Only Girl
18 Capítulo Dezessete - Time
Notas iniciais
Edward POV.
Costumam dizer que o tempo é a cura para todas as feridas e eu costumava, de verdade, acreditar nisto. Porém, mesmo depois de meses, mesmo depois de tudo o que tinha acontecido, eu ainda amava Bella – e sofria demais com a falta dela.
Poderia parecer masoquismo, errado ou qualquer outra coisa que – eu sei – muitos outros nomeavam, mas o que eu podia fazer? Eu tentava colocar na minha cabeça que ela estava feliz, que ela estava bem, que ela tinha outro cara, provavelmente tinha se casado... Mas por que eu não conseguia? Por que eu insistia em pensar que algum dia Bella e eu voltaríamos a ficar juntos?
Os momentos que eu passara com ela – todos eles – vinham a minha mente sempre. Eu não precisava de fotos, de ver suas roupas, de ver nossas alianças, para me lembrar dela. Bella estava comigo – aonde quer que eu fosse.
Entretanto, a dor parecia mais suportável, agora. Ela estava lá – todos os dias. Mas digamos que agora eu conseguia seguir uma rotina.
Jantar na casa dos meus pais, conviver com meus sobrinhos, sair com meus familiares. Às vezes eu saía com alguém, mas nada passava de amizade; para mim, mesmo depois de meses, tudo parecia muito recente.
Havia, também, o caso da amiga misteriosa de Angela; aparentemente tudo estava indo com a gravidez dela, embora tenha tido uma anemia mês passado. Ela estava agora com quatro meses de gravidez e Angela iria realizar logo um ultrassom para descobrir o sexo. Incrivelmente eu criara um laço com aquela criança, e queria saber o sexo dela.
Dezembro logo chegou, assim como o inverno. E passar o Natal sem Bella...
Era, porém, o primeiro Natal dos novos Cullen, por isso minha mãe e Alice arrumaram isso, muito embora eles não fossem entender nada; ambos tinham apenas dois meses, mais dormiam... Só que, é claro, eu não disse isso a elas.
A vida continuaria, o tempo passaria, e eu ainda tinha esperanças.
Eu sempre teria esperanças.
E elas que me incentivavam a viver. Um dia de cada vez.
Bella POV.
Quatro meses.
Era incrível acordar todos os dias e poder ver através de minha blusa a barriguinha que já havia ali. Eu adorava ficar deitada na cama por um tempo maior que o necessário e conversar um pouco com o bebê.
Eu conversava com ele sobre tudo; o pai, os avós vivos, os já falecidos, os tios... E eu esperava que, algum dia, tudo fosse dar certo e que meu bebê conhecesse o pai – e que ambos me perdoassem por ter escondido.
- Bella?
Ouvir a voz de Angela me fez sorrir mais do que nunca. Hoje era o dia que eu descobria o sexo do meu bebê.
- Aqui em cima! – gritei, ainda deitada na cama.
Angela não demorou nem dois minutos para aparecer, com um sorriso no rosto.
- Então, vamos logo – disse-lhe –, que eu estou ansiosa.
Ela riu.
Como sempre, chorei ao ouvir o coração do meu filho. Angela ia me mostrando suas perninhas, bracinhos... E quando ela sorriu ainda mais, soube que ela já sabia o sexo do meu filho.
- Então? – perguntei. – Dá para saber o sexo?
- Sim – riu. – Quer saber ou vai esperar?
- Quero saber...
Os olhos castanhos de Angela se voltaram para mim e havia lágrimas neles.
- É uma menina.
Uma menina. Uma menininha crescia em meu ventre; alguém com quem eu iria conversar sobre namorados, cólicas, primeiro beijo e primeira vez. E se um dia ela viesse a conhecer Edward, ele teria ciúmes dela, agiria como o pai que eu sempre imaginei que ele seria. Confesso que eu nunca tive preferência pelo sexo, mas eu estava feliz – muito feliz.
- Uma menina... – murmurei.
- Sim. – Angela me ajudou a limpar a barriga. – Amanhã vou levar para o Edward, como de costume. Mas eu tenho a absoluta certeza de que tudo está bem.
