Opostos Perfeitos
44 Capítulo 43
Notas iniciais
Capítulo 43
Narrado por Rafaella:
Acordei no domingo de manhã com o Enzo deitado ao meu lado, percebi que não havia sonhado, que estávamos os dois ali, juntos e que tudo o que nos impedia de ficar juntos já não existia mais. Eu ainda tinha que contar para ele que estava grávida, mas estava com medo, a Bianca tinha acabado de enganar ele com isso, e se o Enzo não acreditasse em mim? E se ele achasse que eu também só queria lhe dar um golpe, assim como ela? Afastei esses pensamentos e me concentrei em ficar calma. Enzo estava acordando, ele olhou para mim e sorriu.
— Bom dia, namorada. — ele me puxou e deu um selinho.
— Namorada é? Mas nem teve pedido nenhum... como você sabe que eu aceito? — perguntei sorrindo de leve.
Enzo levantou, se espreguiçou e depois ficou com um joelho no chão ao lado da cama, segurou minha mão e pediu:
— Rafaella Belmontt, você aceita namorar comigo?
— Vou pensar no seu caso.
— A é? Nesse caso eu acho que vou ter que te torturar até receber uma resposta satisfatória. — ele disse ficando por cima de mim no colchão, então começou a fazer cócegas.
— Enzo! Para! — eu pedia enquanto ria.
— Vamos, me dê a resposta certinha!
— Tá, tá, seu idiota, eu aceito! — falei rindo.
— Seu o quê? Acho que essa ainda não é a resposta exata, Belmontt.
— Ok, ok. — falei rindo — Eu aceito namorar com você, Senhor Machiello.
— Muito bem, agora sim.
Enzo segurou meus braços e me deu um beijo entre sorrisos.
Tomamos café do lado de fora da casa vendo uma manhã linda com um céu incrivelmente azul, perfeito.
— Enzo... aquilo que a Bianca falou, você acha que a gente tem que se preocupar? Quer dizer, ela fez uma ameaça...
— Claro que não, ela não vai fazer nada só falou porque queria fazer mais cena ainda, parecer a injustiçada. — ele deu de ombros.
— É, mas o que ela fez, a mentira sobre a gravidez e tudo mais...
— Ela não teria coragem de fazer mais nada para prejudicar a gente, já dei um fora nela e ela sabe que depois do que ela fez não tem mais chance nenhuma comigo... pode ficar tranquila.
— Tomara que você esteja certo.
— Não precisa dar tanta importância a isso, Rafa, ela não vai fazer nada, não tem um meio de nos atingir.
— É. — respondi e fiquei quieta pensando, se ela tentasse qualquer tipo de coisa comigo ou com o Enzo saberíamos nos defender... mas... e quando ela soubesse da minha gravidez?
E mesmo assim, antes dela saber, eu teria que contar ao Enzo...
Tudo isso me deixava nervosa e preocupada, me servi um pouco do omelete que havíamos feito para o café e coloquei uma garfada na boca distraída. Na mesma hora senti meu estômago se retorcer e corri para o banheiro. Vomitei.
— Rafa? O que foi? Você está bem? Rafa?! — Enzo estava batendo na porta, eu não tinha trancado e ele girou a maçaneta e a abriu, me viu no chão do banheiro, eu tinha acabado de puxar a descarga. — Rafa? — me olhou confuso.
— Eu estou bem... eu... só... o ovo deve estar estragado... — falei e comecei a levantar.
— Rafa... — ele chamou, fiquei parada na frente da pia e escovei os dentes, não respondi.
— Rafa... — ele falou cauteloso dessa vez.
Sequei a boca na toalha e virei para ele.
— Você... está... grávida? — ele perguntou devagar e segurou meu queixo levantando meus olhos para encontrar os seus.
Ele estava com um esboço de sorriso no rosto confuso, olhando diretamente nos meus olhos, eu não sabia dizer quantas emoções estavam passando pelo rosto dele naquele momento, não sabia o que ele estava pensando e nem qual devia ser minha expressão. Engoli em seco, respirei fundo e respondi.
