Operation Swan

21 The Afternoon of the Rediscovery


Notas iniciais
Oi bbs, Como vão vocês? Espero que bem. Mais um capítulo novinho em folha. OS está entrando na reta final. Admito que estou triste e emocionada de estar perto do fim de uma história, pela primeira vez. Para quem acompanha as minhas outras fics, que estão meio paradinhas, a culpa é da falta de tempo. Já tenho providenciado um momentinho para voltar a escrevê-las, então o meu sumiço já está quase no fim. Agora vamos ao que interessa!

New York,

December 22, 2017.

James dirigia com certa dificuldade, seguindo o fluxo incessante de veículos na rodovia. Dado o clima do natal muito próximo e os festejos de fim de ano, havia inúmeros shoppings abertos, com suas lojas extravagantes funcionando em plena madrugada.

Se o objetivo era atrair os clientes noturnos, apesar do frio típico do inverno, a técnica tinha dado certo. Naquele momento o filho mais velho dos Potters entendeu o verdadeiro porquê de New York ser conhecida como a cidade que nunca dorme.

No banco do carona, Ron observava a paisagem local, distraído. Ele não percebeu quando o afilhado estacionou, cerca de duas horas depois, no largo estacionamento do aeroporto do Queens.

— Pronto, tio. Chegamos! – o garoto avisou, enquanto retirava o cinto de segurança.

— Já...? – Ron se surpreendeu, imitando a ação do sobrinho. – Nem vi o tempo passar...

— É, você tava meio desligado...

— Eu estava pensando, na verdade.

— Na... hum... – pigarreou. – Tia Hermione?

O ruivo percebeu o modo inseguro que a pergunta fora feita pelo afilhado. James não costumava tocar no assunto, com medo de deixa-lo chateado. Mal sabia o garoto que chateação era o último dos sentimentos que ele sentia ao relembrar a ex-esposa.

— É, eu estava pensando na sua tia... – o homem respondeu. – E na sua prima.

James sorriu.

— Você sentiu falta delas, não foi?

— Bastante.

— Não precisa voltar para cá se não quiser, tio. – o garoto disse, sério. – Você já fez o seu trabalho aqui. – completou. – E, além do mais, eu consigo me virar bem sozinho.

De fato, ele conseguia mesmo se virar sozinho. Para a sorte de todos, apesar do seu jeito expansivo e brincalhão, James era extremamente comprometido com as suas responsabilidades, tanto as acadêmicas quanto as profissionais. Foram poucas às vezes que o ruivo precisara interferir na rotina do afilhado.

Ainda assim, Ronald negou com a cabeça.

— Eu prometi aos seus pais que ficaria aqui o tempo que fosse necessário.

— Mas...

— Não tem “mas” ou “meio mas”, Jay. – Ron o interrompeu, solícito. – Eu estou bem, fique tranquilo.

— Tudo bem.

O garoto não insistiu e o tio agradeceu por isso. Ron se esticou até o banco dos fundos e puxou a pequena mala de viagem. Ele não precisaria de tantas roupas, visto que pretendia retornar a New York logo depois da comemoração de ano novo.

James se preparou para sair do carro, junto com o ruivo, mas foi impedido pelo mesmo.

— Não precisa vir comigo. – Ronald decretou. – Eu me viro daqui em diante.

— Tem certeza?

— Absoluta. Não quero você dirigindo por aí mais tarde do que isso.

— Mais cedo, você quis dizer. – James o corrigiu, em tom de brincadeira.

— É, isso aí espertinho.

Ron bagunçou os cabelos revoltos do afilhado, que riu com gosto. Como Jay passaria o natal com a Amy e a sua família, tio e sobrinho se despediram com a promessa de se encontrarem outra vez em breve, no ano novo.

Quando Ronald desceu do veículo, pacientemente, James esperou o padrinho atravessar as portas de vidro do prédio principal do aeroporto para então arrastar o automóvel de volta a estrada.

—-- Ω ---

— Papai!

Uma figura ruiva corria animada na direção do homem que saía da sala de desembarque. Ao ver o rosto da filha, um sorriso enorme tomou conta das expressões de Ron.

