parava de gotejar pré-sêmen.

O Amamiya sorriu e se envaideceu com o elogio, exatamente como um típico leonino. Ele tocava Hyoga com entusiasmo, deliciando-se com o sabor da pele clara e os gemidos baixos que recebia quando acertava o ponto do estímulo. Ele desejou tanto o loiro e por tanto tempo, que aquelas carícias o estavam deixando louco. A cada vez que o barman gemia e se contorcia por seus toques, o empresário só conseguia pensar em estar dentro daquele corpo belíssimo, permitindo que o prazer os consumisse.

Ikki se abaixou entre as coxas de Hyoga e segurou o falo rijo. Com gosto e maravilhado por um gemido mais alto do loiro, ele recolheu com a língua a grande quantidade de sêmen que se reunia sobre a glande e, logo em seguida, chupou apenas essa parte mais sensível do membro ereto. O barman deixou escapar outro longo gemido, fazendo-o sorrir. O Amamiya, então, abocanhou a ereção por completo, sugando suave e lentamente, sentindo seu próprio pênis pulsar como o pau em sua boca.

Desabrigando o pênis de sua boca, Ikki o estimulava com a mão enquanto lambia agora as bolas de Hyoga, fazendo com que o loiro se contorcesse ainda mais, para seu delírio. Ele chupou e masturbou o barman, alternadamente, até que afastou mais as pernas dele, afastou o escroto do caminho e lambeu o períneo, a pele macia e depilada por trás dele. O loiro estremeceu, contorcendo-se sobre a mesa e se deitando, dando ao moreno caminho livre para seu traseiro.

Erguendo as pernas do loiro até que ele as apoiasse no móvel, Ikki teve uma bela visão do prazer que o esperava: o buraco apertado que muito em breve penetraria. Ainda masturbando Hyoga, o moreno primeiro lambeu a entrada, para depois enterrar sua língua ali.

– Oh, porra! Que delícia! – com um arquejo, o barman expressou seu prazer.

– Gosta disso, loiro?

– ‘Tá brincando?! É maravilhoso! – Hyoga ergueu o tronco e se apoiou em seus cotovelos, tendo uma ampla e prazerosa visão do que acontecia. – Faz mais, faz? – pediu o barman, seu rosto afogueado e a voz tão maliciosa quanto possível.

Ikki não se fez de rogado e voltou a enfiar a língua na entrada do outro, sentindo-a pulsar a cada investida. Ele ergueu o olhar e sorriu ao encontrar os olhos obscuros de desejo do outro, que mordia os lábios e estimulava com a mão direita o mamilo esquerdo. O moreno molhou os próprios dedos com saliva e, abocanhando novamente a ereção de Hyoga, empurrou o dedo médio buraco adentro.

O loiro gemeu e se moveu desconfortável com a invasão, mas o incômodo passou rapidamente. Logo, ele já se movia de encontro ao dedo de Ikki, que o fodia e abria continuamente. Outro dedo foi adicionado e Hyoga ofegou, instintivamente abrindo ainda mais as pernas. Até ele mesmo estava impressionado com o quanto queria aquilo, mal podia esperar para ser preenchido pelo membro do moreno; seu corpo inteiro tremia e o desejo intenso fazia com que impulsionasse o quadril para frente, lançando sua ereção cada vez mais na boca que a abrigava com tanto gosto.

Um terceiro dedo foi inserido em seu esfíncter e, a essa altura, o loiro já rebolava e gemia alto, sem se importar se a música lá embaixo omitia ou não seus gritos. Ikki agora o masturbava enquanto o fodia com língua e dedos, alternadamente, abrindo-o para finalmente recebê-lo. Minutos depois, quando já não havia qualquer incômodo com os dedos que o alargavam, os quadris do loiro se moveram impacientes, enquanto seus gemidos se tornaram mais deleitosos, num verdadeiro choramingo suplicante.

– Mantenha-se quente pra mim! – Ikki entendeu que era chegada a hora que tanto esperara e, fazendo com que Hyoga masturbasse a si mesmo, afastou-se por um momento. O moreno recolheu dois sachês de lubrificante e uma camisinha em sua carteira e retornou rapidamente, ofegando com a visão do loiro se masturbando enquanto olhava profundamente em seus olhos.