— Sim.
Ele soltou o ar que estava segurando e sorriu ainda abobalhando e confuso.
— Eu... eu sou o pai?
— Que tipo de pergunta é essa, seu cretino? É óbvio que você é o pai. — falei não acreditando que ele tivesse perguntado aquilo.
Tirei o mão dele do meu rosto e quando ia passar por ele, ele puxou me braço.
— Desculpa, eu só... — ele falou e eu compreendi porque ele tinha medo.
Enzo ainda sorria feito bobo sem acreditar, eu sorri para ele também e nos beijamos de um jeito profundo. Nossa vida já tinha mudado bastante e agora daria um giro completo, seríamos uma família.
Voltamos para fora da casa e ficamos conversando, conheci o caseiro e a mulher dele que cuidavam da casa também, eram os Jonhson.
— Enzo, eu ainda vou ter que ir para a Itália... — comecei a falar. — Vou tentar o voo de segunda, preciso encontrar o meu pai antes que seja tarde demais, entende?
— Sim... que horas sai nosso voo então? — ele perguntou tomando um gole de seu café.
Eu olhei para ele.
— Você vai comigo? — perguntei surpresa.
— Acha mesmo que eu vou deixar a mãe do meu filho sozinha na Itália? Quem vai te proteger se tiver algum maluco pelas ruas? — ele perguntou brincando.
— Eu aprendi uns golpes de boxe com um mauricinho aí...
— Mauricinho? Como assim? — ele falou fingindo estar ofendido. — Deve ser um cara muito gostoso e sarado se te ensinou boxe... sabe.. ele deve fazer muito exercício pra manter o corpo, deve ser fortão também não é?
— Nossa, que interesse é esse por homens? Mudou de time é? — perguntei dando um gole no meu café.
— Lá em cima, na cama, agora. — ele falou ficando em pé. — Vou te mostrar quem mudou de time.
Eu ri e ele me deu um selinho.
— Então, segunda? Acho que a gente pode conseguir um voo de manhã, provavelmente. — voltou a falar sério. — Nossa, em pensar que vou ir pra Itália conhecer meu sogro... — disse brincando agora.
— Sogro? Que sogro? Sou só sua namorada, ok? Ele ainda não é seu sogro oficialmente, senhor Machiello. — provoquei.
— Mas vai ser ué. Ou você ainda tem alguma dúvida de que vai casar comigo? — perguntou se achando.
— Não sei, vai que eu encontro outro professor de boxe por aí? — dei de ombros.
Enzo me olhou feio e tomou um gole de seu café. Ficou de cara fechada. Levantei e sentei no colo dele.
— Que carinha de cachorro sem dono, coitadinho, tá bom, tá bom, prometo dar prioridade ao seu caso e pensar numa resposta para a questão “um dia casarei com Enzo Machiello”, pode ser?
— Olha que se demorar muito quem muda de ideia sou eu. — ele provocou.
— Dúvido. — falei convencida.
— Ei, aprendeu direitinho. — brincou porque o convencido era ele e não eu...
— Bobo. Combinamos assim então, um dia você me pede em casamento e eu aceito, fechado? — perguntei brincando.
— Fechado. — ele concordou.
Fiquei sentada em seu colo com a cabeça encostada em seu peito e ele passou a mão na minha barriga.
— Você sabe que não pode sentir nada ainda né? — perguntei rindo.
— É, mas eu sinto meu menino aí dentro.
— Ah, vai ser um menino então?
— Claro ué.
— E se for menina?
— Já compro um macacão escrito “papai só me deixa namorar depois dos 30” ué.
Depois do almoço aproveitamos nosso domingo maravilhosamente bem. Conversei com a Jú e a Fer no domingo de noite, fizemos uma janta no apê e contei a novidade do bebê, elas ficaram malucas, Jú quase me matou por pensar em ir embora sem contar a ninguém, já tinha conversado com o Enzo sobre isso também, ele havia ficado chateado pelo que eu pensei em fazer mas ficou tudo bem.
Na segunda de manhã partimos para a Itália.
