Only Girl
16 Capítulo Quinze - Lull
Bella POV.
Tudo pronto.
Eu estava vestida casualmente, sentindo-me um pouco enjoada, esperando apenas que os seguranças de Jacob viessem me buscar.
Então, adeus.
Eu esperava que tudo desse certo e que eu nunca mais precisasse voltar para cá. Seria horrível e eu tinha até medo do que Jacob podia fazer.
Não demorou muito para que um dos seguranças surgisse e me chamasse. Mais uma vez fui vendada e eles só me desvendaram quando eu já estava perto do restaurante.
- Estaremos aqui dentro de uma hora para apanhá-la. – Um deles informou. Eu assenti.
E, pela primeira vez, esperei que o carro estivesse distante. Assim que ele dobrou a esquina, desviei do caminho e corri.
Corri como nunca tinha corrido, tendo, milagrosamente, não tropeçado nenhuma vez. E eu sorri, em meio as lágrimas, quando vi o balcão que Ben havia mencionado. Eu encontrei a chave escondida no batente da porta e abri.
O local não era os dos mais novos, mas eu não me importava. Eu estava livre de Jacob, eu estava livre do casamento. Eu ainda estava casada com Edward...
Então, congelei.
E saí dali o mais rápido possível.
Porque eu tinha que me encontrar com Ben e assinar os papéis, livrar Edward de tudo isso. Senão, Jacob iria atrás dele...
Ben POV.
Eu me sentei ali, fingindo estar normal, quando, na verdade, torcia para que tudo desse certo. Bella era uma boa pessoa, o Edward também. E eles se amavam. Eu ficaria feliz se alguém fizesse o mesmo por mim e pela Angela, caso algo do tipo acontecesse.
Eu sorri imensamente ao ver que Bella estava ‘atrasada’ há dez minutos. Mas me assustei quando, alguns minutos depois, ela surgiu, toda afobada.
- O que aconteceu? – sussurrei. – Eles vão vir buscá-la dentro de meia hora!
- Me dê os papéis do divórcio! – pediu. Olhei-a, confusa. – Assim eles não vão desconfiar do Edward e a família Cullen vai ficar bem.
- Bella... – sorri. – Tudo bem, mas depois você volta para lá, ok?
- Sim. Eu volto.
E foi assim que fizemos. Bella assinou todos os papéis, fingiu que comeu alguma coisa, para o caso de Jacob procurar uma testemunha, e voltou para o balcão.
Algum tempo mais tarde, quando eu já estava em casa, apenas torcendo para que tudo estivesse bem com a Isabella, meu telefone celular tocou.
E era Jacob.
- Ben, a Bella está com você? – Ele me perguntou com toda a educação do mundo, mas eu sabia a verdade. Sabia que ele estava morrendo de ódio. – Ela se encontrou com você hoje, não?
- Sim – murmurei. – Ela veio, assinou os documentos, comeu apressadamente, e disse que tinha que ir, porque tinha um compromisso... Com você. Isso. Foi o que ela falou.
- Hmmm... Ela assinou os documentos do divórcio? – indagou-me.
- Sim, senhor – respondi. – E eu já dei entrada. Ela é uma mulher divorciada agora.
- Obrigado. Se tiver notícias dela, peça que entre em contato comigo, por favor.
- Claro, Sr. Black. Eu entrarei.
Assim que desliguei o telefone, ri silenciosamente. Dentro de dois dias, quando tudo se acalmasse, eu entraria em contato com Bella e a traria para minha casa.
Bella POV.
Eu consegui chegar até o local com segurança, meu coração mais leve do que antes. Só que eu ainda tinha que me preocupar com duas coisas...
O fato de que, talvez, eu estivesse grávida. Porque eu tinha tonturas, eu ficava enjoada, eu tinha mais fome e sono.
E o fato de que, um dia, Edward fosse encontrar outra pessoa.
Mas... e se eu estivesse grávida? O que seria da minha vida? Eu não podia esconder essa criança do Edward, porque era injusto com ela e com o pai, mas eu também não podia aparecer, porque, se aparecesse, meu filho e a família Cullen seriam mortos.
Decidida a não me preocupar com aquilo naquele momento, e fui até a mesa que havia ali.
Havia instruções de Ben.
Bella,
Há comida na geladeira, algumas cobertas no armário, livros... Sinto por não ter uma televisão. Fique quietinha aí por um ou dois dias, e eu darei um jeito de te buscar.
Ben.
