Opheliac

1 Ações e Reações


Notas iniciais
Boa leitura E MANDEM VIEWS!!!!


“A toda ação corresponde uma reação de mesma intensidade, mesma direção e em sentido contrário.” — Newton

O som...

O som era agonizante. De alguém que sofre...

- Amarre-a! – Gritaram.

Senti mãos segurando meus pulsos que eram pesadas e nada gentis.

Não eram como a platéia vem me cumprimentar após meu espetáculo e beija minhas mãos em adoração.

O que eles estão pensando?

Preciso delas! Preciso para tocar!

Senti...

Senti uma leve dor. Uma picada.

A agulha passava o fluido rapidamente.

O som novamente...

O som cessou. Agora era só um arfar triste e cansado.

- Acalme-se. – Uma voz cheia de pena murmurou.

Meus olhos se abriram lentos e cansados.

Minha visão era turva, turva como daquela vez em que eu e Victória tivemos de sair em meio à difícil nevasca de Paris para chegar a tempo ao concerto em minha homenagem.

- Ela está recobrando a consciência... – Disseram em uma voz rouca. – Embora nós dois saibamos que quando se trata deles consciência não é a palavra certa.

- Só quero saber quem vai informá-la do acontecido. – Uma suave e infantil voz disse aos sussurros.

A bruma que encobria meus olhos se dissipou lentamente.

Duas.

Duas eram as pessoas que me observavam receosamente.

- Ophelia.

Meu nome era como alivio em gotas, era bom, mas ainda assim muito pouco.

- Ophelia... – Minha voz saiu rouca. – S-sim, Ophelia.

A rouquidão era o pior castigo...

Devo ter feito algo de muito errado. Minha cabeça parecia que ia explodir. Minha voz era rouca.

Como? Como posso cantar agora?

- Ophelia... – Um homem falou. – Escute-me e contenha-se.

Conter-me? Com quem esse homem pensa que fala? Sou Ophelia Venturie!

Apenas assenti de contragosto.

Ele era alto, forte e loiro e de olhos azuis. Lembrava-me muito Christian.

- Christian? – Minha voz novamente falhou. Minha cabeça ainda doía muito.

- Sim Oph. – Ele disse sorrindo. – Sou Christian.

- Ophelia! – Eu disse colocando fúria em cada palavra. – Meu nome é Ophelia!

Ele deu um passo para trás e ergueu as mãos abertas dizendo para que eu me acalmasse.

- Calma Ophelia, calma... – Disse-me Annia com um sorriso pequeno nos lábios. – Christian é um completo lunático eu sei isso também me irrita.

Ouvi Christian dar um pequeno e afeminado “Hey” para a pequena e bonita Annia, eu sorri com o gritinho. Ela hoje vestia por baixo do atual jaleco branco um vestido vermelho colado. Não me admira que vez ou outra o olhar de Christian se encaminhe para sua farta bunda.

- Ophelia, você poderia me escutar? – Ela perguntou colocando a pequena mão em cima de minha mão direita que se encontrava agarrada a barra de ferro da pesada cama.

Eu não respondi. Somente tentei tirar a minha mão do aperto de aço que infligi à barra da cama. Ouvi os estalos dos nós dos dedos e isso me machucava mais que a dor. Arrastei-a até ficar ao lado de minha barriga.

Como isso aconteceu? Vou ficar sem tocar?

Esse pensamento me despedaçou a alma. Meu maior castigo era ficar sem tocar, sem cantar. Essa era minha vida. A única coisa que me afasta dessa triste terceira consciência que se criou sem minha permissão.

- Ophelia? – Annia perguntou ao ver uma pequena lágrima descer. – Amiga tudo bem?

Olhei-a dessa vez assustada.

Amiga? Minha amiga?

Eu não tenho amiga. Além de Suze a qual eu simplesmente simpatizo as vezes.

Minha enfermeira era a mais amável de todas.

- O que é? – Forcei a voz a sair neutra, embora a rouquidão ainda me atormentasse.

