Opostos Perfeitos

43 Capítulo 42


Notas iniciais
Olá gente bonita, mil desculpas novamente, mas não deu pra entrar na semana, só mais essa semana agora e aí vou estar de férias

Capítulo 42

Narrado por Enzo:

Desembarquei no aeroporto e quando estava entrando no salão Júlia veio

correndo até mim, desesperada e o que ela disse me fez congelar alguns instantes. Bianca não estava grávida, era tudo armação, Caio sabia e estava ajudando porque queria ficar com a Rafa.

— Eu gravei tudo! — Júlia apertou um botão no celular e após a segunda frase eu não precisei ouvir mais nada.

— Não tenho certeza, o 3 eu acho.

— Que horas é o voo?

— Agora!

— Não! Ela não pode ir!

Saí correndo entre as pessoas tentando afastá-las, tinha muita gente no aeroporto naquele horário, eu não conseguia dar dois passos rapidamente, as pessoas estavam a toda minha volta, era impossível passar, o voo dela partiria a qualquer momento. Fui empurrando as pessoas, Júlia devia estar atrás de mim, minha mala tinha ficado no mesmo lugar em que Júlia me encontrou, nada mais importava a não ser chegar a ela, eu precisava chegar a tempo.

— Com licença! Com licença! — eu gritava entre as pessoas, muitas faziam cara feia, outras pareciam nem ouvir, alguns tentavam me deixar passar, era muita gente, eu estava passando o portão dezesseis.

A multidão se dissipou um pouco e eu consegui começar a correr, ainda tinha muita gente mais fui me desviando e passando por todos, só conseguia olhar para a frente tentando avistar o portão três e vê-la, impedi-la de partir. Depois do que me pareceu a eternidade cheguei ao portão 4, mais uma multidão fechada a minha frente. Olhei para o lado e vi ali perto um balcão onde a mulher informa os voos.

— Eu vou ser preso por isso. Que se dane. — falei para mim mesmo e corri para o balcão.

Com um pulo fiquei em cima e muitos olhares se voltaram para o maluco em pé em um balcão no meio do aeroporto, peguei o microfone e respirei fundo.

— Rafa? — minha voz soou mais alta que as conversas do aeroporto, o barulho mesmo assim não cessou mas muitas pessoas olhavam para mim agora, ali de cima eu tentava procurá-la ao longe no outro portão.

Então, pelas grandes janelas de vidro vi um avião decolando.

Não podia ser o avião dela, eu não conseguia acreditar que a teria perdido por tão pouco, não queria acreditar.

Ela precisava estar ali ainda, ela precisava estar naquele salão, no portão seguinte, ela não podia ter partido.

As pessoas ainda olhavam para mim, todas confusas, a moça atrás do balcão parecia assustada, meu coração parecia ter parado de bater.

Ela não podia ter ido, não podia.

Pulei do balcão e comecei a abrir espaço entre as pessoas novamente, algumas saiam do caminho mais facilmente agora. Cheguei ao portão de embarque 3 e comecei a procurá-la entre os bancos das pessoas que esperavam, não poderia ser o avião dela, ela não podia ter partido!

Corri entre todas as pessoas que estavam ali, procurei na fila que estava embarcando e então, perto das janelas de vidro eu a vi. O Caio estava parado ao lado dela e nenhum dos dois parecia ter me escutado chamar por ela, Rafa olhava para o céu através das vidraças e parecia absorta, Caio olhava para o grande salão.

— Rafa! — gritei, muitas pessoas me olharam e parecendo despertar em câmera lenta, ela virou seu rosto para mim.

Eu sorri e ela sorriu também, Rafa parecia totalmente confusa, provavelmente estava, não deveria entender o que eu estava fazendo ali, mas nada disso importava agora, cobri a distância que nos separava com passos rápidos, segurei seu rosto com as duas mãos e sem me importar com mais nada, a beijei.