— Como você acha que ele é? — perguntei ao Enzo quando desembarcamos em Florença. Eu estava nervosa, não sabia como agir, pensava no passado, ele havia deixado minha mãe, e ao mesmo tempo pensava que agora ele estava morrendo, não tinha muito tempo para discutir sobre os motivos dele ter-nos abandonado, então resolvi que iria aceitá-lo, apesar de tudo.
— Não se preocupe, estou aqui com você. — Enzo falou me abraçando pela cintura enquanto atravessávamos uma rua.
Um táxi havia nos deixado no endereço do hospital que constava na carta, era um prédio grande, de arquitetura antiga. Entramos e fomos até a sala de espera, eu havia ligado para a mulher do meu pai e ela foi muito gentil, disse que esperaria no hospital, ela falava inglês fluente e assim nos entendemos.
Cheguei a sala de espera e havia bastante pessoas ali, eu não tinha como reconhecê-la, mas logo que chegamos na sala uma mulher veio em nossa direção, era bonita, bem-vestida, deveria ter uns cinquenta anos.
— Rafaella? — ela perguntou se dirigindo a mim.
— Sim. — respondi em inglês.
— Eu sou Iolanda, a esposa do seu pai. — ela sorriu gentilmente.
— Muito prazer. — nos cumprimentamos com um beijo no rosto. — Mas como a senhora me reconheceu?
— Você parecia um pouco perdida... — ela sorriu novamente. — trabalho com turismo, então tenho certa facilidade em reconhecer estrangeiros.
— Ah. Esse é Enzo, meu namorado. — apresentei sorrindo, Enzo que estava ao meu lado.
— Muito prazer, senhora. — ele segurou a mão dela e lhe deu um beijo.
— Mas que encantador!
Conversamos algum tempo, ela me contou várias coisas sobre meu pai, disse que ele era um homem bom e que ele sofreu muito todos esses anos pelo que fez, ela o entendia e o amava apesar disso, contou que eu tinha um irmão e uma irmã que estavam trabalhando no momento, Giovanni era meu irmão, tinha vinte anos e Cecilia, minha irmã, tinha dezoito.
Depois de uma hora mais ou menos ela me levou até o quarto do meu pai, eu estava tremendo, não de medo, mas de angústia, de incerteza. Estaria vendo meu pai pela primeira vez, o reconhecendo pela primeira vez, ele havia me abandonado, a mim e minha mãe e apesar disso eu era incapaz de sentir raiva ou ódio de um homem que estava a beira da morte. Iolanda havia explicado que ele estava piorando a cada dia, estava com dificuldade para respirar e não aguentaria muito tempo.
Então, Iolanda abriu devagar a porta do quarto e sorriu para alguém deitado em uma cama.
— Ela está aqui, querido.
Ouvi algum sussurro lá dentro e ela pediu que entrássemos.
Lentamente me dirigi até a cama. Um homem magro e fraco se encontrava ali, tinha olheiras grandes e lágrimas nos olhos quando me encarou.
— Minha filha... — ele sussurrou — Rafaella... — era difícil ouvi-lo, estava muito fraco, ele havia feito um movimento com a mão e eu a segurei sem pensar.
— Estou aqui, pai. — falei e lágrimas surgiram em meus olhos, as palavras que nunca pude dizer, a dor que sentia a cada dia dos pais na escola quando nos apresentávamos no palco e na plateia os pais de minhas amigas aplaudindo, os abraços que nunca pude dar, o carinho que nunca recebi. Todas as coisas que deveriam me fazer sentir raiva dele me vieram na mente e tudo que eu conseguia sentir era a felicidade de finalmente poder receber o abraço que nunca havia recebido.
Por algum tempo ficamos nos olhando, chorando, ele me pedindo perdão com seus olhos e eu lhe perdoando.
— Você tem o rosto da sua mãe... — ele sorriu fraco. — eu... eu sinto muito... — ele começou a soluçar enquanto tinha um ataque de tosse, seus batimentos estavam fracos.