- Obrigada, Angela – sorri. – Sinto que eu não agradeço o suficiente.
E Angela somente sorriu, me dando um beijo no rosto.
Eu devia muito a ela e ao Ben. Mais do que eu poderia agradecer.
Edward POV.
Como de costume, na hora do almoço esperei por Angela na minha sala. Ela chegou com um imenso no rosto, então imaginei que ela já sabia o sexo do bebê.
- Vai me contar ou não? – indaguei-a, rindo.
- Veja por si só.
Eu abri, ansioso, os envelopes, e vi cada imagem, rindo.
- Ela quis deixar bem claro. – Olhei para Angela. – A mãe deve ter ficado feliz.
- Ela ficou – sorriu. – Eu só queria que tudo estivesse bem para que o pai estivesse ao lado dela...
Sentei-me direito na cadeira, ouvindo Angela atentamente. Não era sempre que falávamos sobre o pai e a mãe da criança.
- Por que não me conta o que aconteceu? – perguntei-lhe suavemente.
- Não cabe a mim lhe dizer, Edward – suspirou. – Eu queria, de verdade. Mas é algo bem grande, que envolve diversas pessoas. É algo sério, muito sério.
- Você parece preocupada – murmurei.
- E eu sempre fico. – Deu de ombros. – Estou fazendo o máximo para ajudar, meu marido também, mas... É simplesmente complicado. A pessoa que estamos ajudando sofreu muito, Edward, e eu temo que ela seja acusada quando todos descobrirem a verdade.
- Angela... Você não tem que lidar com isso sozinha... Nem você e nem Ben.
- O que passamos não é nem metade do que ela passa, Edward – sorriu de forma triste. – Mas eu acredito que vá tudo dar certo. Logo o pai dessa criança vai saber de tudo... Ou pelo menos, eu espero.
- Tudo bem – suspirou. – Precisando de alguma coisa, é só falar, ok?
- Obrigada.
Eu apenas assenti, enquanto a via sair da minha sala.
Nas semanas que se seguiram, eu só conseguia pensar em tudo o que Angela havia dito. Tudo parecia tão estranho, tão intenso, tão perigoso.
- Edward, será que podemos conversar? – A voz de Jasper tirou-me de meus devaneios.
Era um sábado, eu estava com meus pais. Rose e Emmett não estavam aqui, junto de seus filhos. Eles tinham ido visitar os pais de Rosalie.
- Claro – assenti.
Eu podia escutar a voz de minha mãe e Alice, vindo da cozinha. Meu pai logo chegaria, ele precisou ficar até mais tarde no hospital.
Jasper se sentou na poltrona à minha frente.
- Você poderia me ligar um dia desses, para me passar o telefone do advogado que tratou de seu divórcio e da Bella? – indagou-me.
Eu engoli em seco.
- Por que você precisa dele?
- Coisas de trabalho, nada com que se preocupar. Eu só fui com a cara dele e preciso de ajuda em um caso.
- Ah, eu não o tenho aqui... – suspirei. – Só lá no hospital... Ele deixou um cartãozinho em um dos milhares de encontros e eu acho que guardei na gaveta de lá.
- Hmmm... Você me passa na segunda?
Eu apenas assenti, tentando esconder a dor por Jasper ter trazido o assunto do divórcio à tona.
_
Na segunda eu passei o número para Jasper, tentando me livrar daquele assunto o mais rápido possível. Continuei, depois, de forma mais natural possível, o meu trabalho. Na hora do almoço, Angela veio trazer o ultrassom mensal. Tudo estava bem, o que era bom para todos.
Saí, naquele dia, mais cedo do que o costume do hospital. Fui direto para casa, sem me preocupar com o jantar, já que não sentia fome. Sentei-me no sofá, enquanto retirava meus sapatos, e sorri quando vi uma fotografia de Bella ali.
Peguei o portarretrato em minhas mãos e acariciei a foto.
- Espero que você esteja bem, princesa.
Terceira Pessoa POV.
Seu corpo todo tremia; ele sabia disso. Em seus olhos se passavam imagens dela.