Ele ergueu os braços, receptivo. Rose se jogou com toda intensidade.

— Eu estava com muitas saudades... – ela sussurrou enquanto o abraçava com força.

— Eu também estava, minha princesa. – ele respondeu, retribuindo o aperto.

Rose não se incomodou com o adjetivo. Pelo contrário, a garota sentira muita falta dos mimos do pai ao longo dos meses que haviam se passado.

Ronald se afastou um pouco e observou a filha com cuidado. Os cabelos vermelhos como os seus estavam maiores do que o de costume e a menina tinha um ar diferente, como se os meses de distância a tivessem maturado um pouco. Valera a pena à espera por cada segundo das nove horas de voo entre as duas cidades.

Ele voltou a apertar a garota com mais intensidade. Rose sorriu. Alguns metros à frente, por cima dos ombros da filha duas figuras conhecidas entraram no campo de visão do ruivo.

Ao perceber a expressão do pai, Rose olhou para trás.

— Ela quis vir também... – a garota comentou devagar.

As palavras da ruiva soaram distantes aos ouvidos de Ron. Ele só conseguia prestar atenção na mulher que estava parada mais a diante, ao lado de Scorpius. Hermione exibia um sorriso acanhado nos lábios.

Contudo, fora outra coisa na mulher que chamara a sua atenção.

No auge dos seus oito meses de gravidez, Mione exibia uma barriga enorme. Por uns segundos Ron se perdera no tempo. Na sua cabeça, memórias de um passado distante passavam de um lado para o outro, como slides em uma apresentação de trabalho.

Pai e filha se aproximaram dos outros.

— Ron! – Hermione o saudou, alegre.

Ela estava radiante. Mais do que o de costume.

— Mione... – ele disse atordoado, fitando-a. – Quanto tempo...

Timidamente, dessa vez fora Hermione que erguera os braços. Ron a abraçou com certa dificuldade por causa do volume da barriga. Ao se afastarem, um sorriu para o outro, sem saber qual era a parte da cordialidade que viria depois.

O ruivo optara por cumprimentar o namorado da sua filha, ao lado.

— Malfoy. – ele ergueu a mão.

— Mr. Weasley. – o loiro apertou de volta, em cumprimento.

Ron sorriu e deu batidinhas no ombro do garoto. No fundo ele sempre gostara do menino. Ao ver as expressões do homem, Scorpius pareceu menos nervoso. Rose abraçou o pai outra vez, logo em seguida.

— Bom, vamos...? – Hermione indagou, após observar a cena. – Foram muitas horas de voo. O Ron deve estar exausto, precisa descansar um pouco.

Juntos, os quatro partiram do aeroporto.

—-- Ω ---

Dentro do veículo e bem longe de onde estavam antes, o estômago do ruivo roncou. Hermione esticou o pescoço para trás e o encarou.

— Você está com fome. – era uma afirmação.

Muito bem colocada, por sinal. Ron sabia que não adiantaria negar.

— É... – ele riu. – A comida do avião era uma merda.

— E você não ia falar nada, Ronald?!

— Não quis incomodar.

– Sorte a sua que os meus ouvidos continuam muito bons. – Mione disse, levemente irritada.

O ruivo prendeu o riso, achando graça. Hermione virou-se novamente para frente.

— Scorpius, querido, você pode parar na Taylor, por favor?

— Claro.

O garoto deu a seta e entrou a primeira esquerda, estacionando em frente à cafeteria. O grupo desceu do automóvel. Do outro lado da pista, Rose viu algo que a interessou.

— Ei, ali vendem coleirinhas de natal, Scorpius! – exclamou, animada.

O loiro respirou fundo.

— Para que merda você quer uma coleira de Natal, Rose?! – ele perguntou, de olhos semicerrados. – Você já comprou três coleiras para a Fifi no mês passado.

— Mas essa é temática. Para ela combinar com o Bichento!

— Ela não precisa combinar com ninguém!

— Claro que precisa!

Rose saiu arrastando o namorado pela mão até o outro lado da rua, tomando cuidado para não escorregar no chão molhado pela neve. O garoto a acompanhou, mas não sem reclamar. Mione sorriu e fez sinal para Ron, que a seguiu, confuso.

