Opostos Perfeitos
42 Capítulo 41
Notas iniciais
Capítulo 41 – especial
Narração em 3ª pessoa
Quando Rafaella chegou em casa naquele dia foi direto para o banheiro e colocou a cabeça em baixo do chuveiro, suas lágrimas a tanto sufocadas finalmente começaram a cair. Tudo havia terminado, ao final daquela semana ela iria embora e nunca mais voltaria a olhar aqueles lindos olhos castanhos. Seu corpo escorregou pela parede do chuveiro enquanto a dor inundava cada vez mais forte seu peito.
Depois do banho e de todas as lágrimas lavadas ela colocou uma calça jeans e um blusão quente, sentou na sacada e ficou vendo o fim daquele doloroso dia.
— Rafa? — Júlia chamou quando viu a amiga na sacada, a luz estava apagada.
— Estou aqui.
— Você está bem? O que aconteceu?
— Não vou mais ver o Enzo, nunca mais. — Rafaella contou, com mais lágrimas surgindo, dizer aquilo em voz alta era de certa forma concretizar aquela despedida.
— O que aconteceu?
Rafaella contou tudo para a amiga, Júlia consolou-a e depois fez com que ela tomasse um chá enquanto conversavam na sala.
Aquela semana passou de maneira lenta e interminável, Rafaella sentia-se cada vez mais perdida e sozinha, seria assim sempre, ela sabia. Um pedaço do seu coração ficaria com Enzo e esse pedaço nunca seria recuperado. O filho que agora carregava no ventre seria seu porto seguro, a chama que a manteria viva, seu alento. O pedaço dele que ela levaria consigo e que amaria todos os dias de sua vida.
O sábado chegou e amanheceu frio, Rafa tomou um banho quente e terminou de arrumar suas coisas. Depois do meio dia a campainha tocou e Júlia foi atender.
— Oi. — Caio falou com um sorriso enorme, Júlia respondeu e deu passagem ao Caio. — Oi, minha princesa. — disse e abraçou Rafaella.
— Oi, Caio.
— Já estou com tudo pronto. — falou indicando as malas na porta, colocou-as para dentro.
— Mas só vamos sair de noite... Não precisava ter vindo agora já Caio...
— Não vou ficar, trouxe as coisas para irmos juntos ao aeroporto, tenho que ir ver a Bi... — ele parou de falar e Júlia percebeu que ele procurava uma desculpa — hum.... tenho que passar na agência ainda...
— Hoje? Você não está de férias?
— Sim, eu... sim, estou de férias já mas tenho que resolver umas coisas ainda...
Júlia achou muito estranho o fato de Caio parecer inventar alguma desculpa e não passou despercebido a ela o fato dele ter mencionado que tinha que ir ver '' a Bi...''.
Depois que Caio deixou suas coisas em um canto da sala e disse que precisava ir, Júlia arrumou uma desculpa para a amiga e saiu do apartamento. Quando ela chegou ao hall de entrada do prédio, ainda dentro do elevador, viu Caio entrando em um carro preto e, antes dele fechar a porta, viu Bianca no banco do motorista.
Enquanto isso, no apartamento, Rafaella levou suas malas até a sala e colocou-as ao lado das malas do Caio.
Nessa mesma hora, Enzo estava dentro de um avião, voando para o Brasil e pensando nos olhos verdes que nunca mais veria.
Júlia saiu apressada para a rua e entrou em um táxi.
— Siga aquele carro, aquele preto ali na frente.
— Sim senhora.
O táxi seguiu o carro de Bianca por uns dez minutos, então parou, o motorista do táxi encostou enquanto Caio e Bianca saiam do carro e entravam em um parque. Júlia começou a seguir os dois a uma pequena distância mas sempre se mantendo escondida.
Caio e Bianca se afastaram do pequeno movimento e foram sentar em um banco cercado por arbustos verdes, ninguém os viria ali e caso alguém percebesse que tinha gente naquele local não ligariam, afinal era um parque.
— Não tem perigo de nos verem aqui?
— Não, você viu como tem pouco movimento e nessa parte não vem ninguém.
— É bom mesmo, não quero nossos planos estragados por descuido seu.
— Ah, por favor. Descuidada é você que dá uma de louca e invade o apartamento das meninas, o que você estava pensando? Foi estupidez.
Júlia estava escondida atrás dos arbustos ouvindo a conversa de boca aberta, eles eram mais que amigos então, e como ela suspeitava, estavam tramando alguma coisa em conjunto. Júlia pegou o celular e apertou um botão para gravar a conversa.
— É, mas eu queria ver se ele tinha dormido lá com ela, e se ela aparecer grávida, com quem você acha que ele vai escolher ficar? — Bianca falou com a voz desdenhosa.
— Ela grávida ou não, se ele descobrisse que você não está grávida ficaria com ela de qualquer maneira, e nós dois não queremos isso, não é?