– Nossa, como você é gostoso, Ikki! – o olhar do loiro varreu o corpo musculoso e se recaiu sobre o pênis duro e vazando do moreno. Ele lambeu os lábios e sorriu de um modo safado. – Agora seja bonzinho e vem aqui, vem… Eu quero sentir o gosto dessa coisa enorme. – riu.

Ikki, que abria os sachês e lambuzava os dedos quando ouviu isso, estremeceu. A oferta era tentadora, mas o Amamiya sabia que não suportaria muito tempo, não se enterrando naquela boca apetitosa.

– Depois. – negou, enquanto se aproximava e puxava o loiro para um beijo sensual. – Eu adoraria sentir essa boca gostosa no meu pau, mas sei que não aguentaria muito. – o moreno riu, enquanto encostava a testa na de Hyoga e fitava seus olhos. – E acredito que há outro buraco, tão gostoso quanto, esperando por mim, não é? – sua mão direita tateou até a entrada do loiro e, já com os dedos lubrificados, invadiu-a com carinho.

Hyoga gemeu, buscando a boca do moreno para um novo beijo.

– Oh, ele definitivamente está esperando por você. Ansiosamente, eu diria. – sussurrou contra os lábios de Ikki, que sorriu em retorno.

O loiro foi o responsável por colocar o preservativo no empresário, embora não tenha sido uma tarefa tão fácil, porque enquanto a fazia ele foi habilmente distraído com mordidas e beijos no pescoço. Por fim, quando já estavam prontos, Hyoga voltou a se ajeitar de costas sobre a mesa, abrindo as pernas e se expondo para o moreno.

– Vem, chefe!

Debruçando-se sobre o corpo esguio, Ikki segurou a base de seu pênis e o posicionou no ânus de Hyoga. De olhos fechados, o moreno beijou o loiro com lascívia, enquanto se enterrava no buraco apertado.

Ikki Amamiya viu estrelas. Ele foi até os confins do universo, passou pelo paraíso e retornou simplesmente maravilhado.

Estava em Hyoga.

Ele, o homem que por muito tempo já havia perdido as esperanças de conquistar aquele loiro difícil, estava dentro de Hyoga. E nunca, em toda a sua vida, experimentou sensação melhor que essa.

Seu coração batia forte, rápido, ameaçando lhe causar um ataque cardíaco. Não tinha problema; caso morresse agora, morreria feliz. Ele riu com esse pensamento e Hyoga o olhou confuso, seus rostos tão próximos que podiam sentir a brisa de suas respirações sobre a pele.

– O que foi? – sussurrou, brincando com os cabelos do moreno enquanto se acostumava com o falo hercúleo que o invadira.

– Eu só estava pensando que poderia morrer agora mesmo e estaria ok com isso… – o moreno lambeu os lábios do barman, ondulando um pouco os quadris e arrancando um gemido dolorido do outro.

– Não se atreva! – riu e apertou a bunda do moreno com força, quase machucando a carne com suas unhas enquanto o puxava ao seu encontro. – Não sem me foder antes! – sussurrou, fitando os olhos brilhantes do homem cujo pênis pulsava dentro de si.

– Ah, é?! Então depois que eu foder esse rabinho apertado eu posso bater as botas à vontade? – Ikki riu e voltou a rebolar, arrancando outro gemido do outro, agora mais de prazer do que de dor, à medida que ele se acostumava consigo.

– Duvido que você ainda esteja ok com a ideia de morrer depois disso. – Hyoga envolveu o corpo de Ikki com as pernas, mordiscando-lhe a orelha.

– Deixando a modéstia à parte outra vez? – provocou o Amamiya.

– Me interne se algum dia me vir sendo modesto, chefe. – a formalidade, que antes era usada como um sinal de respeito e claro delimitador do nível de intimidade entre eles, agora era dita da forma mais lasciva e provocativa possível. Os dois riram e Hyoga sentiu seu corpo cedendo, o incômodo passando e o desejo novamente tomando as rédeas. Eles se beijaram profundamente e o loiro se remexeu, fazendo com que Ikki gemesse, enquanto partia o beijo e abria os olhos.