Os dois adultos entraram na cafeteria. A Taylor era quente e harmoniosa. Hermione agradeceu aos céus que o local não estivesse muito cheio. Por causa o estado de gravidez avançado, estava sendo cada vez mais difícil se deslocar por determinados lugares.

— Quem é Fifi? – Ronald questionou, de cenho franzido, ainda pensando na cena de agora a pouco.

— A nova gata do Scorpius. – Mione respondeu.

— Que nome horrível.

Eles seguiram em direção a uma das mesas mais aconchegantes, na extremidade do pub.

— Foi a Rose que escolheu, provavelmente para irrita-lo. – ela continuou a explicação, já sentada na poltrona extensa. – Só que a bichinha gostou, então acabou ficando esse nome mesmo.

— Nossa... – a expressão de Ron era teatral. – Como a nossa filha parece com você, Hermione. – o ruivo ironizou, ao se sentar de frente a ela. – Igualmente implicante...

— Ha ha ha, Ronald. Muito engraçado.

Mione rolou os olhos, porém sorria distraída. Um dos atendentes se aproximou para anotar os pedidos. Prática, a mulher solicitou o que costumava ser o de sempre para o antigo casal.

Alguns hábitos, pelo visto, nunca mudavam.

O atendente se afastou alguns segundos depois e Ron a encarou, com as sobrancelhas suspensas. Seu ar era divertido.

— Cornish Pasty...?

Hermione percebeu que se adiantara no pedido. Ela fez uma careta envergonhada.

— Oh, foi automático. Me desculpe. Você não queria comer isso...? – indagou preocupada. – Eu posso chamar o rapaz de volta e troc...

— Fique tranquila, Mione. – Ron a interrompeu, indulgente. – Era o que eu iria pedir mesmo.

Hermione sorriu, mais tranquila. Ron a encarou por uns instantes, concentrado.

— O que foi? – questionou, curiosa.

— Nada... – ele negou com um aceno. – É que pelo Skype não parecia estar enorme desse jeito...

— Oito meses, Ron.

— Eu sei... mas, sei lá. Eu não imaginava que fosse...

A frase morreu no meio do caminho. Talvez por medo, talvez por conveniência. Ronald ainda estava admirado com o tamanho da barriga de Hermione.

A mulher riu com gosto.

— É... – concordou. – Ele está pesando bastante agora. – ela comentou, risonha passando a mão na barriga, por cima do grosso casaco de inverno.

— Eu imagino.

O semblante de Ron era sonhador. Mione o observou por alguns segundos, antes de sugerir algo inusitado.

— Quer tocar?

A pergunta pegara o ruivo de surpresa.

— Eu posso?

O brilho esperançoso nos olhos azuis de Ron indicava que ele queria muito aquilo. Intimamente satisfeita, Hermione assentiu com a cabeça. Sem pensar nem duas vezes, o ruivo trocou de lugar, vindo sentar na poltrona, ao lado da mulher.

Mione abriu alguns botões do sobretudo e guiou a mão de Ronald até a barriga dela, por dentro da peça. Os dedos compridos do ruivo tocaram o tecido fino do seu vestido.

— Ei, meu amor... – ela sussurrou para o bebê. – Papai veio nos fazer uma visita.

Como se estivesse esperando por isso há meses, o bebê se mexeu dentro do útero. Ele havia chutado, como as pessoas costumavam dizer por aí. Ron abriu um sorriso enorme.

– Acho que ele gosta da minha presença. – falou.

— Parece que sim.

Mais uma pequena ondulação no ventre de Hermione.

— Posso considerar isso como uma afirmação, garotão? – a pergunta fora direcionada a barriga. – Acho que posso, não é?

Empolgado, Ron se dedicou a passar os próximos minutos a conversar com a o bebê dentro da barriga de Hermione. Apesar de ser a primeira vez que ele tocava o ventre da mulher desde quando eles descobriram a gravidez, a sensação de plenitude e felicidade enquanto fazia isso era a mesma que ele sentiu quando Rose estava a caminho, anos atrás.

