Operation Swan

2 The Night of the Show.


Notas iniciais
Oie gente, Resolvi dar uma adiantada no capítulo, estava em casa sem fazer nada. Espero que gostem. Avisando antes, OS será atualizada a cada duas semanas. Aí fica certinho pra quem quiser acompanhar já saber qual será a frequência. Recado dado, agora vamos ao que interessa!

Liverpool,

July 20, 2000.

Três batidinhas na porta e um homem, de aparência jovem, pôs a cabeça dentro do cômodo.

— Mr. Potter, o senhor entra em oito minutos... – ele avisou, ajeitando na orelha o aparelho que parecia uma escuta.

Harry apenas balançou a cabeça, entendendo a ordem. A assistente de palco fechou a porta logo em seguida.

— O que houve com você? – o moreno indagou, enquanto tentava inutilmente colocar os fios de cabelo no lugar – Está calado desde a hora que chegou...

O outro homem não respondeu de imediato, apenas se deixou largar no amplo sofá do camarim. Assim como o assistente, ele também carregava consigo uma escuta e uma prancheta de acrílico.

— Não consigo falar com a Hermione.

Ron suspirou, olhando para o teto. Harry o observou pelo espelho.

— Já faz uma semana que ela não me atende – o ruivo continuou, frustrado – Nem responde os recados que eu deixo na secretária eletrônica.

— Talvez ela esteja ocupada – Harry comentou, tentando ser racional.

— Por sete dias?!

Ron levantou uma sobrancelha, descrente. O moreno apenas agitou os ombros, sem mais nenhum argumento.

— Você contou a ela? – ele indagou, sentando-se ao lado do amigo.

— É o que eu estou tentando fazer – Ron respondeu.

— Talvez ela já saiba.

— Será...?

— Estamos falando da Mione, cara. Ela sabe de tudo, sempre.

O ruivo sorriu de canto.

— Não precisa ser o fim... – ele comentou, pensativo.

— Não... – Harry concordou – Mas você sabe que ela tem o direito de não querer te esperar...

Ron assentiu, entristecido. Ele não gostava dessa possibilidade.

— Mas até que não é tanto tempo assim...

— São cinco anos, Ron. É muito tempo sim.

O ruivo esfregou o rosto, soltando uma grande quantidade de ar do pulmão logo em seguida. Harry deu algumas batidinhas em seu ombro, o confortando. Ele entendia o quão difícil era aquela situação.

— Fique tranquilo. O que tiver de ser, será.

— Você é péssimo com conselhos, sabia?

— É, eu sei...

Os homens riram. O relógio na mesinha principal despertou, de súbito. 17: 57.

— Está na hora de ir – Ron disse, olhando no aparelhinho digital na sua mão – Backstage 2. Mag te dará suporte.

— Você não vem? – Harry questionou, já em pé.

— Eu vou tentar fazer outra ligação.

— Não demore. Preciso do meu assessor preferido na escuta.

— O grande Harry Potter consegue se virar sozinho por alguns minutos.

Ron debochou, fazendo uma cara engraçada. Harry rolou os olhos verdes.

— Como eu odeio esse apelido – o moreno disse, entediado.

— Dá dinheiro e os seus fãs adoram, isso que importa – o ruivo rebateu, de pernas dobradas – Agora pare de reclamar e vá mostrar ao mundo os seus dotes tecnológicos.

Harry riu e saiu do camarim, deixando o amigo lá dentro. Logo que se viu sozinho, Ron tirou o telefone do gancho e tentou mais uma vez ligar para a namorada. Assim como em todos os outros mesmos episódios daquela semana, Hermione não atendeu.

—---- Ω -----

— Parabéns, Mrs. Potter – Mag o ajudou a tirar o casaco que ele usara na apresentação – O senh0r foi brilhante, como sempre...

— Obrigado... – Harry agradeceu, envergonhado.

Aquela assistente o deixava incomodado. Uma voz grave entoou ao fundo. Ela soou como musica aos ouvidos do moreno

— Mag, será que você poderia entregar esses kits ao marketing? Eles devem estar precisando, pra divulgação na coletiva.

— Claro, Mr. Weasley.

A mulher saiu arrastando o carrinho cheio, animada como sempre. Ron riu, vendo-a se afastar.

— Valeu cara... – Harry agradeceu – Às vezes ela me dá medo.

— Você deveria ter mais medo da minha irmã, caso ela visse a forma que a Mag fala com você.

O moreno sacodiu a cabeça, dispersando esse pensamento. Os dois seguiram pelo corredor, em direção à saída. Durante todo o percurso, Ron permanecera calado. Harry sabia que o ruivo estava em outro mundo, bem distante dali.

— Vá pra casa – ele falou, encarando o amigo.

— E a coletiva? – Ronald indagou, surpreso.

— Você já deixou tudo encaminhado. Pode ir.

— Mas...

Harry o interrompeu.

— Ron, eu já dei entrevista outras vezes. Não é um bicho de sete cabeças. Nem tem tanta gente lá fora – ele o tranquilizou – E, de qualquer forma, caso eu precise de algo, o resto da equipe estará aqui pra me ajudar.

Ron mordeu o canto dos lábios, tentado.

— Tem certeza?

— Absoluta. Vá descansar.

O ruivo abriu um largo sorriso. Eles se despediram e cada um seguiu o seu caminho. Ron andou até o velho Ford Anglia que fora de seu pai. Ele quase não cabia mais no carro, mas, o usaria enquanto desse. Aquele era melhor que nenhum. Ele e Harry ainda estavam no inicio de tudo e, embora o amigo já tivesse determinada fama, o dinheiro que eles recebiam era mais para pagar o resto da equipe do que para gastar com eles mesmos.

