Ooops!... I Did It Again
19 Stay With Me
Notas iniciais

POV — Scorpius Malfoy
Nunca pensei que choraria na frente de alguém, principalmente se esse alguém fosse Rose Weasley, a garota com quem eu brigara praticamente a minha vida inteira, que eu pensei que pudesse odiar com todo o meu ser. Mas eu me enganei completamente no meio do caminho, não era possível odiá-la, não depois de conhecer quem ela realmente era.
Chorei por ela estar chorando, por ter sido tão humilhada e machucada. Chorei por ter julgado-a e pensado coisas horríveis a respeito dela, quando — ao contrário de mim — ela se tornou quem era agora para se proteger de caras como Chad. Choro por raiva de Chad Louis, de seus amigos sujos e medíocres e, principalmente, raiva de mim. Eu também a envolvera em uma aposta, também já tive o objetivo me machucá-la e humilhá-la, não tão brutalmente quanto ele fizera, mas quão melhor eu era que ele no fim das contas?
Tento não imaginar em como Rose se sentiria se eu tivesse seguido com a aposta, se não tivesse me apaixonado antes. Se eu conseguisse ter atingido meu objetivo, talvez ela nunca mais confiasse em ninguém de novo.
Faço uma promessa muda a mim mesmo. Nunca iria machucá-la, nunca mais deixaria ninguém machucá-la de novo, mesmo que minha vida dependesse disso. Rose não sofreria de novo, não mais.
Nem sei quanto tempo ficamos abraçados, em um silêncio alucinante, mas Rose já parou de chorar e eu também.
– Você destruiu minha blusa favorita — digo num sussurro e ela solta uma risada abafada e se afasta para poder me encarar.
– Tudo bem, não tem problema, você fica melhor sem ela — diz e é a minha vez de rir.
– Você é a única pessoa que consegue ser pervertida em uma hora dessas — digo e passo a mão no seu rosto.
– É da minha natureza — diz dando de ombros e eu suspiro.
– Eu vou matá-lo — ela para de sorrir, percebendo que o momento de descontração tinha acabado — De verdade, Rose. Não vou conseguir suportar olhar para cara daquele miserável sem espancá-lo. O que ele fez com você... olha, eu... você deveria ter contado para os seus pais quando isso aconteceu. Ele seria preso, assim como os amiguinhos de merda, e você poderia seguir com a sua vida sabendo que nunca mais precisaria ver a cara dele.
– Eu ainda posso seguir com a minha vida — diz ela dando de ombros — Eu tinha acabado de completar 15 anos, Scorpius. Estava sozinha e assustada, como contaria aos meus pais que fui praticamente estrupada?
– Não foi "praticamente" Rose! Ele te estuprou, você não queria continuar com aquilo, disse que não queria e ainda sim ele continuou! Não só continuou como filmou isso e colocou em um site com centenas de pessoas, provavelmente de garotos tão baixos como ele — digo irritado e ela se encolhe.
– Eu sei, eu só... eu acho que estava apavorada demais para isso, com vergonha demais — percebo que ela estava tentando encontrar as palavras certas para não me irritar de novo. Ela não deveria estar fazendo isso, eu é quem deveria estar controlado e pronta para ajudá-la.
– Me desculpa pela forma como estou falando, okay? — digo a olhando nos olhos e ela assente, beijo o topo da sua cabeça e tento continuar soando o menos irritado possível — Eu só quero que você entenda que não fez nada para sentir vergonha. Ele é quem fez. Você entende isso, certo?
– Eu entendo agora, mas na época eu era apenas a garota largada chorando e humilhada no Caldeirão Furado. E para explicar o que tinha acontecido para os meus pais, tinha que explicar primeiro como eu sai do quarto. Eu era a garotinha perfeita aos olhos deles, eles nem ao menos sabiam que eu estava me encontrando com Chad. E então eu chego em casa no meio da noite aos prantos e com Jay tentando me acalmar? Sabe como aquilo soaria? Eu os decepcionaria completamente, eles até poderiam fingir que não estavam chateados, para não me fazer sentir ainda pior, mas lá no fundo, estariam decepcionados.
– Como você conseguiu viver com isso? Como você conseguiu enganá-los no dia seguinte?
