Only Human

4 Capítulo 4 - One Death


Notas iniciais
Demorou? Demorou. Mas aqui estou

Novas alianças podem acabar em conflitos.

Fiquei com as palavras de Ben me atormentando. Não estava certo. Nada estava certo. Ele estava machucado, não deveria estar mentindo.

Logo que “confirmamos” estarmos bem, voltamos para nosso carro, e fomos seguindo o carro de nosso novo grupo. Quando me sentei no banco, olhei para Ben e resolvi perguntar:

– Por que não contou a eles?

– Contar o que?

– Sobre seu machucado – apontei para seu ombro.

– Eles não precisam saber. Nada de mal acontecerá – suas palavras eram frias como seu olhar.

Decidi, então, não falar mais nada. Não queria ser jogada para aquelas pessoas famintas por sangue. Claire parecia inquieta, deveria estar na mesma situação que eu. Resolvi dormir e esquecer o assunto.

O problema foi que eu não consegui dormir. O carro parou assim que começou a andar. Levantei a cabeça e olhei para Claire, que tentava enxergar por uma fresta. Eu conseguia ver a imagem que ela via, também. Era uma família empurrando um carro. Uma garota de minha idade estava parada, segurando uma boneca. Uma amiga, pensei.

Logo, vi aquele homem, Shane, descer do carro, para ajudar a família. Não consegui fazer a leitura labial, mas pude entender que eles estariam em um grupo conosco. E então, Shane veio até nosso carro e sorriu para mim. Sorri timidamente de volta.

– Bom, essa família ficará em nosso grupo agora – ele empurrou carinhosamente a menina. – Essa é Sophia. Ela pode ficar no carro de vocês?

Eu fui a primeira a assentir. Em seguida, Claire. Logo, Ben topou também. Sophia se sentou no meio de mim e Claire. Ela não sorria, apenas olhava para sua boneca grudada ao peito.

– Eu sou a Skylinn – sorri. – Você é a Sophia, certo?

Ela assentiu, mas continuou olhando para a boneca. Apenas olhou de relance para meu rosto. Aposto que não conseguiu memoriza-lo. Logo, ela abriu a boca suavemente e disse:

– Seus olhos são lindos.

Apenas sorri, mesmo sabendo que ela não veria meu sorriso. Eu gostava de ouvir elogios de vez em quando. Nunca recebia algum sequer de minha família. Apenas de minha mãe. Eu esperava ansiosamente para poder encontra-la e lhe dar um imenso abraço

Olhei para Claire que estava com a cabeça encostada no vidro do carro. Ela encarava o vidro como se fosse seu inimigo. Logo, Ben freou o carro, inesperadamente. Por sorte, eu estava com o cinto de segurança. Nenhuma de nós sofreu qualquer dano. Olhei para Ben, que segurava seu braço fortemente. Ele fazia uma expressão nada boa. Ele se virou, olhando para nós, forçando um de seus piores sorrisos, dizendo apenas “tudo bem”. Mas não estava bem. Desde que ele fora atacado. Havia algo errado ali. Olhei para ele, com lágrimas nos olhos. Foi horrível, mas falei:

– Ben, você está morto.

No mesmo momento, Sophia levantou o rosto. Claire desencostou do vidro. E eu, senti meu corpo gelar completamente. Ben olhou para mim, com uma expressão, não brava, mas triste. Ele parecia já saber seu destino.

Ninguém mais disse nenhuma palavra de acréscimo. Ele apenas se virou para o volante e seguiu o caminho.

–um pequeno fato-
É impossível dormir num carro em movimento sabendo que o mundo está acabando.

Levantei a cabeça e fiquei observando a paisagem. Sophia parecia estar dormindo. Não conseguia enxergar Claire, mas ela devia estar dormindo também.

O carro parou e Ben suspirou de um modo audível. Ele abriu a porta do carro e foi até o carro da frente, do qual estava parado também. Bocejei silenciosamente e encostei a cabeça na janela, com os olhos na boneca de Sophia. Era uma boneca suja, de pano. Possuía cabelos ruivos e olhos verdes de botões.

Ben voltou ao carro e batucou os dedos na janela ao meu lado. Ele abriu a porta e eu o encarei.

– Vamos, eles acharam um local seguro para nós.

E parecia seguro mesmo. Desci do carro e fui andando até Shane e Carl, que estavam parados em frente ao deles.

– O que você achou, tio Shane? – Carl possuía um brilho empolgado presente nos olhos.

– Uma pedreira. Podemos instalar um acampamento provisório aqui. É um local perfeito, e...

– E a floresta? – Lori interrompeu Shane.

– Eu e Ben podemos dar uma vigiada por uma noite, e veremos se está seguro.

[...]

Foi feita a instalação do acampamento. Era realmente bom o local escolhido. Carl, eu e Sophia estávamos sentados no chão, brincando de desenhar na terra. Já era quase noite, e eu estava amedrontada em relação a Ben. E se soubessem dele? Seria o fim.

– Sky – Carl me chamou me tirando de meus pensamentos. – Sua vez.

– Eu cansei de brincar – falei.

– Mas a gente mal começou – indagou Sophia.

– Eu estou enjoada. Vou me deitar.

– Agora?! – Carl sorriu.

Não o respondi. Apenas fui até a barraca que Ben havia armado para mim e para Claire, e a encontrei lá, encarando o chão. Me aproximei dela, com um sorrisinho.

– Quando será que mamãe vai nos encontrar?

Claire pareceu triste por um momento. Uma sensação momentânea, e então, ela olhou para mim com um sorrisinho.

– Por que está aqui? – perguntou.

Ela havia mudado de assunto.

– Para dormir. Eu fiquei enjoada.

Ela assentiu com a cabeça, e quando foi falar algo, Shane entrou na barraca e olhou para nós duas. Eu me assustava cada vez que ele me olhava. Tinha medo de ser expulsa por manter uma mentira.

– O tio de vocês, Ben...

– Primo – Claire corrigiu.

– Sim, ele... Preciso que vocês venham comigo.

Claire me olhou levemente de uma maneira discreta, para que eu soubesse que não podia falar nada. Ela se levantou, e em seguida, eu me levantei. A segui até o lado de fora, e então, andei ao seu lado. Ela pegou em minha mão, me deixando assustada. Ela não demonstrava muito afeto a mim.

Shane foi andando até a floresta, onde adentramos. E em seguida, eu vi as pernas de Ben no chão. Ele estava encostado em uma árvore, mas não era mais ele. Eu sabia, eu sentia.

Seus olhos estavam de uma coloração entre amarelo e branco. Sua boca, suja de sangue. Suas vestes, rasgadas. Eu me aproximei com uma lágrima nos olhos. E logo, percebi que ele estava amarrado à árvore. Shane parecia irritado e triste ao mesmo tempo. Ele colocou as mãos na cabeça e nos encarou.

– Vocês sabiam disso? – ele apontou para o ombro de Ben. – Sabiam que ele havia sido mordido?

Claire negou com a cabeça baixa e eu fiz o mesmo.

– Então, quer dizer que o primo de vocês levou uma mordida no ombro, em um local visível, e vocês, sequer, viram isso ocorrer? – ele parecia irônico.

Claire negou novamente.

– Não. Não vimos.

Fiz o mesmo, porém, parecia mais nervosa.

E então, Shane perdeu seu controle. Ele pegou sua arma e posicionou na cabeça de Ben, atirando apenas uma vez. Eu gritei e fui ao encontro do abraço de Claire, que tremia.

– Isso – Shane gritou. – É o que acontece com pessoas mordidas.

Notas finais
Fim
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.