Open wounds, closed heart
3 Dia 3
20/05/2017
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Terceira semana no GAPAD. Hoje fui meio que elogiado por Leo e Guang; aparentemente, eles não tinham muita fé de que eu continuaria vindo. Sem saber como reagir apropriadamente, acabei forçando uma risada que nos mergulhou num silêncio desconfortável. Nada como começar bem o dia!
A atividade de hoje foi simplesmente estranha. E quando eu digo estranha eu não estou exagerando nem um pouco. Em “Animal Sounds” nós basicamente imitamos animais e, vendados, andamos de um lado para o outro tentando identificar quem é a pessoa. E o fato da escolha do animal a ser imitado ter sido feita pela doutora Minako não colaborou em nada, afinal, com a minha sorte, é claro que eu acabei com um animal constrangedor como o porco. Foi horrível. Éramos um bando de adolescentes e adultos latindo, miando e rugindo, super desconfortáveis; exceto por um certo voluntário que não parecia ter problemas em rosnar e latir, e pular sobre os outros animadamente.
No intervalo, como esperado, eu não estava nada bem. Não apenas eu, mas muitos outros. Talvez a doutora devesse pensar melhor na sua escolha de atividades; o que ela parecia estar fazendo, já que andava de um lado para o outro do salão com uma prancheta em mãos e olhos preocupados. Não desejando ser interrogado, saí em direção ao jardim de concreto. Na discreta mesa junto à parede se encontrava o voluntário que, surpreendentemente, não sorria; ou pelo menos não antes de me ver junto à porta. Mas aquele breve momento de seriedade foi suficiente para que eu aceitasse, dessa vez, seu convite para sentar com ele. Seu nome era Victor. Ele perguntou como eu estava e se eu precisava de alguma coisa, o que eu achei bem gentil de sua parte, mas eu respondi que não. Ele então pediu para que eu pelo menos o fizesse companhia, e assim ficamos o resto do intervalo conversando sobre assuntos triviais. Victor sorria muito e antes que eu desse conta estavam nos chamando para dentro. O tempo passou muito rápido.
Quando entramos no salão, todos já arrumavam as cadeiras em um círculo. Juntei-me a Leo e o ajudei a soltar as cadeiras, que estavam empilhadas. A seguir, sentei-me ao lado de Guang e Leo, esperando que Minako começasse a ler os nomes na lista. Olhando em volta, percebi que Victor havia sumido, como sempre fazia quando a roda estava para começar. Eu só esperava que ele não se metesse em encrencas desta vez. Quando olhei na direção da Minako notei que ela suspirava, mas eu não sei dizer se isso estava ou não relacionado à ausência do voluntário. Quando ela enfim anunciou o fim da sessão daquele dia e todos levantaram e arrumaram as cadeiras, Victor de repente estava de volta, empilhando as cadeiras no canto do salão. Ela olhava em sua direção e eu olhava de um para o outro, tentando entender o que estava acontecendo mas, ao mesmo tempo, não querendo me envolver.
Hoje, fui embora com um peso no peito, e um tanto pensativo. Victor acenou em minha direção quando passei por ele, mas eu não retribui. Eu estava cansado e queria nada além do sossego de minha casa. Espero não tê-lo chateado.
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