- Por que nenhum de vocês consegue encontrá-la? – perguntou, sem se importar em estar gritando. – Eu preciso da porra daquela garota para poder dar continuidade ao meu plano. Só que para isso, preciso da merda da empresa por completo.
- Sr. Black... – Um homem alto, moreno, murmurou, sem se importar com a ira do chefe. – Estamos fazendo o possível.
- Mas não está sendo o suficiente! – gritou. – Continuem procurando por ela e vigiem os Cullen, assim como aquele casal que a ajudou quando ela chegou aqui. Se ela entrar em contato com qualquer um deles, mate-os, assim que a pegarem.
E saiu da sala, sem nem olhar para trás.
Ben POV.
Eu estava fazendo o possível. Sabia disso. Porém, às vezes eu me frustrava quando não conseguia o que queria. Estava pesquisando sobre Jacob Black há semanas, sabendo coisas que deixariam qualquer um arrepiado. Só que eu precisava, agora, de contatos confiantes, e provas.
- Eu não tenho certeza de que quero lhe envolver em tudo. – Jasper Hale se encontrava a minha frente, oferecendo sua ajuda. Eu sabia que dois poderiam trabalhar mais do que um, mas envolvê-lo naquilo... – E você é vigiado 24h. Todos vocês são.
- Eu sei disso – sorriu. – E já providenciei tudo, prometo. Menti para Edward, disse-lhe que estamos trabalhando em um caso complicado, juntos. Eu liguei para ele, para pedir seu número. Assim, eles pensarão que é mera coincidência.
Eu sorri.
- Se você tem certeza... – dei de ombros. – Então vamos lá. Temos muito o que fazer.
- Me diga algo antes... – pediu. Eu esperei. – Bella está bem?
- Na medida do possível – suspirei. – Ela sente falta de Edward, sente por estar fazendo tudo isso, mas sabe que é a única forma de mantê-lo seguro.
Jasper assentiu.
- E ela está grávida?
- Como você soube de tudo isso? – indaguei-o.
- Bom, eu soube, pelo próprio Edward, que vocês estavam ajudando uma garota – riu. – E que o Edward estava olhando os ultrassons dela. Eu só juntei os fatos.
- Está. Como eu disse, ela sente por estar fazendo tudo isso, e espera que um dia Edward possa conhecer a filha.
- Vamos fazer isso dar certo, Ben, eu te prometo isso.
E eu não duvidei nem por um segundo olhando nos olhos de Jasper.
Bella POV.
Sete meses.
Definitivamente, o tempo passava voando.
Minha barriga estava grande, enorme na verdade. Mas eu estava feliz com isso. E tirava fotos constantemente, guardava e gravava tudo. Eu queria, um dia, poder mostrar para Edward.
Sentei-me no sofá, respirando fundo. Angela chegaria mais tarde em casa hoje, e Ben, ultimamente, não tinha horário certo para chegar.
Mas barulhos na porta fizeram com que eu sorrisse. Hoje era o dia que ele chegava cedo.
- Ei, Ben – sorri, assim que o vi. Ele sorriu como nunca para mim. – O que aconteceu?
- Eu acho que logo você vai conseguir sair daqui, Bella.
Eu sabia muito bem o que aquelas palavras significavam; mais do que ninguém.
- Sério? – sussurrei.
- Sim. – Ele se sentou ao meu lado. – Conseguimos encontrar as pessoas certas, finalmente. E as provas estão sendo colhidas. Então, logo você vai poder se encontrar com Edward. Assim que tivermos o suficiente para acionarmos o FBI. E eles poderão proteger todos.
- Obrigada, Ben. – Abracei-o. – De verdade.
- Vai dar tudo certo, Bella.
E eu acreditei – como nunca.
- Agora vamos torcer para que essa garota espere para nascer – riu. – Assim, quem sabe o pai não pode assistir tudo?
- Tomara – murmurei. – Tomara.
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Oito meses.
E por mais que eu quisesse que minha filha nascesse logo, eu estava torcendo, mais do que nunca, que esse mês demorasse a passar, porque, sinceramente, eu queria muito que ela nascesse quando tudo estivesse melhor.