— Por favor, não se preocupe com isso agora, está tudo bem, pai, eu estou aqui, tudo vai ficar bem.
— Eu... preciso... preciso do seu perdão para poder descansar...
— Eu perdoo o senhor, perdôo-o por tudo pai, vai ficar tudo bem.
Ele sorriu e se acalmou um pouco, Iolanda o ajudava a beber um pouco de água.
— E este rapaz? — perguntou olhando para o Enzo.
— Este é Enzo, meu namorado, pai.
— Obrigado por cuidar da minha menina, rapaz. — ele disse e estendeu a mão fraca para o Enzo.
— Se o senhor me der permissão, gostaria de cuidar de sua filha o resto da minha vida, senhor. — Enzo falou olhando meu pai nos olhos.
Ele estava pedindo minha mão em casamento?
Eu olhei para ele surpresa, ele sorriu.
Enzo sabia tanto quanto eu que as famílias Italianas eram tradicionais, ele era Italiano afinal, mas nunca imaginei que fosse pedir minha mão para o meu pai.
— Você tem minha licença, filho. Faça-a feliz e cuide de sua família.
— Obrigado senhor, eu cuidarei.
Conversamos durante um longo tempo, logo descobri que meu pai era um homem doce, que o tempo e o arrependimento certamente o tinham transformado em um homem melhor.
Mais tarde voltamos para a sala de espera e Iolanda me apresentou aos meus meio-irmãos. Eles eram muito legais, logo descobri que tínhamos muito em comum, apesar de mal nos conhecermos, nos tornamos amigos, todos.
Iolanda insistiu para que ficássemos na casa deles e eu e Enzo aceitamos. Giovanni nos levou até uma mansão perto do centro da cidade, a arquitetura era antiga, exuberante, clássica e maravilhosa, o jardim era enorme, cheio de flores e fontes de água. A casa por dentro era ainda mais incrível, eu sequer tinha palavras para descrever. Cecilia nos levou até um quarto era lindo com a decoração clássica e bem grande, as janelas em arco davam para um quintal com um parreiral de uvas. Quando Enzo e eu ficamos sozinhos finalmente comecei a colocar a cabeça no lugar.
— Uau. Bom... Eu acho que... — Enzo também estava sem palavras.
— Uau. — falei também. — Isso... Isso tudo... é deles?
— Bom, parece que seu pai é um homem muito influente aqui na Itália. — Enzo falou olhando em volta, eu havia sentado na enorme cama.
— É, exatamente. — falei se acreditar, minha felicidade desmoronando.
— Ei, o que foi, por que isso? — ele veio até mim.
— Com tanto dinheiro, Enzo, por que ele nunca me procurou? Se ele enviava cartas para minha avó, por que nunca foi me ver? — perguntei com lágrimas surgindo.
— Rafa, eu não posso explicar isso, mas não fique assim, você viu como seu pai está, não deixe que isso impeça que você o conheça agora. — ele limpou uma lágrima com o dedo.
— Você tem razão. — sorri fraco.
O dia passou logo, conhecemos a propriedade por cima, visitamos os jardins e tudo era maravilhoso ali, um pedacinho de paraíso. Giovanni e Cecilia contaram que tinham algumas fazendas também no interior e uma loja, além da maior agência de turismo da cidade.
Nos dias seguintes fiquei com meu pai no hospital, conversamos muito, ele me pediu perdão novamente e tudo ficou bem. Contei a ele que estava grávida, que ele seria avô e ele chorou novamente, pedindo perdão.
Naquela semana o médico deu boas notícias, meu pai havia tido uma melhora, mas isso não significava que ficaria bom, na verdade, o médico temia que, como em muitas doenças incuráveis ele melhorasse para em alguns dias, partir.
E assim aconteceu, duas semanas depois, meu pai faleceu. O domingo amanheceu chuvoso, triste, eu havia passado a noite no hospital naquele dia e estava segurando sua mão quando fui acordada pelo médico.