No começo ela ainda parecia não entender o que estava acontecendo, mas assim que nossos lábios nos uniram, ela se entregou, nos beijamos como se o mundo fosse acabar a qualquer instante. E tudo a nossa volta pareceu sumir, desaparecer como na primeira vez em que nos beijamos, não existia som ao nosso redor, o mundo inteiro havia desaparecido e só existíamos nós dois.

Nos separamos e eu ainda segurava seu rosto com as duas mãos, ela sorria.

— Enzo... o que...?

— Eu não podia deixar você ir.

— Mas... Enzo...

— Eu prometo que explico tudo depois, agora preciso fazer uma coisa que eu queria ter feito há muito tempo já.

Soltei a Rafa e olhei para o Caio, ele estava a dois passos de nós e parecia também perdido com a cena que acabara de presenciar.

Em meio a tudo isso, ao nosso redor, algumas pessoas estavam batendo palmas e falando algumas coisas, mas tudo isso passou despercebido a mim e a Rafa, porque o mundo se apagou quando nos beijamos.

Encarei o Caio e agora ele estava respirando forte, dava para ver que não tinha gostado nenhum pouco do que acabara de presenciar e gostaria menos ainda depois do que eu faria.

— O que você... — quando ele abriu a boca para falar fechei o punho e dei um soco no meio da cara dele. Caio cambaleou e se apoiou na parede atrás dele.

— Enzo! — Rafa gritou assutada.

— Seu maldito filho da puta... — falei me aproximando mais dele.

Caio se levantou e veio para cima de mim, mas um idiota como ele nunca conseguiria me acertar um soco sem que eu deixasse. Desviei e dei outro soco nele, Caio caiu para trás novamente e se levantou se apoiando na parede. Colocou a mão no nariz, eu deveria tê-lo quebrado no primeiro soco já, estava sangrando.

— Enzo! Para! O que você está fazendo? — Rafa gritou ali do lado, ela estava apavorada, virei para olhar para ela e no mesmo instante Caio se levantou e me acertou um soco no rosto também, mas ele não sabia bater.

Virei para ele e começamos a brigar, dei mais dois socos e ele caiu no chão se encolhendo contra a parede.

Dois seguranças me agarraram pelos braços enquanto outro pegava o Caio e o tirava dali. Olhei para a Rafa e ela estava confusa e assustada, agradeci quando vi que a Júlia chegou ao lado dela e fez um sinal para mim que cuidaria de tudo, os seguranças estavam me levando para uma sala, provavelmente Caio prestaria queixa e eu teria que explicar tudo aquilo e foi o que aconteceu, mas consegui resolver tudo o mais rápido possível e encontrei a Rafa e a Júlia no salão principal do aeroporto. Quando me aproximei delas Rafa veio correndo em minha direção e me abraçou.

— Enzo... eu... eu não podia imaginar... A Jú me contou tudo.

— Eu sei, eu também não. Não acredito que quase deixei você ir.

— E agora... o que você vai fazer?

— Acabar com um jantar de noivado. — falei olhando nos olhos dela e sorri.

Rafa sorriu também e a beijei outra vez.

Saímos do aeroporto e fomos em direção ao carro das meninas.

— Enzo, será que eu posso bater na Bianca? Vai, por favor... minha mão está coçando faz tempo... — Júlia pediu enquanto caminhávamos até o carro. Eu estava abraçado na Rafa e ela ia ao nosso lado.

— Ah amiga, eu acho que vou cortar seu barato. Se tem uma coisa que eu quero fazer essa noite é dar um bom tapa na cara daquela vadia ordinária! — Rafa falou e as duas riram.

Júlia dirigiu até o clube onde meu pai havia marcado o jantar, demoramos um pouco para chegar. Rafa e eu fomos conversando no carro, matando a saudade de uma semana longe um do outro.

— E o seu pai? — Rafa perguntou, eu não tinha pensado naquilo ainda.

— Ele vai ter que aceitar.

— E se ele não aceitar?

