Operation Swan
22 The Evening He Declared himself
Notas iniciais
London,
December 22, 2017.
Agitada, Rose Weasley andava de um lado para o outro na sala de estar.
— Querida, você está me deixando tonta. – a mãe da garota comentou, com um sorriso no canto dos lábios.
— O Scorpius não chega, mamãe! – Rose reclamou. – Ele também não atende o celular, não fala nada!
— Provavelmente porque já está a caminho.
— Temos que chegar ao aeroporto a tempo!
— O seu pai não vai fugir do nada, Rosie. Tenha calma.
— Eu sei, eu sei... – a ruiva suspirou. – É que tem tanto tempo que a gente não se vê...
Hermione sorriu bondosa. Ela esticou os braços, oferecendo colo à menina. Rose sentou-se ao seu lado e pôs a cabeça sobre a enorme barriga da mãe. A mulher acariciou os cabelos vermelhos da filha no mesmo instante.
— Tenho certeza que o Ronald deve estar morrendo de saudades de você também. – Hermione disse.
— É uma pena que ele vá ficar tão pouco tempo... – a ruiva lamentou.
— É... – Mione concordou pensativa – É mesmo uma pena.
Rose franziu a testa ao escutar o tom de voz pesaroso da mãe. Ela sabia que desde que assinaram o divórcio, os pais não se falavam tanto. Exceto por algumas chamadas via Skype ao longo desses meses, sempre para falar sobre coisas relacionadas ao bebê que estava a caminho.
Por falar no pequeno, Rose o sentiu estranhamente agitado sob a sua cabeça, dentro da barriga da mãe. Saberia ele que o pai estava a caminho? Ou, melhor, estaria Hermione ansiosa com a chegada do ex-marido?
A garota não teve muito tempo para raciocinar sobre o assunto. O celular no seu colo vibrou insistentemente. O nome de Scorpius apareceu na tela.
Em um salto, Rose atendeu no mesmo momento.
— Scorp, onde você tá?! – ela perguntou, irritada. – Vamos nos atrasar!
Scorpius não se importou com a falta de educação. Pelo contrario, ele riu. Provavelmente já deveria estar acostumado. Rose se transformava quando estava ansiosa ou quando algo saia minimamente da rota que ela havia planejado.
— A dez minutos da sua casa. – o loiro respondeu tranquilamente. – Estou vindo da casa da minha mãe. Não vi as suas ligações. O celular estava descarregado.
— Ah... – a ruiva suspirou aliviada. – Desculpe, eu não me lembrei desse detalhe.
— Tudo bem.
— Vou descer para te esperar então.
— Ok.
A ligação foi encerrada. Rose se virou na direção da mãe, que permanecia pensativa, ainda sentada no sofá.
— Eu estou indo, mamãe. O Scorpius já está aqui perto.
Hermione não disse nada. A ruiva se preocupou.
— Mãe...? – a garota chamou.
— Posso ir com vocês?
A pergunta de Hermione pegara Rose de surpresa. A garota piscou algumas vezes, tentando se situar. Algo formigou no seu estômago.
Mione ainda esperava a resposta da filha.
— Claro que sim, mamãe. – a ruiva respondeu, após alguns segundos de reflexão.
— Vou apenas me trocar. Volto já.
Hermione se levantou e partiu em direção ao quarto. Rose passou a mão pelo rosto, confusa. Uma súbita vontade de rir a acometeu, ela só não sabia do quê.
Seus dedos ágeis digitaram uma mensagem para o namorado.
Vou demorar um pouco mais para descer.
Mamãe vai com a gente.
Rosie ♥ [ 03:35 pm, 12/22/2017 ]
Quando Scorpius estacionou na frente do prédio onde a garota morava, alguns minutos depois, ele leu a mensagem. O loiro ergueu as sobrancelhas, levemente surpreso. Nos seus lábios, o mesmo sorriso apareceu.
Assim como a namorada, ele também não sabia o porquê.
—-- Ω ---
— Ei, ali vendem coleirinhas de natal, Scorpius!
Rose exclamou, animada. Eles haviam buscado Ron no aeroporto e agora estavam parados de frente a taylor. Ao lado da namorada, o loiro respirou fundo. Ele semicerrou os olhos, desconfiado.
— Para que merda você quer uma coleira de Natal, Rose?! – perguntou – Você já comprou três coleiras para a Fifi no mês passado.
— Mas essa é temática. Para ela combinar com o Bichento!
— Ela não precisa combinar com ninguém!
— Claro que precisa!