Enzo me abraçou e eu chorei, chorei toda a dor que senti por todos os anos que não tive um pai e a dor de perdê-lo tendo conhecido-o tão pouco. E, mesmo assim, tão pouco havia sido tempo suficiente para perdoá-lo e amá-lo.
O enterro foi na segunda de manhã, e voltaríamos para o Brasil na terça, já havíamos reservado as passagens.
— Rafaella... — Iolanda me chamou na segunda a tarde.
— Sim?
Nos abraçamos e ela me levou até uma sala para conversarmos. Ela estava com os olhos vermelhos e havia chorado a manhã inteira.
— Eu... seu pai... tem um testamento. Eu pedi para o tabelião vir hoje a tarde porque sei que você e Enzo precisam voltar para o Brasil...
— Iolanda... eu... eu não preciso de nada, não preciso do dinheiro, não vim por isso, eu nem sabia... quer dizer... não sabia de nada sobre a situação financeira do meu pai...
— Eu sei disso, querida, mas você é filha, assim como Giovanni e Cecilia, e os bens do seu pai são seus também agora, querida. E ficamos felizes por isso, todos nós aqui. — ela falou com sinceridade. — Sei que você não teve muito tempo, mas seu pai a amava. Eu o vi chorar muitas vezes arrependido...
Conversamos durante uma hora, Iolanda me contou muitas coisas e me esclareceu outras também, depois falou do testamento, e mais tarde o tabelião chegou.
Cada um dos filhos havia recebido vinte ações sobre a agência de turismo e Iolanda ficava com as quarenta restantes por ser a esposa. Ela era, por lei, a dona de tudo, inclusive da agência, mas me explicou que era da vontade do meu pai que eu tivesse direito a tudo também e ela aceitava isso, eram pessoas simples, apesar de muito ricas. Além da sociedade na empresa, Iolanda disse que meu pai havia comprado uma fazenda em Florença e uma casa em Veneza, e que esses eram bens meus e eu os tinha em meu nome desde meus dezoito anos.
Depois de tudo isso, voltei para o quarto e conversei com o Enzo, estava confusa com tudo aquilo, mas entendia o que significava também. Na manhã seguinte me despedi de Iolanda e meus dois irmãos e prometi que nos veríamos em breve.
— Então, como você está se sentindo? — Enzo perguntou me dando a mão quando estávamos no avião sobrevoando o oceano atlântico.
— Eu estou bem. — falei com sinceridade. — Estou triste sim, mas também estou feliz. Pelo menos o conheci. — sorri.
Enzo me deu um beijo e recostei minha cabeça em seu ombro. Adormeci.
Chegamos ao Brasil as dez horas da noite, desembarcamos no aeroporto, Enzo tinha ligado para o Gui nos buscar, quando chegamos no salão de desembarque estavam todos lá, Júlia, Fernanda, Gui e Leandro. As meninas me abraçaram logo e decidimos ir todos para um bar beberalguma coisa. Mais tarde, Enzo e eu fomos para o meu apartamento. Jú ia ficar na casa do Lê.
— Sabe de uma coisa? — Enzo perguntou quando já estávamos deitados.
— O quê? — perguntei sonolenta, ele fazia carinho nos meus cabelos.
— Você ainda não conheceu meu quarto. — ele riu.
— Pois é, no fundo acho que você gosta muito mais da minha cama, por isso. — respondi brincando.
— E você tem toda razão. — ele sorriu. — Sua cama é muito melhor, não tenho você todas as noites do meu lado na minha, não tem graça. — ele deu de ombros.
— Bobo.
— Acho que você deveria dormir lá em casa amanhã, que tal? — ele perguntou.
— É, vou pensar no seu caso. — falei fechando os olhos.
— Você podia dormir todos os dias lá em casa... — ele sussurrou me dando um beijo nos cabelos. — Podíamos ter a nossa casa, com um balanço no jardim e nossos filhos correndo pela grama enquanto sentávamos na varanda e víamos o sol nascer...
E com suas palavras sussurradas meus pensamentos iam seguindo sua voz e nos meus sonhos um menininho e uma menininha brincavam felizes, Enzo e eu na varanda... um balanço e um jardim...
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