– Eu me fiz essa pergunta por anos — ela fala e então suspira — Eu fiquei um bom tempo no banho quando cheguei em casa, então me lembro de dormir até a hora do almoço e voltar para cama fingindo que estava com dor de cabeça, consegui fazer isso até irmos ao Beco Diagonal comprar as coisas para Hogwarts. E ai, que tudo começou. Eu comprei roupas novas, uniformes personalizados, maquiagem... Eu era uma Rose Weasley nova, completamente diferente, eu era imbatível — ela sorri com isso — Eu estava feliz com o que eu tinha me tornado, então continuei assim, sem me importar com nada a não minhas notas. Depois de uns quatro ou cinco meses que voltei para Hogwarts, um menino se mostrou interessado por mim, mas eu não iria me permitir me apaixonar por ele, então transamos e eu o larguei antes mesmo que ele pudesse dizer "bom dia" no dia seguinte, e assim por diante. Até começar a dar aulas para você e Alvo. Eu te odiava com todas as minhas forças, você era igualzinho a mim, mas eu sabia que provavelmente não tinha motivos para isso, sabia que você não partia os corações das garotas de propósito, mas ainda era o cara que fazia isso. Eu as vezes tentava socializar com você, mas acabávamos brigando sempre. Então, eu só deixei para lá. Mas quando começamos a passar mais tempo juntos, eu percebi que você não era só um idiota mulherengo, você era um cara legal por baixo de toda aquela pose de "gostosão" que tanto prezava.
– Eu me sinto tão idiota – digo com uma careta – Sabe quantas vezes eu já falei mal de você para o Alvo?
– Sei – ela sorri e eu nego com a cabeça.
– Isso não é certo, mesmo antes não era. Quer dizer, quem era eu para falar alguma coisa? Eu era uma versão masculina de você, não éramos diferentes em nada, e eu ainda sim falava de você o tempo todo. Pelo menos você teve algum motivo para ser assim, eu só sou naturalmente idiota.
– Hey, não é assim, okay? – ela diz segurando meu rosto entre as mãos, seguro suas mãos e entrelaço nossos dedos – Você não tinha como adivinhar e eu realmente agia como uma vadia, Scorpius. Todos sabemos disso. Eu acho que pensava que se agisse daquela forma, nunca mais correria nenhum risco, sabe? Seria imune a tudo e a todos, mas não é bem assim que funciona. Eu me diverti bastante na minha adolescência, mas de uma forma completamente errada. Eu não aproveitei nada do que tinha que aproveitar por causa desse trauma todo. Eu deveria ter passado pelo “luto”, mesmo que não tivesse contado aos meus pais, talvez devesse ter me permitido ficar deprimida por algumas semanas, mas eu não me permiti nem chorar depois que sai daquele quarto com James.
– Você é a pessoa mais forte que eu conheço, sabia disso? – digo e ela sorri um pouco – De verdade, Rosie, não sei se conseguiria passar pelo o que você passou e me sair bem, continuar com notas excelentes, ajudando os amigos. Você é perfeita. E boa demais para mim.
– Não sou não, nenhum dos dois. Já fiz muita coisa errada na minha vida, pessoas perfeitas não cometem tantas erros – ela diz com uma careta engraçada e eu rio – E quanto a ser boa demais para mim, acho que é o contrário. Você é a primeira pessoa em anos em que consigo confiar, que eu me permito estar perto. E que não quis fazer sexo comigo de primeira – completa e eu giro os olhos rindo.
– Não é bem assim e você sabe disso – digo e ela nega com a cabeça.
– Eu não sei de nada!
– Se tivéssemos transado naquele dia você já teria me dado um chute na bunda – digo e ela dá de ombros.
– Talvez você tivesse me largado na manhã seguinte, quem sabe?
– Eu não teria te largado, não acho que conseguiria – digo e ela sorri corando um pouco.
– Eu tenho medo de me apaixonar de novo, Scorp – ela diz num sussurro.
– Eu sei, mas eu preciso que confie em mim. Eu estou completamente apaixonado por você, Rose Weasley. E você sabe disso.
– Eu não sou boa nisso – ela diz brincando com os nossos dedos e eu seguro seu queixo fazendo com que ela me encare.
– Mas poderia ficar.
– Como? – ela pergunta, seus olhos parecem tão suplicantes pela ajuda que eu quase volto a abraçá-la.
– Acabando com o que está acontecendo entre nós – digo e ela arregala os olhos, mas continuo a falar rápido antes que ela pense que estou desistindo dela – E transformar em algo mais sério.
– Você está falando o que eu acho que está falando?
– Fique comigo, Rose.
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