Boba, Mione assistia a cena. Ronald estava certo. Aquilo ali em nada se comparava com as conversas pelo Skype.

Atrapalhando o momento, o atendente do café trouxe os pedidos. Ron e Hermione se afastaram no mesmo instante.

— Obrigada. – Hermione agradeceu ao garoto, que parecia extremamente envergonhado por ter interrompido o casal.

— Se precisarem de mais alguma coisa é só chamar. – disse o atendente, antes de se afastar.

Eles comeram em silêncio. Já no fim da sua refeição, Ron observou, pelo vidro da cafeteria, Rose e Scorpius saírem do pet shop. A garota sorria, abraçada ao namorado que também parecia contente. Eles seguiram em direção à outra loja que ficava ao lado.

O ruivo engoliu o ultimo pedaço do seu pastry, pensativo.

— Parece que esse namoro deu certo mesmo... – comentou.

— Eles se gostam de verdade. – Mione falou. Ela também observara a mesma cena que o ex-marido. – Apesar das briguinhas insuportáveis a todo o momento. Não sei como a Lily e o Alvo consegue aguentar esses dois, o dia todo.

— Acho que eu já vi isso antes.

— É, eu também acho.

Eles riram. Hermione finalizou sua torta de carne e limpou o canto da boca com um guardanapo de pano. Ron a examinou mais uma vez com os olhos.

— Você me parece muito bem, Mione.

— As coisas têm ido pelo caminho certo ultimamente.

— Na universidade?

— Sim. – ela assentiu levemente com a cabeça. – Agora eu tenho um departamento só meu.

— Parabéns! – o ruivo saudou, com certa empolgação. – Eu fico muito feliz por você, Mione, de verdade.

— Obrigada. – a mulher agradeceu, um pouco envergonhada. – E em NY? – fora sua vez de indagar. – Conseguiu fechar os contratos?

— Alguns. – Ron deu de ombros.

— Alguns?

— É, uns quinze por aí.

Hermione bateu com o guardanapo nos ombros do ex-marido.

— Uns quinze por aí? – ela sorriu, achando graça da falsa modéstia.

— Ok, talvez quinze seja um número considerável...

— Talvez?!

A mulher arqueou a sobrancelha. Ron apenas sorriu outra vez.

— E o James? – ela perguntou, interessada. – Se adaptou bem a cidade?

— Melhor do que eu...

— Ah...

Mione se questionou sobre o real significado daquela afirmação. Ela preferiu ignorar a informação naquele momento.

— É... acho que eu também estava com fome. – comentou, mudando de assunto. – Alguém aqui agradeceu pela comida. – ela olhou para baixo. – Não foi bebê?

Ron sorriu novamente, mais uma vez encantado. Instantaneamente algo lhe veio algo à cabeça.

— Você ainda não escolheu um nome.

— Não...

— Por quê?

— Na verdade... – Hermione engoliu a saliva, sem jeito. – Bom, eu estava esperando você voltar. Não queria decidir sozinha.

Se Ron já estava maravilhado só de vê-la naquele estado, ao escuta-la dizer que esperava a sua ajuda para escolher o nome do filho fez o seu coração bater um pouquinho mais acelerado.

Ele mirou Hermione com intensidade. No seu olhar, uma chama marota brincava, alegre.

— Aposto que eu irei escolher um nome muito melhor do que todos esses que você imaginou, minha cara Hermione.

Mione ergueu o rosto, numa postura clara de quem estava aceitando a provocação.

— Eu não contaria muito com isso, Ronald.

A resposta, dada à altura, mostrava que um desafio silencioso havia sido instaurado. O casal encontrara algo para tornar o natal mais divertido.

Alguns hábitos não mudavam mesmo.

Notas finais
E aí? O que acharam?! Me contem aqui nos comentários! Eles são muito importantes para a evolução da história! (e podem ajudar a postagens mais rápidas ;] ) Para quem não conhece ainda, eu tenho uma página onde posto os links das histórias, alguns spoilers de vez em quando, umas novidades também... Dá uma chegadinha lá! ==> https://www.facebook.com/Mrs-Ridgeway-1018726461593381/ Beijos e até dia 10!