- Oh. – Outra voz soou na porta. Firme e carinhosa ao mesmo tempo. – Ophelia como se sente minha musa?

Eu encaminhei o olhar até a porta e meus lábios se repuxaram nos cantos ao ver Dr. Stevens na porta. Os enfermeiros mais abelhudos do mundo também sorriram ao vê-lo

- Muito bem. – Eu disse.

Ele se aproximou até a beirada de minha cama.

- Me permite? – Perguntou com um sorriso em sua velha face.

- É o primeiro a perguntar hoje. – Eu disse estendendo minha mão.

Ele depositou um beijo em minhas mãos e dispensou os enfermeiros.

- Tchau Ophelia. – Christian disse saindo como um raio afora do quarto. Ele parecia temeroso em relação a alguma coisa.

- Querida, venho trazer uma noticia. – Disse o D.r Stevens.

Eu assenti. Ele entrelaçou os dedos impacientemente nervosos.

- Ophelia, Suze, sua enfermeira saiu para alguns dias de férias... – Ele disse novamente entrelaçando os dedos.

- S-sim. – Eu disse confusa.

Desde que Suze saiu há uma semana mais ou menos a minha respectiva enfermeira tem sido Annia e, Christian vem fazer companhia a ela, já que não trocamos tantas palavras por dia.

Eu voltei minha atenção ao Doutor. Que agora para mim falava coisas sem nexo algum.

-... Ela está em coma e ficará assim por tempo indeterminado. Ophelia sinto muito. – Ele disse encarando o teto. – Sei que talvez seja difícil para você com a tro...

- O que disse? – Eu perguntei.

- Que Suze está em coma. – Ele disse separando as palavras.

- Por quê? – Perguntei calma.

- Ela sofreu um acidente de carro á cinco dias atrás. – Ele disse agora confuso. – Ophelia querida, entendeu o que eu disse?

- Sim. – Eu disse suspirando.

- Sim o que querida? – Esfregava as mãos impaciente.

Demorei um minuto para responder.

- Entendi o que acabou de dizer. – Eu disse calmamente enquanto observava o vazio a minha frente se transformar rapidamente.

Fitei a imagem que se materializou a minha frente e a mesma que vi á quase um ano atrás. No mesmo dia que conheci Suze, no mesmo dia que cheguei aqui. Sempre soube o dia do acidente e sempre soube que hoje as sete e trinta e seis ela falecerá por mãos assassinas ao que parece alguém desligará os aparelhos que a mantém viva. Alguém que pelo visto não aprecia a existência de minha amável enfermeira neste mundo.

Sempre esteve marcado. Escrito literalmente na testa dela, o dia em que se nasce, e o que se morre. Um espetáculo de luzes pulsantes em forma de datas escrito em todas as testa.

Todos estão marcados. Não conheci um ser humano que já não tenha data.

Inclusive este velho homem que me olha confuso a minha frente. Ele terá uma vida boa, daqui a vinte e sete anos é a data...

- Ophelia, diga-me que você esta bem. – Ele pediu preocupado.

Suspirei pesada mente, detesto alogar conversas mai que o nessesário, então vamos lá:

- Sim. — Eu disse.

- Sim o que? — Perguntou, uma ruga vincando-lhe a testa.

- Sim, estou bem. — Eu respondi.

Ele balançou a cabeça.

Eu suspirei olhando para o lado oposto. Gotas de chuva caíam pesadamente contra a janela de vidro, isso me assutaria a algum tempo atrás, mas hoje...

Fechei os olhos. Nem sempre o que te faz mal fere seu corpo, sua mente pode ser traiçoeira, e voce sempre acreditou nela...

Esse foi meu maior erro.

E sei que muitas consequencias virão. Ou essa sensação é só mais uma peça pregada por minha consiencia?

Sinceramente... Detesto o benefio da dúvida.

Notas finais
Esse CAP ficou razoavel, na minha opinião. Deixe a sua ai em baixo, ficarei muito feliz.
XOXO *-*