Eu sorri imensamente, e já segui até a geladeira. Não havia tanta comida ali, mas eu conseguiria sobreviver por dois dias, comendo bem. Ainda mais se eu estivesse grávida...
Acariciei meu ventre, enquanto comia. Eu sabia como havia ficado grávida; desde que Edward e eu nos separamos eu havia parado de tomar o anticoncepcional, mas aí, dois meses atrás, quando me machuquei... Bem, talvez eu estivesse, talvez não.
Mas eu sentia isso.
E eu só rezei para que tudo desse certo, porque não sabia o que aconteceria comigo se eu perdesse o meu bebê.
Edward POV.
Naquela tarde, naquele triste dia, eu recebi o comunicado: estava divorciado. Bella, enfim, poderia se casar com o cara por quem ela estava apaixonada.
Ir para casa havia se tornado um tormento enorme, e, quando a dor pareceu se tornar insuportável, eu simplesmente me mudei para o quarto de hóspedes. Não sendo capaz de encarar as coisas de Bella e nem me livrar delas, essa parecia ser a única coisa certa a se fazer.
E eu comecei a sair com outras mulheres. Mas eu não conseguia nada além de beijos, porque elas não tinham olhos castanhos, não tinham aquele sorriso que me encantava... Elas não eram Bella.
E nunca seriam.
Será que, algum dia, eu seria capaz de suportar tudo, será que eu conseguiria ser feliz?
Deitado no sofá da minha casa, assistindo a qualquer coisa que passava na TV, ouvi minha campainha tocar. Estranhando isso, levantei-me, e abri a porta.
Um homem alto e moreno me encarava. Eu não me lembrava de conhecê-lo de algum lugar.
- Boa noite – murmurei. – Algum problema?
- Olá – sorriu. – Você é o marido da Isabella?
Suspirei.
- Não vejo como isso pode ser da sua conta.
Ele estreitou os olhos.
- É que... – suspirou. – Eu sou um cara que veio do México... Ela saiu de casa cedo hoje e não voltou.
Meu coração se apertou por dois motivos.
Primeiro: esse cara deveria ser o namorado de Bella, o cara por quem ela tinha se apaixonado.
Segundo: ela tinha sumido... Tinha saído de casa.
- Desculpe-me, mas não posso ajudá-lo. Ela saiu de casa também. Nós nos divorciamos...
- Ah, sinto muito. – Por que eu tinha a impressão de que ele não sentia nada? – Bem, obrigado, vou procurar por ela em outro lugar.
- Boa sorte.
Fechei a porta e suspirando, desejando que Bella estivesse bem.
- Eu ainda te amo – sussurrei.
E eu ficava me perguntando se algum dia seria capaz de superá-la.
Ao que tudo indicava, não.
Bella POV.
Dois dias depois, Ben veio me buscar, pedindo que eu me disfarçasse e entrasse em seu carro. Fiquei o tempo todo abaixada, mal me mexendo. Naquela manhã eu estava bastante enjoada, e não sabia o que iria fazer.
Se eu estivesse mesmo grávida, como iria cuidar dessa criança? Como iria até um médico, para que ele pudesse acompanhar toda minha gestação?
Antes que eu me desse conta, lágrimas escorriam por meus olhos.
- Está tudo bem, Bella? – Ben perguntou, quando já estávamos na sua casa.
- Só preciso falar com você sobre uma coisa.
Nós nos sentamos na sua sala e Ben sorriu para mim, como se estivesse me incentivando.
- Eu acho... – Engoli em seco. – Acho que estou grávida.
Ben sorriu um pouco.
- É com isso que está preocupada?
- Eu nunca vou poder dar nada a esse filho, Ben! – engasguei. – Como vou levá-lo ao médico? Como eu vou ao médico? Eu...
- Fique calma, Bella. Olha, minha mulher é enfermeira... Ela começou a trabalhar há alguns dias no hospital onde o Edward trabalha... Eu vou dar um jeito, está bem? Prometo que vou arrumar tudinho.
- Eu não quero ficar dando trabalho...
- Bella, fique tranqüila. Eu quero isso, minha mulher concorda com isso. Nós vamos cuidar de vocês dois. Tudo vai ficar bem. Você vai ver.
Mais tarde, a Angela chegou, e me abraçou. Ela, assim que soube da gravidez, conversou comigo sobre tudo, e disse que até tinha uma ideia.
- Vai ficar tudo bem, Bella – sorriu. – Nós vamos fazer tudo isso funcionar.
Angela POV.
No dia seguinte, eu saí cedo de casa, e me dirigi até o hospital, onde, agora, eu trabalhava.