Olhei para ela e dei um selinho em sua boca, não queria pensar naquilo naquele momento. Eu estava decidido a ficar com ela e meu pai poderia me colocar na rua se quisesse, isso não mudaria. Eu já havia deixado de fazer muita coisa por não querer enfrentá-lo, estava na hora de tomar as minhas próprias decisões.

Chegamos ao clube, desci e fui na frente das meninas, não queria fazer um escândalo, apesar de que isso aconteceria de qualquer maneira...

Entrei no salão e alguns convidados já estavam presentes. Bianca veio em minha direção, estava usando uma bata de seda e uma calça sofisticada, pela blusa dava para ver a sua suposta gravidez. Eu sabia que ela estava usando uma barriga falsa. Ao lado dela vinha meu pai, a Fernanda e o pai da Bianca.

— Amor! Que bom que você chegou, eu já estava preocupada!

— Acabou. — falei e os quatro me olharam sem entender.

— Acabou o que? — Bianca perguntou confusa.

Naquele momento Rafa e Júlia se aproximavam de nós, Bianca as olhou erguendo uma sobrancelha com um olhar superior no rosto, meu pai pareceu confuso de ver a Rafa e uma desconhecida ali, Fernanda estava abrindo um sorriso em meio ao rosto confuso e o pai de Bianca estava totalmente por fora do que estava acontecendo.

— Não vai ter mais noivado. Acabou tudo. Eu não quero ver a sua cara nunca mais na minha vida, ouviu bem? — falei encarando ela.

— O que você está dizendo? E o que essas duas coisinhas estão fazendo aqui? — ela perguntou com desdem na voz.

— O que é isso, Enzo? O que você pensa que está fazendo? — Meu pai perguntou com autoridade na voz me encarando. Por um momento ignorei a Bianca e olhei meu pai nos olhos.

— Eu tomo as decisões da minha vida a partir de hoje, pai. O senhor não tem o direito de decidir com que eu vou me casar ou o que vou fazer com a minha vida. Não tem o direito de dizer onde eu tenho que trabalhar ou como vai ser meu futuro. Eu vivo a minha vida, eu tomo as decisões da minha vida.

— Enzo... — ele falou em tom de censura.

— Já chega pai. Você pode fazer o que quiser com minha herança, eu não estou nem aí para o seu dinheiro. — falei encarando ele — eu não vou me casar com a Bianca e isso já está decidido. Nunca amei você, Bianca — falei olhando para ela agora — e você sabe disso, nunca amei e nunca amaria você. — Virei para o meu pai outra vez, Rafa e Júlia estavam um pouco atrás de mim ouvindo tudo. — Você amava a mamãe, pai? Você lembra o que fez por ela?

— Sim, filho.

— Eu também amo uma mulher da mesma forma que você amava minha mãe e vou fazer qualquer coisa para ficar com ela. — falei para o meu pai, estávamos tendo a conversa que eu nunca deveria ter adiado.

Segurei a mão da Rafa e meu pai a olhou por um instante, surpreso, assim como todos os outros ali, Fer e Jú sorriam, Bianca estava vermelha de raiva e o pai dela muito confuso.

Cortando subitamente aquela emoção, Bianca começou a gritar e todos no salão agora reparavam em nós.

— Eu estou grávida, Enzo! Vamos ter um filho! Você não pode fazer isso comigo!

— Grávida? Você está grávida? — Rafa parou ao meu lado encarando a Bianca. — Você está mesmo grávida, Bianca? — Rafa desafiou. — Por que não levanta um pouco a sua blusa para vermos a sua barriga de grávida?

Bianca arregalou os olhos.

— Eu... Eu não vou fazer isso, quem você pensa que é sua empregadinha metida? Você devia estar na rua há muito tempo!

— Na rua? Não, não querida, eu jamais roubaria o seu posto de vadia.

Rafa e Bianca se encaravam, dava pra ver o ódio no rosto das duas. Mas Rafa estava muito segura de si, Bianca estava acuada.

— Seguranças! Tirem essa mulher daqui!