Júlia tapou a boca com as mãos.
— É claro que não! Enzo é a minha garantia de futuro, e vai ser bem fácil armar qualquer coisa depois para dizer que eu perdi o bebê, já paguei uma boa quantia ao médico que o Enzo considera de confiança, como se eu não pudesse comprá-lo, ele é tão ingênuo, acha que as pessoas são tão honestas... foi tão fácil convencer o doutor a me arrumar um exame falso, isso claro, porque não seria a primeira vez que ele faria um. E vai ser mais fácil ainda pedir para que me arrume um exame comprovando que perdi o bebê. O Enzo está nas minhas mãos e depois que você for à Itália com aquela coisa lá vai ser fácil consolá-la, ela estará tristinha porque seu amor se casou e nunca mais vai poder ficar com ele e aí você entra e ganha a sua parte do acordo. Ela já tem alguma amizade por você, não vai ser difícil levá-la para a cama.
Por entre as folhas Júlia pode ver um sorriso no rosto da Bianca e o correspondente no rosto de Caio.
— Mas confesso que vou sentir falta dos nossos encontros. — Bianca falou encarando Caio com um olhar sedutor.
— Porque eu tenho mais pegada que aquele mauricinho. — Caio falou e puxou Bianca para perto de modo feroz.
— Aqui não, Caio. — ela censurou enquanto ele começava a beijar seu pescoço, os dois deram um beijo rápido e voltaram a conversar, Júlia queria sair dali e ir correndo contar tudo a amiga mas continuou escutando.
— Que horas o voo dele chega? — Caio perguntou.
— As oito eu acho.
— Mas e se nós batermos com ele no aeroporto?
— Claro que não, ele sai por um lado e vocês estarão no outro, nunca iriam se encontrar. E se por acaso você o vir, beija ela. Ele vai ir embora na mesma hora. Até seria bom se ele te visse beijando ela... seria muito bom.
Caio deu um sorriso.
Os dois se levantaram e começaram a se beijar, Júlia parou a gravação e saiu rápido dali antes que eles a vissem. Entrou em um táxi e foi para casa, precisava contar tudo a Rafa. Chegou no hall e subiu para o apartamento delas. Quando entrou percebeu que a Rafa não estava, pegou o bilhete em cima da mesinha da sala:
Jú, saí para ver uns amigos e me despedir, passo ai mais tarde para pegar minhas malas e me despedir de você amiga, beijo, Rafa.
— Mas que merda, se ao menos ela tivesse dito aonde ia!
ficou a tarde toda pensando no que faria e esperando a amiga voltar para casa, ouviu o que havia gravado algumas vezes e a cada palavra que saia da boca daqueles dois ela sentia mais raiva. Como as pessoas podiam ser tão ruins?
Já eram sete horas e Rafa ainda não tinha voltado. Júlia então percebeu que numa coisa a Bianca tinha razão, ela e Enzo não conseguiriam se encontrar no aeroporto, enquanto ele estivesse desembarcando Rafa embarcaria em outro avião, então ela trocou de roupa e saiu em disparada, pegou um táxi e foi direto ao aeroporto. Deixou um bilhete dizendo que precisava falar urgente com a Rafa e que iria encontrá-la no aeroporto.
Júlia demorou vinte minutos para chegar ao aeroporto e já eram sete e meia, Rafa deveria estar a caminho do aeroporto agora, ela não sabia qual era o voo do Enzo então foi se informar.
— Por favor, em qual portão chega o voo de Aspen?
— Portão dezenove.
— Obrigada.
Júlia estava perto do portão três, começou a correr pelo aeroporto tentando abrir caminho entre as pessoas, estava lotado e ela sabia que com a chegada de mais um voo logo seria impossível caminhar ali. Até ter atravessado todo o imenso salão e conseguido chegar ao portão dezenove viu que o voo do Enzo já estava na pista, ele devia entrar no portão a qualquer momento.
— Enzo! Enzo! — Júlia gritou quando o viu.
Enzo caminhava de cabeça baixa sem vontade nenhuma, ela percebeu, olhou para os lados quando escutou Júlia o chamando. Ela correu até ele.
— Enzo... Enzo... — falou sem conseguir respirar.
— Jú, oi... o que... o que você... — ele estava confuso, não conseguia entender o que ela estava fazendo ali. — aconteceu alguma coisa com a Rafa?
— Sim e não, Enzo, é armação... — Júlia falava tentando conseguir respirar, estava ofegante.
— Armação? O quê? Não estou entendendo. Júlia calma, respira primeiro!
Jú inspirou profundamente e soltou a respiração devagar, fez isso três vezes e depois falou.
— É armação, a Bianca não está grávida, a Rafa deve estar embarcando agora, o Caio sabe de tudo ele está ajudando a Bianca... — Júlia falou encarando Enzo.
— O quê?!
— A Bianca não está grávida!
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