Operação babá

27 Chapther twenty seven


O casal recém reconciliado viajava de ônibus, no momento Hiroaki não fazia ideia se queria dar bronca nos filhos e na futura nora ou agradecê-los.

— Eu não lembrava que o caminho era assim tão longo. Natsuko alinhava o corpo, massageando o pescoço e as costas.

— É que tínhamos apenas dezessete anos não quarenta. Responde o castanho também com dor.

— Eu não tenho quarenta anos. Corrige a loira, rindo.

— Vinte também não! Provoca o castanho.

—Eu queria ter tomado essa decisão de reconciliação antes de pensar no casamento, mas não me arrependo, se tivesse levado adiante…

— Prefiro nem pensar em você e meu filho longe vivendo com outro. Hiroaki corta o assunto e a loira sorri.

—Você não muda! Uma dúvida… Você pegou duas semanas de férias, você sempre preferiu trabalhar... Pensei que só viria buscar os meninos.

— Eu vou aproveitar para descansar com minha família. A afirmação fez a loira sorrir.

— Você sempre cobrou eu não passar um tempo com as crianças, bom aborrecentes agora, mas ainda não tem dezoito anos, eu quero passar esses dias sem me preocupar nem com terremotos, que músicas estão em alta, eu quero apenas cuidar da minha família.

— Eu quero aproveitar esse seu momento, não o temos desde que nos formamos. Natsuko alinhava a cabeça ao ombros do marido e esse a beija. Merry ouvia músicas sentada na varanda de seu apartamento olhando a lua, se lembrava dos momentos que teve com seu amado priminho. O calor aumentava ao se lembrar que Takeru jurava amor enquanto trocavam beijos. Olhava para o celular e tentava mais uma vez se comunicar com o primo, mas o mesmo não atendia as ligações e nem respondia ou visualizava as mensagens.

— “ Por que não me responde? Eu te fiz algo? Será que ele tá com outra? Se estiver eu vou descobrir”. Merry nem reparava que resmungava mais alto do que pensava, sua irmã mais velha a encontrou.

— Vai descobrir o que Merry? Perguntou a mais velha. Merry engoliu saliva e procurava a resposta.

—A...E… Queria descobrir o que… O que deu na cabeça da nossa tia para desistir do tio Ray e voltar para o ex marido. Disfarça a mais nova dando de ombros.

— Aw! Isso… Bom Merry, acho que o nome disso é amor, ela tentou esquecer O NOSSO TIO HIROAKI. Stefani deu ênfase a última frase, corrigindo a caçula sobre o parentesco com Ray.

— Já estava tudo certo, a tia está igualzinha aquela princesa que desistiu do título de nobreza para ficar com o plebeu. Merry revira os olhos.

— Minha irmãzinha, ao contrário do casal citado o Ray não é nenhum nobre, a tia se apaixonou, teve filhos, ela pode ter vivido um amor juvenil no internato, mas é do tio Hiroaki o coração dela. Suspirou a mais velha.

— Tem vezes que não entendemos porque, mas é divertido ir descobrindo, torço muito para a família ser muito felizes nesse recomeço.

— Stefani cuidado quando voltar do seu mundo encantado! Vou para o banho. Merry sai da sacada entrando no seu quarto.

Enquanto isso nas Bahamas…

Ray sofria com a rejeição, ser trocado novamente pela mesma mulher a qual jurava amor à algumas semanas, o casal prometeu ficar juntos desde que se conheceram, uma fofa historinha de amor do ginásio que terminou de forma inesperada, primeiro juraram que voltariam a se ver após o intercâmbio para o Japão, logo vem a primeira bomba, Natsuko demorou pouco mais de um semestre para anunciar sua decisão de terminar o namoro, quatro anos depois Ray soube não só o rosto do homem que roubou sua namorada, como soube que ela estava grávida, o que abalou o francês, três anos após saber do primeiro filho, Michael Takaishi anunciou a chegada do segundo neto, apesar de discordar da união o pai da ex estava radiante com mais um menino. Tudo o que o francês conseguia pensar era que esses meninos eram para ser deles, os anos foram passando e finalmente a oportunidade que o ex queria surgiu, Ray investiu pesado em conquistar a sua ex e fez isso com Takeru, sabia que se ela fosse morar com ele, o pequeno seria seu enteado. Agora teria que se levantar e seguir em frente, Natsuko Takaishi desistiu do casamento mesmo antes dele acontecer. O loiro guardava a foto do casal e do mais novo no parque, naquele dia Ray teve certeza que havia conquistado mãe e filho. Ainda que o francês tenha acertado no romance, na doçura com o filho, a loira preferiu o ex. Teria que vender o enxoval que comprou, as roupas de cama do quarto que seria de Takeru.

— Vem cá pequenino, era para seu novo amigo chegar hoje, mas ele não vem mais, acho que seremos só nós dois. Lamenta Ray entrando no quarto onde estava um cachorro com um laço vermelho na coleira, o qual tinha imaginado seu enteado eufórico, abraçando o animal, como no dia que ganhou a bola de basquete.