Os azuis índigo encontraram os cerúleos, o desejo crescente ardendo em seus corpos e um conforto impressionante os dominando. Nada, em nenhum momento, já pareceu tão certo como o que faziam agora. Eles se encaixavam perfeitamente e, para eles, essa compreensão ia muito além do sentido literal da palavra.

– Me fode! – ainda fitando os olhos de Ikki, Hyoga sussurrou contra a boca tão próxima à sua.

Naquele momento, o loiro não pedia, ordenava. E foi atendendo não somente a essa ordem, mas também a suplica de cada um de seus poros que Ikki estocou o corpo esguio abaixo de si, sentindo-se estremecer cada vez que saía e se enterrava novamente em Hyoga.

Com um gemido rouco, o barman se contorceu, olhando para o teto e deixando seu pescoço à mercê do moreno que, já sabendo que ali era um dos pontos mais sensíveis dele, não hesitou em distribuir beijos e mordiscadas por onde alcançava.

As investidas de Ikki ainda eram lentas, tão gentis quanto seu desejo permitia que fossem. Seus dedos vagaram pelos cabelos dourados, pouco antes de seus olhos encararem os azul-celeste; o sorriso que se formou nos lábios carnudos foi um presente, uma relíquia que ele guardaria para sempre em seu coração. – Gostoso... – ele ouviu o barman dizer num sussurro quase inaudível, exatamente quando o preencheu uma vez mais e bamboleou devagar, mantendo seu membro completamente dentro dele.

Sem quebrar o contato visual, Ikki se retirou por completo e voltou a penetrar, desta vez com firmeza, lambendo os lábios apetitosos tão próximos aos seus. Outra estocada, do mesmo modo, e os dois gemeram longamente, seus lábios se unindo num beijo demorado em seguida.

O moreno agora ditava um ritmo mais rápido, agarrando uma das coxas que envolviam seu corpo enquanto penetrava o traseiro apertado do loiro. Hyoga brincava com os próprios mamilos, gemendo continuamente contra a boca que não abandonava a sua.

Partindo o beijo, as investidas de Ikki eram cada vez mais fortes e rápidas, refletindo na forma como ele esfregava seu rosto contra o do barman, o beijava ou lhe chupava o pescoço, fazendo com que os gemidos de Hyoga beirassem gritos prazerosos.

– Tudo… Assim… Mete fundo! – o loiro, tremendo de prazer, jogou os braços acima da cabeça, mordendo fortemente os lábios para conter um gemido alto quando seu pedido foi atendido.

Uma pequena mexida, um ângulo diferente, uma estocada no ponto correto e o loiro quase engasgou quando arqueou o corpo e gritou alucinado. Arfando, procurou algo em que se agarrar e sentiu a mão de Ikki se cruzando com a sua, formando um laço muito maior do que podia imaginar no momento.

– Eu poderia ficar dentro de você pra sempre! – sussurrou o moreno, fitando os olhos do homem descabelado e corado abaixo de si. – ‘Tá gostoso, loirinho? – o empresário mordeu os lábios do outro, vendo-o se contorcer ainda mais quando saiu completamente dele e voltou a penetrá-lo com força. – Você gosta assim, meu lindo?

Hyoga apertou mais a mão de Ikki e sorriu, ainda arfante. Estava delicioso e ele sabia que seu estado já falava por si: suado, descabelado, extasiado, rouco, trêmulo e completamente entregue, ele se agarrou ao pescoço do outro para que pudesse tomar seus lábios novamente, sedento como ele estava dos beijos perfeitos do moreno.

Ikki se afastou um pouco, enfiou a mão entre os dois corpos e agarrou a ereção de Hyoga, estimulando-a em movimentos vigorosos para cima e para baixo. O loiro silvou e arqueou o corpo novamente, tomado por uma onda de prazer incontrolável.

– Oh, sim! – não se conteve e sua voz saiu mais alta do que realmente gostaria. – Ikki! Ikki! Isso é tão bom… Tão gostoso! – ele sentiu seu coração bater mais rápido, ao mesmo tempo em que ficava cada vez mais custoso respirar. – Me fode, vai! – declarou de modo gutural. – Mete que eu sou todo seu! – nesse momento seus olhares se encontraram e, tomado pela euforia, o loiro repetiu: – Eu sou todo seu…

O moreno sentiu seu corpo arrepiar inteiro com aquelas palavras e, após beijar apaixonadamente o loiro, aumentou o ritmo de suas arremetidas. Quando o corpo do barman se enrijeceu e seus gemidos passaram a ser entrecortados pelos arquejos, Ikki soube que Hyoga estava próximo ao clímax.