Meu marido, Ben, havia me contado toda a história, e eu sabia que aquilo era importante, não só para ele, mas... bom, digamos que era bom para todo o mundo. E nós faríamos de tudo para ajudar a Bella, que parecia tão assustada, e o Edward.
E o bebê também.
Eu comprei alguns testes de gravidez e guardei na bolsa, apenas para levar para casa. Arrumei também, algumas seringas e outras coisas, porque eu queria um exame de sangue. Não sabia como faria para arranjar os aparelhos para o ultrassom, mas daria um jeito.
E foi entrando no hospital e dando de cara com o Dr. Cullen, que eu tive uma ideia.
- Dr. Cullen! – chamei.
Ele se virou, parecendo cansado – mais do que nunca – e tentou sorrir.
- Bom dia, Angela – sorriu. – Já disse para me chamar de Edward.
- Bom, é que eu preciso conversar com o senhor – suspirei. – É um assunto muito sério.
Ele me avaliou por alguns minutos e, então, assentiu.
- Claro. Vamos até a minha sala.
Nós fomos, em silêncio, até a sala dele. Ele pediu que eu me sentasse, fechou a porta, e logo depois estava sentado também.
- Pode falar, Angela – disse.
- Olha, eu não sabia como agir, mas... – Torci as mãos nervosamente no meu colo. – É que eu tenho uma amiga... E ela está grávida, pelo menos é o que nós achamos...
- Por que ela não se consulta? – indagou-me. – Se for por falta de dinheiro, eu posso...
- Não – cortei-o, sorrindo sem graça. – É porque ela é... ilegal.
- Ah. – Edward assentiu, uma dor atravessando seus olhos. Eu sabia que ele estava pensando em Bella.
- E eu não sei o que fazer... Eu arrumei algumas seringas, agulhas, alguns testes de gravidez...
- Você pode recolher o sangue – suspirou – e eu analiso, sem ninguém saber.
- Obrigada – sorri. – E eu quero saber onde posso comprar daqueles aparelhos de ultrassom.
- Hmmm... – Edward parou para pensar. – Vamos confirmar a gravidez antes e depois nós vemos isso, está bem? Vou ajudar você.
- Obrigada. E ainda tem o parto... Ela não me pareceu muito bem ontem. Um tanto quanto pálida, vomitando tudo...
- Eu teria que vê-la para receitar vitaminas, Angela.
- Ela não quer que ninguém além de mim e meu marido a vejam, Edward. Sinto muito.
- Bom, nós vamos resolver tudo. Vou ajudar.
- Obrigada.
Pelo menos, pensei enquanto saía da sala, ele ia acompanhar a gravidez da ex-mulher e do filho de perto, embora, por enquanto, não pudesse saber de nada.
E eu só esperava que tudo desse certo.
Edward POV.
Eu não sabia bem o que estava fazendo, só sabia que não podia deixar ninguém na mão. Ajudar essa garota – que eu nem sabia quem era – fazia com que eu lembrasse muito de Bella, de tudo o que tinha feito para ajudá-la, porque eu a amava, a queria e queria cuidar dela. E tudo havia acabado da forma que acabou...
Mas eu tinha que ajudar, só sabia disso.
E rezar para que tudo ficassem bem.
Alguns dias depois – depois de Angela ter confirmado a gravidez – consegui os aparelhos de ultrassom. Angela levou para casa, com a ajuda do marido, tudo. Ela mesma faria a ultrassonagrafia e traria para o hospital, onde eu analisaria.
Talvez isso me deixasse um pouquinho mais feliz. Saber que eu estava ajudando alguém e tudo o mais.
E eu sabia que Bella ficaria feliz, mesmo não me amando mais, mesmo não querendo mais nada comigo.
Suspirei profundamente, pronto para ir embora para casa, quando meu celular tocou.
Era Alice.
- Alô? – murmurei.
- Edward! O bebê da Rose vai nascer!
Bella POV.
Faziam alguns dias que eu estava ali, na casa de Angela e Ben, e Jacob não fora me procurar. Ainda. Eu estava mesmo grávida, de dois meses, de acordo com minhas contas.
- BELLA! – Angela disparou pela porta, sorrindo. – Eu e Ben trouxemos tudo o que você precisa. Iremos fazer agora o ultrassom.
Eu sorri, feito uma boba.
Eu veria meu bebê. Meu filho. O que uniria Edward e eu, pelo resto de nossas vidas, independente do que fosse acontecer.
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