— Perdi! Perdi a criança e principalmente a madumasele, tu seria o presente para o garoto.

Enquanto Ray chorava as mágoas de ter sido largado, Taichi e Sora jogavam futebol, aproveitando o clima mais fresco da noite, após a derrota Taichi pagou os lanches e o sorvete. A ruiva ainda se divertia com a história do harém do guardião da coragem.

— Você fica linda rindo assim! Elogiou o castanho.

— Taichi-Kun eu… Você tá sujo de cheddar. Sora pega o guardanapo e se aproxima do amigo, limpando o queijo da bochecha e do queixo de Taichi que aproveita para envolver a cintura da amiga e sela um beijo. Nesse momento os pais de Sora adentraram a lanchonete e quando procuravam uma mesa para dois encontram o casal de amigos aos beijos na frente de todos. Uma das garçonetes serviu uma bebida em um copo grande com dois canudos simbolizando a união do casal, jogando confetes sob os mesmos.

— Ele me garantiu que eram amigos. O Senhor Takenouchi resmungava ressentido.

— Você não vai envergonhar eles vai? A mãe de Sora encara o marido.

— Espero que isso acaba nesses carinho pelos braços e no rosto.

— Se a Sora me vir aqui vai pensar que vim espiar ela. Pensa a mãe da guardiã do amor. Sora e Taichi compartilhavam o suco, o castanho tentava disfarçar o tom avermelhado das bochechas e Sora esquivava os olhos do amigo e engasgo quando avistou seu pai sendo puxado para baixo.

— Sora-Chan você está bem? Perguntou Taichi dando tapas nas costas da ruiva.

— Meu pai… Af eu vi meu pai! Afirma Sora. Taichi olha ao redor e não encontrou nem sombras, o castanho pega o copo de suco e cheira e volta os olhares para a ruiva.

— Tá duvidando? Perguntou a ruiva.

— Pode ser alguém parecido, anda Sora, seu pai é um pesquisador ocupado, acha que ele viria até um fast food comer hambúrguer e batatinhas, no mínimo deve estar com uma tigela de legumes sentado na sala vendo os programas de gincanas. Pentelhou o castanho arrancando risos de Sora.

— Ou lendo uma pilha de livros, tomando um café, meu pai e minha mãe não saem de casa, minha mãe deve estar lavando a mala de roupas dele eu podia jurar que era ele. Afirma Sora. A conversa dos dois parecia ter feito o casal se encarar, nesses anos de casamento nenhum deles convidou o outro para passeios, mesmo com a filha já sendo adolescente. O deboche dos jovens os fizeram se olhar um para o outro.

— Por que não chamamos a With e o Joe…

— Opa, freia ai Sora! A bruxa… tá maluca? Taichi soou desesperado.

— É só fingir que eles são um casal como outro qualquer! Sora pega o celular da bolsa.

— Bem normal chegar de vassoura! Sora faz sinal para o castanho e passa a mão na garganta em sinal de ameaça. A ruiva convidou Joe e em quinze minutos o casal chegou à lanchonete. Joe levou uma parte do dinheiro que ganhou no concurso de tortas, pois a namorada não tinha um apetite nada normal. Ambos entraram rindo e o pesquisador cobre o rosto com o cardápio. Joe entrou sem os óculos os quais a bruxinha escondia. O guardião da confiança não enxergava de perto.

— Mais um encontro duplo! Agora fazendo o que eu mais gosto… Aw! Joe está sendo um perfeito namorado.

— Você está perfeita Witch-Chan. Elogiou Joe. — Como diria as burikus da nossa sala “que kawaii”. Pentelha a ruiva.

— Então tá conseguindo levar a missão a diante? Perguntou Taichi cochichando no ouvido do amigo.

— O que foi pensou que eu não podia? Retrucou o mais velho.

— Tá bom Dom Juan mostra-me a mágica! Pentelhou o castanho.

— Você e a Sora… Isso é um encontro? Perguntou Joe.

— Estamos conversando após o treino. Responde Taichi.

— Conversando? E… Taichi-San, não acha que isso aqui entrega vocês? Joe insinuou mostrando o copo decorado com dois canudos que as voltas formavam um coração.

— Mudando de assunto acha que…

— Podemos participar? A bruxinha interrompeu apontando para o anúncio do restaurante sobre um concurso de quem comia mais hambúrgueres.

— Tá aí uma boa ideia, eu topo, vamos Sora-Chan? Convidou o castanho.

— Por que não!

— Witch-Chan não posso ficar de fora.. Joe foi puxado pela namorada e conduzido à sentar na mesa onde estavam servidos travessas enormes de hambúrguer. O grupo de pessoas começou a comer ao sinal da buzina, ao lado tinha um copo grande de refri para ajudar o lanche a descer. Alguns hambúrgueres depois os pais de Sora já estavam preocupados pois a brincadeira estava sendo transmitida ao vivo na TV, sua filha estava sendo filmada enfiando pão com carne e queijo na boca como se passasse fome, Joe foi o primeiro do quarteto a desistir, após quatro lanches, a brincadeira rendeu o prêmio de um ano de lanches grátis, fora um prêmio em dinheiro, Taichi ficou em segundo lugar, comeu quinze lanches e estava arrotando, ganhou uma pelúcia o qual não pensou duas vezes e nem nas câmaras, ele ofereceu o prêmio para ruiva que não se incomodou em tirar o terceiro lugar. As pessoas olhavam abismadas para moça de vestido longo e vermelho, tão magra e um apetite de um lutador de sumô.