– Você vai gozar pra mim, amor? – sorriu o moreno, agora alternando penetrações profundas e lentas com estocadas rápidas.

– Sim… Sim…

Os músculos de Hyoga espasmaram, suas costas se arquearam e, por um segundo, ele prendeu a respiração. O nome de Ikki saiu de sua boca, num gemido gutural, ao mesmo tempo em que seus dedos dos pés se contraíram e sua mão apertou mais a do moreno. Ofegante, o loiro sentiu sua vista se turvar enquanto seu pênis expelia o gozo e despejava em seu ventre a sua semente.

O Amamiya não suportou os músculos contraídos em torno de seu membro. Beijando Hyoga com carinho, ele estocou apenas mais algumas poucas vezes, antes de atingir seu clímax também gemendo o nome daquele com quem tanto havia sonhado.

Antes que a sensação de euforia passasse e se visse tomado pelo relaxamento que um gozo intenso como aquele trazia, Ikki se levantou – trazendo o loiro enrolado em seu corpo consigo – e se sentou na confortável cadeira reclinável, com Hyoga sentado sobre seu colo.

O moreno se livrou da camisinha e, com um sorriso no rosto, pôs-se a beijar a face do barman, que até o momento mantinha os olhos fechados, esperando que sua respiração se acalmasse.

Quando seus olhos se encontraram novamente, Ikki não encontrou palavras pra dizer. Ele queria, mas não pôde. O sexo tinha sido tão intenso e incrível, que ele teve medo de escolher palavras que não fariam jus ao que sentia agora. Em silêncio, o moreno fez uma carícia no rosto de Hyoga, enquanto sorria.

O loiro o beijou várias e várias vezes, ainda sem se importar com horário, local ou boatos. Algum tempo mais tarde, eles repetiriam o sexo quente, dessa vez no sofá ou no Box do banheiro e, certamente, voltariam a ficar assim como estavam agora, se beijando como se não houvesse nada além dos dois no mundo inteiro. E seria assim até que alguém chamasse Ikki para fechar os caixas, ou até que o moreno se recordasse do dossiê guardado apressadamente em sua mochila e da difícil decisão de mostrá-lo ou não a Hyoga.


Continua…


Postado: 07/01/2012

Notas finais
N/A: Olá, pessoas!
Tudo bem com vocês? Espero que sim!
Bom, esse capítulo parece ter sido exclusivamente para o lemon, mas coloquei algumas coisas nas entrelinhas, será que vocês vão notar? Rsrs
Eu estava devendo um lemon descente para o Ikki; acho que agora estou quite com ele, o que acham? Depois de dedicar oito páginas do Word para que ele pegasse o Hyoga de jeito, se eu não estiver quite até desisto de compensá-lo!
Já me disseram uma vez que eu dou muita importância ao lemon e que exagero um pouco nisso, mas fazer o quê, né? Eu gosto! Sexo é uma parte importantíssima numa relação amorosa e eu curto mostrar o quanto os personagens vão bem nesse quesito Desculpem se exagero, tá? É que realmente me empolgo! Hahahahaha
Quanto à minha demora com os capítulos, eu peço mil desculpas. É pouco tempo e muita fic pra atualizar, além da inspiração fugir como uma louca de mim Mas já disse e repito: Não abandonarei fic alguma, todas elas terão um final. Inclusive aquelas que eu não atualizo há seis meses (vergonhoso, eu sei!).
Gente, obrigada a todos que acompanham a fic, espero que este capítulo agrade a todos vocês.
Agradecimentos especiais: Belle Princesse, Chakal_Maldito, Kassiminha, Guinevere Beau Pre, klotus, Alexia-Black, Sarah, Lucy black, Naya Yukida, guima e Litha_chan. Obrigada a vocês por todo o incentivo, vocês são demais!
Queridos, um ótimo 2012 para todos vocês!
Beijo grande e até a próxima!
Mamba Negra