Angela me contara que os bebês de Rose estavam com seis meses e que Edward lhe mostrara uma foto. Eles eram tão lindos! Os olhos de Rose, mas o resto era Emmett – escrito e rabiscado.
- Como vai ser no parto? – perguntei a Angela, certa noite, enquanto jantávamos. Ela me olhou confusa. – Eu quero dizer... Eu vou precisar de um médico aqui, certo?
- Não se preocupe com isso agora – sorriu. – Vai dar tudo certo.
Mas como eu poderia não me preocupar com isso quando o parto se aproximava a cada vez mais?
E foi nisso que eu pensei, na medida em que os dias foram se passando. Os dias se transformaram em semanas. E logo faltava uma semana para eu completar os nove meses.
Andar era algo que eu não fazia muito. Meus pés inchavam por qualquer coisa agora. E ir ao banheiro era algo bem freqüente. Como o útero pressionava a bexiga, eu não conseguia ficar muito longe dele.
E quando eu completei nove meses... minha filha não nasceu. Angela estava alerta, dizendo que isso era normal. Mas eu só conseguia ficar mais ansiosa, pedindo ao bebê para esperar um pouco mais. Só mais um pouco e Ben poderia nos manter a salvo. E ela nasceria perto do pai.
Entretanto, ela não esperou.
Com nove meses e três dias, eu comecei a sentir pontadas nas costas, que logo depois começaram a aparecer no meu baixo ventre. Minha barriga já se abaixava, preparando para o parto. E as contrações de Braxton Hicks eram algo bem constante.
- Está tudo bem mesmo, Bella? – Angela perguntou, pela décima vez. – Eu posso pedir folga hoje.
- Se a bolsa estourar ou eu me sentir mal, te ligo – sorri. – Prometo. Daí você vem, ok?
Ela assentiu, a contragosto, e partiu.
Edward POV.
Era uma sexta-feira normal, como qualquer outra. Era começo do mês de maio, e eu estava, como sempre, trabalhando. Era um dia calmo demais, então me encontrava na minha sala, analisando alguns papéis.
Batidas à porta interromperam meu raciocínio. Olhei o relógio; passava-se das quatro da tarde.
- Entre – murmurei.
O rosto de Angela apareceu, sorridente como sempre. Ela entrou e se sentou.
- Então, quando o bebê vem? – indaguei, rindo.
- Não sei. – Ela fez uma careta.
E então, seu celular tocou.
- É da minha casa... – murmurou. – Alô? O quê?
Fitei-a, apreensivo.
- Eu quero que você se sente e respire fundo, por favor. – Levantou-se. – Eu estou indo agora para aí.
- O que aconteceu? – perguntei, assim que ela desligou o telefone.
- O bebê vai nascer.
- Eu vou com você.
Angela congelou, parecendo pensar em alguma coisa.
- Vou ligar para o Ben – sussurrou. – Chame seu pai e me encontre na saída dos fundos em cinco minutos. Vai, Edward!
Eu corri como nunca, me dirigindo até o último andar, que era onde meu pai ficava. Ele pareceu confuso, mas quando eu disse que precisava de sua ajuda, topou em vir comigo. Nós nos direcionamos até a saída e já encontramos Angela ali.
- O que está acontecendo? – Meu pai perguntou.
- É algo muito sério. – Angela murmurou. – Vamos logo. Temos que sair escondidos daqui. Ben já está nos esperando aqui nos fundos. Por favor, façam o que eu peço e eu prometo que depois explico tudo.
- Angela...
- Edward. – Ela me fitou, séria. – Eu prometo que depois nós lhe explicaremos, mas tem algo que vocês precisam saber.
- O quê? – Meu pai e eu perguntamos ao mesmo tempo.
- A mulher que está dando à luz... – hesitou. – É a Bella.
Congelei.
- E o filho é seu.
Notas finais
Comentem bastante, então.
Beijos e queijos,
Deh C.
/ Frii (L)
PS: Quanto aos leitores de Innocence, o bônus está pronto e com a beta. Ela está sem computador, e eu vou esperar mais alguns dias para ver se ela consegue betar. Prometo que logo posto, ok?
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