— Se tem alguém que vai sair daqui esse alguém é você, Bianca. — falei quando os seguranças se aproximaram.

Em meio a isso, eu podia ver a Júlia conversando com o meu pai e o pai da Bianca, Fer estava com ela, ela estava mostrando o vídeo que havia feito da Bianca com o Caio para eles.

— Você não pode fazer isso, Enzo! Vamos ter um filho!

— Ah, cala essa boca, sua vadia! — Rafa deu um tapa na cara de Bianca e a Bianca caiu por cima de uma mesa ao lado dela, a maioria das pessoas ficou em pé, apavoradas com a cena, afinal eles não sabiam que Bianca não estava grávida.

Rafa fez com que a Bianca se levantasse e puxou a barriga falsa a arrancando da blusa e revelando para todos a gravidez inexistente.

Bianca acertou um tapa na cara da Rafa e a Rafa revidou no mesmo instante, Rafa caiu no chão por cima da Bianca prendendo os braços dela com as pernas.

— Esse é por todas as vezes que você me ofendeu! — Rafa deu um tapa na cara dela. — Esse por ser uma mentirosa — outro tapa. — E esse, porque eu esperei muito tempo para dar na sua cara! — Então fechando o punho Rafa deu um soco na cara de Bianca e o nariz dela começou a sangrar.

Os seguranças seguraram a Rafa, e a Bianca foi retirada do salão, o pai dela saiu atrás.

— Isso não vai ficar assim! Eu juro! Você vai me pagar garota, e o preço vai ser caro! — Bianca gritou quando estava sendo retirada do salão.

— Rafa, você é minha heroína! — Fer falou começando a rir, Júlia ajudou, o Gui estava por ali também e todos nós respiramos aliviados.

Abracei a Rafa e a beijei, soltando-a só minutos depois de tudo aquilo. Meu pai veio em nossa direção, eu estava pronto para enfrentá-lo novamente.

— Enzo...

— Eu amo essa mulher pai, e não a nada que você possa fazer para mudar isso. Eu... — comecei a falar mas ele me cortou, como de costume.

— Eu entendo, Enzo. Fui um pai muito estúpido para você e a Fernanda esses anos todos. Eu... me desculpe, filho, eu quero que você seja feliz, com quem você quiser ser.

As palavras do meu pai me pegaram de surpresa, eu quase não consegui acreditar. Então ele me abraçou, o que não acontecia há muitos anos, desde que minha mãe havia morrido, e colocamos naquele abraço todos os pedidos de desculpa e o perdão que não precisaria ser dado com palavras.

— Então... Senhorita Rafaella, parece que tenho uma nova nora não é? — meu pai falou se dirigindo a Rafa.

— Bom... hum... eu....

— Papai, deixa a Rafa respirar tá? — Fer se meteu rindo. — E aí, cunhada?

Apesar do clima meio estranho ali todos rimos e conversamos um pouco, eu estava conversando com o meu pai e depois fui até ela.

— Que tal se a gente fosse para casa e ficássemos sozinhos? — perguntei no ouvido dela com um sorriso no rosto.

— Eu adoraria. — ela sorriu também.

Saímos dali e eu dirigi para a autoestrada, ela parecia confusa e então perguntou onde estávamos indo.

— Onde estamos indo?

— Para a casa de campo.

Ela olhou para mim e eu sorri, então fomos até a casa de campo que era da minha mãe, Rafa parecia um pouco nervosa, achei estranho, mas logo ela pareceu se acalmar. Quando chegamos dei a volta no carro e abri a porta dela puxando-a para fora e dando-lhe um beijo. Fomos para dentro da casa e eu a levei para meu antigo quarto, deitei-a na cama e comecei a abrir os botões de sua blusa devagar, ela puxou minha camisa e a calma evaporou, nos beijamos com paixão enquanto nossas roupas se espalhavam pelo chão do quarto.

Notas finais
Contem-me o que pensam disso nos comentários AUHEAUEHAUEHA Beeeeijo gente linda