— Vocês também foram muito divertidos, podíamos sair nos seis, claro quando os digiescolhidas da amizade e da sinceridade voltarem. Witchimon pula abraçando os amigos.

— Eu sabia que estavam por trás disso… Takenouchi Sora, você e seus amigos ajudaram o Ishida e a Tachikawa fugir levando o irmão mais novo… Vocês vão demorar para se ver. Esbravejou a mãe de Sora deixando os quatro incrédulos.

— Senhora Takenouchi tem que haver uma outra maneira para resolver isso, eu sei que agimos sem pensar, mas era a única maneira. Joe explica curvado.

— Querida estamos nos exaltando na frente das pessoas e das câmeras. Temos que conversar com eles. O pai de Sora acalma a esposa.

— Isso tudo foi minha culpa! A ideia de ajudar nossos amigos foi minha…

— Taichi-Kun! Repreende Sora.

— Preciso ir embora Sora, desculpa te meter nessa confusão eu…

— A amizade de vocês é tão linda, como podem se zangar com Joe-Kun, com os amigos dele, estavam protegendo quem amam quer saber… Witchimon levantou as mãos encobertas pelas luvas roxas.

— Witch-Chan… Joe não teve tempo de reclamar, a bruxinha fez os quatro sumiram diante das câmeras, os quatro se desfizeram em dados, mas as câmeras acabaram sofrendo um curto no momento da técnica da digimon, eles apareceram na resistência dos Yagami, no quarto de Taichi. Os fazendo se olhar até no espelho para ver se não tinham sofrido nenhuma transformação. Taichi correu ao ouvir o choro da irmã caçula e todos correram atrás do líder, até a bruxinha ser barrada por plotmon.

— O que ela está fazendo aqui? Perguntou a digimon sagrada encara a feiticeira.

— Eu vim em paz! Ela tá bem? Perguntou a bruxinha, olhando a pequena.

— Acho que assustou com a algazarra, ou é fome! Supõe o castanho balançando a irmã.

— Witch-Chan você não devia nos fazer sumir… Agora estamos com problemas.

— Joe-Kun você não ia gostar do plano A. Pentelhou Witchimon. Enquanto isso em Tamashi Wormmon entretia o parceiro melhor do que os desenhos, com as brincadeiras o pequeno Ichijouji até esquecia que tinha regredido. Mas seu quarto o fazia lembrar, quando o mesmo engatinhava sob o tapete de letrinhas, ou era colocado no chiqueirinho.

— Aqui Ken-Chan. Wormmon ofereceu uma mamadeiras, que ainda eram um incômodo tanto para Ken quanto os amigos, para Wormmon a única parte ruim era a falta de comunicação. O monstrinho até ajudava a alimentar o parceiro e adorava os passeio na pracinha, as sonecas junto com Ken se tornaram habituais. Seus pais também tiveram que se adaptar a nova rotina, mas seu pai conversou sobre a possibilidade do filho voltar ao tamanho normal, já que o prazo era apenas até o fim do verão, ele também gostou de poder dar a atenção que não tinha dedicado ao mais novo, mas sabia que a situação de Ken não era normal, se permanecesse assim teriam problemas com os documentos, com a escola, sua esposa parecia ter entendido estava aproveitando cada momento do filho enquanto ele não voltava a ser um adolescente. Miyako também curtia os momentos com a família, a única parte ruim era que ao contrário de Ken a caçula dos Inoue não ficava tão a vontade já que as irmãs adoravam vestir a violacea para tirar fotos. Naquele momento o pai da pequena jogava a filha para cima arrancando muitos risos da filha, sua mãe olhava a brincadeira com um certo receio mas saiu para preparar o almoço.

— Cuidado Inoue-san, alertou apavorado Poromon. A mãe da violacea voltou para sala correndo e encontrou seu marido segurando a filha pela alça do macacão.

— Essa eu não derrubei! Se defendeu comemorando e a pega no colo arrumando a roupinha da pequena que o encarou rindo.

— Todos os quatro… Vai brincar de qualquer coisa mas não a jogue mais para cima. Alerta sua esposa preocupada.

— Ela está bem! Não tá minha filha? A voz distorcida do pai a fez rir.

— “ Estou! Só quase fui de cara para o chão e fui segura que nem marionete, pelas cordas”. Pentelhou Miyako agarrando no rosto do pai e dando um beijo.

— Viu a minha filha está ótima.

— Para ela continuar assim, porque não vão assistir desenhos. Sugeriu a senhora Inoue.

— “Se for a pepa, o peixe astronauta, ou a Marsha prefiro continuar sendo jogada para cima, eu corro esse risco”. Miyako resmungava e olha para o pai.