Only Ones Who Know
5 You don't know me
— Sakura?
Uma mulher bonita de cabelos rosados e olhos verdes estava parada na soleira. Sakura Haruno era uma velha conhecida.
— Oi, Sasuke!
A rosada o abraçou por impulso. Embora não quisesse admitir, Sasuke não parecia tão entusiasmado em revê-la quanto imaginou. Ela corou, e sem graça, desvencilhou-se aos poucos do abraço pouco correspondido.
— Faz uns dias te vi no Hospital Central de Konoha. Tenho trabalho lá como residente e mal pude acreditar nos meus olhos! Já faz tanto tempo desde a última vez que nos vimos.
Sasuke tentou se lembrar da última vez que falou com Sakura. Infelizmente, ele se lembrava. Naquela época, ainda eram universitários e a Haruno cursava medicina. A última conversa entre os dois não havia sido a das melhores. Na verdade, era difícil para ele conseguir recordar algo realmente bom daquela época.
— É, já faz um tempo. Parabéns pela residência.
A falta de emoção no tom de Sasuke fez com que a empolgação de Sakura se dissipasse de maneira surpreendentemente rápida.
— Quando eu te vi no hospital, você estava com ela, não estava? Com Hinata.
— Estava — ele disse simplesmente, não sentindo como se verdadeiramente devesse dar explicações.
— Sasuke, eu não sei o que ela te disse, mas por favor eu... Me deixe explicar como as coisas realmente aconteceram.
Ele franziu o cenho.
— Explicar sobre o quê?
Por um segundo, Sakura pareceu surpresa.
— Sasuke, você... nunca sequer chegou a tocar no assunto enquanto esteve com ela, não é?
A mulher soltou uma risada franca e abafada, mas ele não respondeu, mantendo o olhar fixo nos olhos verdes. Sasuke sabia a qual assunto Sakura se referia. Se referia a última conversa que tiveram. Uma das poucas vezes em que Sasuke admitiu como realmente se sentia.
— Bem — Sakura disse enquanto se afastava — De qualquer forma, eu sugiro que faça uma visita ao Naruto. Ele vai te contar tudo, afinal, vocês são melhores amigos, não é? Bom te ver, Sasuke.
Ela sorria, mas Sasuke podia ver em seus olhos que não era alegria o que Sakura se sentia.
***
Na floricultura, Hinata podava as flores cautelosamente enquanto Hanabi pintava uma tela em um cavalete separado especialmente para ela na parte de trás da loja. Hanabi, a irmã mais nova de Hinata, não era uma menina igual às outras. Logo após seus primeiros meses de vida, Hanabi passou, de especialista em especialista, por vários diagnósticos: de transtorno do déficit de atenção à surdez.
Hinata tentava ser paciente. Ela se comportava, esperava pelas avaliações profissionais – para no fim, uma a uma, descobrir que a avaliação estava incorreta e que ninguém sabia que tratamento oferecer a Hanabi. Mas ela nunca desistira da irmã. Hinata não queria que Hanabi fosse privada do carinho imensurável que um dia recebera da mãe e por isso, fez seu melhor para suprir isso em seu papel de irmã mais velha.
Quando Hanabi tinha 5 anos, ela finalmente recebeu o diagnóstico correto: síndrome de Asperger. Isso significava que Hanabi poderia fazer tudo o que as outras crianças de sua idade faziam, na verdade, podia-se facilmente dizer que ela fora até mais inteligente em comparação à outras crianças em muitos aspectos. Porém, ela nunca conseguiu socializar-se e comunicar-se como os demais. Agora, Hanabi estava cursando Artes no seu primeiro ano da faculdade, e Hinata não poderia estar mais orgulhosa. Para Hinata, as pinturas da irmã eram a sua própria maneira de se comunicar com o mundo.
Embora ela reconhecesse que seu pai tivesse feito o melhor que podia para cuidá-las, Hiashi não era, e nunca fora, uma pessoa comunicativa. Hinata sabia que isso poderia implicar no progresso que Hanabi conquistou e por isso continuava a conciliar seu tempo para se manter o mais presente possível na vida da irmã.
Hinata olhou de relance para a direção em que a irmã estava.
— Em que está pensando, Hana?
Hanabi pintava repetidas camadas sob a tela, a cabeça levemente inclinada para o lado. Não dissera uma palavra desde que começou a pintar, mas se virou ao ouvir a voz da irmã.
Hinata esperou por uma resposta.
— Na cor azul.
***
Quando Sasuke estacionou o carro no encostamento de piche, ele viu Naruto Uzumaki encostado em sua picape Ford, segurando duas latas de cerveja pelos anéis de plástico – o restante da embalagem com seis que começara a tomar na noite anterior.
Sasuke saiu do carro pensando nas palavras da Haruno. Depois que ela foi embora deixando-o com mais perguntas do que respostas, ele decidiu, um pouco relutante, ligar para o amigo e encontra-lo perto da casa de campo que a família Uzumaki tinha para se refugiar nos verões.
Naruto jogou uma das latas para o amigo quando ele se aproximou. Sasuke a agarrou no ar, surpreso ao ver o outro, seus pensamentos ainda concentrados no passado.
— Achei que você tava muito ocupado tomando conta dos negócios na cidade grande para voltar e visitar os velhos amigos – disse Naruto com um sorriso tão grande que quase não era possível ver seus olhos azuis.
