Opostos Perfeitos
45 Capítulo 44
Notas iniciais
Capítulo 44
Narrado por Enzo:
Rafa dormiu em meus braços e eu adormeci logo em seguida, no dia seguinte, quarta-feira, voltaríamos para a empresa, eu já havia conversado com meu pai na segunda, da Itália, e contado tudo que aconteceu por lá, ele ficou feliz em saber que voltaríamos logo.
Na quarta acordei cedo, fui até a cozinha e coloquei água esquentar para fazer o café da manhã, peguei os pães e algumas coisas na geladeira para fazer torradas, estava colocando a primeira na torradeira quando a Rafa entrou na cozinha.
— Olha só, quem diria, você realmente aprendeu. — ela sorriu apoiada no batente da porta.
— Bom dia pra você também, viu? — falei e sorri.
— Bom dia, meu amor. — ela veio até mim e colocou seus braços ao redor do meu pescoço. Estava com uma carinha linda de sono.
— Com fome?
— Está brincando? Parece que tem um buraco sugador no meu estômago!
— Porque agora você precisa comer por dois né. — sorri dando um selinho nela.
— Por isso que eu estou ganhando um café da manhã pronto?
— Claro que não, eu só queria te dar o privilégio de provar minhas torradas, porque sabe, eu sou muito bom na cozinha... — falei me achando.
— Com certeza, é por isso que está saindo fumaça da torradeira, chef Machiello? — Rafa ergueu uma sobrancelha e apontou a torradeira.
— Ah, merda. — falei abrindo e pegando a torrada, estava quente, comecei a jogá-la para cima para não queimar minhas mãos.
— Um perfeito chef... — Rafa falou zombando. — Sabe, existe uma coisa chamada guardanapo... — ela riu.
Enquanto eu fazia meu malabarismo ela riu e colocou o outro sanduíche na torradeira.
Tomamos o café da manhã rindo e depois tomamos um banho juntos, nos arrumamos e fomos para a empresa. Chegando lá estacionamos o carro, abri a porta para ela e lhe dei a mão, fomos andando de mãos dadas para o prédio, paramos quando entramos no salão da entrada, Bianca estava sentada em um sofá perto dos elevadores folhando uma revista.
— O que ela está fazendo aqui? — Rafa perguntou para mim.
— Não faço ideia, mas é muita cara de pau. — respondi.
Bianca ergueu os olhos quando nos aproximamos dos elevadores, com uma sobrancelha levantada ela encarou minhas mãos dadas com as da Rafa.
— Achei que você não iria tão baixo nas suas paixõezinhas, você já se divertiu com garotas melhores. — Ela falou.
— Você devia ficar quieta considerando que a Rafaella é incontáveis níveis melhor do que você. O que você está fazendo aqui? — perguntei cortando o papo.
— Precisamos conversar. — ela falou. — a sós. — e olhou para a Rafa.
— Qualquer coisa que você tenha a dizer pode dizer na frente da minha namorada. — apertei a mão da Rafa mais firme e ela correspondeu.
— Namorada, é? — riu com sarcasmo, então respirou fundo. — Podemos subir até a sua sala?
— Na verdade não, não gosto muito de répteis, e uma cobra na minha sala não seria nada agradável. — falei com ironia.
— Você não pode falar assim comigo, eu estava grávida de você, Enzo.
Por um momento senti a Rafa congelar do meu lado.
— Você não acha que esse seu show já está muito velho?
— É verdade, eu estava mesmo grávida, perdi o bebê e por isso aquela barriga falsa, eu não queria perder você. — ela deu um passo a frente e tentou colocar a mão no meu rosto.
Segurei seu pulso firmemente, não estava a fim de uma cena ali, muito menos que Bianca provocasse a Rafa a ponto de as duas começarem a brigar na porta da empresa.
— Vá embora. Eu sei de tudo que você conversou com o seu amiguinho Caio. Vocês foram pegos. A conversa está gravada, Bianca. Tenha um pouco de respeito próprio e vá embora.
— Você não pode me trocar por essa dai — Bianca disse com desdem — pelo amor de Deus, o apartamento dela mal tem o tamanho do seu quarto!
— Pelo menos eu posso pagar o aluguel e não preciso viver da mesada do meu pai. — Rafa falou encarando Bianca que fingiu que ela nem estava ali.
— Vai embora. Você não tem mais nada para fazer aqui e não temos nada para tratar. Eu vou me casar com a Rafa e vamos ser uma família, aceite isso Bianca, você perdeu.
— Você vai casar com ela? E acha que ela vai ser fiel e feliz com você? Em que mundo você vive? Ela vai esperar vocês casarem, vai engravidar e dar o golpe do baú, queridinho.
— Bom, quanto ao golpe do baú, acho que ela não precisa disso, já que é herdeira de uma herança avaliada em mais de dez milhões de dólares, e tem ações permanentes na empresa da família dela, quanto ser fiel e feliz, eu tenho certeza que seremos muito felizes, nós nos amamos, mas você não sabe o que esse sentimento significa, não poderia entender. E quanto a ter um filho, isso não é da sua conta, mas só para você saber, ele vai nascer daqui a oito meses. — terminei com um sorriso imenso no rosto.
Finalmente Bianca pareceu notar a Rafa do meu lado e olhou para ela com o rosto contorcido de uma mistura de raiva, ódio, descrença e desdem.
— Sua vagabun... — Bianca estava a ponto de dar um tapa na Rafa quando eu segurei seu pulso novamente e encarei seus olhos com raiva.
— Se você tocar em um fio de cabelo da minha futura esposa, eu juro... — falei demostrando todo o desprezo e raiva que estava sentindo por ela naquele momento. — um fio de cabelo dela, Bianca, e você nunca mais vai ver a luz do sol. Sai daqui, agora.