Sem esperar mais nenhuma afirmação, Rose prendeu suas mãos por entre a de Scorpius e arrostou o garoto até o outro lado da pista. Ela viu a mãe rir e fazer sinal para o confuso ex-marido. Os pais da garota entraram na cafeteria logo em seguida.
Já dentro do pet shop, Rose andou até fim do corredor vazio. Não havia mais ninguém na loja, exceto o casal de adolescentes e o balconista entediado da entrada. O homem não estava dando a mínima para nenhum dos dois, com o seu fone de ouvido no máximo, escutando algum rock pesado.
Apoiado na parede, Scorpius cruzou os braços.
— Ok, agora você vai me explicar o que você está tentando fazer ou eu devo continuar o teatro?
— Teatro?! Que teatro...?!
A ruiva ergueu uma sobrancelha, divertida. Malfoy semicerrou os olhos.
– Viemos comprar uma coleirinha para Fifi, ué... – ela respondeu enquanto mexia em peças aleatórias. – Ah, olha que linda essa aqui...
Rose apontou para o canto da vitrine. Os olhos cinzentos do loiro voltaram ao normal, sérios.
— Isso é um guia, Rosie. – ele disse. – De cachorro. – completou. – Inclusive, você sabia muito bem disso desde o outro lado da pista.
A ruiva soltou uma gargalhada. Scorpius acabou por abrandar a postura e riu também. Ele puxou a namorada pela cintura.
— Eu não acredito que você vai fazer isso de novo. Realmente não acredito!
— Eu não fiz nada. Eles que fizeram! – ela se defendeu, passando os braços ao redor do pescoço do loiro. – Você viu a cara do meu pai no aeroporto?
— Parecia que ele tinha parado no tempo. – Malfoy comentou.
— Exatamente! – Rose concordou. – E outra, você precisava ver as expressões da mamãe mais cedo, quando você estava indo me buscar. Totalmente aérea.
— E o que isso quer dizer?
— Eu não faço a mínima ideia.
O loiro anuiu a cabeça lentamente. Ele passou uma das mãos por uma das mechas vermelhas da namorada, prendendo-a carinhosamente atrás da orelha da garota.
— Eu só quero que você tome cuidado, Rosie. – ele disse com certa seriedade.
— Eu sei... – a ruiva assentiu, num suspiro.
— Você se magoou muito da outra vez, quando tentou fazer os seus pais voltar a ficar juntos.
— Não vou me meter no relacionamento dos dois dessa vez, se é isso que você quer saber.
— Tem certeza?
— Tenho.
— De verdade?
— Eu prometo. – Rose cruzou os indicadores e deu um beijo em cada um deles. – Já entendi que apesar de ser a filha deles, algumas decisões não cabem a mim.
— Mas...?
— Mas também não vou impedir algumas situações que possam vir a acontecer.
A risada alta do loiro foi instantânea. Rose Weasley era impossível. Por isso que Scorpius se apaixonara por ela. Não foi a toa que o garoto deixara escapar, de forma tão natural, algo que já estava preso na sua garganta há algum tempo.
— Eu te amo, sabia?
O mundo de Rose parou de repente, naquele momento. A garota encarou o namorado de lábios entreabertos, estática, como se o loiro fosse uma peça que ela nunca tivesse visto antes.
Até próprio Scorpius só entendera a dimensão do que ele dissera quando as palavras já haviam saído da sua boca.
A ruiva piscou algumas vezes.
— Scorp... você... – balbuciou. – Você disse... eu...
O garoto sorriu com a expressão fascinada da namorada. Ele sabia o que havia dito. E sabia também que o sentimento era verdadeiro. Scorpius enfim entendeu que não existia mais nenhum motivo para esconder aquilo.
— Que eu te amo. – o loiro completou. – É, é isso... Eu te amo, Rose.
Um sorriso enorme se abriu no rosto da garota. Rose pulou no pescoço do namorado e o beijo com o máximo de intensidade que pode. Malfoy não pode – e principalmente não quis – fazer nada além do que retribuir com o mesmo fervor.
Quando os dois se afastaram com certa dificuldade, Rose segurou o rosto do loiro com firmeza.
— Eu também te amo. – ela disse.
Scorpius apertou o corpo da garota ainda mais contra o seu. Não queria larga-la de forma alguma.
— Se eu soubesse que ia ganhar isso em troca, eu tinha falado antes...
— É, acho que eu também.
O sorriso da ruiva era radiante. O do loiro não ficava atrás. Eles voltaram a se beijar, aproveitando a liberdade da loja vazia.
Fale com o autor