— Estava, mas ainda tenho negócios para resolver aqui também – Ele disse, cumprimentando o amigo.
Sasuke tomou um gole de cerveja e sentiu um frescor agradável para um fim de tarde ensolarado.
— E então, como se sente sendo o prefeito mais novo da história de Konoha?
Naruto riu, colocando uma das mãos atrás da cabeça.
— É uma sensação boa, você sabe, foi o que eu sempre sonhei em fazer.
Sasuke reconhecia que ele e Naruto eram opostos em quase tudo que se podia pensar em imaginar, mas uma das coisas que fez com que se tornasse amigo do loiro escandaloso foi justamente sua determinação implacável. De certa forma, não podia deixar de atribuir sua conquista a sua perseverança.
— Bem, continue assim e vão construir uma estátua em sua homenagem – Sasuke disse, fitando o céu e tomando outro gole.
Naruto riu.
— Não estava pensando em nada tão megalomaníaco. Só construir uma avenida e colocar meu próprio já nome basta.
Sasuke sorriu, mas suas feições amigáveis não duraram muito ao pensar no tema que deveria entrar.
— Não quer tomar algo mais forte?
— Johnnie? — sugeriu Naruto.
— Claro.
Talvez um bom whisky ajudaria.
***
— Então você terminou o namoro? — perguntou Sasuke, claramente controlando a voz para que permanecesse baixa.
Eles haviam chegado a uma espécie de bar boêmio e reservado nos arredores da cidade. Depois de alguns drinks e conversas fiadas, Sasuke decidiu perguntar a respeito do que realmente o estivera incomodando desde que Sakura deixara sua casa.
— Não fui eu que terminei, você sabe.
— E imagino que foi inesperado, certo? Você não teve nada a ver com isso.
— Acabou, Sasuke. O que você quer que eu diga? Você não entende...
— Uma ova que não! – replicou Sasuke, batendo com seu copo na mesa com mais força do que deveria — Quem você pensa que é? Acha que eu não sei? Droga Naruto, provavelmente eu te conheço melhor do que você mesmo.
As coisas que Sasuke não entendera desde que voltara para Konoha estavam começando a fazer sentido agora. Primeiro, quando Hinata lhe dissera que as coisas haviam mudado. Depois, Sakura indo até ele e dizendo o que havia se recusado a acreditar como sendo a verdade. E agora... agora Naruto dizendo que Hinata terminara com ele. Como se houvesse sido algo repentino, de uma hora para a outra e sem importância. Como se Hinata fosse o tipo de pessoa que poderia facilmente cortar as pessoas que ama de sua vida.
— Merda, Naruto!
— A Sakura foi me procurar depois que você foi embora. E se não está lembrado, você a deixou. Eu não preciso de lição de moral vindo de alguém como você.
Sasuke encarou Naruto com os olhos semicerrados e subitamente tudo ficou tenso.
— Alguém como eu? – rosnou Sasuke.
— Alguém que foge dos seus problemas como um covarde. A única coisa que você sabe fazer é ir embora quando as coisas não saem do jeito que você planejou.
O sangue se esvaziou do rosto de Sasuke e ele apertou o seu copo com força.
— Vá se ferrar, Naruto.
— Não, Sasuke. Você já se ferrou, e eu me ferrar junto já seria demais.
— Não preciso ficar ouvindo essa droga – disparou Sasuke, levantando-se da mesa — Você não me conhece. Nunca soube de nada.
Naruto afastou a mesa de repente, derrubando as bebidas. O barman interrompeu sua conversa e ergueu os olhos a tempo de ver Naruto se levantar e ir atrás de Sasuke, agarrando-o com força pela camisa e virando-o para si.
— Não sei quem você é? É claro que eu sei! Você é um maldito covarde, é isso que você é! Tem medo de viver porque acha que isso significa deixar de lado essa cruz que vem carregando a vida inteira. Mas dessa vez fosse foi longe demais. Acha que é a única pessoa no mundo que tem sentimentos? Acha que basta se afastar de Hinata e tudo voltará ao normal? Acha que vai ser mais feliz? Não vai, Sasuke. Você não se permite ser.
Lívido, Sasuke agarrou Naruto, o levantou e o jogou sobre o jukebox. Dois homens saíram de seus bancos, afastando-se da confusão, enquanto o barman corria para a outra para a outra ponta do balcão. Depois de pegar um taco de beisebol, começou a ir na direção deles. Sasuke ergueu o punho.
— O que vai fazer? Bater em mim? – provocou Naruto.
— Parem com isso! — gritou o barman — Vão resolver essa droga lá fora. Agora!
— Ande logo! – continuou Naruto — Não dou a mínima.
Mordendo o lábio com tanta força que o fez sangrar, Sasuke puxou o braço para trás, pronto para bater, sua mão tremendo.
— Eu sempre o perdoarei, Sasuke — disse Naruto, quase calmamente — Mas você também precisa se perdoar.
Mesmo hesitante, Sasuke por fim soltou Naruto e se virou na direção dos rostos que o olhavam. O barman estava ao seu lado, com o taco na mão, esperando para ver o que aconteceria.
Contendo os xingamentos em sua garganta, Sasuke saiu a passos largos pela porta.
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