Larguei pulso dela e ela cambaleou dois passos para trás. Uma lágrima escorreu dos olhos cheios de ódio dela.
— Eu vou acabar com a felicidade de vocês. Especialmente com a sua — ela encarou a Rafa. — E você, Enzo, vai voltar rastejando para mim.
Sua cara estava toda contorcida, não dava para reconhecer ali a Bianca que eu havia conhecido. Bianca virou-se e saiu da empresa, as pessoas que estavam ali pelo salão disfarçaram fingindo que não tinham acabado de presenciar aquela cena.
— Enzo... eu... — Rafa começou a falar quando entramos no elevador. — eu... você não devia ter dito que estou grávida... ela...
— Ei, ei, se acalma, está tudo bem, você não pode ficar assim agitada, amor, pensa no nosso filho tá bom? Se acalma. — falei abraçando ela e passando a mão em seus cabelos.
— É exatamente no nosso filho que eu estou pensando. — ela me olhou com olhos desesperados. — Você ouviu o que ela disse, eu tenho medo que ela... que alguma coisa aconteça com nosso bebê... — Rafa falou baixinho.
Senti o impacto de suas palavras em mim e por mais que eu não quisesse admitir, a cara da Bianca exclamava vingança.
— Vai ficar tudo bem, confie em mim. — falei apertando mais meus braços em volta do seu corpo. — Agora fica calma, pelo nosso filho. — segurei o rosto dela e sorri de leve — Eu amo você. — sussurrei enquanto aproximava nossos lábios.
— Eu também amo você. — Ela respondeu antes de nos beijarmos.
Quando chegamos ao nosso andar meu pai estava conversando com a Beth, os dois ficaram estranhos quando saímos do elevador, como se estivessem falando sobre algum assunto confidencial.
— Olá. — meu pai sorriu e veio até nós. — como foram de viagem?
Ele nem parecia o mesmo de duas semanas atrás.
— Muito bem. — respondi.
— Realmente, é lindo em Florença. — Rafa sorriu.
— Ah... a doce Florença... sim, sim, muito bonito lá! — meu pai respondeu sorrindo. — Bom, tenho que voltar ao trabalho, a Beth vai colocar vocês na linha novamente depois dessa folga. — ele brincou, virou as costas e foi para sua sala.
— Meu pai fazendo piada sobre o trabalho? — perguntei de olhos arregalados para a Beth.
— Seu pai não é um mostro de sete cabeças, Enzo. — ela sorriu e corou.
— Andou acontecendo alguma coisa por aqui enquanto estávamos fora?
Beth corou mais ainda, Rafa me cutucou com o braço.
— Ai. — reclamei e rimos eu e ela. — Ok, ok, vou para minha sala.
Rafa e eu fomos para nossa sala e eu fechei a porta.
— Meu pai arrumou uma namorada, é isso?
— É o que parece. — Seguramos o riso.
— A Beth?
Rafa deu de ombros.
— Eles formam um casal fofinho...
— Meu pai não formaria um casal fofinho nem com o ursinho Pooh. — brinquei. — Onde já se viu Augusto Machiello ser fofinho?
— Bom, você era um completo idiota quando eu te conheci, mas as pessoas mudam, não é? — Rafa falou e eu percebi que ela estava zombando.
— Isso quer dizer que eu também sou fofinho agora? — perguntei em seu ouvido segurando ela pela cintura junto a mim.
— Hum... talvez, um pouquinho... — ela sussurrou.
Quando íamos nos beijar alguém bateu à porta.
— Ah, óh. Desculpem atrapalhar. — ela sorriu envergonhada. — vim trazer uns papéis que vocês precisam conferir.
— Então, Beth, você acha que meu papai é fofinho, eu e a Rafa estávamos comentando aqui... — comecei a falar para implicar com a Beth e ela engasgou e começou a tossir.
— Enzo! — Rafa xingou. — Tudo bem, Beth?
— Ah, sim, tudo... eu... peguei uma gripe final de semana...
Beth estava vermelha e a Rafa me olhou feio, eu segurei o riso e dei de ombros.
— Obrigado, beth.
Beth saiu e Rafa veio em minha direção.
— Seu idiota, pra que fazer isso com ela? Queria ver você fazendo gracinha para o seu pai! — ela reclamou.
— Eu só estou dando um empurrãozinho para eles assumirem logo se tem alguma coisa... — ri.
— Ai, Enzo. — ela virou os olhos.
Puxei Rafa para mim e dei um selinho nela.
— Só acho que eles não deviam perder tempo enrolando e escondendo e assumirem logo de uma vez. — falei e ela sorriu boba, nos beijamos novamente.
Passamos o dia colocando assuntos da empresa em ordem, e assim foi durante as semanas seguintes. Finalmente Rafa e eu estávamos realmente dando certo, do jeito que devia ser. Então, contei para a Fer, Gui e meu pai que a Rafa estava grávida.
— E o casamento é quando?
— Casamento? — olhei para a Fer, apesar de tudo que estava acontecendo aquele era um assunto que eu e a Rafa ainda não tínhamos tocado realmente. — Eu... nós dois... não conversamos sobre isso ainda...
— Enzo! — ela me olhou como se eu fosse um burro. — Você acha que ela vai iniciar a conversa com você? É a Rafa, você não conhecê-la ela ainda?
— Eu... Achei que ela falaria sobre isso ué.
— Ela sempre soube que você é um galinha, Enzo, acha que ela vai dar o passo de te pedir em casamento? Ainda mais depois do que rolou com a Bianca?
— Ah... — falei percebendo que a Rafa realmente não tocaria no assunto.
— Você quer casar com ela, né? — Gui perguntou com cuidado, em dúvida.
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