Ron girou a chave na ignição, com um pouco de dificuldade. Antes que ele arrastasse o veiculo, alguém pôs a mão na janela do carro, embaçada pela neblina da noite. Isso o sobressaltou. Ele abaixou o vidro rapidamente. Hermione estava parada do lado de fora, com as mãos na frente do corpo. Pelo arfar do seu peito, ela deveria ter corrido para chegar até ali.

— Mione! – Ron exclamou, aliviado.

— Oi... – ela sorriu de canto, parecia envergonhada.

Ron não entendeu a reação. Ele a convidou para entrar no carro.

— O que aconteceu? Você não atendeu as minhas ligações... Eu estava ficando preocupado.

— Precisamos conversar, Ron...

Hermione engolira a seco. Sua expressão não era muito boa. Ainda sim, Ron admirou o seu rosto jovem, iluminado pela luz difusa do local.

— A Ginny já te contou, não é? – ele deixou escapar.

Mione empertigou-se e se ajeitou no assento.

— Contou o quê?

— Sobre a viagem.

— Que viagem?!

Ron passou a mão pelos cabelos, percebendo que se adiantara. Hermione o encarou, assustada.

— Do que você está falando, Ronald? – ela questionou – Que viagem é essa?!

O ruivo suspirou.

— O Harry conseguiu um patrocinador nos Estados Unidos. A empresa quer agenciar a plataforma de games. Isso vai ser muito importante pra carreira dele, e, bom, pra minha também já que eu acabei de me formar e sou o seu assessor.

Uma lágrima caiu dos olhos de Hermione. Ron continuou se justificando, nervoso por estar vendo aquilo.

— Mione... – ele a chamou, segurando uma de suas mãos – Ele não pode negar esse contrato. O James acabou de nascer. Essa viagem vai abrir portas pra nós, pra algo melhor no futuro, eu sei disso.

Diferentemente do que Ronald imaginou, o choro de Hermione só fez aumentar. Ron não esperava aquela reação.

— Ei, não chora... Por favor, não chora...

Ele limpou parte do rosto dela com a mão livre, assustado.

— Eu tô grávida...

A frase foi dita baixinho. O ruivo demorou alguns segundos para assimilar o que havia acabado de escutar.

— Grávida...?

Aos poucos a ficha foi caindo.

— Eu vou ser... pai?

Mione balançou a cabeça afirmativamente.

— Eu sinto muito... – seus soluços aumentaram – Eu não... não queria...

Desde quando Hermione descobrira a gravidez, há duas semanas, ela não estava sabendo como lidar com aquele turbilhão de emoções. A vontade que ela tinha era sair de dentro daquele carro e sumir para o mundo. O que Ron fez em seguida foi o que a conteve. Ela estava prestes a fazer isso quando o homem ao seu lado, percebendo, a segurou pelo braço. Ron ergueu o queixo de Hermione entre o polegar e o indicador, carinhoso.

— Sabe, desde quando eu te conheci, eu sempre imaginei como seria ter uma mini Hermione correndo pela casa.

— Tá muito cedo pra sabermos se é menina ou menino... – ela sussurrou, ainda com a voz empastada.

Ron deu ombros, indiferente a informação.

— Pra mim tanto faz. É uma dádiva ser pai de um filho seu – ele disse, olhando-a diretamente – E se ele ou ela tiver o seu sorriso, eu vou me sentir o homem mais feliz do mundo...

Aquilo derreteu Hermione por completo. Ela se jogou nos braços de Ron e isso foi extremamente reconfortante para ambos. Os dois permaneceram naquela configuração por um tempo imensurável.

— Acho que eu vou precisar de outro emprego... – ele comentou, enquanto afagava os cabelos da namorada.

— Eu não quero que você desista da viagem – a mulher rebateu, o encarando.

— E te deixar aqui sozinha?! Isso não é uma opção.

— Eu vou ter que trancar a faculdade, Ron. E, provavelmente, o Mrs. Portman não vai mais querer que eu trabalhe no café. Vão ser dois gastos a mais nas suas costas.

— Eu não me importo. Você não fez nada sozinha. Eu também sou responsável.

— Você não é obrigado a fazer isso só porque eu engravidei.

— Não é só porque você engravidou – ele foi enfático – Eu quero criar o meu filho, Mione, e quero fazer isso ao seu lado.

Ela sorriu, mesmo sabendo que aquilo era uma loucura.

— Eu te amo muito... – Hermione disse, emotiva, sabendo que dessa vez as lágrimas eram de felicidade.

— Eu te amo mais... – Ron pôs a mão na barriga ainda lisa da namorada, também comovido – Amo vocês dois.

Hermione sorriu novamente.

— Vamos dar um jeito...

— Eu sei disso...

Eles se beijaram. E não foi um beijo qualquer. Foi algo cheio de desejo e de cumplicidade. Algo que somente as almas mais conectadas eram capazes de executar. Nenhum dos dois sabia o que estava por vir e isso era o que menos importava. Eles tinham um ao outro e aquilo era o suficiente. Ali, naquele momento, a única certeza era que aquele Ford Anglia era pequeno demais para os dois.

Notas finais
E aí? O que acharam?! Me contem aqui nos comentários! Eles são muito importantes para a evolução da história! Beijos e até dia 22!