Only Human
3 Capítulo 3 - Group
Notas iniciais
As mentiras são as portas para a segurança.

Acordei com uma batida de cabeça na janela. Não era de fora, fui apenas eu. Olhei para o lado e vi que Claire dormia com a cabeça encostada na janela. Ben dirigia atentamente. Só então notei que era noite. As noites sempre deixavam tudo sombrio por serem locais escuros. O escuro me aterrorizava.
Me lembro das noites em que eu chorava em meu quarto. Normalmente quando a lâmpada do abajur queimava e o escuro invadia meus olhos. Meus pais a trocavam imediatamente. Eu queria poder estar com minha mãe, queria poder acha-la e abraça-la eternamente. Sentia muito sua falta.
– Ben – quebrei o silêncio predominante. -, para onde estamos indo?
Ele respirou fundo e mordeu o lábio inferior, se virando lentamente para mim.
– Algum local seguro. Talvez Atlanta.
– Eu não iria para cidades grandes – Claire falou, entrando no assunto. – Sempre são os piores refúgios. Hamburgo fora uma das cidades mais afetadas pelos invasores ingleses e americanos na 2° guerra mundial. A maior quantidade de mortos durante a guerra fora naquela cidade. E Hamburgo é uma cidade grande.
– Aqui não é a Alemanha, Claire – Ben se virou. – E isso não é a segunda guerra mundial.
Claire ficou quieta por um momento. Ela odiava ser contrariada, de todos os jeitos. Olhei para o lado, vendo a vista que passava correndo pela janela. Conseguia ver algumas pessoas perambulando nos campos. Eu queria poder pedir para Ben parar o carro e resgatá-las, mas ele não faria isso. Ele achava que todos eram atacadores. Eu achava que não.
Tentei dormir novamente, mas o carro parou. Levantei a cabeça atenta. Ben estava com a mão sobre o ferimento, com uma expressão de dor. Era quase inexplicável a maneira que sua boca se contorcia e como ele franzia o cenho.
– Preciso cobrir isso antes que infeccione – apenas disse.
Claire bocejou se desencostado da janela. Ela olhou para Ben que tentou ligar o motor do carro. Suas mãos se voltaram para seus olhos e ela se ajeitou no banco, como se estivesse vendo algo à frente. Eu olhei na mesma direção que ela, mas não consegui ver o que era.
– Olhem! – Ela apontou.
Tentei ver novamente, estreitando os olhos. Apenas vi alguns carros parados. Claire continuou os observando, mesmo parecendo não ter nada. Logo, alguém saiu do carro e foi até o seu capô.
Ben não pensou duas vezes até sair do carro. Ele começou a fazer sinais para chamar a atenção, e não conseguiu nada. Logo, ele gritou:
– Ei! Eu sei que vocês estão aí!
Comecei a me sentir feliz por achar alguém que não queria nos atacar. Comecei a cutucar Claire, mas ela me olhou feio, e em seguida, sua expressão se mudou e ela tentou forçar um sorriso, porém, era notável a força que ela fazia para erguer as bochechas. Olhei para frente, observando calmamente, Ben saiu correndo e chegou até perto do carro, que parou rapidamente. Ele olhou para o cara que estava mexendo no capô e fez um sinal de saudação. Não consegui ouvir o que eles diziam, mas o homem parecia perplexo em meio à situação.
Ben fez uns sinais com a cabeça para o homem, que levantou uma arma para ele, e em seguida, a abaixou, inclinando a cabeça para nosso carro. Senti uma leve onda de felicidade bater em meu peito. Ben abriu um sorrisinho e veio até nós, entrando no carro, o ligando. E em seguida, tudo foi bem. Seguimos o carro da frente.
Não demorou muito até parar. Mas a parada foi em uma colina. A família do carro à frente parou, e começaram a descer do carro. Não consegui ver as pessoas, apenas desci do carro quando Ben abriu a porta. Notei que as laterais de nosso carro estavam vermelhas. E era certeza que não era terra.
Logo, olhei para o chão, e fui andando ao lado de Claire, seguindo em linha reta até a família. Ainda não havia os visto, pela minha mania de andar de cabeça baixa. Quando paramos, levantei a cabeça e vi as pessoas. A primeira era uma mulher. Ela tinha um rosto fino e cabelos longos. Aparentava ter meia-idade. Seus olhos castanhos eram iluminados, como se ela possuísse esperança de algo. Por sua expressão, era impossível dizer o que ela sentia no momento. A segunda pessoa era um homem. Ele possuía uma barba rasa e cabelos negros. Olhos levemente puxados e sobrancelhas grossas, que davam impressão de bravo. Ele carregava uma arma em seus braços, a apontando para o chão. Comecei a temer que ele a levantasse e mirasse para mim. Mas Ben estava conosco, ele me dava sensação de segurança.
Vi uma pessoa no carro, mas apenas de costas. Parecia curiosa, pois seus olhos tentavam enxergar o que acontecia afora. Claire retirou seu suéter e o colocou em mim ao reparar que eu estava com frio.
– Quem são vocês? – o homem perguntou.
Fizemos uma pausa, todos nos entreolhando.
– Eu sou Benjamin – disse Ben. – Essas são Claire e Skylinn.
O homem pareceu abrir um leve sorriso. Ele se agachou para mim, colocando a arma ao seu lado. Seu sorriso parecia ter sido talhado com uma faca em seu rosto. Era medonho, mas simpático.
– Tenho um amigo para você – acenou com a cabeça para o carro.
Sorri levemente, imaginando a pessoa. Era bom poder ter um amigo. Eu só implorava para que não fosse algum dos idiotas da escola.
– Eu sou Shane – ele se levantou, encarando Ben. – Essa é Lori e aquele, no carro, é Carl.
Lori abriu a porta do carro, de onde saiu um garoto baixo. Um pouco menor que eu. Ele tinha cabelos curtos, castanho-escuros. Seus olhos eram azulados. Pareciam um pouco verdes. Seu sorriso era espontâneo e pude notar que seus olhos possuíam certa luminosidade. Parecia esperançoso, só não sabia do que.
– Nenhum de vocês foi arranhado ou mordido, certo? – Shane olhou.
Quase neguei com a cabeça, mas aí lembrei de Ben, e de seu machucado no ombro. Eu sabia que era uma mordida, dava para ver. Sua jaqueta cobria o ferimento, por sorte, o sangue não aparecia de lá. Olhei para ele, e em seguida para Claire. Ambos fizeram um sinal de O.K. Quando achei que eles fossem falar sobre o ferimento, Ben sorriu levemente, apenas dizendo algumas palavras.
– Certo.
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