Only Human
2 Capítulo 2 - Too Many Deaths
Notas iniciais
Pior do que ter problemas,
é ter problemas e não poder escondê-los.

Eu continuava abraçada à Ben. Quando me separei dele, olhei para Claire, e em seguida, para a pessoa caída no chão. Tio Ben poderia ser preso por tê-la matado. Me virei no mesmo momento e vomitei no canto do armário.
Quando me virei de volta, Claire estava chorando, sentada na cama. Eu queria chorar também, aliviar as lágrimas, mas não tinha vontade de chorar. Odiava quando me viam daquele jeito.
– Precisamos... Precisamos achar um local seguro. – Ben nos encarou.
– Mas e mamãe? – perguntei olhando para Claire, que desabou em choro.
Ficamos em um minuto de silêncio.
– Essas coisas não são pessoas. Eu não tenho ideia do que possam ser, mas elas podem nos machucar. Vamos – Ben pegou na mão de Claire. – O carro do meu pai está na garagem.
Eu comecei a chorar, pensando em minha mãe e meu pai. Pensei em meus avós, e em meu primo, Clark, que havia completado cinco anos mês passado. Meu tio havia sido engolido por aquelas pessoas na frente do garoto. Se Clark estivesse escondido, viveria com aquele trauma eternamente.
Segui Ben até o corredor. Claire estava atrás de mim, atenta a tudo. Eu seguia calmamente, tentando segurar o choro que tentava descer por meu rosto. Ben parou e fez um sinal de silêncio para nós. Ele pegou um vaso e despejou a terra de dentro no chão. Se virou, em seguida, fazendo um sinal para nós permanecemos naquele mesmo local. Ele foi correndo até bater com o vaso na cabeça do homem que perambulava a casa. Eu queria gritar, mas Claire tapou minha boca. Minhas lágrimas correram minhas bochechas até chegar em sua mão. Olhei para ela, com tristeza, mas ela seguiu olhando para frente.
– Venham! Agora! – Ben gritou e saímos em disparada.
Era uma adrenalina imensa, ver aquele sangue todo despejado no tapete importado de minha avó. Pensei que ela pudesse ficar uma fera ao ver aquilo, quando tudo acabasse.
Segui correndo, até chegar ao outro lado do corredor. Ben tentava abrir a porta, esmurrando-a, causando barulhos intensos. Eu andei para trás, assustada, e tropecei em algo. Quando olhei para o chão, senti meu estômago se revirar novamente. Era Clark no chão, com sangue saindo de seu pescoço, onde havia um imenso hematoma. Me agachei ao seu lado, chacoalhando-o. Ele não acordava, mas eu continuava a tentar.
– Clark... Acorda. Pare com essa brincadeira! Não tem graça!
Claire pegou meu braço, mas eu bati de leve nela, tirando seu braço de mim. Segui chacoalhando Clark, até ele acordar. Mas ele não acordou como era antes. Seus olhos verdes estavam quase amarelos. Ele respirava como se não respirasse há anos. Havia um cheiro horrível presente nele. Seus cabelos estavam foscos, sem o brilho ruivo que ele possuía antes.
– Precisamos leva-lo! – gritei para Claire.
– Ele não pode.
– Ele tem que ir!
– Não! – Claire começou a chorar novamente. – Ele morreu! Eu o vi morrer!
Logo, Ben se virou para nós, fazendo um sinal de silêncio. Ficamos quietas e começamos a ouvir barulhos estranhos, de passos no quintal, em direção da cozinha. Ben saiu da porta, calmamente, indo em direção da cozinha. Fiquei paralisada, apenas ouvindo a respiração agitada de Claire.
– Droga – Ben gritou.
Ele voltou correndo para a sala de estar, onde estávamos, e logo em seguida, vi um monte de pessoas como aquelas que ele havia matado, vindo em nossa direção. Fiquei paralisada, e em seguida, olhei para Clark, que tentava agarrar minha perna. Me afastei, ficando perto de Ben, e Claire, ficou ao nosso lado.
– Meninas, nunca façam isso! – Ben olhou para a janela.
Foi quase em um piscar de olhos que o vidro da janela se estraçalhou. Ben estava do lado de fora, caído, cheio de sangue em seus braços. Fui correndo junto de Claire e pulamos juntas. A janela era bem próxima do chão, ou seja, não houve problemas na queda. O que ocorreu foi que eu me cortei com um caco de vidro, e aquele era o tipo de corte que causava infecção.
Ben se levantou e notei que ele tinha a chave do carro de meu tio. Fomos correndo até a rua, onde conseguimos ver o caos ao-vivo. Era tudo horroroso. Casas pegando fogo, sangue por toda parte. Canibais degustando da carne fresca das pessoas.
Corremos até a picape preta, que estava fora da casa. Ben abriu a porta detrás para mim e Claire, e entramos. Ele logo entrou, fechando a porta com rapidez, tentando ligar o motor, mas o carro ligava e morria. Eu comecei a entrar em desespero. Era horrível ver toda aquela cena do lado de fora e sentir que aquilo viria para você.
Avistei uma mulher de roupas sociais esbarrar na frente do carro. Ela começou a bater no carro, como se tentasse empurrá-lo. Seus cabelos louros cobertos de sangue caíam sobre o rosto. Comecei a tremer, mas não de medo. Queria vomitar novamente, mas tive de segurar.
– Eu não estou bem, Claire – olhei para minha irmã, que pareceu amedrontada.
– Agora não, Skylinn.
– Claire... – repeti.
– Respire lentamente, vai ficar tudo certo.
Fiz o que ela mandou e fiquei encolhida no canto, abaixo da janela. Eu tinha enjoo só de olhar por aquela divisória de vidro, que me separava do caos para o local quase-seguro. Felizmente, o carro pegou, e apenas o senti andar.
Levantei o rosto e vi Claire chorando muito. Não era um choro de medo, e sim, de tristeza. Consegui perceber isso através de seus soluços. Eu queria saber qual era o motivo de tanto choro.
E então, pensei em minha mãe. Será que ela estava bem? Escondida em algum local? Olhei para Claire, me aproximando dela.
– Claire... – comecei. – Você viu mamãe?
Ela limpou suas lágrimas e me olhou, tentando forçar um sorriso.
– Eu a vi fugir. Ela disse que vai nos encontrar.
– Será? — perguntei para ter certeza.
– Ela sempre consegue.
Senti as batidas de meu coração se acalmarem, e relaxei totalmente. Se mamãe estava segura, eu também estava.
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