Open wounds, closed heart
4 Dia 4
Notas iniciais
27/05/2017
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No último sábado do mês é realizada uma palestra. Além disso, fazemos um lanche comunitário onde cada um traz uma coisa diferente para comermos antes de irmos para casa. Um tanto animada com a história, minha mãe (sempre exagerada) empurrou-me uma sacola enorme cheia de sanduíches quando eu saía do carro. Não fiquei surpreso, pois já esperava algo parecido, mas ainda assim não consegui evitar de me sentir embaraçado quando entrei no salão com o triplo de comida que os outros.
Depois de largar os sanduíches na mesa nos fundos da sala, aproximei-me de Leo e Guang e sentei-me junto a eles. Victor apareceu logo em seguida e perguntou se podia se sentar com a gente, ao que assentimos, apesar de eu me perguntar se ele, como voluntário, não tinha que ficar mais na frente para auxiliar a doutora Minako no que quer que ela precisasse. Eu, porém, não proclamei minhas dúvidas. Fiquei em silêncio enquanto Leo e Guang conversavam, mas então Victor puxou assunto comigo e, antes que eu percebesse, estávamos falando sobre nossos cachorros e mostrando as fotos que tínhamos no celular. Tínhamos, inclusive, a mesmo a mesma raça de cachorro: poodle. Ele até comentou sobre Makkachin e Vicchan se encontrarem um dia, apesar de eu achar isso meio difícil.
A palestra então começou e todos se silenciaram. Minako trazia uma lousa e um canetão preto, além de uma pilha de folhas impressas que havia deixado numa mesa junto dela. Ela parecia bem mais séria que de costume, e bem mais profissional; bem diferente da mulher alegre que eu havia presenciado até então. Ela falou sobre técnicas novas de respiração e de exercícios de visualização. Falou de várias coisas. Foi tanta informação que quase me arrependi de não ter trazido um caderno para fazer anotações, mas então ela disse que mandaria tudo para nossos e-mails e me senti mais tranquilo.
Assim que ela anunciou que teríamos um breve intervalo, Victor se levantou e disse que voltaria logo, gesticulando em direção ao telefone. Aproveitei o momento para perguntar a Leo e Guang se eles sabiam algo sobre Victor, que se tornava uma pessoa mais curiosa e interessante cada vez que eu falava com ele. E, para minha surpresa, descobri que minha assunção de que ele era nada além de um voluntário estava totalmente errada. Victor era um de nós, e aparentemente participava do GAPAD há bastante tempo, mas apesar disso ninguém sabia bem a sua história. Eu queria perguntar mais, mas ele logo retornou, sorrindo como sempre. A palestra então recomeçou e assim me vi sem opção além de deixar o assunto de lado (por enquanto).
Depois de ouvir Minako falando por mais uma meia hora, ela anunciou o fim das palestras do mês e pediu para que todos se servissem da comida que nos esperava nos fundos do salão. Segui atrás de Victor e dos outros, pensando se devia ou não perguntar a ele sobre sua situação, mas ele então virou em nossa direção e disse que teria que se retirar mais cedo hoje. Apesar de insatisfeito, eu o disse o meu adeus. Juntei-me a Leo e Guang, mas nada do que eles falavam se sobrepunha aos meus pensamentos sobre Victor. A única coisa boa que se seguiu é que não sobraram sanduíches.
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